E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Que a cada dia eu tenha um objetivo e um motivo pra lutar. Que eu agradeça sempre antes de deitar. Que a tristeza e as desilusões não me façam perder a ternura. Que eu entenda que nem tudo o que quero é viável. Que não se vive sem uma pitada de dor. Que a finitude seja por mim respeitada. Que algumas saudades não significam nada. Que passo rapidamente de decapitador e decapitado. Que quanto mais ofereço mais sou recompensado. Que sou humano, mas nem sempre sou errado.
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Pietá
Decepciono-me ao ver o mapa E o traçado final estampado. Queria o segredo no cofre guardado Porque amar é a arte de tentar, de se doar, de renunciar. Teus amores deliciosos, onde estão? Agora em meu rosto só a expressão de Pietá, Minhas mãos vazias pra mostrar. Nestas noites em que só palavras voam, E dos meus dedos brotam céus em desalinho, Giro neste quarto de chão molhado Tropeço no escuro do caminho. Nem sombras dos que me pediam Pra mais alto eu falar. Nem pontes unindo sul e norte, Nem em aquarelas vejo teu olhar, Só um vento que sopra melancólico e forte. Mas há de haver um ponto sagrado Onde o mundo possa ser ancorado E viver em harmonia O sonho pela vida sonhado. Onde o sol bronzeie a pele Onde a semente germine Onde a realidade sorri. E a vida, preciosa, se ilumine.
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Talvez
Talvez não seja tão decisivo saber se Deus existe se estivermos em dia com nossa consciência.
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Excluir
Excluir: Expulsar, retirar, rejeitar. Ações que humilham e acabam com a autoestima. Deixe de lado o orgulho e pratique a inclusão. Todos serão mais felizes, principalmente você.
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Presente
Abri a caixa com cuidado. Era o presente da minha vida. E como eu estava lindo nela.
Tive vontade de correr na rua De sentir a chuva, Não me contive, pulei a janela.
Se for idiotice não importa. Chame-me pra dentro Que desta vez entrarei pela porta.
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Rosas
Rosas
Não mandarei no teu endereço levar Nem trago, pra você, rosas na mão. Por saber onde sempre vais estar Entrego-as direto ao meu coração.
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Rei de copas
Trago o cheiro forte de incenso. Espalhado em meus perfumados pensamentos. Ao longe, o barulho incessante de vento. A lareira ofegante ainda aquece aqui dentro.
Na claridade deficiente avisto um vulto. A garrafa de vinho deitando-me insultos. Meu interno titubeia em total tumulto. Foge o menino, grita de longe o adulto.
Eu que não venci meu irmão pra fundar uma cidade. Não fui grandioso pra estampar o rei de copas. Não bradei descobertas geniais na minha mocidade. Nem naveguei, ainda que trôpego, pelos mares da Europa.
A água no vaso não impede que as rosas murchem. Nas estufas da vida novas flores surgem. Não vou deixar a vida no cofre trancafiada. Sigo, mesmo que lôbrega possa ser a jornada.
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Duas e meia
Não vou atribuir à má sorte este ardor. A beira da estrada o sol queima sem pesar. São apenas duas e meia e calor, Piso solo quente pra a areia me castigar.
Pra alma não há árvores sombrias Nem portas pra ventilar. Prevalecem às tristezas sobre as alegrias E tempestades dignas de penar.
Elevo-te ao ponto mais alto vida,
Sorria-me ao menos em alguns segundos. Vejo a esperança tingida Afundando sonhos e mundos.
Azula-me céu límpido de raios acalorados Este sol perpassa meus íntimos desejos. Onde estão as nuvens densas enamoradas, Que trarão chuvas abundantes de festejos?
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Dieta
Despeço-me desta lida. Tomo outros rumos. Escrever já não me alegra. Meus versos se esvaziaram. Esqueço até de regras. Já estou no mata piolhos, Faltam-me dedos para alçar. Sendo assim não vejo, Razão para continuar.
Antes era fácil. Eu espetava umas palavras, Temperava com pedacinhos de sonhos, Polvilhava com abundantes ilusões. Pronto. Só degustar.
Agora não. Palavras não me apetecem. Temperos a vida já não contém, Ilusões não fabricam mais. Sonhos ficaram lá... Bem pra traz.
Entro numa dieta rigorosa. Consumirei apenas aqueles olhos magros. Mergulhados sobre os meus. Sem os deliciosos beijos doces, Sem os apertos gordos ofegantes. Momentos pouco picantes, Sem as cenas do romance.
Deixo a magreza poética me vencer, Não farei forças para reagir, Não vai fazer diferença. Pra mim chega. ...Não quero mais escrever. (Publicado na Antologia Poesias Encantadas V
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Criminal
Se maduro ou imaturo Se te faz santificar ou pecar, Ainda assim eleva-te e te sinta seguro. Em nenhuma circunstância se permita errar.
Se o amor um dia nos matar, Ele é que vai ficar mal. Poucos irão tolerar. Ele é que será criminal.
Suspenda o que te faz impuro. Abrace, beije se entregue. Não adianta socar o muro. Só com o ódio pegue leve.
A mente que te movimenta Controla-te sem cessar Não leve tudo tão a sério, não esquenta, Só não deixe, de aos outros, amar.