Quando assalto as almas de ideias E prendo-as no papel Elas perdem tanto o seu primor.
Creio que seja o trauma sofrido por elas De deixarem de ser além da matéria E tornarem-se letras.
O trauma é, de tal modo, que envelhecem bem novas, E quando vou em suas folhas Não me parecem ideias de outrora.
Fico caçando a ideia nas vírgulas E tento-me achá-la em mim: Mas ai lembro que a sequestrei E tornei menos alma e mais gente.
Antes, uma cara vigorosa Cheia de saúde As veias que apareciam Eram rígidas com vontade Mas agora seus olhares são tão esmos Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara; Suas pernas, antes tão vigorosas, Agora cheias de varizes irancudas Sedentas de vingaça Pela minha lesa à majestade.
A natureza faz de propósito Para que eu não as admire mais Mas eu, o que tenho a perder? Apenas um júbilo a menos em meus dias E as ideias, coitadas Para sempre idosas na idade de 5
O último sonhador será o homem mais tolo da terra! Menos tolos foram aqueles que não sabiam de nada!
Imundo pelos pensamentos imundos de seus antecessores. Aquele que agregará todos os sonhos da que a raça humana já propôs: Esse homem será o mais imbecil que há! Preenchendo lacunas com mentiras. A única certeza é a ignorânica: todas as nossa conclusões, setiradas de pontos de vistas limitados, doravante também serão limitadas. A ignorância é a única coisa que torna um homem são
Homens,de todas as eras,estudam,estudaram e estudarão uma parede branca Cada um tateia uma parte da parede: tiram conclusões precisas sobre tal parte da parede. O último homem,esse último sonhador, detendo o conhecimento agregado de todos os mestre: tods que tocaram a parede e, junto ao próprio tato, chegará na conclusão última de que: tratava-se de uma parede. Mas não enxergou a porta detrás dele,pois estava de costas. Estamos de costas,meus amigos,mas não podemos virar. Se não podemos sentir,acurar,verificar todos os elementos do universo ao nosso redor,relevantes ao nosso estilo de vida ou não, como poderemos atravessar a porta se nem sabemos: onde ela está se ela realmente existe e se nem nos importamos com a própria porta. Queremos chegar ao lado de fora pela quina.
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Homem
Se eu fosse um homem Eu poderia sonhar e ser sonhado Chorar e ser chorado Até o fim dos meus dias à dias do fim.
Se eu fosse um homem Das montanhas perfuradas que eu construiria Todas ruiriam E todas cairiam sobre mim No meu corpo já frio.
Se eu fosse um homem Pensaria ser infinito Olhando para o infinito Na beirada de minhas fronteiras E essas, eu tentaria destruir Mas eu destruiria a mim mesmo.
Se eu fosse um homem Nasceria estrangeiro ao vazio E sentindo um calor patriota irancudo ecoando em mim Fujiria para minha terra natal.
Se eu fosse um homem Seria tudo sendo nada Apenas no querer E no querer,todo poderoso Somos tudo o mais além de nós, Pois se quiséssemos ser nós mesmos Não sonharíamos ser outrem.
Se eu fosse um homem Eu me ajoelharia rente ao nada à espera de uma sombra na qual eu me encubriria
Se eu fosse um homem Eu não sei o que eu não seria. E é esse não saber O não Que me alegro em não ser homem.
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O Peregrino Da Perdição
Andando a esmo na orla do inferno Tendo as pernas espetadas pelos grãos de areia Carregados pelos ventos malditos Seguindo o bradar do demônio interno Sentindo a acidez do sangue fervente em sua veia Escapando dos pensamentos bandidos
Marcha de almas penadas Em direção das montanhas infernais Em subida infinita para o paraíso Apenas pensamentos tolos e incalculados Vão em tentativas fracassadas Nascidas nanimortas pois nos atos banais Foram cruéis,podres,escarnavam a riso Tentam apenas por instinto,eternos maculados
O peregrino das dunas infernais vê tudo Olha triste,visão digna de pena Mas também magnífica,em tom absoluto Nunca vivenciou uma mais bela cena
Corpos podres e negros Uma torre de corpos,que das nuvens utrapassava Escorada nas montanhas,visão surreal e inumana À esquerda,a queda rente da montanha À direita,as silhuetas horrendas dos pecadores Iluminados pela luz dos relâmpagos vermelhos Do céu da perdição
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Mendigo
Leio uns versos quaisquer Bonitos Bem consturidos Mas comuns. Li ele em uma ruela da vida E vi como deveria ver: Apenas uma pedra dentre demais. São lindas as viagens de cada letras Porém não indígenas: Quantos bardares Já vi tão iguais? Terminando a valsa Já julgo serem versos marginais De um exímio amador tal qual meu patamar Quando vejo o autor:
Fernando Pessoa.
Então eu vejo uma poesia.
Se Pessoa fosse apenas uma pessoa Se o papel em que escreveu tivesse sido esquecido Na frente da tabacaria Só seria tinta rabiscada em uma folha vagabunda.
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Maresia
Sempre procuro outros sonhos Que não sejam amor: Viajando na beirada das estrelas Deslisando os dedos nos anéis de Saturno Dormindo com nebulosas, estas chovendo em meus cabelos.
Essas icógnitas São-me tão mais belas Tão mais fáceis de namorar Do que o amor Esse matagal sem insetos ou animais Só um verde simples E eis que mora o ventre do perigo: Sem desafios,,só se ver o belo verde Onde se mergulha E não se vê fim. Se afoga no lamaçal em seus pés E se enoja. E quando escapa Fica menos crente de suas belezas Até que desiste.
Nunca beijei Nunca transei Mas nunca odiei quem o faz ou já fez; Pesadelos meus não maculam sonhos alheios Mas a alegria destes só sujam minhas vistas. Mas,respiro fundo, E limpo os meus olhos.
E,na enseada no fundo do cosmos, Vejo a maresia ir e voltar, As estrelas dançando como água, E respingarem. Eu espero,ansioso O dia em que amarei e deixarei de amar Para compartilhar com vocês Meus devaneios e companhias.
Se são reais ou fantasia, Só a maresia saberá.
213
4th of July
When the rain falls around I sing the anthem out loud Don't call me whem I'm among the stripes 'cuz I'm the fool of the 4th of the July
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Imbecilidade Ornamentada A Ouro
Banho os interpérios de minha mediocridade Com palavras rebuscadas em demasia
Disfarço minha ignorância com sagacidade Com alegorias e fantasia
Comtemporâneos como eu,que possuem tal habilidade Fluem à favor da maresia
mesmo a contragosto; sinto esta tempestividade também nego, me engolfo em teimosia
Nós nos recusamos a admitir tamanha promiscuidade Equipararmo-nos com a ralé sem assepsia
Mas nós somos imbecis igual ao resto da cidade Não é justo tratar-lhes com tanta descortesia
153
Doll's eye
The elder shine Upon the men Tries to figure out What happened to them.
The dark light above the skull Pierces the calcium And, among the black in the eye hole Did you see? The call of the Others?
Você conhece o sonhos de uma formiga? Você olha nos olhos de um tubarão E só há negro. Sabe que se implorar pela vida Suas preçes se afogam no escuro do olhar. Ele sabe que você é vida Mas não se importa?
153
Candle
A tinta da caneta É a sombra da alma. Rouba-lhe o contorno, Mas só sob a luz A vida se revela.
A vela no meio da mesa Majesta no escuro, Que sem sua luz, As sombras, suas servas Não estariam ali.
Vivendo nos domínios do claro Não ousam viver na fronteira da vida, Pssando do real, Se mesclando com o vazio.
Elas todas Silhuetas de outrem, Nenhum conteúdo original, Sem núcleo no próprio ser.
Se a sombra de minha caneta Soubesse quem lhe empata a luz Ela não se chamaria de mais ninguém.
Se eu apagar a vela Eu cego ou eu sumo?
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Camarim
Te olho,mas não te vejo Me enxergando Apenas seus olhos Me olhando Oblíquo Sem verem o que há detrás da cortina Os bastidores de minh'alma
Imaginando fantasias Que não fantasio Se é que pensas que fantasio com tuas fantasias Que não são minhas [e furto-as do mesmo jeito Mas enxerga o eterno balé Rodopiante no camrim No chão de madeira do palco enxarcado de lágrimas minhas já de outrem
Tu não imaginas só me enxergas Não te enxergo mais Depois de tantas fantasias
Também não enxergo teu balé Mas eu aspiro tanto Ser seu bailarino Mesmo não sabendo dançar [ou amar Tu não me ouves Tu nunca me quiseste Como eu te quis
Quero não te querer mais, mas mostra-se uma tarefa árdua nessa madrugada de paixão.
O/v/e/r/s/e/i/r/o/i/n/a/n/i/m/a/d/o
Prosado Versado Envergado Para o céu sem ninguém Estrelas que nunca amaram alguém São paixões de outrem Olhando muito além Mais profundo do que qualquer [amém Rimas de Santárem Aqueles que as cantarem
Versos deformados e obscuros Cujos sentidos escapam do próprio autor Pois a verdadeiro obra está no leitor no espectador admirador
No fatal corte da solidão... Não a sinto. Não. não. Não há o que se doer Em míseras palavras de Adolescente.