Somos tempos
Somos feitos de tempos,
dos tempos passados buscamos o presente
no tempo presente esperamos o futuro,
um futuro que a nós não pertence.
Tempos que vivemos e que hoje se
faz presente, e nas nossas lembranças
tão distantes nos mantém ausentes.
Ausentes do tempo presente que em sua
busca quer a felicidade para hoje e todo
sempre.
O sempre para o futuro que não nos pertence,
mas que insistimos em buscar e firmar para
a vida no futuro estabilizar.
No presente buscamos o passado, tentando
incansávelmente acertar o futuro que nos
vem a frente, esquecendo de apenas viver
o presente.
O presente esta no agora no hoje, que sem
tempo ou demora temos que aprender a viver,
pois muito rápido vai embora.
Passado, presente, futuro
se fundem em nossos pensamentos
num emaranhado de acontecimentos,
nos deixando cegos ao tempo que
estamos perdendo.
Pássaros
Esse ser tão pequeno que nas
cores de suas penas se apresenta
tão colorido e no galho mais alto
da arvore se faz ouvido.
Ser tão gentil que
através do seu cantar em
sonoras notas nos faz
admirar.
Ser desprotegido aos homens, porém
tão enriquecidos pela vista do alto, que
com suas asas se faz liberto e aos céus
se entregam num salto.
Sobrevoam terras, cidades, rios e mares
numa visão privilegiada
até onde suas asas levarem.
Ser que busca na natureza recursos
para seu ninho construir, e entre folhas
e galhos seus filhotes vestir.
Nos causa admiração em sua riqueza,
através de suas cores nossos olhos encantam
no seu cantar nossos ouvidos cativam.
Ser tão tranquilo e sereno que sobrevoa
nossas cabeças, nossos olhos alegram
nossos ouvidos consagram e nos ensinam
que mesmo tão franzinos, são tão destemidos
fortes e resolvidos.
Medo
Não tenho medo de viver
não tenho medo da vida
tenho medo de morrer
sem viver tudo que quero.
Não tenho medo da paixão ou da ilusão
que ela propicia,
não tenho medo de me entregar a esse
sentimento que me seduz e me envolve
como o vento.
Não tenho medo de amar sem saber
o que esperar, de me dedicar de corpo e
alma aquele que do meu coração
se apoderar.
Não tenho medo de me aventurar e me
deixar levar por esses sentimentos, que
faz de nós instrumentos, nem sempre de
alegria mas que com certeza nos contagia.
Não tenho medo da vida, tenho medo
da morte que chega sem avisar e não
nos permite decidir se com ela queremos
partir.
Não tenho medo da vida, tenho medo
da morte,
os caminhos da vida eu traçarei
mas a morte, ah a morte eu jamais
entenderei.
Somos o que queremos
Na vida, não somos o que podemos;
mas sim, o que queremos.
Somos fortes em nossas conquistas
e fracos e nossas derrotas.
Derrotados somos; quando não queremos;
fracos somos, quando não percebemos, que
em cada tombo levado; fortalecemos nossos
musculos; quando do chão levantamos e em
pé continuamos.
Fracos nos tornamos, quando perdemos algo
ou alguém; sem perceber que enquanto uns
vão; outros vem.
Fracos nos tornamos em nossos tristes
pensamentos; fazendo da nossa história
sofrimento; sem pensar nas alegrias do
momento.
Fracos somos quando afirmamos; que o
nosso fardo demais está pesando; mas não
vemos a quanto tempo o carregamos; e
forte somos pelo peso que suportamos.
Fracos somos quando dizemos que não
conseguimos; sem notar que somos providos
de forças suficientes para continuar prosseguindo.
Na vida , não somos o que podemos; mas com
certeza o que queremos.
Somos fortes; dotados de energia e inteligência;
por tanto controladores da nossa existência.
Injustos somos; quando não percebemos;
que somos mais do que podemos; e que
podemos tudo que queremos.
No limite da razão
Que razão é essa, que desde que nascemos;
nos cobra a beça; obriga nos a estebelecer;
para sobreviver.
Qual a razão, de levantar todos os dias;
tendo como obrigação estudar, se formar;
buscando um bom profissional se tornar.
Essa razão que faz do dia a dia uma rotina
enlouquecida; que segue por toda vida,
numa batalha aborrecida.
Razão, que nos faz correr muitas vezes,
para fortuna juntar; sem o menor sentido;
quando sabe se que deste mundo nada há
de se levar.
Que razão é essa, que não nos permite dizer:
"hoje nada vou fazer, não importa o que vai
acontecer; quero só descansar; tirar os pés
do chão e devanear".
Essa mesma razão; que impede o coração de
se entregar a uma paixão; sem reservas ou
garantias; apenas para viver a emoção e
fugir da rotina.
Essa razão sem lógica não nos permite
parar; só o que faz é nos cobrar; não nos
deixa sonhar.
Não quero mais a razão; quero seguir como
der, puder ou vier; não quero mais ter que
me prender à obrigações ou regras; quero
apenas deitar, relaxar e deixar pra lá.
O que tiver que ser, será.
Desejos contidos
Desejos contidos que emolduram corações,
que os fazem endurecer como se fossem pedras,
pedras em lugar do coração dão vazão
a estagnação.
São pedras que deixam de bater
apenas por não esclarecer os desejos
que estão à esconder.
Desejos contidos, que são sentidos porém,
passam desapercebidos apenas por
acreditar que se neles falar humilhar-se à.
Sonhos perdidos, vontades escondidas, por
pura ignorância ou inconstância de olhar dentro
de si e perceber que o que fica contido e não
é vivido pro fim caminhará e com
a morte partirá.
Saudades de outrora
Que saudades de outrora, dos tempos das fazendas,
que no raiar do sol, a janela se abria,
e uma linda flora em sua frente surgia.
Do cheiro do café colhido nos campos
e passado nos coadores de pano.
Do fogão a lenha exalando o cheiro
do bolo, misturando-se ao da abóbora,
que com o cravo deixava um aroma
doce pela casa afora.
Saudades das moçinhas, que na manhã fria, levantavam
felizes e coradas, vestidas em tecidos de algodão;
sonhando com o baile de mais tarde no salão.
Em seus quartos de costuras se fechavam,
buscando procurar, seus laçarotes e flores;
que a noite as iriam enfeitar.
Passavam o dia contando os segundos no relógio
cuco no canto da sala; esperando ansiosas, o
encontro com os moçinhos, qua ali estariam
para corteja-las.
A hora tão esperada chegava; e as moçinhas agora
e seus vestidos de renda e seda, com os rostos cheios
de pó de arroz e a boca com batom cor de carmim,
passavam sua água de cheiro que purificava a casa
com aroma de jasmim.
O sol se escondia, a lua surgia e o baile começava;
o som dos violinos no fundo do salão encantava
As moçinhas de um lado, os moçinhos do outro;
tão garbosos em seus ternos engomados, com as mãos
suadas, ansiosos pela valsa com sua amada.
Que saudades de outrora, dos bailes das fazendas,
onde; quando as mãos se tocavam e os olhares
se cruzavam, na mesma batida dos corações
disparados; as moçinhas e os moçinhos já sentiam
que pra sempre juntos ficariam; e naquela dança;
ao amor se renderiam.
Dança cigana
A cigana em seu traje de festa,
na noite estrelada se põe a dançar;
buscando os quatro elementos;
nos olhos do companheiro encontrar.
Da terra; que através dos seus pés
descalços; fazem a poeira levantar;
e nessa cortina marrom em volta
de si gira sem parar.
Do ar; que em tudo está;
através de suas mãos tentando tocar;
se elevando até a ponta dos seus dedos,
em gestos delicados busca conquistar.
Da água; que tem sua imagem refletida;
como um espelho a brilhar;
na água limpida se faz colorir;
e na noite escura se faz agitar
Do fogo; que faz seu corpo suar,
dando voltas, rodando sem parar;
e com a saia em suas mãos no ritmo
da canção se faz encantar.
Terra, ar,água e fogo;
a cigana com seu corpo se faz exibir,
em torno do seu homem se deixa conduzir;
e através desses elementos só o que faz é seduzir.
Música
No fundo um ritmo;
rápido ou lento?; o que
inspira o momento.
Palavras que se agrupam
em forma de versos e poesias;
que em suas rimas, falam de
tristezas ou alegrias.
Essa união de ritmo, versos e
poesias; elevam corpos, mentes
e corações à uma viagem frenética
de emoções.
Identificação nas palavras cantadas;
no ritmo compassado; com os olhos
fechados; somos levados para longe;
ou apenas ao centro do nosso
próprio eixo.
Multidões movidas; ou na solidão
ouvidas; músicas; união, reflexão,
oração, uma viagem na emoção;
revelada através da canção.
Renúncia ou Escolha
Na renúncia ou na escolha;
do amor ou da paixão; o que
manda é o coração.
A paixão fogosa, ardente, faz o
coração mais caliente.
Paixão atrelada ao prazer, no menor
toque faz arder,no sentir o dedilhar dos
dedos tocando o corpo; em brasas se
transforma; e na respiração ansiosa e
acelerada se conforta.
Escolha da paixão, renúncia do amor,
que só traz frescor; acalento apaziguador;
ao coração a calmaria, a vida a doce
nostalgia e ao corpo a alegria de dividir
os dias com outro ser encantador.
Escolha, renúncia; amor, paixão;
nada disso importa, pois o coração;
na doce ilusão do amor ou da paixão
só o que busca é deixar a razão e viver
a emoção.