Paulo Mello

Paulo Mello

n. 1970 BR BR

Artista Plástico, artesão, Poeta e sonhador!

n. 1970-06-06, São Paulo

Perfil
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Dores do mundo

Não sou Bardo nem Menestrel,
gostaria de ser poeta,
quiçá mero trovador,
mas sou um cara maluco
sofrendo as dores do mundo.

No momento atiro palavras,
brinco com os restos do sol,
colho as sobras da lua,
jogo estrelas para o céu,
ouço o canto mudo,
silenciando as dores do mundo.

Não vomito trovões,
nem cuspo as ondas do mar,
não espirro tormentas,
só lanço pétalas ao ar
que cairão em vales fecundos
acariciando as dores do mundo.

Quisera ser adivinho,
achar o Santo Graal
tocar o Santo sudário,
reeditar os mandamentos,
sair do submundo,
apagar as dores do mundo.

Poderia ser alquimista,
ter o toque de Midas,
o elixir da longa vida
eternizaria a humanidade,
e quem sabe curaria ...
todas as dores do mundo.

Mas não sou mago, mágico,
nem mesmo ilusionista,
sou apenas um pseudopoeta
que escreve tudo o que pensa
a respeito das dores do mundo.

Escrevo de forma abstrata,
em outras por metáforas
e até mesmo por parábolas,
e de todas as formas expresso
o medo mais profundo,
acreditar que somos responsáveis
pelas chagas das dores do mundo.

Como sou apenas um mortal,
com ideias contraditórias
e muitos defeitos também,
se não posso mudar o destino,
ao menos não irei aumentar
as feridas das dores do mundo.

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Poemas

25

Dores do mundo

Não sou Bardo nem Menestrel,
gostaria de ser poeta,
quiçá mero trovador,
mas sou um cara maluco
sofrendo as dores do mundo.

No momento atiro palavras,
brinco com os restos do sol,
colho as sobras da lua,
jogo estrelas para o céu,
ouço o canto mudo,
silenciando as dores do mundo.

Não vomito trovões,
nem cuspo as ondas do mar,
não espirro tormentas,
só lanço pétalas ao ar
que cairão em vales fecundos
acariciando as dores do mundo.

Quisera ser adivinho,
achar o Santo Graal
tocar o Santo sudário,
reeditar os mandamentos,
sair do submundo,
apagar as dores do mundo.

Poderia ser alquimista,
ter o toque de Midas,
o elixir da longa vida
eternizaria a humanidade,
e quem sabe curaria ...
todas as dores do mundo.

Mas não sou mago, mágico,
nem mesmo ilusionista,
sou apenas um pseudopoeta
que escreve tudo o que pensa
a respeito das dores do mundo.

Escrevo de forma abstrata,
em outras por metáforas
e até mesmo por parábolas,
e de todas as formas expresso
o medo mais profundo,
acreditar que somos responsáveis
pelas chagas das dores do mundo.

Como sou apenas um mortal,
com ideias contraditórias
e muitos defeitos também,
se não posso mudar o destino,
ao menos não irei aumentar
as feridas das dores do mundo.

369

Ser Deus

Hoje brincarei de ser Deus,
serei o Deus que todos querem,
acabarei com as guerras,
unirei todos os dogmas e religiões,
banirei os preconceituosos e intolerantes,
inverterei as sociedades e classes,
os pobres tornar-se-ão ricos,
os poderosos serão fracos,
todos os enfermos serão curados.
A mãe África deixará de alimentar
as estatísticas da fome e miséria.
Não teremos mais Sul ou Norte,
todos caminharemos numa única direção.
Revogarei o livre arbítrio,
para que não haja discordância,
todos os povos falarão um único idioma,
para que não haja más interpretações,
acabarei com as catástrofes naturais,
"desinventarei", o radio, a TV e Internet,
pois não terão nada para veicular.
Será um mundo sem fronteiras,
um perfeito mundo imperfeito,
onde conheceremos a morte por velhice,
ninguém me culpará por seus problemas,
pois não terão, fome, doenças, infelicidade,
dores, ambições, ilusões...
Hoje brincarei de ser Deus,
farei um recall no mundo e morrerei.
324

Gente demais

Tem gente que chega
Tem gente que vai
Tem gente que entra
Tem gente que sai
Tem gente doente
Doente demais!

Tem gente que fala
Tem gente que cala
Tem gente que ouve
Tem gente que grita
Que grita demais!
Tem gente na rua
Tem gente demais!

Tem gente que canta
Tem gente que dança
Tem gente que chora
Tem gente que sorri
Tem gente com fome
Com fome demais!

Tem gente que ama
Que ama demais!

Tem gente que sofre
Que sofre demais!

Tem gente que bate
Que bate demais!

Tem gente que apanha
Que apanha demais!

Tem gente que inventa
Que inventa demais!

Tem gente que mente
Que mente demais!

Tem gente que morre
Tem gente demais!
857

Protesto

Se gentileza gera gentileza
Violência gera o que?
Tropa de choque?
Choque elétrico?
Escudos?
Cassetetes?
Gás pimenta?
Ai de mim!
Violência contra violência!
É solução policial sim!
Manifestação...
Cultural
Política
Social
Indignação sim!
Bombas de efeito moral
Imoral
Irracional!
Se manifesto
Protesto
Logo
Não presto
Sou preso
Indefeso.
A prisão
È solução
Se tem noção
Perde a razão
A liberdade
A voz
A união
A violência vence...
373

Eclipse

No dia em que o dia
virou noite,
não vi as luzes
se acenderem.
Nem as Beatas,
Rezarem, orarem, rogarem...
blasfemei!
No dia em que o dia
virou noite,
estava sonhando
com a mulher amada,
desejada,
minha Musa adorada!
No dia em que o dia
virou noite,
deixou de existir
negros e brancos,
evangélicos e católicos,
paz e guerra.
No dia em que o dia
virou noite,
todos olhavam para o céu
viam a lua
com toda sua insignificância
esconder a grandeza do sol.
No dia em que o dia
virou noite,
não acordei!
381

Mentes, mentem

Dementes de mente
Mentes dementes
Doentes de mente
Dementes doentes
Mentes doentes
Doentes dementes
Doentes que mentem
Mentes que mentem
Dementes que mentem
O que todos mentem
Doentes que sentem
Dementes que sentem
Mentes que sentem
O que todos mentem
Sentem que são doentes
Mentem que são doentes
Todos mentem
sobre o que sentem.
394

Violência

Bang!
É o grito da policia.
Bang!
É a resposta do ladrão.
Bang!
É uma bala perdida.
Bang!
Tem um corpo no chão.
Bang!
É a voz da violência.
Bang!
É a falta de razão.
Bang!
É a discussão no transito.
Bang!
Morre mais um cidadão.
Bang!
Para criar a ordem.
Bang!
Também cria a desordem.
Bang!
É o progresso da nação!
Bang!
É o discurso político.
Bang!
Enquanto morre o cidadão!
Bang!
Sussurra a sociedade.
Bang!
Alguns fogem de avião.
Bang!
Outros trancados em condomínios.
Bang!
São os fogos da favela.
Bang!
Vários corpos pelo chão.
Bang!
É noticia na TV.
Bang.
Outra caba de morrer.
Bang!
No raiar do dia!
Bang!
Até o anoitecer.
333

Alegrias e tristezas

Letra sem musica
é poesia
Jardim sem flor
. é melancolia
Romance sem amor
é agonia
Poeta sem musa
é utopia
Criança sorrindo
é fantasia
Palhaço no circo
é alegria
Letra sem musica
é melancolia
Jardim sem flor
é agonia
Romance sem amor
é utopia
Poeta sem musa
não tem poesia
Criança sorrindo
é alegria
Palhaço no circo
é fantasia
348

Tempo

Durante muito tempo
julguei ter muito tempo
para me preocupar com tempo.
Pois teria tempo para crescer,
tempo para estudar,
tempo para brincar,
tempo para crescer,
tempo para matar...
o tempo.
Houve um tempo
em que perdi tempo
tentando pensar no tempo,
o que faria quando chegasse
o tempo de despedidas,
tempo de amar,
até mesmo o tempo de sofrer;
depois disso, passei tanto tempo
sem pensar no tempo,
que quando chegou o tempo
já havia perdido um precioso tempo.
Então deixei o tempo passar
e com o passar do tempo
não mais tive tempo
para pensar no tempo.
Agora não tenho tempo
para aproveitar o tempo.
Não sei se parei no tempo
ou se o tempo passou por mim.
Só sinto as marcas do tempo
nas rugas fincadas em meu rosto
e nos fios de cabelos embranquecidos,
também já não tenho mais tempo
nem forças para correr atrás do tempo.
mas consegui ao menos tempo,
a tempo de dizer eu te amo.
333

Pacto

Assim como o poeta
também fiz um pacto de coexistência
só que em vez do tempo, o fiz com Deus.
Eu não me preocupo com ele
para que ele não se preocupe comigo.
E assim sigo o meu caminho
levando-o em pensamento e orações.
Agradeço em preces pela existência
dos elementos da natureza,
pelo sol, mar, lua e estrelas
cores, sons e flores
homens, mulheres e crianças
pelos animais, mesmo os irracionais bípedes
que circulam pelas ruas, a pé
de carro, motos, ônibus e aviões.
Pois esses seres merecem e precisam
de mais cuidados que eu
uma vez que ainda acredito
na vida em toda a sua essência.
381

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