paola_

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- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

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vazar

fechei meus olhos enquanto a água escorria 

fluía de forma tão fácil e leve

morna e constante

por um breve momento nada me ocorria

o relaxamento era inevitável 

toda preocupação se esvaia 

rumo ao ralo ela seguia
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Poemas

137

repelir

Fiz uma promessa: 

Não procurar nem deixar chegar…

Parece algo rígido 

De alguém desiludido

Talvez seja

Apenas mais uma das minhas muitas estranhezas

E provavelmente a forma que encontrei 

De endireitar 

O meu pensar 

O meu caminhar

O meu olhar

Minha mente está diluída 

Diminuída 

Estou completamente encolhida

Sentindo apenas meu coração pulsar

E constantemente sufocando as lembranças da minha mente 

Esperando pelo dia em que nada irá doer

E quem sabe voltar a florescer 

20

ínterim

Sigo inspirando e expirando 
Dia após dia
Olhando pela janela 
Sentindo o vento 
Quem sabe buscando algum contentamento 
Com pitadas de desprendimento 
As horas às vezes voam
Noutras empacam na eternidade 
Mas sem perder sua velocidade 
Minha mente segue fluída 
Olhando para o presente 
Por ora, 
Sonho com alguma prosa
Numa nuvem cor-de-rosa 
Mas o momento pede espaço
Para que um dia possa surgir algum laço
 

20

ponto

A volta pra casa já não é a mesma

Me perdi no calendário 

Mas não no horário 

Já não preciso gravar

Pra contigo falar 

Automaticamente separei meu fone

“Vais ligar pra qual telefone?”

Não tem ninguém lá 

Pra sobre meu dia contar

E ao mesmo tempo 

Sinto um vazio 

No meu ouvido 

Sem os apelidos

E carinhos 

Sem os risos 

E improvisos 

A quem serão dirigidos?

 

225

aflição

A ansiedade segue me corroendo 

Pouco a pouco 

E tem feito morada

Expirar e inspirar

Não fazem nada mudar

Em lugares aleatórios 

Começo a chorar

Desconhecidos olham 

Sem saber o que falar

Olham com curiosidade e pena 

Onde está aquela que já foi serena?

Sigo

Me arrastando 

Na esperança de voltar

A caminhar, brilhar e cantar

E estabelecer meu novo lar 

18

poço

Se minha vida fosse uma novela 

Você teria vindo até aqui 

Pra tentar falar 

Pra dizer que tudo iria mudar

Mas a realidade se mostrou cruel

Você se descolou do afeto

Me deixou sem teto

Fui substituída 

Por uma nova inquilina 

Acho que nunca fui querida 

Mas a você sempre quis bem 

Mal sabia que me tornaria refém 

De um suposto amor

Que trafegava em mão única

Onde na verdade 

Teria que ser uma via de mão dupla

Depois do luto 

Agora vislumbro 

Um caminho menos escuro

22

inominado

já perdi a conta

de quantas vezes pensei

em você 

associei uma música 

que não me deixa esquecer 

surge a vontade de procurar 

falar 

mas aí lembro 

que não tenho nada a oferecer 

e estou perdida tanto quanto você 

por medo 

retrocedo

e permaneço em segredo
30

inominado.

já perdi a conta

de quantas vezes pensei

em você 

associei uma música 

que não me deixa esquecer 

surge a vontade de procurar 

falar 

mas aí lembro 

que não tenho nada a oferecer 

e estou perdida tanto quanto você 

por medo 

retrocedo

e permaneço em segredo
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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!