Lista de Poemas

Agora?

Se as coisas que sentimos acabam,
O que fazer com as semanas e os seus dias
Que nos apontam e nos acusam de ainda termos sentimentos? 
210

Sem formigueiro


Há uma formiga à andar longe do
caminho traçado,

À observar as trilhas perpétuas ,formadas

E seus irmãos correndo, fugindo
sempre das estações.

A rainha deu ordem de proibir-lhe a
entrada

E planeja com suas asas que o futuro
vire concreto borbulhante,

E que a rebeldia beije o desespero e
a inanição.

O poder não admite que nuvens
brancas: pairem e desenhem,

E todos os dias os olhinhos óctuplos são redesenhados e conformados

Em ver tempestades colossais.

Formiga sem formigueiro quem sabe nem
és formiga!

E das suas alturas enxerga...

... Que os excrementos possuem belos órgãos
sexuais que trancam os ferrolhos

Da percepção.


263

Encostas

Cai
sobre o ombro
as encostas do mundo.
306

Celebremos

Céu indiferente continua recolhendo

Para depois jogar poeiras astrais,

Criaturinhas esplêndidas morrem

E não renascem e, os que ficam fingem

Que ele está em algum braço
benevolente.

Fartamos-nos desde ontem das datas eloquentes;

Chega de presentes!

Reclamação de fome com carcaças
fincadas nos dentes!

Diversão sem emoção!

Abraços e dias sem afeto!
345

Caneta


Ah !

Que desejo de escrever algo que
ilumine

Tal qual luz laranja e trapezista.

Ah!

Que desejo de ver crianças voadoras

Lacrimejarem de tanto rirem.

Ah!

Que desejo latente de ser feliz e não
entender coisa alguma.

Há!

Cavalos que nascem em gramas verdes

Que são torturadas por fungos
infernais.

Há!

Potros confusos

Pois, seus pais marrons dormem sonhos
negros,

Enquanto, espumas brancas oriundas da
boca e orifícios nasais das éguas gélidas,

São amaciadas e tomadas como leite.

Ah!

Que um dia possa borrar em preto ou
azul

Fazendo a vontade do complexo bolso
que me encerra.

342

Ninhada ou que acontece na luz

Nasceram e as
boquinhas abertas

Não se sabe se por
fome ou desespero.

(seus olhos foram
abertos por um santo sem saliva).

Pelos castanhos,
brancos e barrigas ao chão.

Seres de antenas e muitas pernas observam os felpudos
encantadores.

A senhora Cascuda
lança provérbios eloquentes e cheio de pesadelos refrigerados:

" NASCEMOS E
MORREREMOS ESCRAVOS. "

"VERÃO MAIS BOCA QUE
COMIDA E EM ALGUNS QUINTAIS MAIS COMIDA QUE BOCAS."

" A IMENSA ALEGRIA É
SERMOS ESCRAVOE E LIBERTOS:

"SEMPRE PODEMOS
ESCOLHER A QUE ""AMO"" SERVIR."

" JÓ MORREU SACIADOS
DE DIAS".

E o som de quatro
pernas emudeceu esperando o colostro .

322

À Hrabskova




Mulher em rios caudalosos

De pensamentos

À olhar o seu chá enferrujado,

Morno, vivo e domesticado.

Ah ! e quando pensas criança

Em alguém; já notou

Que as margaridas que nasceram e
foram despejadas

Nas paredes ficam imóveis,

Como se estivessem ausentes...

Aguardando o seu semblante ressuscitá-las?

(pois o que existe não necessariamente
está vivo)


Olhando pela janela

Com sua chávena pintada em cores de Vicente Van Gogh

Por mãos chinesas.


As formigas caminham por tua janela
aquecida,

Enquanto muitos caminham

Em lábios aprisionados pelo frio

Em quietude absoluta.


Hrabskova em oração silenciosa

Grita em pulmões incandescentes,

Ao ponto que seus olhos verdes
contemplam o que muitos já perderam.


329

Toca na pedra

Criaturas leporinas a roer os seus dias,Nuvens altas no céu trancadas por chaves geométricasDeslizam em suaves tempestades refrigeradas.
íris castanhas em apêndices filamentosos pretos, brancos e marronsIndagam-se como pode as nuvens tomarem diversas formas,Sem serem eternas dia após dia.
Anjos cálidos com mãos nos rostosEscondem mandibulas equinasEnquanto riem de forma fenomenal.
De um granito uma voz reza :" Irmãos de Pinóquio deixem de enganar os desesperadosNão os ensine que a razão sobressai sempre Pois fomos entregues a loucuras produzidas !"
Enquanto isto um arfar humano corre pela florestaChega ao átrio em passos cadentes e charmososUma mulher, de cabelos multicoloridosDizendo que a carta do louco do baralho fala de uma forma diferente,Lapidando em versos transversais os ecos sinfônicos.
353

Um dia qualquer

Fera cinza
Escondida;
Seus olhos
Castanhos,
à espreita de
Sentimentos .

Pastam em sombras
Frias
As manadas
Elegantes.

A realidade fartou-se,
Regurgita o que não foi digerido,
Seu gemido e risos
Mesclaram-se.

Pertubadas ;
Manadas confusas
Disparam.
União desfarelada.

Fera cinza;
Revelada
Em dentes brancos,
Fluidos bucais vermelho-anteriormente-vivo
à escorrer em sua alegria.

Sombras frias
Ausência de manadas
Realidade trancada
Em corrente de falácia.
321

Trilhos

Que o seu dia possa ser como os dias das jovens que descobrem o mundo em um trem verde de almofadas cinzas ,
E toda maldade não passe de caretas divertidas batendo como insetos neste trem que assobia alegremente !
Seu rosto em dados geométricos... Lança sorte... Uma gritaria feliz...como crianças em parques ... e a vida cansada de ensinar... fica a contemplar seus lábios entreabertos !!!
366

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Minha biografia é tão simples...
Fui diagnosticado pela crença popular como retardado mental, demorei muito à aprender a ler e vivia olhando para meu próprio mundinho; lá não tinha ninguém que zombasse das minhas deficiências.
Assim que aprendi a ler, me deleitava com livros de poesias, alguns considerados malditos... Ainda hoje continuo no meu mundinho, não encontrei ninguém que fale minha língua.