Brasileiro, jornalista/publicitário, Rio de Janeiro. Redator/revisor em várias editoras, como José Olympio, Delta e Record, nos jornais O Dia/A Notícia, Última Hora, Jornal dos Sports, Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil, além da revista Manchete e da agência de publicidade Propeg. Atualmente, trabalho na agência carioca NBS. Poeta e contista inédito, sou co-autor dos livros “História das Sociedades Americanas” (Ed. Record) e “A Europa e as Américas no Século XX” (Ed. Ao Livro Técnico) com os professores Rubim Leão de Aquino e Oscar Guilherme Pahl Campos Lopes. Mantenho os seguintes blogs na internet: www.botequimdigital.blogspot.com / www.contoscombalidos.blogspot.com / www.tempomarambaia.blogspot.com / www.ayvupora.tumblr.com e wwwmmultiplosolhares.tumblr.com
Lista de Poemas
Dentro da noite insone
A noite desvencilha-se do seu manto de estrelas
E eu, poeta exausto, abraço a superfície do sono
Equilibrando-me entre palavras e desejos ermos.
O corpo nu da amada range no sonho seu instinto
E despeja no branco dos lençóis o vinho feminal
Exibindo-me os mamilos doces túrgidos em brasa
Como pétalas incendiadas de uma orquídea rara.
Eu me transbordo lívido de libido pelos limites da pele
E como um grifo cravo em seu corpo meu arpão de âmbar
E me comprazo de humano desvario em sua greta nua
Fustigando, ferindo, perfumando seu corpo enlouquecido
Que súbito mergulha no inconsciente e entrelaça-se em algas
De aflições escuras, como se assomasse ao cimo da loucura.
Até que após a luta o corpo exausto enfim entrega-se cansado
E como pássaro após a tempestade é puro canto, só ternura.
E a noite segue seu curso como anzóis jogados ao acaso:
Na cama uma borboleta de pelúcia agoniza dessangrada
No sexo ainda molhado, dolorido, transido de prazer.
Ai, momento irisado que anuncia a claridade
Deposita meu silêncio na mansidão das carnes
Como o quarto adormecido de um hospício!
Ai, brisa que navega sobre as tetas mornas
Sopra o rocio da manhã nos seios doloridos
E arrefece a chama dessa língua irrequieta!
E eu, poeta exausto, abraço a superfície do sono
Equilibrando-me entre palavras e desejos ermos.
O corpo nu da amada range no sonho seu instinto
E despeja no branco dos lençóis o vinho feminal
Exibindo-me os mamilos doces túrgidos em brasa
Como pétalas incendiadas de uma orquídea rara.
Eu me transbordo lívido de libido pelos limites da pele
E como um grifo cravo em seu corpo meu arpão de âmbar
E me comprazo de humano desvario em sua greta nua
Fustigando, ferindo, perfumando seu corpo enlouquecido
Que súbito mergulha no inconsciente e entrelaça-se em algas
De aflições escuras, como se assomasse ao cimo da loucura.
Até que após a luta o corpo exausto enfim entrega-se cansado
E como pássaro após a tempestade é puro canto, só ternura.
E a noite segue seu curso como anzóis jogados ao acaso:
Na cama uma borboleta de pelúcia agoniza dessangrada
No sexo ainda molhado, dolorido, transido de prazer.
Ai, momento irisado que anuncia a claridade
Deposita meu silêncio na mansidão das carnes
Como o quarto adormecido de um hospício!
Ai, brisa que navega sobre as tetas mornas
Sopra o rocio da manhã nos seios doloridos
E arrefece a chama dessa língua irrequieta!
837
Cota certa
A lâmina fria fere fundo na carne trêmula,
O sangue morno escorre e fremem fibras.
A faca afunda na fome imunda do corte
E a morte espia a luta vã da anima êmula
A noite visita os olhos e o corpo esquece.
A vida, enfim finda, se refunda na morte.
E, no silêncio do nada, pequeninos vermes
Retomam a lida na carne fria que os aquece
O sangue morno escorre e fremem fibras.
A faca afunda na fome imunda do corte
E a morte espia a luta vã da anima êmula
A noite visita os olhos e o corpo esquece.
A vida, enfim finda, se refunda na morte.
E, no silêncio do nada, pequeninos vermes
Retomam a lida na carne fria que os aquece
795
Amor enigma
Olho teus olhos,
Dois abismos que convidam,
E me atiro ao medo.
Olho teus lábios,
Conchas marítimas de mistério e mel,
E os imprimo aos meus.
Olho teus seios,
Rubras romãs, sementes de manhãs,
E os degusto como o dia, o sol.
Olho teu corpo,
Ânfora oleada de cheiros e desejos,
E me sacio da fome plena.
Olho tua alma nua como a lua,
E o que vejo é claro enigma.
Que se me vê, renega.
E se me cega, enxerga.
Que se me tem, se farta.
E se me farto, entrega.
Olho-te com doçura calma
De quem anoitece enfim:
Ora me adormecendo em ti.
Ora te amanhecendo em mim.
Como uma pétala, uma flor,
Que no meu peito, brota
E nos teus lábios, flora.
Dois abismos que convidam,
E me atiro ao medo.
Olho teus lábios,
Conchas marítimas de mistério e mel,
E os imprimo aos meus.
Olho teus seios,
Rubras romãs, sementes de manhãs,
E os degusto como o dia, o sol.
Olho teu corpo,
Ânfora oleada de cheiros e desejos,
E me sacio da fome plena.
Olho tua alma nua como a lua,
E o que vejo é claro enigma.
Que se me vê, renega.
E se me cega, enxerga.
Que se me tem, se farta.
E se me farto, entrega.
Olho-te com doçura calma
De quem anoitece enfim:
Ora me adormecendo em ti.
Ora te amanhecendo em mim.
Como uma pétala, uma flor,
Que no meu peito, brota
E nos teus lábios, flora.
778
Beijo azul
Quando amanheço assim triste e me beijas calma
Teus beijos, ó amada minha, me levam aos cimos
E tuas carícias loucas que me desgrenham a alma
Percorrem febris meu corpo nu – e acordam sinos
Povoando de sons a catedral vazia dos desejos.
Teus beijos, amor, transbordam luz, azul, manhã.
E então beijo-te eu a pele tímida, teu seio túmido.
E teu lábio rubro, flor de caqui, é puro mel, maçã
Onde passarinho e bebo teu néctar, o fruto úmido
Até adormecermos um no outro assim, asa e corpo.
Teus beijos, ó amada minha, me levam aos cimos
E tuas carícias loucas que me desgrenham a alma
Percorrem febris meu corpo nu – e acordam sinos
Povoando de sons a catedral vazia dos desejos.
Teus beijos, amor, transbordam luz, azul, manhã.
E então beijo-te eu a pele tímida, teu seio túmido.
E teu lábio rubro, flor de caqui, é puro mel, maçã
Onde passarinho e bebo teu néctar, o fruto úmido
Até adormecermos um no outro assim, asa e corpo.
897
Riso submerso
Ontem mesurpreendi com palavras inesperadas
Trazidas pelovento e a chuva que varriam a rua.
Havia verbos eloucura, poesia rota nas estradas
Destroços denotícias, restos de rimas, tarde nua.
Somente osilêncio mudo dos loucos sabia tudo.
Súbito o ventobramiu no dorso triste dos barcos
Soltando osdemônios que adormeciam no mar.
A tardelíquida escorreu desesperada pelos ralos.
E rolos deágua e barro anunciaram o apocalipse:
O céu choroudesesperado sobre a cidade do Rio.
Morrosdesceram enlouquecidos sobre as casas.
A terralacrimechoveu encostas de lama e alma
Arrastandonuvens de gente e indigentes de asas.
Só velasvelaram a cidade na súbita noite do dia.
O Ri(s)oacordou submerso, o Cristo preso no ar.
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