Lista de Poemas

Luz acesa

Desta busca ao impossível
É que sou sobrevivente.
Tantas faces insensíveis.
No caminho estão presente.

Desta busca a felicidade
É que rondo de luz acesa.
Busco todas as possibilidades
Se não as encontro abasteço de tristezas.

Desta busca ao verso inexistente
Escrito com alma latente.
É que perdi os melhores poemas.

Buscando a rima rica
Que pra mim pouco se aplica.
Fui tropeçando em pobres fonemas.
334

Outdoor

Eu não tenho medo,
De abrir a foto pra te olhar.

Eu não tenho medo,
De escancarar a porta pra você entrar.

Eu não tenho medo,
De desenhar de risco de giz
Um coração, pra te ver feliz.

Eu não tenho medo,
De te oferecer majestosos
Buquês de rosas.

Eu não tenho medo,
De ao mundo revelar
Todos os segredos.

Eu não tenho medo,
De dançar com você
Um bolero sertanejo.

Eu não tenho medo,
Do teu sentimento de reciprocidade,
Vou confessar este amor num
Outdoor, na principal avenida da cidade.
421

Olhar

Às vezes que falo pouco trago às palavras certas no olhar.
Basta querer ouvir.
335

Desejo-te

Quando digo que te amo.
Talvez nem devesse dizer.
Na verdade não te amo.
Eu vivo em você.

Quando digo que te quero.
É só força de expressão.
Na verdade não te quero.
Já moras em meu coração.

Quando digo que te desejo.
É porque te desejo.
Não tem nada de mentira.

Quando digo que serás minha.
É porque serás minha.
Meu querer muito te admira.
295

Descompasso

Olhos brilhantes na beleza do mar.
Descalços pés de amantes apaixonados.
Esperanças no horizonte a se renovar.
Infantilmente mariscando desejos guardados.

Um carinho sentindo a brisa.
Mesmo pisando na água fria.
É desejo que se realiza.
É sonho de alegria.

À noite nos incandesce
De um salutar querer,
Em silêncio peço a Deus em prece
Pra nunca sem você amanhecer.

Vendo-te acordar pensei com esmero
Naquele momento o que eu mais queria,
Ouvir um eu te amo sincero
Junto com teu beijo de bom dia.

A emoção não te convence
Isso da tua boca não sai,
Calo num abraço comovente
Enquanto uma lágrima sorrateira cai.

Mesmo que em palavras sonegas
Escuto teu coração palpitar.
No descompasso, sem querer entregas,
A tua vontade de também me amar.
319

Ao mar

Joga-te ao mar,
As ondas vão te beijar.
Joga-te ao mar,
Na areia do mar.
Escreve teu nome e o meu.
Joga-te ao mar,
No leito lindo do mar.
Nos dias de maresia,
Teu cheiro em minha fantasia
Fico louco pra te encontrar.
Joga-te ao mar,
Mergulha este corpo escultural.
Sou pescador vou te pescar.
Joga-te ao mar,
Molhe seus cabelos e
Balance-os ao levantar.
Joga-te ao mar,
Quero mais ainda te desejar.
Joga-te ao mar,
E quando eu chegar,
Ainda molhada,
Corra na areia.
Corra pra me abraçar.
325

Duas e meia

Não vou atribuir à má sorte este ardor.
A beira da estrada o sol queima sem pesar.
São apenas duas e meia e calor,
Piso solo quente pra a areia me castigar.

Pra alma não há árvores sombrias
Nem portas pra ventilar.
Prevalecem às tristezas sobre as alegrias
E tempestades dignas de penar.

Elevo-te ao ponto mais alto vida,

Sorria-me ao menos em alguns segundos.
Vejo a esperança tingida
Afundando sonhos e mundos.

Azula-me céu límpido de raios acalorados
Este sol perpassa meus íntimos desejos.
Onde estão as nuvens densas enamoradas,
Que trarão chuvas abundantes de festejos?
371

Certeza

Se um dia fiz amor, foi com você.
Se por vezes senti calor, foi o seu.
O ombro que te apoiou, foi o meu.
A magia do amor aconteceu.

No jardim desta lírica vida.
De primaveras imensamente coloridas.
Fostes a rosa escolhida
Perfumada e atrevida.

A respiração pulsante, própria dos amantes,
Sentimos bem abundante.
Na noite que foste minha.

Quando na areia você escreveu.
O recado que me deu.
Tirou a dúvida que eu não tinha.
431

Se é amor

Se é amor...
É natural.
Nasceu sem semear.
No inverno não vai murchar.

Se é amor...
Tem seu sabor.
E ninguém conseguirá comparar.

Se é amor...
Basta um olhar. Palavras podem atrapalhar.
Mantenha segredo, nem precisa contar.

Se é amor...
Diga baixinho.
Ninguém mais precisa saber,
Só eu.
E talvez você.
370

Conta-me

Conta-me como foi o teu dia.
Fala se a saudade te maltratou.
Se algum cheiro de comida lembrou o cardápio que degustamos.
Se você procurou meu rosto olhando na rua para um desconhecido.
Diga se pensou em algum momento ter escutado a minha voz.
Se, ainda que apenas um segundo, lembrou-se do quanto amo você.
Se o cheiro de algum perfume te fez respirar fundo pra tentar sentir o meu.
Se uma lágrima esteve em teus olhos ao lembrar-se das minhas.
Se você contemplou perdidamente o nada e se viu com um sorriso no rosto pensando em nós.
Se em algum momento riu das brincadeiras que fizemos juntos.
Se estive em teu sonho na última noite.
Se o toque do lençol em teu corpo te fez lembrar meus carinhos.
Se o desejo de amar te fez pensar em mim.
Se ao acordar tocou a colchão buscando meu corpo.
Conta-me.
Eu ficarei feliz em saber.
Pois nunca escondi o quanto eu amo você.
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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)