Qual a cor de sua pele? A cor de seu sangue? A cor de sua aura? A cor de sua alma? És negro ou mulato? Caboclo ou Mameluco? amarela ou branco? Talvez, apenas pardo, são muitas cores muitas raças que diferença isso faz? Hinduísta, Cristão ou Xiita, Budista, judeu ou Umbandista? qual a sua crença, que males ela traz. Deus é Deus O nome tanto faz? O Cientista, Filosofo ou escritor, Gari, Astronauta ou Diarista, Carpinteiro, Critico ou Poeta, Contador, Bailarina ou Artista na contabilidade da vida quem tem mais valor? Seja Negro Indígena ou Caucasiano Espírita, Evangélico ou Ateu Coveiro, Marceneiro ou Físico, Seja Homem ou Mulher, Gay ou Heterossexual, na aquarela da vida somos todos crias de Deus.
Queria poder transformar em poesia todo pôr do sol que assisti, o surgimento de cada lua cheia antes de minha morte diária, o nascimento de cada amanhecer após meu sono não eterno. Todas as belas canções que ouvi sobre natureza, amor, guerra e paz. Todas as pessoas que vi e não conheço o Engraxate na Praça da Sé, o Sorveteiro do Largo treze, o Pedinte do Viaduto do Chá, o Jornaleiro do Largo do Café, o Doceiro do Largo da Batata, o som irritante do vendedor de gás, do Carroceiro na avenida Paulista, do velhinho desdentado que me pede trocados, a testemunha que me acorda às 7 da manhã. Até o vendedor de pamonha, pamonha, pamonha! Queria poder descrever em poesia, os primeiros passos de minhas filhas, os primeiros sorrisos, palavras, choros... o meu primeiro, segundo, terceiro... amor! A beleza singular das paredes vermelhas, laranjas das casas de periferias, favelas e cortiços, protegidas por cães vadios e sarnentos. Das discussões políticas no boteco da esquina, entre as inúmeras doses de cachaça, do moleque ranhento empinando pipa, das corridas de carrinho de rolimã, da partida de futebol no campo de várzea, dos pés descalços brincando na lama, da perfeita imperfeição deste mundo cão.
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Tempo
Durante muito tempo julguei ter muito tempo para me preocupar com tempo. Pois teria tempo para crescer, tempo para estudar, tempo para brincar, tempo para crescer, tempo para matar... o tempo. Houve um tempo em que perdi tempo tentando pensar no tempo, o que faria quando chegasse o tempo de despedidas, tempo de amar, até mesmo o tempo de sofrer; depois disso, passei tanto tempo sem pensar no tempo, que quando chegou o tempo já havia perdido um precioso tempo. Então deixei o tempo passar e com o passar do tempo não mais tive tempo para pensar no tempo. Agora não tenho tempo para aproveitar o tempo. Não sei se parei no tempo ou se o tempo passou por mim. Só sinto as marcas do tempo nas rugas fincadas em meu rosto e nos fios de cabelos embranquecidos, também já não tenho mais tempo nem forças para correr atrás do tempo. mas consegui ao menos tempo, a tempo de dizer eu te amo.
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Não sei quem sou
Outrora fui poeta hoje não sei o que sou já acreditei em ... já acreditei viver ... já acreditei ter ... já acreditei sentir um grande amor. Sim, eu que já fui poeta, fiz versos sob a luz do luar escrevi poemas ao entardecer, hoje apenas vivo para não padecer. Sei que os sonhos existem que não se realizarão, hoje não sei quem sou. Dos amores apenas saudade. Saudade, um sentimento nostálgico de fatos que não irão se repetir, o sabor de cada beijo, o calor dos abraços, o sussurrar de palavras. É apenas saudade. Não sou mais poeta, nem sei o que sou. Leio os contos e não os conto. Não percebo mais a diferença entre Rosa e Margarida, Hortência e Violeta, Dália ou Jasmim também pudera, não sou mais poeta e nem sei quem sou.
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Gente demais
Tem gente que chega Tem gente que vai Tem gente que entra Tem gente que sai Tem gente doente Doente demais!
Tem gente que fala Tem gente que cala Tem gente que ouve Tem gente que grita Que grita demais! Tem gente na rua Tem gente demais!
Tem gente que canta Tem gente que dança Tem gente que chora Tem gente que sorri Tem gente com fome Com fome demais!
Tem gente que ama Que ama demais!
Tem gente que sofre Que sofre demais!
Tem gente que bate Que bate demais!
Tem gente que apanha Que apanha demais!
Tem gente que inventa Que inventa demais!
Tem gente que mente Que mente demais!
Tem gente que morre Tem gente demais!
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Tá de rolê?
Mas aí meu velho me diga qual é você está no meu mundo me diga o que quer, está só de passeio ou dando um rolê?
Cerveja ou cachaça o quê que te mata, sua mulher espancada qual é a graça?
Charuto ou tabaco o que te envergonha um bebê na sarjeta ou cigarro de maconha?
Não seja marrento e vê se encara a vida é uma guerra e não uma farra.
Mas aí meu velho me diga qual é você está no meu mundo me diga o que quer, está só de passeio ou dando um rolê?
Aqui se faz, se paga aqui é o que o ditado diz a vida é única viva e seja feliz.
Não lhe dou conselho e nem lhe repreendo quanto mais ensino muita mais eu aprendo.
Um dia a mais uma noite a menos tudo o que importa é o que estou vivendo.
Mas aí meu velho me diga qual é você está no meu mundo me diga o que quer, está só de passeio ou dando um rolê?