Lista de Poemas

Falsa Epifania





Falsa ilusão em que mergulhei,
Terei eu a humildade dos mestres,
Para reequacionar o sentido da vida,
Há tão pouco tempo julgado desvendado,
E novamente e sempre posto em causa,
Na sua essência tangente mais viral.

Falsa modéstia que me encheu a alma,
Orgulhosamente só julguei perscrutar,
O silêncio da transumância cósmica,
Que me sufocou de presunção alienada,
Não me serviu de nada a luz epifania,
Que um dia julguei ter em mim incidido.

Falsa ausência de arrogância que esconjuro,
A maldição da indiferença absorta que instaurei,
A noção do ridículo que me absorve de comoção,
As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam,
As noites mágicas transcendentes que idealizei,
Para morrerem na infinidade das probabilidades.


Lisboa, 27-8-2013

802

Não Consigo Mais





Não consigo deixar de te olhar,
Com as curtas horas a passar,
Para o teu rosto de Primavera.
Mal aguento a longa espera.

Não consigo deixar de te querer,
Tanto receio tenho eu de te perder,
Volta meu anjo que te espero,
Não me deixes em desespero.

Não consigo esquecer-te jamais,
Somos dois em um e nada mais,
As noites de paixão esplendorosa,
E os nossos corpos em polvorosa.

Não consigo mais dormir,
Vejo-te como que a partir,
Num pesadelo que tenho tido,
O de não ser o teu pretendido.

Não consigo mais viver sem ti,
A saudade tamanha que senti,
De beijar cada canto do corpo teu,
Como o destino um dia me prometeu.

Não consigo suportar a tua falta,
Comigo juntinha sob a Lua alta,
É o meu desejo mais secreto,
Quando és meu sonho amuleto.

Não consigo mais por ti deixar de chorar,
A tristeza em mim acaba sempre por voltar,
As saudades tuas secaram-me as lágrimas,
Por imaginar um dia sem tuas belas rimas.

Não consigo mais ser o mesmo que fui,
Depois de te ter contemplado construi,
O nosso lindo sonho de amor e bonança,
És e serás sempre o meu sonho de criança.

Não consigo acariciar os teus cabelos,
Sem que ouças meus carentes apelos,
São suplicas minhas para te dar a mão,
Preciso delas como um faminto por pão.


631

O Que Me Aconteceu




O amor que se instalou em meu coração,
Não queria ter sequer ousado ficar,
Não se sentiu indesejado nem só,
Mas teve medo do meu imenso mar.

O amor que se instalou em meu coração,
Veio num veleiro com o vento do Olimpo,
Amarou na minha pobre alma em comoção,
Trouxe a poesia com ela e logo me encantou.

O amor que se instalou em meu coração,
Saltou o muro onde me enredava senil,
Veio com meigos doces beijos de sã alegria,
Que me libertaram do desalento ardil.


605

Estou Pronto





Estou pronto a amarar,
O meu espírito insurrecto,
Perdido no fundo do mar,
Contra corrente a definhar.
Estou pronto a aclarar,
O grão mistério da vida,
Libertar-me de sofismas,
O lesto desígnio abortar.
Estou pronto a arcar,
Com o peso da dor,
O eterno sossego,
A alma a arfar.



Lx, 1-3-2013
814

Desprotegido





Desprotegido vagueando no deserto sempre ausente,
Na penumbra duma noite fria de sentimentos vãos,
Sem assertividade no realçar do belo que mente,
Prescrito definhando num esgar desmaiado de aflição.

Desprotegido às tuas enrugadas mãos finadas,
Que me adornam a campa de flores saudosas,
Vens com as primeiras chuvas tão odoradas,
Que me lavam as feridas em chaga ociosas.

Desprotegido do amor inculto desagravado,
Incompreensível doce tentação insurrecta,
Que me abandonou ao meu triste chorado,
Alma aprisionada na aparência circunspecta.

Desprotegido para todo o sempre que me espera,
Armadilhado em promessas vãs recauchutadas,
Eu pernoitarei sob as achas da minha quimera,
Sem consolo algum nas derradeiras alvoradas.


Lisboa, 26-9-2013

742

Ausência de Dúvidas




Somos projecções feéricas transbordantes da compaixão cosmológica.
Flutuamos sumptuosamente em fechados écrans, aprisionados num dilema extra dimensional.
Somos fantasmas presos no âmago do cosmos, pendentes do seu altruísmo caótico.
Brilhamos inebriantemente, como pirilampos esquecidos no espaço vazio, como matéria errante de efémera razão.
Somos um sonho incessante em busca da ausente eternidade existencial.
Somos a tela duma Guernica universal, a ser serenamente contemplada pelo vazio do espaço sideral.
Somos o pincel do pintor famoso, a pena do poeta, a música duma arpa a ecoar, a flor colorida a nascer.
Enchemos de beleza e horror os mundos desabitados de espirito crítico.
Tudo apenas ganha dimensão, quando por nós visionada, damos cor à cor das coisas, damos forma ao disforme, damos sincronismo ao anacrónico, damos esperança ao desalento.
Arrumei as dúvidas nas gavetas do meu contador racional, só me resta contemplar a beleza que embuto nas agregações elementares, e que perscruto incessantemente ao divagar.
A eternidade que se busca em vão, não é a certa, a eternidade está ao alcance do conhecimento entretanto almejado, a compreensão do universo e a sua contemplação somando ao desfruto da nossa vivência, são o cálice cheio do pseudo elixir da juventude.
Somos bolas de sabão ao sol deixadas à sorte, interrompidas pelo acaso.
Translúcidas reflectem o mundo que nos rodeia, essa informação primordial que processamos em variações infinitesimais e que se tornam inócuas, quando perdidas na imensidão das iníquas torrentes plasmáticas do universo em permanente bulício quântico.
Somos uma ode ao bom gosto, proclamada pelas estrelas ancestrais.
Atingimos o supra-sumo do entendimento metafísico, a essência da retórica existencialista, o não senso do positivismo arrogante, a maioridade na criação artística indulgente.
Falta-nos apenas o padecer perene do nosso mundo, criado à nossa imagem, nos confins do esquecimento absoluto e na escuridão da nossa alma obliterada de senso organizado, nunca mais alcançado, jamais renascido, para sempre olvidado.


Lx, 18-2-2013

845

Beleza





Tão belo a natureza escutar,
Por não ter nada a reclamar.
Tão belo acho o teu amar,
Por de nada conseguir gostar.
Tão belo é o teu sorriso,
Por ter julgado ver o paraíso.
Tão belo é dar à vida sentido,
Por ter apenas pressentido.
Tão belo é sempre viajar,
Sem nunca sair do lugar.
Tão belo é saber criar,
Sem qualquer intento a dar.
Tão belo é o meu desprimor arcar.


Lx,1-3-2013

694

Tu És o Próprio Amor


Em busca do Santo Gral onde nasceu o Amor,

Busca incessante em que me envolvi com afinco,

Não sabia que era a Ti que eu devia procurar,

Minha preciosa catarse em diadema de marfim.


Tu que és a encarnação do próprio Amor,

Deste-lhe o teu cunho particular ao sorrir,

E as trevas sombrias levantaram-se logo,

Dera-se o triunfo do Amor sobre a vil dor.


A meiguice instalada nos teus olhos,

Encheu de ternura todos os demais,

Ficaram cativos à tua breve passagem,

Enlouquecidos por tanta benevolência.


Do teu regaço soltaste belas rosas vermelhas,

Perfumaste de alento a quem jamais amou,

Com saudações de boas vindas carinhosas,

Aos nossos corações agora complacentes.


Amor tão estimado por quem quer cuidar,

Morrer desgostoso por quem de nós parte,

Amores desconhecidos e desencontrados,

Beijai-vos uma só vez mais tão inocentes.


434

Noite de Paixão


Noite de fervorosa paixão nos esperava,

Estávamos ansiosos em colar nossos corpos.

Procurávamo-nos um ao outro sôfregos,

Como se aquela fosse a derradeira noite.

Emanados na luxuria que se escapava,

Estávamos loucos em unir nossos corpos.

E como se incendiaram nossos âmagos,

Fazendo-se brilhar naquela mágica noite.


E as horas passaram sem dar razão,

E nós nos braços um do outro felizes.

Ai como queríamos parar o tempo,

E perpetuar esses doces momentos.

Eu me lembro do teu apertar de mão,

E a alegria em nossa alma de petizes.

Nos queríamos aos dois como alimento,

E não gorávamos nossos ternos intentos.


O Amor que rolou nessa noite até à exaustão,

Ficou em nós grandioso em marcante recordação,

No sentido prazer tórrido testemunhado sem mazela.

As saudades da tua boca pelos beijos em fruição,

Em que afogámos vezes sem conta nossa paixão,

Não me esquecerei deles jamais minha pura donzela.


444

O Mistério do Amor


O mistério do verdadeiro Amor que se escondia em Ti,

Ali sempre morou evocando a essência sentida da vida,

Tão-somente o fermento que enaltece a alma,

Carecida de transfiguração em paixão proibida,

Para todo o sempre valorizará essa palavra bendita,

E dar-ma-ás a conhecer a mim que a desconhecia,

Até me apareceres num cavalo branco alado,

Surgindo com os cabelos negros soltos ao vento,

Vinhas nua vestida com um manto de estrelas cadentes,

As flores caiam incólumes à tua enlevada passagem,

E eram tantos os lírios, as camélias, as rosas e as malvas,

Todos elas ofuscadas por Ti a mais bela flor jamais largada,

Aos meus braços vieste repousar como uma leve pena,

A indelével inocência imaculada que de ti me trespassava,

Com o altivo Amor imenso que do teu coração brotava,

E pobre de mim rendido ao teu encantamento de fada,

Lavaste-me todas as minhas dores perpétuas insanáveis,

Eu fiquei sereno e apaziguado sem quaisquer mazelas,

Dos tempos em que pela tua ansiada vinda eu só chorava,

Ficaram apenas as fabulações oníricas que imaginava,

Em belos sonhos de arco-íris raiados em Ti projectados,

Fui fulminado e preso pela tua áurea de luz concupiscente,

Minha rainha do Amor que eu venero e sublevo até morrer.


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Comentários (1)

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Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.

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“ Poesia Eterna Parte II”
Registado em www.safecreative.org sob o nº 1311039031514


“ Amor Eterno - Antologia Poética”
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Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…