Falo pra mim a mentir...
o odor do laranjal me embriaga
o tempo um instante parou
e vem a brisa e me afaga
já a aurora despertou.
vivo fora das horas
não me ouço, nem quero ouvir
eu sei que não demoras
falo pra mim a mentir.
vens afogar-te em meu mar
no vai vem da minha maré
mesmo que seja a sonhar
ou seja milagre até!
é de ferro a minha vontade
e a vida é tempo de flor
breve, como breve é esta saudade
nada faz sentido sem ti amor
quero a noite toda de estrelas
e tuas mãos nos meus seios
este momento é meu...quero tê-las
aqui me ofereço sem rodeios
se é sonho deixa-me sonhar...
este é o mundo dos meus segredos
onde tenho tudo pra te dar
e me entrego louca, sem medos
natalia nuno
amor saudade...
já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!
natalia nuno
ébrias fantasias...
Apanhou-nos a lua em nosso leito
amando-nos do nosso jeito
em redor tudo se aquietou
o vento na varanda suspirou
e na penumbra do quarto
a ventura por nós guardada
os corações pulsando dentro
do peito, ébrias fantasias
a sede recuperada
e a felicidade conquistada.
O desejo vai e retorna
como uma audaz primavera
ou como uma luz que se estende
morna...
Agora a quietude, depois o movimento
livre o corpo e o pensamento
da doce batalha, apenas
uma testemunha, a lua
fazendo-nos insistente companhia
num silêncio macio, até nascer o dia.
natalia nuno
a chama...
ternura que brota incessante
da inesgotável fonte do amor
afecto profundo do coração
é sol que cintila mostrando fulgor
doce e louca ilusão...
tudo rodopia à nossa volta
na memória, um mundo de recordações
pensamentos à solta,
tantas emoções
fragmentos do passado
que a memória ressuscita
e nossos sonhos agita.
os corações ansiosos a bater
a nossa pele a recordar o intenso viver
fá-la-emos das cinzas renascer
numa ternura efémera e real
e o coração reviver
até aos limites de quem ama
e assim nos amaremos até morrer a chama.
natalia nuno
um poema a mais por aí...
sentada sobre os dias me consumo
coloco palavras linha a linha
e sinto-me viagem sem rumo,
para um beco sem saída, caminha.
hoje estou ausente e indiferente
o poema escreve-se sem minha intervenção
é ele que quer ser surpreendente!
mas, ninguém ama sozinho, ele não tem coração.
audacioso, dormiu no meu regaço
fiquei de peito aberto, e passo a passo
saíu do labirinto da minha mente
é feito de sobras da minha solidão,
no tempo vai varrendo o pó
e sente-se absoluto, poderoso
deixando-me só.
mas a mim já não me ilude
nem tem qualquer virtude!
é apenas um poema a mais por aí
nesta caminhada sem rumo
nos dias que passam como fumo,
e, na bebedeira doce de cansaço,
já não acerto o passo...desisti!
natalia nuno
miragem...
já não sei o que dissemos
de tanto que falámos
de tanto que vivemos
de tanto que amámos
já não sei dos afectos
nem do amor em voo alto
dos sonhos de amor repletos
só sei da vida em sobressalto.
klnão sei do amor que em mim se agita
que é como areia do deserto
ora certo, ora incerto
em desespero no íntimo grita...
amor feito de plenitude e liberdade
perfeito, amor que é agora saudade.
hibernaram as palavras entre nós
já não sei o que dissemos
a vida deu tantos nós
que com calados silêncios a pusemos.
no sonho que não fecundámos,
dos versos que não te li,
à tona de água naufragámos,
eu na dor da ausência morri.
nas horas amargas da solidão
sombras adensam no pensamento
são tudo o que resta da paisagem
surgem com a força do vento
e rugem como trovão,
são da vida, uma miragem...
natalia nuno
dei-me à vida...
dei-me à vida
e de mim trago saudade
acordei a solidão,
agora que estou de partida
aceito a realidade
como se fosse ilusão.
conto os meus cansaços
e sem apressar os passos
aceito a condição.
digo o que penso e sinto
com palavras vindas do peito
e às vezes dialogo comigo
e não minto, se disser que a vida já não leva jeito,
é um beco sem saída...
as coisas que também sei
é que à vida me dei,
mas eu sonho quando anoitece
e o sonho ainda acontece.
olho o mar, olho a montanha
partirei sem nada levar
só uma saudade tamanha
deste tempo em que a morte me poupava,
e eu não hesitava um momento
e a vida não parava.
e eram poucos os meus braços
e minhas mãos eram poucas,
para gratuitamente dar abraços
para matar saudades loucas.
depois de corridas tantas léguas
trago o corpo descaído
mas à vida não dou tréguas,
valeu a pena ter vivido.
natália nuno
amor saudade....
já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!
natalia nuno
miragem...
já não sei o que dissemos
de tanto que falámos
de tanto que vivemos
de tanto que amámos
já não sei dos afectos
nem do amor em voo alto
dos sonhos de amor repletos
só sei da vida em sobressalto.
não sei do amor que em mim se agita
que é como areia do deserto
ora certo, ora incerto
em desespero no íntimo grita...
amor feito de plenitude e liberdade
perfeito, amor que é agora saudade.
hibernaram as palavras entre nós
já não sei o que dissemos
a vida deu tantos nós
que com calados silêncios a pusemos.
no sonho que não fecundámos,
dos versos que não te li,
à tona de água naufragámos,
eu na dor da ausência morri.
nas horas amargas da solidão
sombras adensam no pensamento
são tudo o que resta da paisagem
surgem com a força do vento
e rugem como trovão,
são da vida, uma miragem...
natalia nuno
versos soltos...
a pouco e pouco envelheço
vou mudando de aparência
um dia mais que amanheço
saudade da minha ausência
trago fundas as olheiras
não pedi para aqui chegar
as rugas foram as primeiras
irónicas rondando meu olhar
voluntária não me ofereço
para morrer, tempo tenho
a pouco e pouco envelheço
grande saudade donde venho
virá a época da colheita
com sinceridade a temo
logo a morte estará à espreita
não a nego nem blasfemo
a noite apagará as estrelas
chega a nevoenta madrugada
sonhando inda irei vê-las
no fim desta caminhada
no poema vivo e candente
ficará a força que tenho
viverá a recordar eternamente
a saudade de onde venho...
numa pedra gravarei meu nome
talvez alguém me queira saudar
outro alguém por Poeta me tome
p'los versos q' meu sol m'fez semear
natalia nuno
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!