Imaculada Espera
Tu que não esperaste por mim,
Perscrutei-te por todo o lado,
Não foi há tanto tempo assim,
E Eu agora para aqui prostrado.
Querias ir a todas as festas,
Já não te lembras então,
Espreitava-te nas frestas,
Mas logo disseste que não.
E eu aqui descanso ao frio,
Longe do teu calor imaculado,
Por te ter levado a sério,
Sofro silencioso o meu fado.
Vinhas comigo ter,
Ainda estremunhada,
Adoravas o meu Ser,
De Alma magoada.
Foste na brisa do mar,
Fugida longe de mim,
Nada te tinha a dar,
Soçobrei por fim.
A noite hoje sorriu-me,
A tua lembrança retornou,
No regaço adormecias-me,
O meu coração enlutou.
Lx, 30-1-2013
Partilhas
O que de melhor se pode levar nesta fugaz existência,
É simplesmente partilhar.
Partilhar uma paisagem imponente e apaziguadora,
Partilhar músicas em sonhos sem fim,
Partilhar nostálgicas mágoas profundas,
Partilhar apaixonadas caricias inocentes,
Partilhar a calma do mar tranquilo,
Partilhar o sossego da flor a desabrochar,
Partilhar a serenidade da tua mão quente,
Partilhar a angústia das partidas,
Partilhar as nossas palavras sentidas,
Partilhar os olhares enternecidos,
Partilhar sentimentos esquecidos,
Partilhar a tua dor sofrida.
Lx, 18-2-2013
Natal Desencantado II
O tempo de natal é-me triste na realidade, de tão pesaroso que me aparenta ser, no meu âmago infértil.
Sou homem de dias simples em catadupa, uns atrás de outros, iguais de tão inócuos e banais que os faço parecer.
Atingi o supra-sumo da indigência social, consegui o feito inédito de começar a ter sérias incertezas na minha conduta niilista comportamental, será porventura demasiado segregada socialmente.
Não sei porque insisto ainda em enviar as boas festas a alguém, deve ser com certeza apenas masoquismo bacoco da minha parte.
Às vezes penso o que diabo se cruzou nos céus, por terdes um dia ousado atravessar o meu caminho, talvez nenhuma razão em especial, apenas um acaso aleatório mínimo no caos existencial vigorante.
Mesmo assim o que seria de vós descobertos sem a minha áurea negra, nos dias de hoje?
Mais felizes e realizados seriam sem certezas, ausentes sim da dúvida.
Desculpem-me o atrapalho que vos dei e infringi, com o meu perpétuo bocejo.
Abençoados sejais, os que abandonaram este barco fantasma em que navego.
Pois entre a vida e a morte, eles escolheram arriscar viver.
Opções duma vida tal e qual o vibrar quântico, numa teoria das cordas antropomorfizada universal.
A vida estará bem-feita, tanto para quem a consiga viver plenamente ou não, o primeiro tira partido do saber viver intrinsecamente, o segundo cai num enfastiamento crescente ao longo da vida tal, que a morte é a única salvação e bênção possível e desejada.
Alguém escreveu um dia: "O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade."
Infelizmente pela minha parte, isso não se verifica, pois no meu caso só consegui juntá-los todos numa matrioska sensorial, em que todos encaixam uns nos outros, indissociáveis, num grande bocejo de enfado espiritual e agastamentos fúteis de tão irrelevantes.
Quem insistiu em me acompanhar, relevará para a eternidade a infinidade do entendimento exacerbado, apreendido neste nosso cruzar de sonhos estéreis, que tentam apaziguar a sede insaciável de respostas inescrutáveis.
O natal acabou por agora, finalmente deixou-me a dormitar à noitinha, no meu imenso sono pesaroso em que nasci.
Lx, 25-12-2012