Lista de Poemas

Este é o poema...

Este é o poema onde tu me despes

como se fosse tua,

onde me sinto nua e crua.

Da tua boca saem palavras loucas

estremecidas de ternura

e loucura,

e tuas mãos sem paragem

seguem p'lo meu corpo viagem.

E o teu querer actua

num ritual de ir à lua

e voltar.

Nada sei de ti...

Que sabes de mim?

Tu és apenas o poema que li,

o amor que não vai acabar

porque te quero tanto assim!


Deixo-me ir na lonjura,

na entrega, na emoção...

Viajo no teu corpo, banhada

numa corrente de mel

onde com ternura

dirijo a tua mão

que arrepia a minha pele.


Nos meus olhos desejos

na tua boca beijos.

De repente o silêncio

como se estivessemos ausentes

Só nossos corpos ainda quentes.


Assim nos amávamos

enquanto o poema ía nascendo!


rosafogo

natalia nuno

858

tantas marés...

 a vida tem tantas marés
sinto-lhe o pulsar
minhas palavras sulcam terra e mar
audaciosas, sem temor,
vêm ao ouvido sussurrar
como é bom viver com amor
palavras que são orvalho da minha alma
são a chama que me aquece,
e «nunca se esquece que a vida palpita»
d'amor e saudade,
faço delas minha prece, enquanto
meu coração de exaltação grita.

lembranças duma data já sumida
vozes de vida perdida, olhares que deixaram de existir
desmaiados traços de rostos,
tudo desarvorado na memória a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos,
lembranças numa infinidade de molduras
que o tempo não apagou,
ternuras e sonhos que o tempo calou.

há momentos sem idade, e
«nunca se esquece que a vida palpita»
só quem viveu, sabe, que a saudade
é luz que na aurora, alumia o caminho afora
é sentimento que no coração não cabe.
ah! esta dor de lembrar que me consome
sem nome, nem idade,
comparável ao desamor, que assim,
habitará para sempre em mim
envelhecida na saudade.



natalia nuno

rosafogo

 

escrito na aldeia 29/02/2014

 
748

tapo o sol com a peneira

Passei hoje pela Vida
Distraída nem me  viu!?
Tempestade enfurecida
Louca minh'alma a sentiu.
Já tapo o Sol com  a peneira
Finjo que tudo está bem
Não vá a Morte e não queira
Aparecer  por aqui também.

Pôs-se o Sol hoje à tardinha
Nem o vi, fiquei triste  a olhar
Tapou-o uma nuvem que vinha
E ensombrou o meu bem estar.
A Vida  a sinto perdida
Das minhas entranhas se rompeu
Já de mim anda  esquecida
Me perdi, ou me perdeu.

Dizem que a Vida é grande
Mas eu  acho grande a tristeza
Quando minha alma se expande
É a minha maior  riqueza.
A Vida é lição estudada
Prontamente lição sabida
Passei hoje  por ela, cansada!
E ela por mim, esquiva.

E assim  mais um dia passa
Tal como outros nada perfeito
É grande a mágoa que  grassa
E deixa a dor no meu peito.

rosafogo
natalia nuno



932

Minha rua...

Vou correndo...vou correndo!
Deixei p'lo caminho a memória
Quantos  obstáculos vencendo
Já invento minha história.
Minha rua está diferente,
da que trago no coração.
Onde está a minha gente
Não a vejo
por aqui não!

Onde está o meu povo?
Que não o sinto por aqui
já!
Nada há aqui de novo...
Nem me sinto bem por cá!

Sorvo a sopa sem vontade
Fico sem pensar em nada
E o peso da saudade
Põe-me a vida desolada.
Roo as unhas de ansiedade
Só vestígios doutra lua.
Mas esta saudade minha,
me transporta um tesouro
Esta rua já não é a minha
Nem o sol brilha como ouro.

Faço pose de rainha
Contenho vasta lembrança
em mim.
Lembro a rua que é minha,
Colho flores uma por uma
Esta é a rua, mais nenhuma
Onde fui flor no jardim...

natalia nuno
rosafogo
957

Sonhos que me navegam

Sonho que sou menina
Não quero nunca  despertar
Remonto à origem do meu caminhar.
Conquisto o azul celeste
As  asas me dão coragem
Visto-me de penas, de alegre plumagem.
Ando perdida  num mar de açucenas
Sei apenas...
No sonho sou menina
Perdida na  neblina.

Meu sonho!
Me reconforta a esperança
que em ti  ponho.
Salpica, saplica-me de alegria!
Não me fales de dissabor
Deixa  um sussurro em Poesia
Tira do meu coração a nostalgia
Abre novas janelas  ao amor.

Ajuda-me a dizer não
a todos os nãos
Sim á  felicidade
Deixa-me  agarrar com as mãos
Da vida a cumplicidade.
Porque  a vida é um trino ardente
E eu ainda me sinto  gente.

rosafogo
natalia nuno



1 232

trovas de amor-perfeito

Saber amar é tão doce
É mais que amor perfeito
É andar como se fosse
Com luz intensa no peito.

****
Ah meu amor, meu amor
Ó quimera d' algum dia...
Teu sorriso enganador
Com ele eu me perdia.

****
Esperei por ti sorridente
Com ramo viçoso na mão
Perfeito amor... fremente!
Que não passou de ilusão

****
Não sei que mal te fiz!
Que perdido já nasceu.
Amor perfeito que quiz
E de tristeza morreu...

****
Quero sonhar quimeras
Sonhar com amor-perfeito
Recordo amor dáoutras eras
Adormecido no meu peito.

****
Anémona, amor-perfeito jasmim
Sou tudo, passado e presente
Sonho que te quero pra mim!
E de tudo o mais estou ausente.

****
Procuro o amor perfeito
Todavia não encontrei!
Perfeito assim do meu jeito
Não achei... nem acharei.

****
Gosto de rimar a primor
Versos lindos um encanto
Eu cá digo que sim amor
Amor perfeito...amo tanto

natalia nuno
rosafogo
1 327

para onde fugiu meu sonho?

permita Deus que meu sonho acorde
volte de novo a mim
e talvez eu me recorde
nesta vida ao que vim.
na minha alma há fantasmas
os sinto a qualquer hora 

vem sonho meu,
- não me pegues de surpresa!
a saudade a mim aflora 
minha tarde já se apaga 
de mim já me perco agora,
a vida ficou sem beleza.

para onde fugiu meu sonho? 
meus olhos são como rio,
passou o tempo risonho
a vida está por um fio!

teimo em manter-me viva
como a força das marés
queira Deus que eu sobreviva
e feliz volte a sonhar
corpo e alma, 
felicidade de lés a lés
com a grandeza do mar.


natalia nuno
57

pensamento...

passam meus dias em suspenso, a memória estagnada, sinto que além do que sou e do que penso, que a vida parou, trago a alma angustiada...estou entre o ser e não ser nada!

natalia nuno
1 030

A VIDA É FOGO


a vida é fogo, viagem que não se detém
arvorada em gritos d'alegria também d'dor
apertado nó que ninguém desata, porém
vertiginosa trepadeira, onde existe amor

a vida é um sopro de sonoras subtilezas
nela se desenlaçam lembranças vividas
águas adormecidas, são trinados, belezas
umas recentes, outras há muito nascidas

a vida é água agreste, pura e cintilante
corre arrebatada como a querer escapar-se
enfeitiçada vive e é só mais um instante

numa melodia constante até ao sossego
pronta a cumprir destino a despenhar-se
ali onde a morte à vida não mais tem apego

natalia nuno
104

toda a ti me dou...

olha-me nos olhos firmemente
tudo neles te revelo
este amor que acalento
denso como as águas do mar
arco-íris no firmamento
que o tempo levará.
mas devagar,
toda a ti me dou
de ti tudo espero
como o moinho espera o vento
- é assim, este amor que acalento!

natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........