Falsa ilusão em que mergulhei, Terei eu a humildade dos mestres, Para reequacionar o sentido da vida, Há tão pouco tempo julgado desvendado, E novamente e sempre posto em causa, Na sua essência tangente mais viral.
Falsa modéstia que me encheu a alma, Orgulhosamente só julguei perscrutar, O silêncio da transumância cósmica, Que me sufocou de presunção alienada, Não me serviu de nada a luz epifania, Que um dia julguei ter em mim incidido.
Falsa ausência de arrogância que esconjuro, A maldição da indiferença absorta que instaurei, A noção do ridículo que me absorve de comoção, As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam, As noites mágicas transcendentes que idealizei, Para morrerem na infinidade das probabilidades.
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“ Poesia Eterna Parte II”
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“ Amor Eterno - Antologia Poética”
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“ Poesia Eterna Parte II”
O Homem tem que reflectir sobre si próprio, é certo, senão tornamo-nos em indigentes mentais insanos, perspectiva que tanto receio e medo nos provocam e se calhar até nem por isso... Cair na loucura despudorada afogada em melancolia pode muito bem ser o meu destino e a minha salvação.
“ Amor Eterno - Antologia Poética”
Dedico este livro por inteiro à minha querida poetisa Larissa Rocha, minha imensa e inacabável fonte de inspiração, Obrigado mil vezes pois ele é mais Teu que Meu…
Se ao menos me largassem ao vento, Voaria leve como papagaio de papel. Se ao menos me largassem ao mar, Mergulharia no mais profundo azul. Se ao menos me largassem ao jardim, Floriria em todas as Primaveras. Se ao menos me bajulassem, Despiria meus trajes de confrade. Se ao menos me condenassem, Fugiria das masmorras que me prendiam. Se ao menos me libertassem, Naufragaria numa qualquer ilha. Se ao menos me viessem esperar, Eu porventura encontrar-me-ia. Se ao menos me não esquecessem, Acolheria as menções honrosas. Se ao menos me chorassem um dia, Mais depressa à tumba iria querer voltar.
Lisboa, 21-19.2013
518
Quando Eu te Vi
Quando pousaste a mão leve na minha fronte, Logo a paz serena se instalou em meu espirito, As palavras mágicas que eu bebi de tua fonte, Deixaram o meu pobre ser impávido e atónito.
Quando te conheci era mais um dia de Natal, Um verdadeiro milagre nesse dia aconteceu, Tinhas-te vertido em alvas lágrimas de luz fatal, Que incidiram em meu coração vindas do céu.
Inocente alma tão pura e bela me chegou, Naquele dia cheio da minha inteira solidão, O teu longo cabelo negro logo me despertou.
Fiquei nele perdidamente emaranhado em ti, Fervorosamente fugi da incauta ausência de razão, De me ter perdidamente apaixonado pelo que li.
491
Sem Convalescença Possível
Estou irremediavelmente perdido na solidão, Pressinto a morte em mim inerte à espreita, Os gritos mudos que me percorrem a prisão, Em que me tornei bem fechada e estreita.
Estou tão longe das ruas cheias de euforia, Onde se percorrem caminhos sem rumos, Deixei lá escapar a alegria que se esvaia, Só me ficaram na memória os desaprumos.
A existência sórdida em que soçobrei, Recapitulada vezes sem fim nem conta, Tudo o que sem nexo tolhi e me tornei, Vazio sem importância ou qualquer monta.
A luz que deslumbrei ao longe nunca me incidiu, Rastejando na penumbra incógnito desistiu, A minha pobre alma imaculada afogada em dor, Hipnotizada não resistiu à modorra nem torpor.
Lisboa, 12-10-2013
631
Porquê?
Porque só chove hoje para mim, Porquê? Porque não ouço hoje ninguém, Porquê? Porque as sombras hoje não me largam, Porquê? Porque não vislumbro hoje as cores, Porquê? Porque o calor hoje me abandonou, Porquê? Porque o vazio hoje perdurou, Porquê? Porque hoje não acordei, Porquê? Porque estou hoje tão sereno, Porquê? Porque não estou hoje equivocado, Porquê? Porquê? Estás morto afinal e amanhã enterrado.
Lx, 31-7-2013
692
Desencantos
Desencantos alados que me corroem, Nas sombras fugidias desenhados, Que busco incessantemente trazer, À luz enamorada do luar trajado.
Desencantos finados que me arruinaram, Nas trevas me deixaram enclausurado, Desabrigado da chuva insolvente que cai, Que não me deixa desassossegar.
Desencantos que mergulham-me fundo, Sem sequer poder ou saber respirar, Nas entranhas da terra que por mim, Suspiram sem parar tão saudosas.
Desencantos do meu desencantamento, Que me inebriaram de tanto enfastiamento, No meu leito de prenúncio de má sorte, Onde gizei o luto do meu inconformismo.
Lisboa, 25-8-2013
598
Suspiros Do Além
Suspiros do Além chamam por mim, Segredam-me ao ouvido a hora do fim, Inebriam-me a mente obscura, Gasta de tanta clausura, Liberta-me hoje, Sem falta, Enfim.
Lx, 31-7-2013
611
A Imortalidade Perdida
O sonho equívoco da perpetuidade da vida, Para além do céu estrelado pirilâmpico, Pelas constelações serpenteando agnóstico, Na procura vã de recolher à minha ermida.
A falência do bem incorrupto paradisíaco, O maniqueísmo que subsiste em nós, Interpretado na secular vivência a sós, No dealbar de um devaneio afrodisíaco.
A filosofia da humanidade absorvida, Diz-nos sem hesitações o caminho, Irreversível para um fim sozinho, Intransigente sem contrapartida.
A utopia da salvação e eternidade, Difundida até à exaustão em delírio, Idolatrando a alma em martírio, Amordaçando o facho da liberdade.
Lisboa, 21-9-2013
545
Sonhei Contigo
Sonhei contigo esta noite, Estavas tão tranquila e serena, Inspirado fiquei todo o dia, Ao recordar-me de ti, Minha doce sereia, O beijo que te roubei, Pela despedida, Ainda me perfuma, Os lábios carecidos, O que imaginei eu, Connosco juntos, Perdidos no mundo, Só com as tuas caricias, Como abrigo, Vagueias no meu âmago, Passeias incólume, Nos jardins que criei, No meu pensamento, Só para tu desfrutares, Deambulas na mente, De quem te criou, cantarolas baixinho, Só para mim, Encarnaste um anjo, Caído do céu, Transladado etéreo, No meu ser, Faminto do teu calor, Do teu sim.
Lx, 4-5-2013
696
Sem Sentido
Sem sentido o Mar se nele não me banhar, Sem sentido o vento se o inverno nunca chegar, Sem sentido a chuva se a criança não chapinhar, Sem sentido o amor se não souber amar, Sem sentido a música se não ouvir o teu chamar, Sem sentido o teu sorriso se nunca for achado, Sem sentido a tua carícia no meu corpo arrestado, Sem sentido o teu odor se já não houver mel frutado, Sem sentido o teu consolo sem ficar ao teu cuidado, Sem sentido o teu calor sem um abraço apertado, Sem sentido o miradouro sem vista desafogada, Sem sentido a beleza se não for recordada, Sem sentido a paisagem se não for queimada, Sem sentido a vida se não for chorada, Sem sentido a morte se não chegar pela calada.
Lx, 20-5-2013
632
Moratória do Viver
A longa espera do último amanhecer, A longa espera dum último adeus, A longa espera do compreender, A longa espera por um Deus, A longa espera dum despertar, A longa espera de mim ausente, A longa espera do perfeito achar, A longa espera letárgica dormente, A longa espera por ninguém, A longa espera pela felicidade, A longa espera por alguém, A longa espera no jardim da minha cidade.
Sabe porque perguntei? Porque achei o preço muito bom. Não sobrecarrega o leitor. Sinceramente acho que o smeus livros estao um pouco caros. Como faz para fazer esse preço? Os preços dos meus não foram decididos por mim. Foi pela editor. Desculpe perguntar.
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