Lista de Poemas

Eclipse

No dia em que o dia
virou noite,
não vi as luzes
se acenderem.
Nem as Beatas,
Rezarem, orarem, rogarem...
blasfemei!
No dia em que o dia
virou noite,
estava sonhando
com a mulher amada,
desejada,
minha Musa adorada!
No dia em que o dia
virou noite,
deixou de existir
negros e brancos,
evangélicos e católicos,
paz e guerra.
No dia em que o dia
virou noite,
todos olhavam para o céu
viam a lua
com toda sua insignificância
esconder a grandeza do sol.
No dia em que o dia
virou noite,
não acordei!
369

Qualquer coisa

Uma noite qualquer,
um dia comum,
outro lugar,
outro luar,
outro lar,
outro endereço.
Não importa,
é mais do mesmo,
é mais do nada.
Acendo o cigarro,
outra baforada,
na cinza madrugada,
queimo minhas lágrimas,
outra noite qualquer.
O copo vazio,
vazio como minha vida,
como minha alma,
outro dia comum,
cheio de nada,
ocupado por tudo,
obrigado a esperar,
obrigado a esperar
por outra madrugada.
327

Marionetes de Deus

Nas Mãos de Deus
somos todos marionetes
convivendo com gente.
Muitas vezes descontentes
brigando com gente.
Poucas são indulgentes,
amando gente
mesmo quando mentem.
Algumas são cínicas,
arrogantes e prepotentes,
ainda assim, são gente.
Até quando agem mal
quase irracionalmente.
Algumas são brancas,
outras são negras, amarelas
que quando se fundem
tornam-se pardas, mulatas,
mas também são gente.
São cristãs, católicas
muçulmanas, xintoístas, budistas
também são descrentes.
Mesmo sendo gente
como a gente,
as julgamos e condenamos
em todos os continentes.
Somos gente do mundo,
marionetes controlados
pelos dedos de Deus.
305

Amigos

Penso nos amigos que outrora "tive",
mas se os tive, amigos não eram.
Então me pergunto?
Onde estão essas pessoas amigas
agora que tanto preciso?
Perdidas no tempo e espaço,
ou guardadas nos meus pensamentos?
Escondidas em minhas lembranças
ou ocultas nas penumbras de minh'alma?
Não desejo saber onde os deixei
nem porque me deixaram,
apenas gostaria de saber,
se realmente um dia os tive!?
Os que tive
provaram não serem amigos,
Hoje estou vivendo, sob novos ares
novas culturas e valores.
Dividindo cada conquista, cada avanço,
ora oferecendo uma palavra de carinho
ora recebendo outra de amizade.
Os que estão distantes
os levo em pensamento
e os guardo no coração.
E todos eles estão destacados
nas paginas do livro que se intitula
"VIDA"!
383

Protesto

Se gentileza gera gentileza
Violência gera o que?
Tropa de choque?
Choque elétrico?
Escudos?
Cassetetes?
Gás pimenta?
Ai de mim!
Violência contra violência!
É solução policial sim!
Manifestação...
Cultural
Política
Social
Indignação sim!
Bombas de efeito moral
Imoral
Irracional!
Se manifesto
Protesto
Logo
Não presto
Sou preso
Indefeso.
A prisão
È solução
Se tem noção
Perde a razão
A liberdade
A voz
A união
A violência vence...
356

Caos

É o caos!
O cidadão em sua casa
o seu lar é uma prisão.
Se alguém bate em sua porta,
fica com medo de ladrão.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!
Acorda cedo pro trabalho,
não tem outra solução.
Outro acidente na estrada,
outra alma tá no chão.
Um curioso se aproxima,
toma cuidado com ladrão.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!
Se alguém pede uma esmola,
segue pela contramão.
E é tanta insegurança,
Pouca policia e muito ladrão.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!
Assiste ao noticiário,.
estourou outra rebelião.
Os bandidos escaparam,
vão matar mais cidadãos.
A segurança muito pensa,
só não encontra a solução.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!

360

Violência

Bang!
É o grito da policia.
Bang!
É a resposta do ladrão.
Bang!
É uma bala perdida.
Bang!
Tem um corpo no chão.
Bang!
É a voz da violência.
Bang!
É a falta de razão.
Bang!
É a discussão no transito.
Bang!
Morre mais um cidadão.
Bang!
Para criar a ordem.
Bang!
Também cria a desordem.
Bang!
É o progresso da nação!
Bang!
É o discurso político.
Bang!
Enquanto morre o cidadão!
Bang!
Sussurra a sociedade.
Bang!
Alguns fogem de avião.
Bang!
Outros trancados em condomínios.
Bang!
São os fogos da favela.
Bang!
Vários corpos pelo chão.
Bang!
É noticia na TV.
Bang.
Outra caba de morrer.
Bang!
No raiar do dia!
Bang!
Até o anoitecer.
319

Invisíveis Seres

Queria poder transformar em poesia
todo pôr do sol que assisti,
o surgimento de cada lua cheia
antes de minha morte diária,
o nascimento de cada amanhecer
após meu sono não eterno.
Todas as belas canções que ouvi
sobre natureza, amor, guerra e paz.
Todas as pessoas que vi e não conheço
o Engraxate na Praça da Sé,
o Sorveteiro do Largo treze,
o Pedinte do Viaduto do Chá,
o Jornaleiro do Largo do Café,
o Doceiro do Largo da Batata,
o som irritante do vendedor de gás,
do Carroceiro na avenida Paulista,
do velhinho desdentado que me pede trocados,
a testemunha que me acorda às 7 da manhã.
Até o vendedor de pamonha, pamonha, pamonha!
Queria poder descrever em poesia,
os primeiros passos de minhas filhas,
os primeiros sorrisos, palavras, choros...
o meu primeiro, segundo, terceiro... amor!
A beleza singular das paredes vermelhas, laranjas
das casas de periferias, favelas e cortiços,
protegidas por cães vadios e sarnentos.
Das discussões políticas no boteco da esquina,
entre as inúmeras doses de cachaça,
do moleque ranhento empinando pipa,
das corridas de carrinho de rolimã,
da partida de futebol no campo de várzea,
dos pés descalços brincando na lama,
da perfeita imperfeição deste mundo cão.
418

Alegrias e tristezas

Letra sem musica
é poesia
Jardim sem flor
. é melancolia
Romance sem amor
é agonia
Poeta sem musa
é utopia
Criança sorrindo
é fantasia
Palhaço no circo
é alegria
Letra sem musica
é melancolia
Jardim sem flor
é agonia
Romance sem amor
é utopia
Poeta sem musa
não tem poesia
Criança sorrindo
é alegria
Palhaço no circo
é fantasia
331

Não sei quem sou

Outrora fui poeta
hoje não sei o que sou
já acreditei em ...
já acreditei viver ...
já acreditei ter ...
já acreditei sentir
um grande amor.
Sim, eu que já fui poeta,
fiz versos sob a luz do luar
escrevi poemas ao entardecer,
hoje apenas vivo para não padecer.
Sei que os sonhos existem
que não se realizarão,
hoje não sei quem sou.
Dos amores apenas saudade.
Saudade, um sentimento nostálgico
de fatos que não irão se repetir,
o sabor de cada beijo, o calor dos abraços,
o sussurrar de palavras.
É apenas saudade.
Não sou mais poeta, nem sei o que sou.
Leio os contos e não os conto.
Não percebo mais a diferença
entre Rosa e Margarida,
Hortência e Violeta,
Dália ou Jasmim
também pudera,
não sou mais poeta
e nem sei quem sou.
386

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