Nilza_Azzi

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Eu me lembro todo dia de um amor de salvação, mas esqueço o que queria e as lembranças lá se vão... Nilza Azzi

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Elegia


Canto I
Essa que chora ante o caixão aberto,
Por quem dizias ter amor, eu sei,
Sofre por ti, um pouco, mas decerto
Seu coração lavrou a própria lei,
Na solidão sem tempo do deserto,
Sem abrir mão da liberdade ao rei.
– Sob esse véu que cobre a tal tristeza,
Resiste a alma límpida e coesa.

Canto II
Bem vês agora que escapou inteira
Da servidão que lhe quiseste impor
E na conversa muda e derradeira,
Em teu respeito, um mínimo de dor
Expressa agora, à sua maneira,
Ainda presa ao súbito estupor.
– E nessa lágrima tímida que verte,
Reverencia o teu corpo inerte.

Canto III
Caminha sempre adiante com firmeza,
Embora saiba dar um passo atrás,
Para ajustar-se às leis da natureza
E avançar de forma mais vivaz...
Mantém, consigo, a esperança acesa,
E não espera pelos outros, mais...
– A vida é roda e pelo tempo gira;
O que é verdade, nunca foi mentira.

Nilza Azzi 

 
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Poemas

2

Amarelos


Um tiquinho da cor, um retalho singelo,

a ilusão vem do Sol, dos segredos velados.
Aspirado da luz, nos diversos estados,
com filetes de mel, desenhar um castelo.
 
É nas copas do ipê, essa joia dos prados,
e nos lírios que estão, no mais puro amarelo,
as belezas em flor, explodindo... Tão belos,
os detalhes sutis, esses tons aureolados.
 
Num pedaço de céu, faz-se um elo perfeito,
amarelo e azul —  um suave, outro forte—
junto aos mares do sul, os narcisos do norte.
 
Mas nos campos de anis, se fizeres teu leito,
e souberes de amar, quais os elos se fazem,
deixarás, no lugar, ambas, seda e aniagem.

Nilza Azzi
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Autorretrato

A juventude passou, foi embora;
maturidade chegou. Mas que bom!
Toda experiência nos cobra penhora,
saber viver, — agradeço esse dom.

Nunca serei uma velha senhora,
o tal chapéu preto, o xale marrom...
Imposições não me valem agora:
— São minhas vestes! — Escolho seu tom.

Mas não serei uma falsa sereia,
a esconder de mim mesma a verdade.
De veleidade esta vida está cheia!

Uma certeza, apenas, me invade:
A poesia me corre nas veias,
— hoje melhor do que em tenra idade.

Nilza Azzi
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Comentários (4)

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yuri petrilli

Belos sonetos!

Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!

Filipe Malaia

Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.

Maria Lima
Maria Lima

Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!