Lista de Poemas
à vida...soltas 2014
Criei versos fui tecendo
ilusões, pois tudo passa
a mocidade fui perdendo
e com ela perdi a graça
Ondula no campo o trevo
Eu amor, que devo dizer?
Falar-te do meu degredo
Q' d'amar-te ando a morrer?
trago palavras maduras
e nelas trago a verdade
trago amores e ternuras
frutos da minha saudade
é fácil de mim perder-me
entro dentro dos olhos teus
fecho meus a proteger-me
com medo digam adeus
o astro sempre m' alumia
nesta desolada solidão
exulta o coração de alegria
traz beleza à imaginação
e ardor aos pensamentos
esforço da minha vontade
esqueço todos sofrimentos
lembro só o que dá saudade
natalia nuno
rosafogo
Ironia...
Longe, muito para lá de além
Deixei-me a olhar o horizonte
A ver o sol morrer e eu também.
Na memória a vida inteira
E a cântara ainda vazia
A fonte ali à beira
E eu com sede, que ironia.
De barro a cântara é feita
E quebra com facilidade
Quebrado meu coração se deita
Sofrendo de doida saudade.
Enquanto esta dor depura
Me deixo a olhar o céu
A memória já não tem cura
Uma teia de luz lhe valeu.
Vejo a fonte a secar
A noite é breve, o dia finda
Vem a morte celebrar
E a cântara vazia ainda.
Lembra-me a terra onde nasci
O chão pisado na infãncia
O caminho que percorri?!
Era de barro, quebrou
Não sobra um palmo,
só a distância...
E, saudade que restou.
natalia nuno
poema da desmemória...
Nada pode mudar o tempo
incessante, nem sua impiedade
só a memória procura claridade
em um ou outro instante que ainda
no peito me arde
o tempo desdenhoso fere-me de saudade
e o horizonte do poema obscurece
e assim permanece triste,
num estado de letargia
esqueceu de celebrar nossa festa
mais íntima, o teu falar-me
ao ouvido, de incendiar nossa hora,
falta-lhe o que sinto e o que sonho
a alma da saudade que chora,
a solidão de quem procura
um pouco de amor,
outro tanto de ternura.
Nada pode mudar o tempo
mas o Poema não esquece a verdade
do que guardo em mim mesmo
nem nosso amor vestido de simplicidade,
o riso ou a lágrima da minha saudade,
e as páginas que ficarem despidas
ainda assim me ouvirão,
apaziguarão minha alma e minha vida.
O Poema é o esconderijo, o abrigo,
a lágrima solitária que trago comigo.
natalia nuno
rosafogo
meus poemas são pássaros...
Meus poemas são pássaros
ouço-os a bater as asas
partem tristes
deixam-me na saudade,
vê-los partir,
é um misto de tristeza e felicidade
um dia fugir-me-á o coração
quando a morte vier
e a vida se desprender
ficarão as palavras escritas
aflitas, o sonho e a recordação
sem eira nem beira.
Será possível morrer em paz?
é tarde, a vida me arrasta
os ponteiros do relógio não param
para quando a despedida?
Já tanto faz!
Estou gasta, igual ao tempo
deste meu viver,
quero em paz envelhecer
como o outono que se vai.
Meus poemas são pássaros
deles a saudade não sai,
são roseiras brancas
de caules outonais,
são rituais,
cataventos de saudade
na voracidade do vento,
pássaros do meu pensamento.
natalia nuno
rosafogo
resta um sopro...trovas
o que falta ainda viver
aperta-se ao nosso redor
não há tempo a perder
é agora o tempo... amor
tudo ontem era nosso
nada temos a perder...
ao rítmo da queda posso
e quero ainda viver...
atearei ainda teu fogo
até que se esgote o ar
em tua boca me afogo
és lenha pra me queimar
nos olhos o céu se alaga
sem ti nada faz sentido
peço a Deus que nos traga
mais um tempo con(sentido)
somos raízes do jardim
lírios brancos esvoaçantes
vivo em ti e tu em mim
eternamente dois amantes
do jardim mesmo perfume
somos pétalas que restam
trazemos a vida no gume
mas sonhos se manifestam
natalia nuno
rosafogo
menina duma lenda...
há um marulhar de sons
neste silêncio que me invade
agarro o momento
este, que é de saudade
passam as horas e penso
na idade distante donde venho
desse passado imenso
e sinto-me
a menina duma lenda
passeando os sonhos
salpicados de nostalgia
ah...ser menina de novo
como eu queria!
meu sonho é construído de betão
trago a saudade presa na mão
e uma luz nunca extinta...
no coração.
romã
natalia nuno
esquecimento...
perdi as lágrimas
na água solta do rio
que corre para qualquer parte.
no ar,
vazio
meu pensamento
viaja e esquece,
até de amar-te!
onde posso chorar?
meu coração é um oceano a sangrar
de ti sedento.
passo na dor unguento
natalia nuno
romã
este nosso amor...
Dá-me o que tens
recupera o fôlego
eu sou o rosto da fogueira
o vento do desejo
e às vezes da saudade
cansa-te no meu corpo
que o tempo dos sonhos acabou
não esperes milagre
nem tão pouco eternidade
tudo acaba, já tanto se calou
dá-me o toque dos teus dedos
ouve os meus gemidos
labirintos de segredos
espevita o carvão,
ateia a chama
e eu serei o fogo
que não se vê mas sente,
a areia ardente escaldante
deste nosso amor.
natalia nuno
rosafogo
Instantes que se esfumam...
Levantou-se o tempo enlouquecido
e a galope levou-me o coração
sem sequer me ter ouvido
levou-o por entre a multidão.
Afunda-se a minha vontade
na memória o esquecimento
só permanece a saudade
por entre o silêncio...
Estremeço no pavor da hora
calaram-se os que me amaram
seus pensamentos são segredo
e enquanto o tempo me fustiga,
ondulo como uma árvore a medo
trago meus sentidos parados
o pensamento fugitivo
e o sonho já não faz ruído.
Desnudei a alma
mas o corpo trago erguido
como que amanhecido
esquecendo a fugacidade do tempo
e a felicidade volta a mim de novo
existo, crio forças, o sol brilha
como já o havia visto,
conservando-me um pouco de frescura.
Velho tempo saqueador
passou, e a tristeza
então levou...
Deu tréguas ao meu peito ferido,
me entrego à vida
não quero meu vôo tolhido.
natalia nuno
rosafogo
sonho...dá-me o que tens
era a tua mão que me agarrava
e me prendia
era o sonho que me atraía
era a escuridão do caminho
o pesadelo
era o eco que ouvia
da saudade
no meu coração rasgado
clamando por claridade,
por amor, por afecto
eram as primaveras esperando
era o silêncio dos corpos
o suicídio dos sonhos
era o pensamento circunspecto
meus olhos segredos são
de quem é este amor
que neles corre?
ai a saudade...
que vem em direcção a mim,
vagueio sozinha no tempo
neste tempo sem fim
embalo-me na ilusão
deste amor que ainda queima
e é jugo de sedução...
natalia nuno
rosafogo
Comentários (11)
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!