Lista de Poemas

trova...singela

venho subindo os degraus
subindo venho de pés nus
uns dias bons, outros maus
vou levando assim a... cruz.

natália nuno
337

sonhos e pesadelos...memórias

Vejo a lua pairando sobre os telhados, ela que me espiava nas noites da infância, temos uma p'la outra um amor fraternal, ajudava-me a adormecer aconchegada nos cobertores de papa como se ainda habitasse o ventre materno, fazia-me esquecer as lamúrias e as rezas de minha avó, (e eu sem saber o que lhe tolhia a vontade de viver!), o tempo não aplacava a sua tristeza, o luto vinha-lhe de jovem, sem sequer nunca ter sabido se aquele por quem suspirava, teria ou não morrido, lá por terras brasileiras. Tudo já lhe era indiferente, sempre com o pensamento ligado à morte do marido ía exaurindo de mágoa e no recolhimento da noite, a recordação crescia...e eu ouvia e apercebia-me que havia algo no passado que permanecia constantemente no presente.
Do relógio da igreja caía o bater das horas, e do açude noite e dia sempre a mesma melodia da dança das águas sem se preocuparem se perturbavam o sono da gente, enquanto isso, eu pregava os olhos nas tábuas do tecto, ou olhava o Cristo pendurado na parede até adormecer.
O silêncio cada vez maior e apenas o grito agudo da coruja de quando em quando, parecendo a vida agoirar, e ali dentro das paredes grossas bem antigas da casa, os adultos consumidos pelo cansaço do dia a dia também já se tinham entregue ao labirinto dos sonhos, quiça "pesadelos", perante a vida irónica que não acrescentava nada de bom, já não valia a pena sonhar, só eu menina ainda sonhava. Como me é familiar ainda a velha casa, a avó protectora, o crepitar da lareira, e tudo me aflora à imaginação, tudo me baila diante dos olhos sem esmorecer.

natalia nuno
rosafogo

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343

escrevo o que sinto...

sem saber como
levo a vida esgotada
ainda agora era manhã
já é noite cerrada
passou o alvoroçer
já lá vai a madrugada
a tarde deixou de ser
fico nesta suavidade
fundo-me com a minha sombra
eternamente a saudade
no silêncio da alma
tudo acalma e serena
nesta estação amena
e o feitiço da lua
faz-me reencontrar a paz
escrevo o que sinto
e o coração se satisfaz.

na minha alma há musica
porque a esperança em mim germina
amanhã serei de novo menina...

natalia nuno

384

sem grades...soltas

trago este condão comigo
é herança que eu herdei
o caminho por onde sigo
nunca dele me apartarei

levantei-me com a alvorada
esperança de te ver chegar
já é noite mais que cerrada
perdido o meu esperançar

uma mão cheia de nada
mas no coração o amor
já me sinto a tua amada
chega até mim teu calor

abri janelas ao mundo
para não me sentir só...
solidão calou bem fundo
na garganta desatou o nó

grandes são minhas penas
não quero eu nem pensar.
tenho tantas...às dezenas!
que nem sei como calar...

minha dor, minhas penas
tantas que quero esquecer
quero minhas horas serenas
que já chegou o entardecer

vindo amor puro e sincero
que em abismos se desata
um sentimento que espero
seja de ouro ou de prata

natalia nuno
rosafogo
321

solidão feroz...

o tempo se esquece
e eu esmoreço
tanto o esquecimento
já mal me conheço
foi tanta a flor
e tanto o aroma
harmonia de sobra
agora o tempo
que tudo me cobra

viver por viver
na incerteza ficar
se o sonho perder
breve seja o agonizar.

natalia nuno

304

teço sonhos...

há silêncio no meu peito
a noite vai madura
e há luar que
o meu rosto emoldura
trago a esperança a madrugar
na esperança de ver-te chegar
a saudade cresce de mansinho
pressinto-te a cada hora
a estreitar-me nos teus braços
pela noite fora...com carinho
então sou flor aberta
aroma que a ti se oferta.
quando o luar se esconder
vou-te dizer
- és tudo o que a vida tem
pra me oferecer!

natalia nuno
277

um poema atrás do outro...

Reuni coragem
deixei de implorar, de chorar
não vou deixar de lutar
até ao fim
se a morte me aguardar
pois que aguarde...
Ter medo não faz mal
ter medo é tão natural,
o coração bate no peito
como pássaro preso numa gaiola
mas eu não peço esmola
hei-de morrer com dignidade
todos morremos mais cedo
ou mais tarde
essa é que é a verdade.

O entrechocar de ideias
me revigora
às vezes preciso duma oração
um poema atrás do outro
até chegar a hora.

Às vezes também me estremece a mão
quem sabe se este dia é o último?
Em remoinhos de vento
trago o pensamento
como uma tempestade
onde se precipita a saudade.
Seja até que Deus quiser
a vida é como o vento de nortada
com a força que me levará cansada
ofegante.

A morte... aproveitará o instante.

natalia nuno
348

a vida é uma roseira...

A Vida é uma roseira,
Trepadeira
Com mais espinhos,
que carinhos.
Sobe por mim, se enrola ligeira
Mas das rosas já a sombra se apodera
Morre a pouco e pouco a roseira
Viu passar por ela a Primavera.

Assim fica sem sentido!
Plantá-la foi tempo perdido.
Mas para meu sofrimento minorar
Invento mil razões para cantar.
Faço muros onde me abrigo
E a roseira se esgueira
Mas já com ela não brigo
Trago-a sempre à minha beira.

É a vida uma roseira
trepadeira,
Já sem espanto nem desalento
Deixamos correr os dias
Já se adiantou o vento
levou nossas agonias.

Meus versos estão de partida
O coração não quero acordar
Vou mentir-lhe, que é longa a vida!
Ou dizer-lhe a verdade?!
Que ele não quer enxergar.

Mas só lhe resta saudade.

natalia nuno
rosafogo



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488

se o relógio parar...

Enquanto na luz dançam grãos de poeira
e o relógio taquetaqueia
eu medito cansada e absorta
sentada, com o livro à minha beira
haja quem leia!
Que hoje não leio nada, estou morta.

Estou o tempo a controlar!
Ele que tanto me contraria
e se a poeira assentar
talvez escreva poesia.

Não faço ideia da hora
a vida está toda na minha mente
agora até ela me ignora
me dá sempre uma resposta diferente.

Gosta de me desencorajar
e o relógio continua a taquetaquear.

À minha frente minha chávena de chá
olho fixamente a janela
estou só, tanto se me dá!
Que ninguém se aproxime dela,
escrevo meias palavras e ao de leve
bebo meu chá, um suspiro me susteve,
de dar um grito, prefiro a serenidade
assim me deixo na sombra da tarde.

o tempo tanto me contraria
mas o relógio parou
a poeira assentou
e eu escrevi esta poesia.

Poesia de saudade!

natalia nuno





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366

por hoje...

Talvez me mortifique no vazio da espera, o sol hoje trouxe emoção a pequenas coisas, tocou o meu coração e eu toquei o horizonte azul dos sonhos, aos olhos voltaram pássaros de ternura, na mente o sussurro enfeitiçado da felicidade e nas mãos molhos de trevos avermelhados colhidos na aridez da alma onde brota sempre uma esperança...

natalia nuno
373

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........