Lista de Poemas

onda de alegria...trovas

meio dia, meio da tarde

do tempo encruzilhada

a primavera de verdade?

é saudade relembrada.


olho no areal a gaivota

ao mar não vai mais voar

Deus meu sou tão devota

fazei meu sonho voltar


guardo as minhas penas

neste tempo de nevoeiro

saudades trago do cheiro

da minha terra de açucenas


na viagem bate o coração

Deus tropecei no outono

onde deixei o verão?

Anda o coração sem dono.


nos olhos as sardinheiras

que cresciam nas janelas

trago cheiro das laranjeiras

deixei por lá as estrelas.


e nos caminhos da utopia

minha saudade fez-se beijo

e numa onda de alegria

escrevo versos feitos desejo.



natalia nuno

rosafogo

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295

pensamento

vou ao relento de mim em pequenos vôos, levo uma lágrima a esboroar-se p'lo rosto, e a serenidade duma borboleta por entre os cheiros da aurora...

natalia nuno
279

meu pai....soneto

MEU PAI

Sempre em mim o sonho de menina
Querendo dar-te um carinhoso abraço
Como fazia quando era pequenina
Quando aprendia o meu primeiro passo.

Hoje, trago-te nas minhas lembranças
Neste escrever triste sem esperanças
Recordo que partiste uma tarde,foi duro
E a custo ainda agora meu pranto seguro.

Num mar de lágrimas banhada
Minha alegria já é quase nada!
Lembro-me de ti a todo o instante.

Teus olhos azuis que não voltarei a ver
Oprime-se me a garganta só de te dizer
Que nosso encontro pode já não ser distante.

natalia nuno

O meu pai era um homem do campo, analfabeto, mas
nem por isso e apesar das mãos calejadas me deixou
de acarinhar, hoje o recordo com saudade.




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295

memórias de mim...pequena prosa poética...

não havia excesso de afectos mas havia o suficiente para nos sentirmos seguros, ao mesmo tempo um respeito e uma ligeira distância quase intransponível entre pais e filhos. Fui até tarde uma criança crescida sempre pronta a sentar nos joelhos do pai, no colo da mãe ou a dormir com a avó paterna, estas lembranças são feitas de ternura e pertencem-me inteiramente, quando o dia começa a declinar e a aumentar o silêncio da noite, escrevo, escrevo para me proteger da saudade dos meus mortos e invade-me uma terna melancolia... e meu temperamento mantém-se no seio do silêncio e da solidão, e aí fico muda como uma flor, surda como pedra, sem ninguém, só eu e meus pensamentos a palavra escrita e o passar do tempo...escrevo com uma rapidez nervosa, e nem sempre corrijo e não sei muito bem o que escrevi para trás, e tudo fica tremendamente complexo, como nas sombras do crepúsculo, mas eu sei que está tudo lá, o rio, o céu, as árvores, a luz , a sombra, a inocência e eu canto tudo em minha poesia, a escrita é uma necessidade interior, vem ao encontro daquilo que desejo, sinto uma alegria instantânea que é gerada pela memória...assim recordar, chorar sorrir é essencial à vida, pois se convertem numa força que nos leva a caminhar. Como um pássaro recém-nascido volto sempre ao passado com vontade de voar...da vida pouco sabemos a não ser que é uma viagem caprichosa que fazemos e da qual não prevemos em que estação o combóio pára de vez...ai esta minha insónia que me deixa de olhos abertos.

natalia nuno
fiodamemoria.blogspot.pt
241

e já não somos...

são intensos os momentos
que levo dentro de mim,
já a juventude envelheceu,
hoje sou só o canto do rouxinol,
a vaguear ao acaso nas ramadas da saudade...
caindo na agonia
como quem de tudo se despede
sem prisão, apenas com a paixão
p'la poesia...
que se arrasta ardente nas minhas veias
singela, sem peias,
às vezes envenenada
de saudade, de solidão
mas sempre a sonhar deter
o tempo fugitivo
aquele beijo cativo
o sonho que fomos...

e já não somos!
é a verdade e é tudo
nem o ar, nem a brisa
apenas o esquecimento mudo.

natalia nuno
420

ébrias fantasias...

o olhar é um poço sem fundo,
verde como o esplendor do mundo
vibrante e quente o coração
inundado de emoção,
e nos corredores da mente ébrias fantasias
onde a felicidade é agora saudade.
o inverno dita o rigor dos dias
mas a vida agita.se feliz diante do nada,

cansada, assim vai vivendo e morrendo
na dor que dói e permanece,
mas ainda sonha a mão que escreve,
e a dor esquece...
a palavra percorre-lhe o sangue
molda-se e cresce no papel
vogais, consoantes, acariciam-lhe a pele.
dos sonhos nascem adjectivos
que tece e destece
memórias e desmemórias,
sonhos que se agitam vivos
vindo do seu desmesurado coração
metáforas brotam-lhe dos dedos
mais formosas que o vento batendo na ondulação
sem medos, uma alegria antiga
traz ao seu sossego,
sonhos de amor e paixão...

natália nuno
345

melodia...

agitei os ares
com palavras de vento
emudeci a chuva
triste e sem alento
com minha ânsia invoco a primavera
resgato da memória recordações
recito versos de saudade
crio ilusões
um cântaro cheio de infância e
claridade...
no alvor da madrugada
desperto um pintassilgo
que me devolve a terra amada
por ser meu amigo...

bate o sol nas laranjeiras
de Mozart me chega a melodia
logo as notas... as primeiras!
que adoçam minha alma vazia

natalia nuno
352

pensamento...

no alpendre do meu sorriso, a saudade és tu...a memória corta o silêncio e os teus lábios colam-se aos meus...

natalia nuno
261

pensamento...

já foi primavera no meu jardim, já brilhou o astro-rei... agora na sua ausência uma infinita paciência, e a saudade a perfumar, o lento colapso deste caminhar...

natalia muno
302

pedaços de mim... prosa poética

No meu país há uma aldeia como não conheço outra, aos meus olhos surge sempre a velha ponte sobre o rio tão velho quanto ela, sempre lá volto todas as manhãs a fio em pensamento, olho as mulheres lavando no rio, os homens levando a carroça o burro o carro de bois, mas tudo isto só existe no meu pensamento, no entanto tudo o resto lá está inalterado, as margens com os velhos salgueiros, as flores que brotam livremente, as águas correndo transparentes, os moinhos moendo, volta não volta até as mesmas andorinhas nos beirais.
No trajecto vou escrevendo páginas da minha vida, como se fossem um chão de estrelas que me alumiam no caminho, ou contas dum rosário que por mim reza e me salva.
As notícias locais passam de boca em boca sem jornais, o sino avisa dos que estão de partida, os que nascem logo a velha "curiosa" espalha a notícia, os que casam têm seus pregões colocados na porta da igreja, e assim se vive na paz do Senhor.
Por debaixo do casario a aldeia assenta em filas de grutas que são labirintos tão extensos que há quem diga que vão até à cidade próxima...seriam os mouros, ou os celtas que teriam feito estes esconderijos subterrâneos? Para mim em criança eram povoados de fantasmas e no meu imaginário criava longas histórias com o dom de coisas secretas, gemidos, procissão de passos, olhos incendiados, mãos arrependidas, e depois na minha inocência concluía que eram almas penadas.
Às vezes ainda me espanto com a facilidade que a criança tem de inventar, dava comigo a cantar e a imaginar que estava perante uma assistência a ovacionar-me desencadeando em mim um grande triunfo, tudo sonho na minha imaginação.
Tantos sentimentos que se vivem, o amor a alegria, e outros que nos enchem de força, tomo sempre fôlego e desato a falar de saudade numa esperança cega de que não me fuja a memória.

natalia nuno
rosafogo
345

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........