Minha Pomba Branca
Se não tivesses tal pomba pousado em minha mão,
Que desperdício teria sido toda a minha oca vida,
Se não tivesses beijado meus lábios em pura visão,
Qualquer tristeza nunca jamais em mim seria mantida.
E se não me tivesses feito julgar ser amado,
Seria o mesmo alado espanto que em mim existe,
Se não tivesses meu braço para dançar pegado,
Estaria no peito ardente por ti o amor que me instruíste.
Obrigado por simplesmente tu e só tu existires,
Obrigado por teres nascido naquele santo dia,
Obrigado pelo teu perene sorriso antes de partires.
Obrigado pela tua alva beleza impar e celestial,
Obrigado pelas tuas saudades que me consomem,
Obrigado pelo meu por ti crescente desejo bestial.
És o Meu Sol
É com a luz da tua verdade que me bendizes,
No céu negro estrelado cheio de tão misterioso,
Levantas à tua suave passagem brisas leves,
E deixas-me sempre tão dócil e desejoso.
O calor que irradia do teu corpo bendito,
Ai como suspiro por ele toda a clara noite,
O desejo por ti que arde deixa-me tão aflito,
Ansioso que teu doce beijo em mim pernoite.
O sol que me enche de alegria já nasceu,
Veio junto contigo no teu esplendor altivo,
Neste meu dia de trevas que agora pereceu.
Tenho tanto frio e o coração enregelado,
Vem afagar-me com tuas mãos de ninfa,
Para o meu mal de amor ser debelado.
Nunca Mais
Nunca mais estarei só,
Por apenas tu existires,
A tua imagem em sonho,
Percorrido à exaustão,
Afaga-me todas as dores,
Até ao fim da razão.
Nunca mais estarei triste,
Por jamais me esquecer de ti,
Daquele sorriso perene,
Que deixaste na tua face,
Que eu nunca beijei,
Mas adorei de verdade.
Não quero mais nada,
Só os teus beijos,
Passear de mão dada,
Acordar sempre juntos,
Dançar muito agarrados,
E chorarmos baixinho os dois.
Nunca mais sucumbirei,
Porque bebi do teu amor,
Até à êxtase total,
Ele sim é eterno,
Viverá em mim sempre,
Até cair a noite final.
O Amor
O amor que transborda de mim em cascata,
De alegrias aspiradas de ti em minha paixão,
Só a sua essência pura e divina me desacata,
O coração sofrido incrédulo em vã exaustão.
O amor guia prometido de um sonho inteiro,
Quando chegou plácido em névoa se tornou,
Largado como caducas folhas de Outono ligeiro,
Veio sereno pousar e na minha alma se deitou.
O amor que mata a sede às almas perdidas,
Que aligeira a longa árdua caminhada exausta,
Que enche de luz as perenes noites combatidas,
Através apenas da tua lembrança tão fausta.
O amor que nasceu dos confins do infinito,
Diluído vigoroso em quimera utópica sensorial,
Varre-me de desejos ansioso de ser teu eleito,
Nunca te esquecerei minha bailarina celestial.
Como Eu Te Quero
Como eu te quero tanto Amor meu,
Consolo ardente nos meus desalentos,
Beijo de paz eterna nos meus tormentos,
A felicidade que o teu meigo olhar me deu.
Como eu te quero tanto Amor meu,
Afogar-te a boca com meus beijos,
Idolatrar-te em versos meus desejos,
Invoco tua imagem na saudade que me deu.
Como eu te quero tanto Amor meu,
Deslumbrar a tua excelsa imagem,
Acalmar a minha paixão na voragem,
Em ecos de paixão por ti que a sina me leu.
Como eu te quero tanto Amor meu,
Tocar-te em sonho o teu corpo ardente,
Viver como que em transe a paixão dolente,
No sufoco em que vivo desejoso pelo beijo teu.
Anseios Pueris
Anseio tanto as tuas cartas ao fim do dia,
Que para mim são autênticas cartas de alforria.
Anseio tanto viver plenamente este amor que sinto,
Pois foi o único que me fez verdadeiramente sofrer.
Anseio tanto esta saudade que me avassala por inteiro,
A saudade do amor da minha melhor amiga que me cativa.
Anseio tanto contemplar-te que te procuro sem cessar em qualquer lado,
Procuro-te nas faces das mulheres com que me cruzo na rua.
E assim acho as mulheres agora sempre mais formosas e bonitas.
Anseio ser o meu amor platónico muito perceptível,
Mas não escondo o que de tão belo me fez parecer.
Anseio pelas lágrimas derramadas deste amor sofrido,
Por isso tenho a certeza e sinto que é real e verdadeiro.
Anseio pelos meus poemas de amor parecerem ridículos e patéticos,
Mas não seriam realmente poemas de amor se não fossem risíveis e tolos.
Anseio tanto este amor anacrónico e intemporal gratuito,
Que se possa desfazer algum dia futuro ingloriamente.
Anseio tanto ouvir-te a voz talvez calma e serena,
Num chamamento hipnótico para só a ti te amar.
Ansiei tanto um encontro mágico de amor trágico,
Que agora compreendo o longo tempo esperado.
Ansiei tanto este meu amor incondicional por tanto tempo,
Que mesmo não correspondido ele continuará sempre meu,
E irá comigo para todo o lado e até ao meu derradeiro suspiro.
Anseio tanto este amor não palpável e inverosímil,
Porque no fundo sei que são essas as premissas,
Para que ele possa existir como se fosse milagre.
Anseio tanto amar-te em demasia e em contra senso,
Mas tinha o coração repleto de amor para oferecer,
Acumulado de muitos e longos anos de tanta asfixia.
Anseio pelas tuas palavras doces e ternurentas,
Fiz delas a fonte inspirada da minha vã utopia.
Se Ao Menos
Se ao menos me largassem ao vento,
Voaria leve como papagaio de papel.
Se ao menos me largassem ao mar,
Mergulharia no mais profundo azul.
Se ao menos me largassem ao jardim,
Floriria em todas as Primaveras.
Se ao menos me bajulassem,
Despiria meus trajes de confrade.
Se ao menos me condenassem,
Fugiria das masmorras que me prendiam.
Se ao menos me libertassem,
Naufragaria numa qualquer ilha.
Se ao menos me viessem esperar,
Eu porventura encontrar-me-ia.
Se ao menos me não esquecessem,
Acolheria as menções honrosas.
Se ao menos me chorassem um dia,
Mais depressa à tumba iria querer voltar.
Lisboa, 21-19.2013
Sem Convalescença Possível
Estou irremediavelmente perdido na solidão,
Pressinto a morte em mim inerte à espreita,
Os gritos mudos que me percorrem a prisão,
Em que me tornei bem fechada e estreita.
Estou tão longe das ruas cheias de euforia,
Onde se percorrem caminhos sem rumos,
Deixei lá escapar a alegria que se esvaia,
Só me ficaram na memória os desaprumos.
A existência sórdida em que soçobrei,
Recapitulada vezes sem fim nem conta,
Tudo o que sem nexo tolhi e me tornei,
Vazio sem importância ou qualquer monta.
A luz que deslumbrei ao longe nunca me incidiu,
Rastejando na penumbra incógnito desistiu,
A minha pobre alma imaculada afogada em dor,
Hipnotizada não resistiu à modorra nem torpor.
Lisboa, 12-10-2013
Sem Te Encontrar
Não te fixei o olhar,
Nem te consegui dedilhar,
Sem encantamentos,
Nem emolumentos,
Dilui-me em dor,
Em puro torpor,
Imolado na loucura,
Que perdura,
Deixaste-me o perfume,
No meu azedume,
E eu sequei as saudades,
De todas as inverdades,
As lágrimas contidas,
Do coração vertidas,
Ninguém bateu à porta,
Da minha natureza morta,
O sol nunca mais nasceu,
Quando o assombro se perdeu,
Enviusado no sentir,
Extinto ao resistir.
Lisboa, 21-10-2013
Até Ti
Hoje acordei com vontade de te beijar,
Começar beijando teus pés um a um,
Subindo dando largas à imaginação,
Beijando as tuas pernas torneadas,
Docemente e devagar com sentimento,
Passar beijando tua virtude casta,
Com caricias envolventes à mistura,
Mais alto no teu peito mais tempo demorei,
Belisquei carinhosamente teus seios,
Beijei apaixonadamente teu pescoço,
E como tu suspiraste loucamente de prazer,
Cheguei finalmente à tua boca carente,
E foi quando pousei meus lábios nos teus,
Que em delírio ofegante me rendi ao amor,
O imenso amor que realmente sentia por ti.