Paulo Mello

Paulo Mello

n. 1970 BR BR

Artista Plástico, artesão, Poeta e sonhador!

n. 1970-06-06, São Paulo

Perfil
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Marionetes de Deus

Nas Mãos de Deus
somos todos marionetes
convivendo com gente.
Muitas vezes descontentes
brigando com gente.
Poucas são indulgentes,
amando gente
mesmo quando mentem.
Algumas são cínicas,
arrogantes e prepotentes,
ainda assim, são gente.
Até quando agem mal
quase irracionalmente.
Algumas são brancas,
outras são negras, amarelas
que quando se fundem
tornam-se pardas, mulatas,
mas também são gente.
São cristãs, católicas
muçulmanas, xintoístas, budistas
também são descrentes.
Mesmo sendo gente
como a gente,
as julgamos e condenamos
em todos os continentes.
Somos gente do mundo,
marionetes controlados
pelos dedos de Deus.
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Poemas

25

Ser Deus

Hoje brincarei de ser Deus,
serei o Deus que todos querem,
acabarei com as guerras,
unirei todos os dogmas e religiões,
banirei os preconceituosos e intolerantes,
inverterei as sociedades e classes,
os pobres tornar-se-ão ricos,
os poderosos serão fracos,
todos os enfermos serão curados.
A mãe África deixará de alimentar
as estatísticas da fome e miséria.
Não teremos mais Sul ou Norte,
todos caminharemos numa única direção.
Revogarei o livre arbítrio,
para que não haja discordância,
todos os povos falarão um único idioma,
para que não haja más interpretações,
acabarei com as catástrofes naturais,
"desinventarei", o radio, a TV e Internet,
pois não terão nada para veicular.
Será um mundo sem fronteiras,
um perfeito mundo imperfeito,
onde conheceremos a morte por velhice,
ninguém me culpará por seus problemas,
pois não terão, fome, doenças, infelicidade,
dores, ambições, ilusões...
Hoje brincarei de ser Deus,
farei um recall no mundo e morrerei.
324

Não sei quem sou

Outrora fui poeta
hoje não sei o que sou
já acreditei em ...
já acreditei viver ...
já acreditei ter ...
já acreditei sentir
um grande amor.
Sim, eu que já fui poeta,
fiz versos sob a luz do luar
escrevi poemas ao entardecer,
hoje apenas vivo para não padecer.
Sei que os sonhos existem
que não se realizarão,
hoje não sei quem sou.
Dos amores apenas saudade.
Saudade, um sentimento nostálgico
de fatos que não irão se repetir,
o sabor de cada beijo, o calor dos abraços,
o sussurrar de palavras.
É apenas saudade.
Não sou mais poeta, nem sei o que sou.
Leio os contos e não os conto.
Não percebo mais a diferença
entre Rosa e Margarida,
Hortência e Violeta,
Dália ou Jasmim
também pudera,
não sou mais poeta
e nem sei quem sou.
402

Pacto

Assim como o poeta
também fiz um pacto de coexistência
só que em vez do tempo, o fiz com Deus.
Eu não me preocupo com ele
para que ele não se preocupe comigo.
E assim sigo o meu caminho
levando-o em pensamento e orações.
Agradeço em preces pela existência
dos elementos da natureza,
pelo sol, mar, lua e estrelas
cores, sons e flores
homens, mulheres e crianças
pelos animais, mesmo os irracionais bípedes
que circulam pelas ruas, a pé
de carro, motos, ônibus e aviões.
Pois esses seres merecem e precisam
de mais cuidados que eu
uma vez que ainda acredito
na vida em toda a sua essência.
379

Eclipse

No dia em que o dia
virou noite,
não vi as luzes
se acenderem.
Nem as Beatas,
Rezarem, orarem, rogarem...
blasfemei!
No dia em que o dia
virou noite,
estava sonhando
com a mulher amada,
desejada,
minha Musa adorada!
No dia em que o dia
virou noite,
deixou de existir
negros e brancos,
evangélicos e católicos,
paz e guerra.
No dia em que o dia
virou noite,
todos olhavam para o céu
viam a lua
com toda sua insignificância
esconder a grandeza do sol.
No dia em que o dia
virou noite,
não acordei!
381

Protesto

Se gentileza gera gentileza
Violência gera o que?
Tropa de choque?
Choque elétrico?
Escudos?
Cassetetes?
Gás pimenta?
Ai de mim!
Violência contra violência!
É solução policial sim!
Manifestação...
Cultural
Política
Social
Indignação sim!
Bombas de efeito moral
Imoral
Irracional!
Se manifesto
Protesto
Logo
Não presto
Sou preso
Indefeso.
A prisão
È solução
Se tem noção
Perde a razão
A liberdade
A voz
A união
A violência vence...
373

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