monteiro_damaceno

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Musa

Essa minha mensagem é para você
Minha formosa musa
A enterna indigente da galáxia
Enterrada no fundo do cosmo
Com os vermes do acaso
Dilascerando seu corpo.

Tua pele é imperatriz
Um arco-íris de beleza:
É negra, é ébano;
É branca, é cor-de-neve;
É brozeada, pincelada pelo sol;
Cabelo ruivo, beijada pelo fogo;
Crespo, ondulado como o Atlântico;
Liso, calmo como o Pacífico;
É louro, dourado como tua alma;
É castanho, como os carvalhos de seu jardim
avizinhados das palmeiras,
dos coqueiros,
dos pinheiros;
É negro, como o véu que te encobre,
escondendo sua verdadeira beleza.

Seu rosto é alongado,
É curto,
É largo,
É fino;
Seu nariz estreito e chato;
Seus lábios magros como pinceladas de amor,
E grossos como força de teu calor.


Você é todo mundo,
Mas ninguém te conhece
Como eu te conheço.
Muitos pensam seus seus seios
Pequenos,fartos
Seus quadris,
Magros, gordos, retos e redondos;
Muitos te olham
Mas não te enxergam
Como eu te enxergo.

São poucos os homens que te vislumbram
Atráves da cortina carmesim
De onde tu se escondia por trás.
O holoforte projeta sua sombra na cortina
E todos ficavam loucos com sua dança.
Eles te estudavam
Amavam-te
Mas não como eu.

Dormi contigo
Sonhei contigo
Eu que vi o abismo de seus olhos;
Todos sabem de seus pecados
Mas só eu que vi
Seu clamor por redenção.

Pensamentos suicidas te cercavam,
Era esse seu pecado.
Machucava-se
Esfolava-se
Cortave-se sem perdão.
Sem ninguém para te amar,
Procurou,procurou
Mas ninguém lhe amou.
Não,não como eu te amei.

Mas vocês não sabia.
Nunca sentiu meu clamor para contigo.
Deus sabe quantas noites eu chorei
Porque vi você chorar
Porque vi você sofrer
Sangrar sem parar.

Quando te achei, já era muito tarde:
No salão vazio, no canto da parede
Tu jazia morta
Afogada em pecado.

E ali você ficou:
Ninguém havia te achado
Todas as outras pessoas estavam longe
E ali,naquele canto sem nome
Você apodreceu.

Você já estava muito doente antes:
Pálida,mas não era aquele seu pálido invernal,
Era um pálido morimbundo
Que amaldiçoava sua pele branca,
que também era negra,
amarela,
bronzeada,
parda.

Seus olhos,outrora sendo tudo
Já não enxergavam nada
e não tinham mais aquelas cores
que pelas quais eu tanto me apaixonei.

Anos se passaram,e você continuou lá
Sem lápide,
sem epitáfio.
E agora, volto para seu leito de morte
E ainda admiro seu corpo,
que já foi muito belo,
mas mais bela ainda era sua alma.
Muitos diriam que você era louca,
era doente,
que merecia morrer.
O inferno para eles!,eles não sabem o que falam.
Só queriam o seu corpo,todos eles!
Só eu que quis tua alma.

Agora o véu de estrelas te cobre,perfeita:
Os pequenos pontos iluminados desenham seu rosto
E te tornam mais uma vez bela.

Já te chamaram por inúmeros nomes
Mas só eu que te ouvi sussurrar
Seu belo nome,

Ó,minha bela
Humanidade.
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Poemas

36

O Último Sonhador

O último sonhador será o homem mais tolo da terra!
Menos tolos foram aqueles que não sabiam de nada!

Imundo pelos pensamentos imundos de seus antecessores.
Aquele que agregará todos os sonhos da que a raça humana já propôs:
Esse homem será o mais imbecil que há!
Preenchendo lacunas com mentiras.
A única certeza é a ignorânica: todas as nossa conclusões,
setiradas de pontos de vistas limitados,
doravante
também serão limitadas.
A ignorância é a única coisa que torna um homem são

Homens,de todas as eras,estudam,estudaram e estudarão uma parede branca
Cada um tateia uma parte da parede:
tiram conclusões precisas sobre tal parte da parede.
O último homem,esse último sonhador,
detendo o conhecimento agregado de todos os mestre:
tods que tocaram a parede e,
junto ao próprio tato,
chegará na conclusão última de que:
tratava-se de uma parede.
Mas não enxergou a porta detrás dele,pois estava de costas.
Estamos de costas,meus amigos,mas não podemos virar.
Se não podemos sentir,acurar,verificar todos os elementos do universo ao
nosso redor,relevantes ao nosso estilo de vida ou não,
como poderemos atravessar a porta se nem sabemos:
onde ela está
se ela realmente existe
e se nem nos importamos com a própria porta.
Queremos chegar ao lado de fora pela quina.
178

Homem

Se eu fosse um homem
Eu poderia sonhar e ser sonhado
Chorar e ser chorado
Até o fim dos meus dias
à dias do fim.

Se eu fosse um homem
Das montanhas perfuradas que eu construiria
Todas ruiriam
E todas cairiam sobre mim
No meu corpo já frio.

Se eu fosse um homem
Pensaria ser infinito
Olhando para o infinito
Na beirada de minhas fronteiras
E essas, eu tentaria destruir
Mas eu destruiria a mim mesmo.

Se eu fosse um homem
Nasceria estrangeiro ao vazio
E sentindo um calor patriota irancudo ecoando em mim
Fujiria para minha terra natal.

Se eu fosse um homem
Seria tudo sendo nada
Apenas no querer
E no querer,todo poderoso
Somos tudo o mais além de nós,
Pois se quiséssemos ser nós mesmos
Não sonharíamos ser outrem.

Se eu fosse um homem
Eu me ajoelharia rente ao nada
à espera de uma sombra na qual eu me encubriria

Se eu fosse um homem
Eu não sei o que eu não seria.
E é esse não saber
O não
Que me alegro em não ser homem.
170

O Peregrino Da Perdição

Andando a esmo na orla do inferno
Tendo as pernas espetadas pelos grãos de areia
Carregados pelos ventos malditos
Seguindo o bradar do demônio interno
Sentindo a acidez do sangue fervente em sua veia
Escapando dos pensamentos bandidos

Marcha de almas penadas
Em direção das montanhas infernais
Em subida infinita para o paraíso
Apenas pensamentos tolos e incalculados
Vão em tentativas fracassadas
Nascidas nanimortas pois nos atos banais
Foram cruéis,podres,escarnavam a riso
Tentam apenas por instinto,eternos maculados

O peregrino das dunas infernais vê tudo
Olha triste,visão digna de pena
Mas também magnífica,em tom absoluto
Nunca vivenciou uma mais bela cena

Corpos podres e negros
Uma torre de corpos,que das nuvens utrapassava
Escorada nas montanhas,visão surreal e inumana
À esquerda,a queda rente da montanha
À direita,as silhuetas horrendas dos pecadores
Iluminados pela luz dos relâmpagos vermelhos
Do céu da perdição
170

Mendigo

Leio uns versos quaisquer
Bonitos
Bem consturidos
Mas comuns.
Li ele em uma ruela da vida
E vi como deveria ver:
Apenas uma pedra dentre demais.
São lindas as viagens de cada letras
Porém não indígenas:
Quantos bardares
Já vi tão iguais?
Terminando a valsa
Já julgo serem versos marginais
De um exímio amador tal qual meu patamar
Quando vejo o autor:

Fernando Pessoa.

Então eu vejo uma poesia.

Se Pessoa fosse apenas uma pessoa
Se o papel em que escreveu tivesse sido esquecido
Na frente da tabacaria
Só seria tinta rabiscada em uma folha vagabunda.
210

Maresia

Sempre procuro outros sonhos
Que não sejam amor:
Viajando na beirada das estrelas
Deslisando os dedos nos anéis de Saturno
Dormindo com nebulosas, estas chovendo em meus cabelos.

Essas icógnitas
São-me tão mais belas
Tão mais fáceis de namorar
Do que o amor
Esse matagal sem insetos ou animais
Só um verde simples
E eis que mora o ventre do perigo:
Sem desafios,,só se ver o belo verde
Onde se mergulha
E não se vê fim.
Se afoga no lamaçal em seus pés
E se enoja.
E quando escapa
Fica menos crente de suas belezas
Até que desiste.

Nunca beijei
Nunca transei
Mas nunca odiei quem o faz ou já fez;
Pesadelos meus não maculam sonhos alheios
Mas a alegria destes só sujam minhas vistas.
Mas,respiro fundo,
E limpo os meus olhos.

E,na enseada no fundo do cosmos,
Vejo a maresia ir e voltar,
As estrelas dançando como água,
E respingarem.
Eu espero,ansioso
O dia em que amarei e deixarei de amar
Para compartilhar com vocês
Meus devaneios e companhias.

Se são reais ou fantasia,
Só a maresia saberá.
214

4th of July

When the rain falls around
I sing the anthem out loud
Don't call me whem I'm among the stripes
'cuz I'm the fool of the 4th of the July
153

Imbecilidade Ornamentada A Ouro

Banho os interpérios de minha mediocridade
Com palavras rebuscadas em demasia

Disfarço minha ignorância com sagacidade
Com alegorias e fantasia

Comtemporâneos como eu,que possuem tal habilidade
Fluem à favor da maresia

mesmo a contragosto; sinto esta tempestividade
também nego, me engolfo em teimosia

Nós nos recusamos a admitir tamanha promiscuidade
Equipararmo-nos com a ralé sem assepsia

Mas nós somos imbecis igual ao resto da cidade
Não é justo tratar-lhes com tanta descortesia
155

Doll's eye

The elder shine
Upon the men
Tries to figure out
What happened to them.

The dark light above the skull
Pierces the calcium
And, among the black in the eye hole
Did you see?
The call of the Others?

Você conhece o sonhos de uma formiga?
Você olha nos olhos de um tubarão
E só há negro.
Sabe que se implorar pela vida
Suas preçes se afogam no escuro do olhar.
Ele sabe que você é vida
Mas não se importa?
154

Candle

A tinta da caneta
É a sombra da alma.
Rouba-lhe o contorno,
Mas só sob a luz
A vida se revela.

A vela no meio da mesa
Majesta no escuro,
Que sem sua luz,
As sombras, suas servas
Não estariam ali.

Vivendo nos domínios do claro
Não ousam viver na fronteira da vida,
Pssando do real,
Se mesclando com o vazio.

Elas todas
Silhuetas de outrem,
Nenhum conteúdo original,
Sem núcleo no próprio ser.

Se a sombra de minha caneta
Soubesse quem lhe empata a luz
Ela não se chamaria de mais ninguém.

Se eu apagar a vela
Eu cego ou eu sumo?
196

Camarim

Te olho,mas não te vejo
Me enxergando
Apenas seus olhos
Me olhando
Oblíquo
Sem verem o que há detrás da cortina
Os bastidores de minh'alma

Imaginando fantasias
Que não fantasio
Se é que pensas
que fantasio com tuas fantasias
Que não são minhas
[e furto-as do mesmo jeito
Mas enxerga o eterno balé
Rodopiante no camrim
No chão de madeira do palco
enxarcado de lágrimas minhas
já de outrem

Tu não imaginas
só me enxergas
Não te enxergo mais
Depois de tantas fantasias

Também não enxergo teu balé
Mas eu aspiro tanto
Ser seu bailarino
Mesmo não sabendo dançar
[ou amar
Tu não me ouves
Tu nunca me quiseste
Como eu te quis

Quero não te querer mais, mas mostra-se uma tarefa árdua nessa madrugada de paixão.

O/v/e/r/s/e/i/r/o/i/n/a/n/i/m/a/d/o

Prosado
Versado
Envergado
Para o céu sem ninguém
Estrelas que nunca amaram alguém
São paixões de outrem
Olhando muito além
Mais profundo do que qualquer
[amém
Rimas de Santárem
Aqueles que as cantarem

Versos deformados e obscuros
Cujos sentidos escapam do próprio autor
Pois a verdadeiro obra está no leitor
no espectador
admirador

No fatal corte da solidão...
Não a sinto. Não. não.
Não há o que se doer
Em míseras palavras de
Adolescente.
210

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