E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
A harmonia de Bach, Convida-nos ao silêncio. Caímos em certo esquecimento, E, por momentos, somos maestros. Brindamos o amor, Batendo os copos E sacudindo o champanhe. Rotulamos estas horas, Com marca registrada da paz. Infinita, interior. A sensibilidade polifônica, Nos torna, Bach, Mozart, Ao menos, mimicamente imitamos, E novamente Brindamos, Sem perceber Que a música tocou Infinitas vezes. E quando deitamos Ouvimos Beethoven.
421
Porta-malas
Primeiro eu bebia minhas tristezas. Hoje sou abstêmio. Depois eu as fumava. Sou ex-fumante. Então passei a comê-las. Fui pra dieta. Jogava. Parei. Agora as absorvo. Não tenho mais fuga. Coloco-as no porta-malas da memória Em pequenos pacotes assim Atrapalham menos e Fica mais fácil levá-las comigo Sem que sejam notadas.
325
INCÊNDIO EM SANTA MARIA
O Rio Grande morreu hoje. Não liguem pra cá. Não tente encontrar ninguém. O Rio Grande parou de respirar. O estado inteiro sucumbiu. Estamos todos no chão. Morremos com nossos irmãos No peito dos gaúchos não bate mais coração.
284
Chuva
Caminhos, Cheios de gente. Indo e vindo.
E o menino dormindo. A mosca zunindo. O cão latindo.
O redemoinho fazendo zoeira. Você evitando a poeira.
O mato tremendo. Janelas batendo.
...A nuvem rompeu. Em Pouco Tempo Muita Chuva Desceu. Chuá Chuá Chuáááá...
375
Sombras
As nossas andam separadas. Em outros tempos eram vistas de mãos dadas. Eram enormes ao final do dia, Agora já não são mais nada.
A companhia boa é aquela que não se precisa. Tu eras a sombra que a mim encantava. A minha hoje, anda sem camisa. A tua era a proteção onde eu me sentava.
Talvez sejam vistas De outras acompanhadas. Não uma, Mas duas imagens sombreadas.
324
ANOS DE MIM
Aprendi a cantarolar Pra deixar o tempo passar. Aprendi a contra balançar. Anos de mim tento administrar.
Aprendi a interiorizar Tudo que quero analisar. Anos de todos que conheci Deram-me vontade de partir.
Aprendi a viver bem comigo, A me aceitar resignado. Aprendi a não ficar desanimado Quando foge um carinho anunciado.
Aprendi a falar baixinho Pra não me acordar assustado. A caminhar bem devagarinho Pra não despertar meu eu menininho.
Aprendi acordar bem cedo. Para escutar os passarinhos A abrir a porta das minhas mágoas E deixá-las repousadas num pergaminho.
Aprendi a conviver com as picadas. Admirar de tudo um pouquinho. Não fazer terra arrasada. Buscar só o bom caminho.
304
Que bom seria
Que bom seria se as segundas chances fossem reais. Se os amores fossem imortais. Se os pecados não se tornassem imorais. Se os reencontros não fossem banais.
Que bom seria se a vida fosse de paz. Se não quiséssemos deixar os outros pra trás. Se de perdoar todos fossem capaz. Se a fraternidade prosperasse cada vez mais.
Que bom seria se só tivéssemos alegrias. Se o sofrer fosse abortado em cirurgias. Se a felicidade viesse numa magia.
Que bom seria se o mundo fosse de igualdade. Se o respeito existisse em qualquer idade. Se o ser humano se despisse de falsidades.
410
Hemisférios
Meus hemisférios diferem entre si com muita clareza. O norte é durão. Odeia as convenções sociais, os bons modos e gentilezas. Adora destruir o inimigo. Golpeia com força para danificar o mais que pode.
O sul é doçura, é ingenuidade é amável em qualquer situação. Tem bons modos é gentil. É prestativo, está sempre disponível. É de uma ternura invejável. O sul ama as pessoas.
O norte é possessivo, grosseiro. É egocêntrico ao extremo. É cheio de paranoias. Estressado, violento e nublado.
O sul é humilde, Relax, límpido e ensolarado. Ah... O sul. O sul é um amado.
339
Felicidade
Definir felicidade. Só em doses individuais. Não a deseje de forma permanente Aí é querer demais.
Oscila em antagonismos inesperados. Vidros abertos ou ar condicionado. Grade ou liberdade. Café ou suco gelado. Cabelos longos ou raspados.
Faculdade ou não estudar. Fidelidade ou aventura. Humilhar ou afagar.
Bronzear-se ao sol ou refrescar-se na chuva.
Tênis novo ou amaciado. Perder peso ou comer o que tem vontade. Pintar os cabelos ou não esconder a idade. Correr descalço ou uniformizado. Ser discreto ou se fazer notado.
Cartão sem limites ou Dinheiro contado.
Bem vindo ou Boa viagem.
Dê o fora ou Entre e fique a vontade.
Amar de verdade ou A imensa saudade.
304
A SAUDADE
Seguro tua cabeça entre as mãos. Olho fundo em seus olhos, De infinitas verdades. De inúmeras realidades, E sinto tremer O seu corpo. Aquecer o sangue. Encaixa-se em mim E respira fundo. Seu mundo Nosso desejo. E na mágica O beijo. Afago seus cabelos. Afogo as palavras. No chão silêncio de felicidade. E no beijo de adeus A saudade.