Lista de Poemas

tempestade em mim...

hoje meus gestos são lentos
as palavras sem falar
sou como árvore nua com os braços a chorar
de frio, neste silêncio... silêncio
e lá se foi minha alegria, bateu-me à porta a
melancolia...
como é difícil esta melancolia!
e de repente, uma saudade a bater na luz do poente
saudade, saudade que faz doer na gente!
afunda-se o sol no horizonte
meus pensamentos andam a monte
desliguei do tempo, meu rosto amareleceu
fruto da viagem que há tanto dura,
e meu espírito... esse também se perdeu
meus olhos d' água entupiram
e nem os sentidos sentem mais, se é que
algum dia sentiram...

hoje meus gestos são lentos
as palavras sem falar
tudo o que era meu por direito, ficou sem efeito,
desapareceu, sustem-se frágil meu corpo
como barco em tempestade
morrendo a pouco e pouco,
numa dor velada
o coração, lentamente batendo
e o pensamento, não querendo lembrar de mais nada.

num vôo cego sigo adiante,
por entre maduros trigueirais
nas ervas daninhas, deposito meus ais
despenho penas minhas,
que me habitam o pensamento...e esqueço, este meu
desvanecer lento...

natalia nuno
350

lembranças de tanto...tanto...

Morre o Sol, vagarosamente
Deixa-me e traz a noite de luto,
Levou meu pranto, levou
Deixou meu rosto enxuto.
E assim neste vai e vem
Minha saudade se soltou
Logo a Vida também
Mais um dia me resgatou.
Sem meus ais ter soltado
E tantos sonhos me levou
Este dia sem cuidado
Meu coração me quebrou.

Lembranças de tanto, tanto!
Lembranças de tantos abraços
Sonhos que ainda acalanto
Mesmo tolhidos meus passos.
Nem uma promessa aflorou
Este dia só tristeza semeou.

Encosto-me bem à vidraça
Meus anseios ficam sem norte
A Vida fica sem graça
Surge o amargo sabor da morte
E enquanto a chuva não cai
Ouço rumor, meu coração bate
Um grito forte me sai
A tempestade já se abate.

Agora na noite esquecida
Meu silêncio acarinho
Estou na imensa descida
Como esta chuva caída
Morrendo devagarinho.
Mas o Sol vai despontar
E neste meu Mundo a relembrar
Onde cheguei e hei-de partir
Muita esperança ainda a gerar
Dias de Vida a sorrir.

rosafogo
natalia nuno

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346

palavras vestidas...

as palavras que tenho para dizer-te
hei-de vesti-las e embelezá-las
hei-de cantá-las
com verdadeiro amor
hei-de fazer crer-te
que o céu azula
e o sol tem mais calor
rimas hei-de criá-las com paixão
hei-de colocar joelhos no chão
prometer-te o néctar das delícias
gotejante em carícias...

e num poema de amor
numa tontura de prazer
hei-de dizer-te
palavras que valha a pena falar
de beleza vestidas, que hei-de
cantar...
e o verde dos meus olhos
deixar-se-à pelos teus enamorar
as mãos enlaçando, vivendo
e assim o corpo entardecendo.

natalia nuno

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344

rimas quero distantes...



na minha mente saltou
mais uma lembrança viva
em caudal a mim chegou
e dela fiquei cativa...

brilham as consoantes
ao lado fulguram vogais
do passado trago instantes
de risos e também de ais

nos corredores da mente
metáforas em cristaleiras
adjectivos estão presente
as rimas são as primeiras

em colunas de linguagem
logo palpitam meus dedos
soltam-se como a folhagem
lá de trás trazem segredos

- sobrevôo anos a fio...
morro renasço, agonizo
em criança lavei no rio
em sonho a terra piso

e do povo trago o brio
em mim nada se alterou
só m' semblante sombrio
que de rugas enrugou

na mão algumas vogais
uma ou outra consoante
as rimas levam-me os ais
q' fiquem de mim distantes

natália nuno
286

TARDE QUIETA...

Até o pássaro cessou o canto
Adormece na tarde quieta
No meu coração um silêncio agitado
Um desencanto
Que me aperta!
Meu pensamento perturbado.
Emoções reprimidas
Nos olhos uma ansia agreste
Deste Outono de tardes esquecidas
No restolhar das ideias, nenhuma que preste.

Tenho nas mãos o vento
No coração uma alegria inusitada,
da solidão retirada
Meu corpo, casa abandonada
No meio do desalento,
um triste contentamento,
pouco mais que nada.

Neste ritual diário
Desenboca meu olhar no vazio
Vou magicando a eternidade
O tempo como eu sombrio
E uma nostalgia profunda que me dá saudade.

Amargos anos calcorreando a vida
Encurtam meus passos
Criança perdida
Sombra encolhida
Restam os traços.
Atravesso a tarde como um milagre
Nesta minha idade cansada!?
Uma chuva miúda me devolve a saudade
Deixo-me melancólica e ensimesmada..
Guardo as emoções no peito
Com a saudade me deito.

natalia nuno
rosafogo

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315

sinto tão próximo o longe...

Deixo-me imóvel nesta noite de Outono
Tudo lá fora emudece
Meu tempo desvanece.
O silêncio me causa fastio
abandono-me,
ao meu ouvido o sussurrar do rio
que me traz arranhadas memórias
que surgem por atalhos ressuscitando
a infãncia.

Tudo se vai diluindo
Como areia engolida pelo mar
No esquecimento partindo...
O impiedoso tempo se apressou a devorar.

Encho-me de inquietação,
entre o ser e o já não ser
E a noite é para mim conspiração,
na dúvida do chegar o amanhecer.
Sinto tão próximo o longe 
aquele que fui e sei não sê-lo jamais
Por hoje?
Me dói por demais.

O céu está silencioso, estrelado
Nele ponho o olhar parado
Que foi feito da minhas ideias?
Algo para sempre mudou
Até o sangue que corre nas veias.
Estenderei uma ponte
Que me leve ao novo dia
Meu sonho será a fonte
Que amparará minha melancolia.
Nesta noite de Outono
na solidão dos astros me abandono.

rosafogo
natalia nuno


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355

rimas para quem gosta...



tanta quadra tenho feito
todas rimando a primor
se as escrevo a preceito
é porque lhes tenho amor

não crio com desleixo
eu nas rimas sou briosa
rimo como Poeta Aleixo
a meu modo... saudosa.

sustento assim o querer
inda que as achem sem côr
cá por mim... as podem ler
mas só eu lhes sei o sabor

alguns lhe têm rancor,
mostram-se bem alterados,
acham comuns... um horror
os defeitos encontrados

são esta saudade velha
que não consigo calar
sempre que me dá na telha
faço quadras mas a rimar.

junto as palavras e teço
saudade, também o pranto
páro agora e recomeço...
vagabundo é meu canto

canto como o passarinho
que de cantar não se cansa
faço quadras p'lo caminho
enquanto a vida avança

de modo simples misturo
inda que apontem o dedo
má criação não aturo...
rimo sempre e sem medo.

natalia nuno
rosafogo
360

poeta e a sua loucura...

A escuridão é envolvente
O frio entra-me na garganta contraída
A lua bruxuleia no céu
O mar ondula docemente
Enquanto meu tempo de vida
escasseia.

E eu
volto sempre à matriz
para não me deixar morrer
Busco o tempo das promessas
e me sinto feliz.
Morro sempre mais um pouco
para poder viver.

Ninguém pode julgar-me
por esta saudade louca
Sinto a vida a escapar-me
Tão passageira, tão pouca.

Ouço o murmúrio do oceano,
rumoroso
Das águas nocturnas parecendo mistério
Um escuro manto temoroso
De tantas vidas cemitério.
Trago a vida cumprida
E minha estrela escolhida
Minhas palavras resvalam para o mar
E eu sonho porque viver é sonhar.

rosafogo
natalia nuno

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280

0lho as minhas mãos....soneto

olho as minhas mãos, fiadas de rosas
e de memórias que pulsam no papel
efervescentes de segredos, tão nossas
laboriosas, trazendo-as à flor da pele

são m'nhas mãos estremecidas de amor
dois ramos debruçados sobre o muro
q' vestem meus versos de saudade e dor
sonhos... onde eu sempre me aventuro

mãos que tudo dizem de mim, as penas
e saudade que escrevem de madrugada
versos em pedaços, lembranças pequenas

fardo de lágrimas, sentida dor e saudade
mãos que de ilusão me trazem enganada
adivinhando nas linhas futura tempestade

natália nuno
459

quero...trovas soltas

quero sonhos, são meus
quero-os roseiras em flor
quero sorrir aos olhos teus
dizer-te amo-te, com ardor

quero fazer versos à solta
semear letras ao vento...
quero alegria à minha volta
ser-me poesia chão sedento

só preciso dum abraço
me sustente a coragem
trago na alma o cansaço
desta tão longa viagem

as noites trazem perfumes
estrelas lâmpadas d'ouro...
trazem os dias azedumes
e aberto na face o choro

correm lágrimas a fio
sufocado é o soluçar
a inspiração é arrepio
deixa o Poeta naufragar

estas páginas são tristes
nelas vincos do passado
o que nos meus olhos viste
vem do coração agitado...

depois que importa morrer
se só memórias o que ficou
se só é triste o meu viver
e tudo depressa passou?!

quis o destino... assim quis
agora os dias venturosos
ainda que pobre mas feliz
memórias, tempos ditosos

natalia nuno
rosafogo

Maio 2005
300

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........