Lista de Poemas

desfolho meus pensamentos...

O sol atinge o alto da ramaria
Espalha uma cor doce alilazada
Nem um movimento
Ou um sopro há!?
É só o passar de mais um dia.
Eu, meu pensamento,
e em mim a idade avançada.
Então já tanto se me dá!
Fico nesta eternidade
Aguardo da noite a obscuridade
Perco-me ao longe, a olhar
E chega a saudade.
Que vem a mim p'ra morar.

Logo meu coração
Se sente seguro e mais brando
Ele que aguentou mais uma estação
Recordando,tendo sonhos, ilusões
Lembrando do passado felizes ocasiões
Meu olhar de tristeza isento,
por momento,
tudo é encantamento
Mas a vida se desfazendo.

Os dias são já maiores
Passou o inverno lentamente
Na esperança de dias melhores
Quero contentar-me de contente.

Oiço os pássaros a recolher
Olho as arvores com novos rebentos
É mais um entardecer
Que prazer!
Desfolho meus pensamentos.

natalia nuno


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436

quimeras...

Guardei os sapatos de cetim
E o vestido de levar ao baile
Juntei-lhe perfume de jasmim
Ficou na memória o xaile
Pobre do xaile e de mim!

Desvanecem-se os pormenores
A saudade é tudo o que resta
Dos bordados e bastidores
Dos meus primeiros amores
Quando a Vida era uma festa.

O futuro é corredor escuro
E o amor fogo que ardeu
E não há nada mais duro
Que na Vida o que se perdeu
Vejo-me ao espelho não sou eu
Já nem sei o que procuro.

Olhos às nuvens erguidos
Lembram mãos que se apertavam
Lembram os beijos furtivos
Os abraços que se davam
Cartas escritas se rasgavam
Mas já esqueci os motivos.

Tenho que dar ordem à Vida
O tempo é quem tem a culpa
De me trazer esquecida
Sem sequer me pedir desculpa.
Dor sem peso nem medida.

Tardava em adormecer
Amar era um trinta e um
Mas pior era não ter
Na vida amor nenhum.

Que importa!?Que me importa!?
O que lá vai é esquecimento
Trago a viagem já morta
Promessas leva-as o vento.

natalia nuno

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327

trago sinais de nada...

longe vais meu rio d'água
onde minha sede se saciava
pergunto agora pelo meu rosto
que em ti se lavava...
hoje trago sinais de nada
envelhecidos p'lo cansaço
espelho gasto que não reflecte
vou adiante passo a passo
mas a vida já nada promete.

um dia termina,
e tu rio que me viste menina
dir-me-ás adeus, nessa tarde reclinada
sobre nós,
com um canto triste e sombrio
me despeço de ti ó rio
eu, tu e o salgueiro a sós,
levo nos olhos a tua límpida água
e deixo-te com minha mágoa.

o meu nome levará a dor
e um anjo selará o nosso infinito
amor...

já não posso remontar sonhos
esqueci o cheiro da alegria
e nossos segredos bem escondidos
sabes tu, da minha pele macia
sei eu, dos salgueiros que te olham embevecidos
há ilusões e há repentes
que sou ave entre a folhagem
e em ti revejo minha imagem
meus olhos janelas baças
já de tanta fragilidade
parece-lhes ver a jovem,
de quem trazem saudade...

natalia nuno
310

se a primavera esperar...

solidão sem sentido,
se abeira de mim
a que já me rendi.
longos silêncios,
tempos enclausurados
onde a vida se vai diluindo
junto a ti...

deixo-me ir numa lembrança
mas hei-de voltar!
quando o esquecimento abrir
passagem, depois do inverno
se a primavera por mim esperar

e em cada tempo hei-de reconhecer
no latejar do coração
se valerá a pena viver...ou não!

vazia a minha mão é nada
já não escreve como outrora
mas continua aqui, pelo sol acariciada,
trémula, como a flor dos laranjais ao vento,
vento que uiva lamento que se espalha
p'los canaviais.

nesta hora,
de solidão, aos versos vazios
sem palavras felizes e sem solução,
me rendo sem condição.

ignoro donde vem esta solidão
se do dia que está a morrer
ou da rosa que não chegou a nascer
aperta-se o coração
o dia não vai regressar
a noite está p'ra chegar
vai decidir do meu sono
resta-me a esperança para não
me deixar naufragar no abandono,
desta lembrança saudosa.

no céu...
uma constelação sombria
o dia sem esplendor,
mas amanhã é outro dia.
e eu....falar-te-ei de d'amor.
e da memória duma vida em seu ar distante
onde foste namorado, marido e amante.

natalia nuno
rosafogo
436

loucura...

mais um dia
sempre o mesmo
do começo ao fim,
ruidoso corrupio
sinto o desnorteio em mim
no sonho me refugio

deito um olhar derradeiro
ao rio e ao salgueiro
no vazio da madrugada
as aves livres no céu
cativo só o pensamento meu
apaixonadamente canto
ao romper da aurora
quando estou feliz
ou quando o coração chora

fantasio,
danço em campo de margaridas
me arrepio,
das rolas ouço o arrulhar
tornei-me louca
é nas lembranças que procuro
minha vida resgatar

natalia nuno
386

recordação...

detem-se o tempo
minha vida é ainda jovem
como seara no verão...
no pensamento
saudades chovem,
procuro uma sombra
sabe-me bem a solidão.
lá de cima o sol olha o mundo
a terra observa sua magestade
enquanto isso...vivo de saudade.


natalia nuno
rosafogo
388

tão quase nada...

horas mortas, que me abatem um pouco, meus olhos seguem a linha do horizonte, o mar em mim tão quieto, leito onde se abriga a nostalgia e a saudade, que sempre a ele regressa irrompendo a cada instante com a destreza do vento...demoro-me sobre as recordações a rememorar o passado, e na minha cabeça é domingo e há sinos e sinto-me a passear comigo, tranquila, num céu sem uma única nuvem e o mundo a escapar-se de mim...a vida parte, o tempo entristecido, as palavras fracassam, deixam uma chuva de ideias e coisas por dizer dentro de mim naufragadas...


natalia nuno
rosafogo
381

a cor do outono...

hoje não ouvi o pintassilgo, talvez porque o ramo verde onde costuma pousar se encontra nu, não houve acordes de violino, e nem a minha mão indigente e cansada quis escrever palavras macias no poema onde eu pudesse o sol emoldurar... mesmo com a coragem a desabar... retrai a mim o silêncio e o coração descompassou, minha voz voltou à mudez, também eu perdi o ramo, irreparável descuido de meus olhos sombrios, entre a folha de papel e eu... poema feito ao acaso, muito breve e muito raso, com memórias cheirando a alecrim, pedindo que não esqueças de mim...quase... o tempo outra vez de ternura, fecho os olhos e logo a nostalgia a fazer doer! - - com a cor do outono e a maldição do tempo a passar, como eu precisava ouvir agora o pintassilgo tocando os acordes de violino para o coração ressuscitar... e tu, ousasses vir de novo me abraçar... enquanto meu olhar se perde no ramo que era verde...

natalia nuno
rosafogo
521

palavras soltas...

Amar-te é meu segredo
amor é malha que teço
tua ausência me dá medo
e ao temer tanto padeço...

corre o tempo e faz-te meu
tu perdido, nunca chegas!
este amor por ti cresceu
e tu amor tanto te negas.

não querer-te assim,
eu queria,
é tanta a minha agonia
quanto mais te nego
mais te quero,
e no desespero
é grande o meu apego
apregoo aos quatro cantos
que um dia?!
perco o fio à meada
e nem com reza aos santos
farás de mim tua amada

natalia nuno
368

trago sonhos nos dedos...

sonhei que era
mas sou a sombra do que fui
nada mais a não ser
o que de mim a vida espera.
restam os sonhos
coados pelos meus olhos,
plenos de nostalgia da infância
onde tudo era abundância,
onde a lua me tocava,
e a vida me prometia.
promessas de muito e nada.

hoje é noite no olhar
cansado
e os sonhos moram em versos
tristes
feitos dum braçado
de palavras estremecidas
da saudade nascidas,
partindo da memória, com paragem
obrigatória no chão
do coração.

sonhos alados de ternura,
lembranças que são águas velozes
no sossego do sono
onde procuro por mim
como louca ouvindo vozes

e me encontro,
MÃE...
na ternura da tua boca.

natalia nuno
rosafogo
377

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........