Lista de Poemas

à vida...soltas 2014

Criei versos fui tecendo

ilusões, pois tudo passa

a mocidade fui perdendo

e com ela perdi a graça


Ondula no campo o trevo

Eu amor, que devo dizer?

Falar-te do meu degredo

Q' d'amar-te ando a morrer?


trago palavras maduras

e nelas trago a verdade

trago amores e ternuras

frutos da minha saudade


é fácil de mim perder-me

entro dentro dos olhos teus

fecho meus a proteger-me

com medo digam adeus


o astro sempre m' alumia

nesta  desolada solidão

exulta o coração de alegria

traz beleza à imaginação


e ardor aos pensamentos

esforço da minha vontade

esqueço todos sofrimentos

lembro só o que dá saudade


natalia nuno

rosafogo


989

Ironia...

Hoje perdi-me na fonte
Longe, muito para lá de além
Deixei-me a olhar o horizonte
A ver o sol morrer e eu também.
Na memória a vida inteira
E a cântara ainda vazia
A fonte ali à beira
E eu com sede, que ironia.

De barro a cântara é feita
E quebra com facilidade
Quebrado meu coração se deita
Sofrendo de doida saudade.

Enquanto esta dor depura
Me deixo a olhar o céu
A memória já não tem cura
Uma teia de luz lhe valeu.
Vejo a fonte a secar
A noite é breve, o dia finda
Vem a morte celebrar
E a cântara vazia ainda.

Lembra-me a terra onde nasci
O chão pisado na infãncia
O caminho que percorri?!
Era de barro, quebrou
Não sobra um palmo,
só a distância...

E, saudade que restou.


natalia nuno
rosafogo
682

poema da desmemória...

Nada pode mudar o tempo

incessante, nem sua impiedade

só a memória procura claridade

em um ou outro instante que ainda

no peito me arde

o tempo desdenhoso fere-me de saudade

e o horizonte do poema obscurece

e assim permanece triste,

num estado de letargia

esqueceu de celebrar nossa festa

mais íntima, o teu falar-me

ao ouvido, de incendiar nossa hora,

falta-lhe o que sinto e o que sonho

a alma da saudade que chora,

a solidão de quem procura

um pouco de amor,

outro tanto de ternura.


Nada pode mudar o tempo

mas o Poema não esquece a verdade

do que guardo em mim mesmo

nem nosso amor vestido de simplicidade,

o riso ou a lágrima da minha saudade,

e as páginas que ficarem despidas

ainda assim me ouvirão,

apaziguarão minha alma e minha vida.


O Poema é o esconderijo, o abrigo,

a lágrima solitária que trago comigo.


natalia nuno

rosafogo



738

meus poemas são pássaros...

Meus poemas são pássaros

ouço-os a bater as asas

partem tristes

deixam-me na saudade,

vê-los partir,

é um misto de tristeza e felicidade

um dia fugir-me-á o coração

quando a morte vier

e a vida se desprender

ficarão as palavras escritas

aflitas, o sonho e a recordação

sem eira nem beira.


Será possível morrer em paz?

é tarde, a vida me arrasta

os ponteiros do relógio não param

para quando a despedida?

Já tanto faz!

Estou gasta, igual ao tempo

deste meu viver,

quero em paz envelhecer

como o outono que se vai.


Meus poemas são pássaros

deles a saudade não sai,

são roseiras brancas

de caules outonais,

são rituais,

cataventos de saudade

na voracidade do vento,

pássaros do meu pensamento.




natalia nuno

rosafogo


927

resta um sopro...trovas

o que falta ainda viver

aperta-se ao nosso redor

não há tempo a perder

é agora o tempo... amor


tudo ontem era nosso

nada temos a perder...

ao rítmo da queda posso

e quero ainda viver...


atearei ainda teu fogo

até que se esgote o ar

em tua boca me afogo

és lenha pra me queimar


nos olhos o céu se alaga

sem ti nada faz sentido

peço a Deus que nos traga

mais um tempo con(sentido)


somos raízes do jardim

lírios brancos esvoaçantes

vivo em ti e tu em mim

eternamente dois amantes


do jardim mesmo perfume

somos pétalas que restam

trazemos a vida no gume

mas sonhos se manifestam


natalia nuno

rosafogo

608

menina duma lenda...

há um marulhar de sons

neste silêncio que me invade

agarro o momento

este, que é de saudade

passam as horas e penso

na idade distante donde venho

desse passado imenso

e sinto-me

a menina duma lenda

passeando os sonhos

salpicados de nostalgia

ah...ser menina de novo

como eu queria!

 

meu sonho é construído de betão

trago a saudade presa na mão

e uma luz nunca extinta...

no coração.

 

romã

natalia nuno

 

901

esquecimento...

perdi as lágrimas

na água solta do rio

que corre para qualquer parte.

no ar,

    vazio

        meu pensamento

viaja e esquece,

até de amar-te!

 

onde posso chorar?

meu coração é um oceano a sangrar

de ti sedento.

 

passo na dor unguento


natalia nuno

romã

 

681

este nosso amor...

Dá-me o que tens

recupera o fôlego

eu sou o rosto da fogueira

o vento do desejo

e às vezes da saudade

cansa-te no meu corpo

que o tempo dos sonhos acabou

não esperes milagre

nem tão pouco eternidade

tudo acaba, já tanto se calou

dá-me o toque dos teus dedos

ouve os meus gemidos

labirintos de segredos

espevita o carvão,

ateia a chama

e eu serei o fogo

que não se vê mas sente,

a areia ardente escaldante

deste nosso amor.

 

natalia nuno

rosafogo

826

Instantes que se esfumam...

Levantou-se o tempo enlouquecido

e a galope levou-me o coração

sem sequer me ter ouvido

levou-o por entre a multidão.

Afunda-se a minha vontade

na memória  o esquecimento

só permanece a saudade

por entre o silêncio...


Estremeço no pavor da hora

calaram-se os que me amaram

seus pensamentos são segredo

e enquanto o tempo me fustiga,

ondulo como uma árvore a medo

trago meus sentidos parados

o pensamento fugitivo

e o sonho já não faz ruído.


Desnudei a alma

mas o corpo trago erguido

como que amanhecido

esquecendo a fugacidade do tempo

e a felicidade volta a mim de novo

existo, crio forças, o sol brilha

como já o havia visto,

conservando-me um pouco de frescura.

Velho tempo saqueador

passou, e a tristeza

então levou...

Deu tréguas ao meu peito ferido,

me entrego à vida

não quero meu vôo tolhido.


natalia nuno

rosafogo




747

sonho...dá-me o que tens

era a tua mão que me agarrava

e me prendia

era o sonho  que me atraía

era a escuridão do caminho

o pesadelo

era o eco que  ouvia

da saudade

no meu coração rasgado

clamando por claridade,

por amor, por afecto

eram as primaveras esperando

era o silêncio dos corpos

o suicídio dos sonhos

era o pensamento circunspecto

 

meus olhos segredos são

de quem é este amor

que neles corre?

ai a saudade...

que vem em direcção a mim,

vagueio sozinha no tempo

neste tempo sem fim

embalo-me na ilusão

deste amor que ainda queima

e é jugo de sedução...


natalia nuno

rosafogo

 

763

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........