Eu só queria ser livre sabe? Livre para pensar Livre para falar Livre para sentir Livre para se relacionar
É bobo eu dizer isso? Sim, é bobo Somente para aqueles Que desconhecem a liberdade
A liberdade não é apenas um ato A liberdade não é apenas o estar Para conhecer a liberdade de fato Acho que primeiro você precisa mesmo É reconhecer o seu “lugar”
Não falarei de hipocrisia Nem de como seria essa utopia Afinal como eu poderia dizer sobre essas coisas Para aqueles que não tem a própria “filosofia”
Somos os animais do nosso dia a dia Que não sabem do introspectivo mais importante, Que fazem o necessário para viver E que com isso, num passo de ironia, Esquecem o que é o “ser”
Não somos livres em nenhum de nossos ciclos Não somos livres nem mesmo no nosso individualismo
Afinal isso tudo é mesmo nosso? Não mais de outro alguém? Como pode afirmar algo, sem ser remetente de algo além?
Nós somos a própria prisão de cada dia Presos no agir Presos no dizer Presos no sentir, e por fim Presos no saber
Por fim eu disse? Desculpe, esqueci de dizer Que no encosto disso tudo Está “a gente” Presos no nosso próprio ser
O que é liberdade? É ser livre pra se prender É estar preso na ideia de viver É ser livre para poder entender É estar preso nesse pensamento tolo De ter um conceito de liberdade só para você
Enganos e mal entendidos É disso que a minha vida é feita Foi assim que minha história foi criada Só me resta agora conviver com isso
Não consigo mais olhar ao meu redor Sem pensar em como consegui isso tudo Falácias e mentiras Tudo feito sem nenhum pudor
Acho que sempre fui assim Uma pessoa por si e mais ninguém Vivendo tudo numa distopia social Enganando a todos… Sem nenhum porém
Passo por agora o horror desses momentos A máxima de minhas fraudes Uma por uma, é assim que me atormento Pois tudo que ganhei com isso foi essa ilusão
Breves felicidades, curtos ganhos Tudo desabou com esses poucos sustentos Sobraram as sombras do que eu era Reflexos do que me fazia ser
Quem chega nesse ponto sabe muito bem Não há volta, não há reparo Não adianta o desespero e o lamento Tudo foi feito, tudo foi falso
Recomeçar de novo é o que resta? Mas quem poderia estender a mão? Quem ajudaria o mais mefítico dos demônios? Se até deus o abandonara…
Tão pouco perdão há nesse mundo Quão presunçoso seria pensar em ter algum? Nem mesmo eu me permitiria ter Pelo menos com isso serei honesto…
45
Mudança
Que sentimento é esse Sensaçao de algo novo vindo Algo que muda tudo impetuosamente Tudo que eu conheci, virando rastros do passado
Talvez não esteja preparado para isso Mas é o que me resta Mudar com a mudança Conservando somente meu desejo
A mudança pode vir, pode levar tudo Ela vai vir sim com esse parecer novo Mudará o meu redor e meu interior Mas nunca irá mudar meu Eu
Serei estagnado sim Nos meus valores latentes De não poder ver o injusto praticado De não aceitar essa gente que com a mudança se brinca De não suportar esse mundo que no conforto da constância permanece
Transforme, mude e se desenvolva sem medo Olhe para trás, recorde e relembre do seu espírito sem preconceito Com a mudança temos que ter o novo mas sem sepultar o velho Com a mudança mudaremos para o que é certo
36
Destino
Contemplando essa imagem áurea De algo improvável, inconsequente Uma possibilidade de um universo descontente Pois é do destino, visão que muito me assola Mas que há pouco num pequeno gesto Agora me abraça, num ato caótico e expresso
73
Voto Constrito
Já estou partindo, assim, caminhando Para o lugar onde exerço meu direito A dádiva base dessa tal república A tão falada faculdade do votar
Escolhi meu senhor, o homem certo O homem sem erro, um homem correto Esse é meu senhor a quem vou dar meu voto
Caridoso, me permitiu criar meu espaço Tem boa memória, sabe bem onde eu moro Também é um amigo, ajuda mais que um Ácoro
Escolhi meu senhor Ele gosta de gente de palavra Por isso me escolheu Porque sabe que eu não volto com ela Votarei nele sim, pois o resto é balela
Todos votam certo, sem olhar para trás Pois sem meu senhor no topo a gente não vive! Somos dependentes dele, desse homem respeitoso
Voltarei para minha casa já que terminei de votar Meu senhor veio me cumprimentar, estranho Sempre atarefado mas veio gastar seus segundos comigo Que senhor bondoso, falei a quem dei meu voto com um grande sorriso!
99
Memórias
Revivendo o passado De novo, o novamente Num passo quase que constate Infectando minha mente
Esse momento se repete Não consigo esquecer Assim como tantos outros O que me resta é lamentar, sofrer
Memórias para que? Se nelas só mostram o repugno do meu ser Eu só queria entender Que castigo é esse de me fazer rever?
Não há nada de bom Pois este conceito está nublado Na minha consciência que só vê o errado Na minha cabeça que não larga o passado
Não quero mais essa amargura Não preciso mais dessa nostalgia Quero criar algo novo Por mais que seja assim, efêmera
Iluminarei esse vazio Talvez ache algo que me prenda Algo que de vez me salve Algo que me faça parar de lamentar
Não irei cair nessa De vez já me perdi no sombrio Não há barganha que me tire desse eco
Já está tudo corrompido Minhas lembranças, minhas memórias Sim, meu tempo vivido
Não terei nada do que reclamar Se por fim, eu de nada fazer Nenhum erro a cometer
Essa será minha memória Uma esperança virgem Que há tempos se converteu Para um conceito pútrido
114
Passos
À beira do vazio Um lugar ou uma ideia Destinado aos destinados Sem tempo, sem areia
Cada passo é um momento Nada previsto, nada criado No lapso do vazio ao existente Não se sabe se aquilo foi presente
Incertezas, desconfianças Prendendo nossas gastas solas Esperança e liberdade Somente no que se faz pleno a nulidade
Assim são feitas as constantes Adjuntas ao mutável Transformando o nosso meio Num futuro complexo, imaginário
Tudo foi sim premeditado Portanto, como não existe seu desejo? Nesses ramos sem fim vislumbrado Dessa gloriosa árvore do destino
107
Infinito Incompleto
Universo majestoso Amplo no seu horizonte Pequeno no seu entendimento Tornando este um conceito aliciante
Estamos jogados no acaso desse mundo Somos caminhantes do destino Fadados a viver com a visão de um falso futuro Talhado na vida um passado tão sucinto
Porém não reclamo desse trágico fim Pois o que está ao redor do nosso agora É o que fazemos, a mácula do que almejamos É assim, sublime… Um grande mar sem confim
Digo isso meu amor, para vivermos o agora Não se importando com o amanhã Vamos ser alienados nesse presente sonho Sem pensar no que virá no alvorecer da manhã…
Continuemos então essa caminhada Vamos nos perder, nos entristecer Enquanto ganhamos e celebramos Isso tudo nesse universo Tudo irônico, um parcial absoluto
Pois o que importa é esse passeio Esse belo e ultraje devaneio Decerto estaremos juntos No manifesto delírio desse cosmos
Pois toda essa vivência está no conjunto As incertezas e as seguranças O duradouro e o breve Tudo isso difundido No nosso Infinito Incompleto