E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Às vezes levantava e, Escutava o grito do grilo, Quebrando o silêncio Da noite melancólica.
Quando o dia chegava O sol mostrava seus primeiro raios Então se calava o grito do grilo Da noite melancólica.
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Rabo de tatú
Vindo de onde venho, Na peleia me garanto. Medo é coisa que não tenho. A chinoca soluçava em prantos. Pendurei o meu chapéu O peão parecia um réu, Pressentiu minha embretada. Já estava na minha mira E a camisa esbranquiçada, Tecida de caxemira De sangue ia ser manchada.
Pra não fazer muito escarcéu Olhei pra cara do réu E disse num verso só De malandro não tenho dó, Se te levo pros cafundós Nunca mais verás o sol.
Não que eu tenha grande valentia, Mas nem olhe pra esta guria. Se quiser ter outra chance, Antes que eu te desmanche Dá no pé desaparece. Só deixe pra traz a poeira Vá pulando a porteira, Pois pra metidos como tu Que não me cai em simpatia Que fica azarando as gurias Dou de rabo de tatú.
Sou de coração grande Mas avesso a desaforo. Já distante, vi que me ofendia, Juntei na rédea o meu moro Que só de me olhar arrepia Seguido por dois cachorros, Quanto mais ele corria Mas corria meu matungo. Soltei de vez os caninos Só escutei o estouro Quando no rio molhou o couro.
Os meus cães não recuaram. Nadando também se foram. Deixei o pingo beber água Se refrescar um pouco. Só fiquei esperando Cada cão trazer um osso, Desse índio tosco Que entrou onde não devia.
Voltei num trote pra onde estava Com a certeza da coisa certa. Pra esta gente que se acha esperta Isso serve de alerta Não tente puxar a coberta De gaudérios como eu.
Vou encurtar, pois não minto. Vivi feliz com a guria Que aquele loco queria Pra ser sua companhia.
Os cachorros já se foram O moro também partiu Mas quando dou uns assobios Escuto latidos e um relinchar de cavalo, A lembrança da chinoca, Da memória não sai Ela esta junto do Pai, Mantendo as porteiras abertas Pois lá chegarei... Na certa.
E digo, com toda a franqueza, Sem isso tudo que eu tinha Às vezes sinto até pena Do peão que estraçalhei.
Não sei quando partirei Mas pressinto que esta perto. Não quero levar tristezas. Vou perdoar o xirú Pendurar o rabo de tatú, E os ossos que guardei, Num gesto de nobreza Vou enterrar na natureza E até uma oração farei.
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INCÊNDIO EM SANTA MARIA
O Rio Grande morreu hoje. Não liguem pra cá. Não tente encontrar ninguém. O Rio Grande parou de respirar. O estado inteiro sucumbiu. Estamos todos no chão. Morremos com nossos irmãos No peito dos gaúchos não bate mais coração.
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Faça de sua vida. II
Faça de sua vida uma cereja. Com um bolo de pano de fundo, Em que a felicidade não seja Contada em segundos.
Faça de sua vida um balão, Suba, voe pelos ares. E quando a terra retornares Não prenda seus pés ao chão.
Faça de sua vida uma floricultura encantada. Com vários perfumes e cores, Rosas vermelhas para amada E outras pra servir aos beija flores.
Faça de sua vida uma floresta, Com notas de sabiá, Com colibris a brincar, Com ipês, borboletas e maracujás.
Com gotas de sereno denso, E sol adentrando a mata Com barulho de cachoeiras, E murmúrios de cascatas.
Faça de sua vida uma estação. Que tem retornos e partidas, Que tem abraços e emoções. Que tem chegadas e saídas.
Faça de sua vida um mar azul. De ondas vibrantes, De águas límpidas de norte a sul, De navegadas emocionantes.
Faça de sua vida uma edificação. De arquitetura ultra leve, Lembre-se que tempo é em fração, E que a passagem é bastante breve.
349
Aprendiz
Discutimos Aristóteles. Platão, existencialismo. Discutimos O estado. Atenas, Esparta. Discutimos Classes, Sociedade, Competição. Discutimos Como bestas. Como bostas. E o que importa se Deus existe?
372
Que bom seria
Que bom seria se as segundas chances fossem reais. Se os amores fossem imortais. Se os pecados não se tornassem imorais. Se os reencontros não fossem banais.
Que bom seria se a vida fosse de paz. Se não quiséssemos deixar os outros pra trás. Se de perdoar todos fossem capaz. Se a fraternidade prosperasse cada vez mais.
Que bom seria se só tivéssemos alegrias. Se o sofrer fosse abortado em cirurgias. Se a felicidade viesse numa magia.
Que bom seria se o mundo fosse de igualdade. Se o respeito existisse em qualquer idade. Se o ser humano se despisse de falsidades.
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ESCRITOR E POETA
Há poucos dias, vendo uma entrevista na TV câmara com o escritor Ledo Ivo, (falecido recentemente) o apresentador citava o entrevistado como escritor e poeta. Logo apareceu a legenda “escritor e poeta”. Sempre se fala assim. Pensei: o poeta é o quê, afinal?
357
Fim do mundo
Fim do mundo
De todos os fins de mundo que já participei, este é o mais comentado. Vai ser muito bom. Contudo, tenho certeza que o próximo será ainda melhor.
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Pés nus
Foi bom demais pra mim. Talvez você também tenha gostado. Quem dera fosse sempre assim! Ah... Eu ficaria mal acostumado.
A brisa e a sombra da floresta, Os pés nus no gramado. Os esquilos vibrando em festa. Vendo nosso desejo provocado.
Conta-me o capítulo que eu não vi. Basta-me te escutar calado. Estando assim perto de ti Tudo me deixa encantado.
Penso que faz falta em minha vida, No abraço lembro-me do que a gente viveu. Sem querer deixei-te lágrimas na partida, Mesmo sonhando com um sorriso teu.
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Inquietações
Das minhas inquietações Tem umas que nunca entendi, Haverá mesmo um amor Impossível de substituir?
Que dizer destes encontros, Ainda que acabe sem prantos Amantes de amor doridos, Saiam saciados sem ter fingido?
É possível deliciar-se uma só vez Com alguém, quando convém, Se amanhã nem mais palavras Cada qual um amor tem?