Nas Mãos de Deus somos todos marionetes convivendo com gente. Muitas vezes descontentes brigando com gente. Poucas são indulgentes, amando gente mesmo quando mentem. Algumas são cínicas, arrogantes e prepotentes, ainda assim, são gente. Até quando agem mal quase irracionalmente. Algumas são brancas, outras são negras, amarelas que quando se fundem tornam-se pardas, mulatas, mas também são gente. São cristãs, católicas muçulmanas, xintoístas, budistas também são descrentes. Mesmo sendo gente como a gente, as julgamos e condenamos em todos os continentes. Somos gente do mundo, marionetes controlados pelos dedos de Deus.
Hoje brincarei de ser Deus, serei o Deus que todos querem, acabarei com as guerras, unirei todos os dogmas e religiões, banirei os preconceituosos e intolerantes, inverterei as sociedades e classes, os pobres tornar-se-ão ricos, os poderosos serão fracos, todos os enfermos serão curados. A mãe África deixará de alimentar as estatísticas da fome e miséria. Não teremos mais Sul ou Norte, todos caminharemos numa única direção. Revogarei o livre arbítrio, para que não haja discordância, todos os povos falarão um único idioma, para que não haja más interpretações, acabarei com as catástrofes naturais, "desinventarei", o radio, a TV e Internet, pois não terão nada para veicular. Será um mundo sem fronteiras, um perfeito mundo imperfeito, onde conheceremos a morte por velhice, ninguém me culpará por seus problemas, pois não terão, fome, doenças, infelicidade, dores, ambições, ilusões... Hoje brincarei de ser Deus, farei um recall no mundo e morrerei.
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Não sei quem sou
Outrora fui poeta hoje não sei o que sou já acreditei em ... já acreditei viver ... já acreditei ter ... já acreditei sentir um grande amor. Sim, eu que já fui poeta, fiz versos sob a luz do luar escrevi poemas ao entardecer, hoje apenas vivo para não padecer. Sei que os sonhos existem que não se realizarão, hoje não sei quem sou. Dos amores apenas saudade. Saudade, um sentimento nostálgico de fatos que não irão se repetir, o sabor de cada beijo, o calor dos abraços, o sussurrar de palavras. É apenas saudade. Não sou mais poeta, nem sei o que sou. Leio os contos e não os conto. Não percebo mais a diferença entre Rosa e Margarida, Hortência e Violeta, Dália ou Jasmim também pudera, não sou mais poeta e nem sei quem sou.
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Pacto
Assim como o poeta também fiz um pacto de coexistência só que em vez do tempo, o fiz com Deus. Eu não me preocupo com ele para que ele não se preocupe comigo. E assim sigo o meu caminho levando-o em pensamento e orações. Agradeço em preces pela existência dos elementos da natureza, pelo sol, mar, lua e estrelas cores, sons e flores homens, mulheres e crianças pelos animais, mesmo os irracionais bípedes que circulam pelas ruas, a pé de carro, motos, ônibus e aviões. Pois esses seres merecem e precisam de mais cuidados que eu uma vez que ainda acredito na vida em toda a sua essência.
379
Eclipse
No dia em que o dia virou noite, não vi as luzes se acenderem. Nem as Beatas, Rezarem, orarem, rogarem... blasfemei! No dia em que o dia virou noite, estava sonhando com a mulher amada, desejada, minha Musa adorada! No dia em que o dia virou noite, deixou de existir negros e brancos, evangélicos e católicos, paz e guerra. No dia em que o dia virou noite, todos olhavam para o céu viam a lua com toda sua insignificância esconder a grandeza do sol. No dia em que o dia virou noite, não acordei!
381
Protesto
Se gentileza gera gentileza Violência gera o que? Tropa de choque? Choque elétrico? Escudos? Cassetetes? Gás pimenta? Ai de mim! Violência contra violência! É solução policial sim! Manifestação... Cultural Política Social Indignação sim! Bombas de efeito moral Imoral Irracional! Se manifesto Protesto Logo Não presto Sou preso Indefeso. A prisão È solução Se tem noção Perde a razão A liberdade A voz A união A violência vence...