Lista de Poemas

Desenlace

O arame farpado 
fere o vento
e a ferida arde
O sangue dolorido
espalha-se
e morre
na terra 
A vida treme
Geme o fim
Adeus, eterno!
A morte ainda
é para sempre.
116

Sem memória

Há um grito que não responde
Eco silencioso que soa longe

Solto no ar

A onda peleia com as pedras
-indestrutíveis -
Mar sem memória de marés
não é mar

Sal sem demasia,
apenas mar
sem sinônimos
nem significados

Arrojado,
céu azulado
A água passou:

é passado.
91

Outra vez

Manhã virgem de sol
Dor doída
que já não dói

A vida é um flash.

Ontem
ficou pra trás

Caminhos desbotam
as folhas faciais

Anoitece outono
para amanhecer inverno

E o frio aprisiona,

mas o colorido da primavera,
- Que dádiva! –
avança pelos dias de verão

E a liberdade de amar
o mesmo amor
- outra vez -
ilumina o coração.
101

Ciclo

A vida em espírito e corpo se formando
O vento embalando a luz
nas poesias lançadas ao ar

Canções intensas sem instrumentos
na ternura dos meus sentidos

Cresci admirando os caminhos,
colhendo belezas que as mãos alcançavam
- Lamentando as flores mortas –
e fazendo versos ofertados com carinho

Meus olhos anoiteceram
O silêncio me fez lembranças aos passarinhos

A vida é um voo constante.
83

Charnecas floridas

Charnecas floridas
após a chuva
- Vida líquida -
dançam alegres

Ventos de elásticos
Repuxe de ondas
repetem nos olhos
a fotografia

Exalam nos ares
- Aqui e além-mares -
legendas perfumadas
em cores que balançam
colorindo o inconsciente
- Das flores –
da gente.
96

Infrutíferas

Em silêncio a luz apagou,
A alma aquietou-se,
triste e aniquilada

Vaga-lumes de estrelas
distantes e calados,
iluminado a madrugada

Olhos sem brilho
vertem dormentes,
frutas inférteis,
infrutíferas sementes

Tudo é deserto
O verde morreu
O eco distante
diz o que viveu.
54

Admirável

A vista da vida
vinha dos olhos de vidro
das ventarolas das janelas

Descendo
a descida

Degrau
por
degrau

Lindo e límpido
como água do poço

Frescor da brisa
cheirando a flores

Zunido de abelhas
adoçando o sonho 

Crescidos
os girassóis sorriam.
98

Póticos

Pórticos rústicos
Alma em fuga
- Solitária -
Reflexo de luzes

Ventos de ausências
Suave récita poética
Som da lira
e as folhas dançam

Um passo
Mais um 

E mais outro...

A distância!

Flor com a haste quebrada
a vida dá pouco 
- Nada -

A pétala amanhece sangrando
... Mistérios
des (humanizados)
67

Declínio

Adornos de risos e alegrias
Farras e fantasias
semeando a vida 
no horto de hortênsias,
perfumando o sacrário
da frase morta

Esquecida

Nos degraus do campanário
não há luz

- Morrem as estrelas-.
118

Belezas de um dia triste

Do alto da rocha admiro o fiorde
longínquo, calmo, sereno
- Encantos -

Altos paredões rochosos
- Medo! –

Reflexos pálidos
brilham em minha calva tristeza.

Ao fundo a brisa leve
torna tudo inesquecível

Me nego a ceder

Parodiando a dureza
torno-me pedra

A pequena e distante cachoeira
alcança desanimada a água salgada

Deus nunca saberá que solucei

Na calma improvisada da alma,
o analgésico suaviza-me as linhas

Esboço breve sorriso,
ninguém vê, certamente

O caminho retorna

- É o que resta! 
Do outro lado,
dúvidas da vida
e a aurora boreal

- Deixo para lá:

- Bastam-me os horizontes
109

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)