Nilza_Azzi

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Eu me lembro todo dia de um amor de salvação, mas esqueço o que queria e as lembranças lá se vão... Nilza Azzi

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Elegia


Canto I
Essa que chora ante o caixão aberto,
Por quem dizias ter amor, eu sei,
Sofre por ti, um pouco, mas decerto
Seu coração lavrou a própria lei,
Na solidão sem tempo do deserto,
Sem abrir mão da liberdade ao rei.
– Sob esse véu que cobre a tal tristeza,
Resiste a alma límpida e coesa.

Canto II
Bem vês agora que escapou inteira
Da servidão que lhe quiseste impor
E na conversa muda e derradeira,
Em teu respeito, um mínimo de dor
Expressa agora, à sua maneira,
Ainda presa ao súbito estupor.
– E nessa lágrima tímida que verte,
Reverencia o teu corpo inerte.

Canto III
Caminha sempre adiante com firmeza,
Embora saiba dar um passo atrás,
Para ajustar-se às leis da natureza
E avançar de forma mais vivaz...
Mantém, consigo, a esperança acesa,
E não espera pelos outros, mais...
– A vida é roda e pelo tempo gira;
O que é verdade, nunca foi mentira.

Nilza Azzi 

 
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Poemas

1

Prestidigitação

 

 

Na tola insensatez da juventude,  

acreditei no amor e muito amei...  

Amei até demais, o quanto pude;  

amei e fiz de amar a minha lei.  

 

E quem disser: – O Amor jamais ilude! –  

dirá contrário àquilo que mais sei,  

porque meu sofrimento foi tão rude,  

tão rude, que de amar desesperei.  

 

Aquela, a quem dei meu coração,  

levou embora a paz e o meu juízo!  

Embora entenda bem o que é preciso,  

 

jamais lhe sou capaz de dizer: – Não!  

Assim, eis-me vencido, não por mim,  

– a bela é que me arranca sempre um sim.  

 

Nilza Azzi

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Comentários (4)

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yuri petrilli

Belos sonetos!

Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!

Filipe Malaia

Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.

Maria Lima
Maria Lima

Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!