pequena prosa...
a natureza abre-se ao meu assombro, afasto-me da gente que passa, volto ao sossego do meu pensamento, às vezes converto-me noutro ser, o meu corpo é um mar e na corrente os meus sonhos embarcam, o tempo é abolido, e eu prossigo na luz da quimera confiada num milagre...de repente quando a turbulência aflora, caio na realidade, ficam sem luz as paisagens do meu olhar...interrompe-se o vôo ardente do meu sonhar...
natalia nuno
pedaço de mim...
nada vejo, nada acontece
nem a respiração se altera
e é quando a saudade aparece
já o sonho, por mim não espera!
nem sei se rume ao sul ou rume ao norte
perdi meus cinco sentidos
numa velha barca andam à sorte,
de saudade e ternura vestidos.
encosto-me ao teu peito
e desvio os rios do pensamento,
talvez possas sentir a dor que depura
e assim desse jeito,
haja um momento de ternura.
atravesso a vida buscando em vão
a chama possível ainda,
mas resta a solidão que não finda.
levo na bagagem um pedaço de mim
como se fosse pedaço nu do deserto
se a morte é um rio sem fim
eu quero ainda ter-me por perto.
natalia nuno
momentos...
este fogo que se acende
e que tanto me prende
traz ainda o sabor do beijo
da primeira vez
e o desejo aperta
sem quês nem porquês
na altura certa!
e logo a ternura
está ao nosso alcance
vivo continua
- o nosso romance.
natalia nuno
(rascunhos) 1995
pequeno poema de saudade...
meu coração desabitado
não cabe nele entendimento
- logo se lhe dou cuidado
se enche de sofrimento.
os olhos verdes rasgados
resplendor do sol os está cegando
andam p'los teus enamorados
a tua ausência chorando...
(rabiscos)
natalia nuno
momentos d'amor...
um cordão de flores me envolve o olhar
trazendo o cheiro da maresia
entrelacei-as nas minha mãos
enquanto meu coração se abria
e com um vagaroso sorriso
invadi-te o desejo
procurei um beijo
toquei-te delicada,
já chegava a madrugada...
natalia nuno
(rabiscos)
saudade II...
marquei encontro comigo,
e me recordei de bom grado
entre lembranças prossigo,
procurando prá vida significado
nnuno
falo para mim a mentir...
o odor do laranjal me embriaga
o tempo um instante parou
e vem a brisa e me afaga
já a aurora despertou.
vivo fora das horas
não me ouço, nem quero ouvir
eu sei que não demoras
falo pra mim a mentir.
vens afogar-te em meu mar
no vai vem da minha maré
mesmo que seja a sonhar
ou seja milagre até!
é de ferro a minha vontade
e a vida é tempo de flor
breve, como breve é esta saudade
nada faz sentido sem ti amor
quero a noite toda de estrelas
e tuas mãos nos meus seios
este momento é meu...quero tê-las
aqui me ofereço sem rodeios
se é sonho deixa-me sonhar...
este é o mundo dos meus segredos
onde tenho tudo pra te dar
e me entrego louca, sem medos.
natalia nuno
momentos...
poisou o acaso em mim
deixou-me sorriso triste
tentando desviar-me assim
por caminho que não existe
e por becos apertados
sujeita a tropeçar,
nestes poemas calados
com tristeza a soçobrar.
natalia nuno
(rabiscos)
tudo quanto amei...
Trago nos olhos
silvados floridos.
Margaridas nascem nos meus dedos
Há rouxinóis na ribeira
dos meus sentidos
Chuvas de Abril lavam segredos.
Nas palavras há rosas abertas
Meu corpo foi terra de sementeira,
seara verde ... na tarde,
agora deserta, certa é
minha sombra dura, minha verdade!
Quer se queira ou não queira.
Depois da angústia a fadiga
que surpreende o passo
O destino vigia
Dando uma mão amiga
E o bálsamo do teu abraço.
Como o sol dum novo dia.
Chegue onde chegar meu dia
Ainda que me queira cegar
Pedirei a luz com que te via
Só mais um instante p'ra te olhar.
E então perguntar-te-ei:
Quem foi que morreu?
O tempo? Eu?
Ou tudo... tudo que amei?
natalia nuno
amor saudade...
já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!
natalia nuno
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!