Nabelle

Nabelle

Ainda é cedo, amor.

n. 0000-02-20

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Aflição em carta

Solte-se de meus laços
Voe
Bata tuas asas
Volte para o interno de tuas inseguranças

Largue o colorido
Martírio eterno
Dos choros dos calados
E cante o mais alto silencio
Que os poucos escritores mortos ouçam a se arrepiar

A lágrima desenhada
No rosto dos fracos
Que fortalecem o escuro da noite
Em sonhos sombrios que me suicido
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Poemas

11

Trova paralela.

Me enrolar nos braços da loucura, fazendo a decadência dominar o que sinto. Olhando nos olhos daquele que acaricia aos poucos meu cabelo. Luz que irradia meu peito abrindo-o involuntariamente aos teus encantos. Levando-me ao além de tua áurea, sentindo e observando a tua cor que ofusca minhas palavras. Se entrego meus gestos em tua melodia, faça-me letra paralela. Ao menos vomite-me em um verso qualquer.
486

Desprezo.

Lágrimas teimam em frequentar repetidamente meus dias. Feito chuva, caindo pouco a pouco sem ninguém conseguir controlar, muito menos eu.Meu peito está aberto e sem previsão de reconstituição. Não saber o que sentir e muito menos o que me falta. Ando por desertos onde habitam pessoas que não são tão desertas assim. Não encontro fuga, não encontro descanso. Cabeça a mil por hora, querendo algo que não sei distinguir o que é. Não vejo mais razão para seguir, muito menos tentar. Anseio apenas um alívio prévio que encontro nos braços de poucos amigos que me restam.Culpo-me por erros que não mudo. Choro com a intensão de aliviar tamanha dor inexplicávelque bate todos os dias em minha porta. Cercada de pessoas e ao mesmo tempo só. Quem será o mentor de tamanha angustia em minha vida? Sem adaptação e afastada de tudo, me trancando num mundo em que engoli a seco todas as chaves que possibilitariam a entrada. Vomito palavras, sentimentos e restos de uma chave envelhecida que nunca ofereço. Certamente algo me impede. Algo conhecido como o tão desprezível ser, chamado eu.

439

Jogo das palavras.

Cavalo - Marieta - Mesquinho - Carrasco.


Do cavalo, guardo os passos severos e precisos. Do olhar de Marieta, levo o brilho da lanterna que me assegura e me livra do escuro. Não me iludo. Pessoas e seus caracteres mesquinhos lavam as almas aprisionadas nas núpcias da solidão. Dos sentimentos faltosos do carrasco, carrego apenas a frieza. E do meu eu? Ah, retiro a leveza das folhas a cair no outono frio de meus dias.

454

Indeterminado.

Indeterminado momento esse em que te faço protagonista de minhas cenas de paixão e drama. Momentos que me desvio do real, olhando as linhas que contornam teu ser e tua personalidade. Bonito és, figura marcada em meus sonhos. Carência não suprida. Deito-me no passar de tuas histórias,fazendo-me figurante mal comido. Masturbo minhas ideias obrigando-as a te seguir. Mastigo meu rumo indeterminando o prosseguir.

489

Lembranças de um anoitecer.

Aquele delírio irreprimível, rogando pelos teus segredos. O encostar de teu lábio, sucumbindo o menor do espaço que ficou entre nossos corpos. Fazendo-me revirar os olhos a cada suspiro. Teu corpo dentro do meu, criando melodias nos movimentos de meu quadril. Desprezando todo o vazio e importando-se apenas com o teu entrelaçar. Vira, sobe, deita. Teus atos desarmando minha prudência com o perigo que me deixa cada vez mais excitada. Molhada com teu suor, lavando a alma em teus braços. Largando de vez a razão e me arriscando no oceano de teu prazer.
537

Doce tormento.

Horas passando no relógio e essa agonia me corroendo por dentro. Sentada na cadeira de espera, presa nessa linha temporal demorada que me faz querer gritar. Chorando e extravagando por dentro, mas sem coragem de colocar pra fora. Minha perna treme por sentir tamanha raiva que no momento está a crescer no meu interior. Não consigo controlar.

Preciso de algo que me salve dessa tortura. Como pessoas soltando palavras ao ar, sem ao menos conseguir entende-las. Sentada, observo a frieza que cada um que aqui se encontra possui. Ainda mais frio que o ar gelado a congelar minhas pernas. Sufocada! Fria! Inquieta! Só querendo libertar-me dessa corrente que da sala do hospital faz seu metal.

497

Delírios vermelhos.

Sangue do sangue, mas meus olhos teimam ao contrário. Errado pelos olhos de qualquer um, menos pelos meus. O desejo pelo incorreto.

Quero sentir teus dedos como uma tatuagem a contornar minha pele marcando o meu incontrolável tentar por um simples ato do querer. Olhos nos olhos, apenas isso. Em um momento de fuga, me entreguei em teus braços embriagados.Pra ti, só mais uma. Pra mim, um pouco mais que isso.

Uma paixão guardada que desperta toda vez que te vejo. Como abrir mão dessa fissura na qual o que mais quero é fugir? Esqueça o preconceito pelo sangue.

Se te quero homem,faça-me mulher.

431

Frenesi.

Quero um pouco do teu eu e afogar-me no encostar de tua pele. Quero um pouco do teu sexo, tua atenção e apenas uma frase de teus diálogos. Querer uma pessoa com essa exagerada veemência, será insensatez? Calma,apenas a loucura te faz meu.

598

Abstrato ébrio.

Abstratos de nós mesmos

Desenhos dos caos da cidade

Sentimentos ignorados

Olhares desprezados

Arrepios disfarçados

As linhas do andar que carrego

Desnorteando os caminhos que penso em seguir

O além, autor de minha história

Alinhando os sentidos

De meu proibir

O contorno dos cabelos ao enrolar minhas palavras

Desorganizando o organizado sopro

Que me afoga em dias

Onde nem o paradoxo me livra

A lua

Que procuro em galáxias de olhares

Que nem ao menos mostram

As estrelas que escondem

Os sorrisos de cada face

Sereno das noites amáveis

Que formo o maior dos rios

Secados com o branco das fronhas

Apartando-me dos males

Descartando meu lado mais sombrio


Serei eu, dono dos meus sentidos

Ou apenas

Um personagem qualquer

Nas linhas tortas que um escritor embriagado

Ousou rabiscar.

573

Sobreaviso.

Vou remar sem receio de perder o juízo

E mergulhar aos poucos em teu paraíso.

Não se apavore, dona

O assombro é impreciso

E o destino imprevisível.

598

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