Nas Mãos de Deus somos todos marionetes convivendo com gente. Muitas vezes descontentes brigando com gente. Poucas são indulgentes, amando gente mesmo quando mentem. Algumas são cínicas, arrogantes e prepotentes, ainda assim, são gente. Até quando agem mal quase irracionalmente. Algumas são brancas, outras são negras, amarelas que quando se fundem tornam-se pardas, mulatas, mas também são gente. São cristãs, católicas muçulmanas, xintoístas, budistas também são descrentes. Mesmo sendo gente como a gente, as julgamos e condenamos em todos os continentes. Somos gente do mundo, marionetes controlados pelos dedos de Deus.
Minha rua não tem nome é apenas "minha Rua". Ela fica no meu bairro, na minha cidade, em um estado, que não é o meu! Aliás, também não é minha Rua lá apenas me escondo, me refugio continua sendo no meu bairro que também não é meu na mesma cidade que não é a minha No referido estado ainda que não mencionado também não é o meu. A minha verdadeira rua não existe porque ao contrario de Mario de Andrade que perseguia tanto a si mesmo quanto a São Paulo, eu fujo tanto de mim quanto fujo do meu estado. continuo sem saber quem sou poetizando sobre o nada e desconhecendo a Minha Rua!
413
Alegrias e tristezas
Letra sem musica é poesia Jardim sem flor . é melancolia Romance sem amor é agonia Poeta sem musa é utopia Criança sorrindo é fantasia Palhaço no circo é alegria Letra sem musica é melancolia Jardim sem flor é agonia Romance sem amor é utopia Poeta sem musa não tem poesia Criança sorrindo é alegria Palhaço no circo é fantasia
348
Dores do mundo
Não sou Bardo nem Menestrel, gostaria de ser poeta, quiçá mero trovador, mas sou um cara maluco sofrendo as dores do mundo.
No momento atiro palavras, brinco com os restos do sol, colho as sobras da lua, jogo estrelas para o céu, ouço o canto mudo, silenciando as dores do mundo.
Não vomito trovões, nem cuspo as ondas do mar, não espirro tormentas, só lanço pétalas ao ar que cairão em vales fecundos acariciando as dores do mundo.
Quisera ser adivinho, achar o Santo Graal tocar o Santo sudário, reeditar os mandamentos, sair do submundo, apagar as dores do mundo.
Poderia ser alquimista, ter o toque de Midas, o elixir da longa vida eternizaria a humanidade, e quem sabe curaria ... todas as dores do mundo.
Mas não sou mago, mágico, nem mesmo ilusionista, sou apenas um pseudopoeta que escreve tudo o que pensa a respeito das dores do mundo.
Escrevo de forma abstrata, em outras por metáforas e até mesmo por parábolas, e de todas as formas expresso o medo mais profundo, acreditar que somos responsáveis pelas chagas das dores do mundo.
Como sou apenas um mortal, com ideias contraditórias e muitos defeitos também, se não posso mudar o destino, ao menos não irei aumentar as feridas das dores do mundo.
369
Sou soul
Sou negro, sim* não tenho vergonha, não desde a abolição que eu luto. Assim começa a musica. Sou consciência consciência soul! Sou negro negro soul sou guerreiro guerreiro soul e como disse D. Ivone um sorriso negro, um abraço negro... negro é a raiz da liberdade. Liberdade do corpo liberdade da alma. Sou negro negro soul sou brasileiro brasileiro soul sou força tenho garra força soul alma soul Falo o que sou pra onde vou e pelo que luto. A religião é Deus a fé em, Deus meu templo, o tempo, pois Benjor cantou: Negro é lindo negro é amor negro é amigo negro também é FILHO DE DEUS! Negro Moçambique Negro de Angola Negro Bahia Negro da Guiné Negro é alegria Negro Capoeira Negro é candomblé Sou negro negro soul sou guerreiro guerreiro soul Sou negro negro soul sou brasileiro brasileiro soul sou força tenho garra força soul alma soul
*Sorriso Negro - Letra D. Ivone Lara *Negro é lindo - Letra de Jorge Benjor *Sou negro sim - Letra de Eliana de Lima
363
Continuidade
Desperto novamente com a arma apontada, empunhada pela sociedade, roubando meus sonhos. Fecho os olhos, é o fim, é o estalo do cão, o giro do tambor, BANG! O cheiro de pólvora! Continuo respirando, era de festim! é apenas um alerta, mero aviso de que não estou no Paraíso! Da cidade que desperta! A cidade arriscada, um embate de carros, uma moto caída, um corpo no chão, outra vida perdida. Perdida para a violência, perdida para o caos do cotidiano rotineiro, da vida real. Não há clemência, não há perdão, nem para a fera, nem para o domador
370
Gente demais
Tem gente que chega Tem gente que vai Tem gente que entra Tem gente que sai Tem gente doente Doente demais!
Tem gente que fala Tem gente que cala Tem gente que ouve Tem gente que grita Que grita demais! Tem gente na rua Tem gente demais!
Tem gente que canta Tem gente que dança Tem gente que chora Tem gente que sorri Tem gente com fome Com fome demais!
Tem gente que ama Que ama demais!
Tem gente que sofre Que sofre demais!
Tem gente que bate Que bate demais!
Tem gente que apanha Que apanha demais!
Tem gente que inventa Que inventa demais!
Tem gente que mente Que mente demais!
Tem gente que morre Tem gente demais!
857
Caos
É o caos! O cidadão em sua casa o seu lar é uma prisão. Se alguém bate em sua porta, fica com medo de ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Acorda cedo pro trabalho, não tem outra solução. Outro acidente na estrada, outra alma tá no chão. Um curioso se aproxima, toma cuidado com ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Se alguém pede uma esmola, segue pela contramão. E é tanta insegurança, Pouca policia e muito ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Assiste ao noticiário,. estourou outra rebelião. Os bandidos escaparam, vão matar mais cidadãos. A segurança muito pensa, só não encontra a solução.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos!
376
Meras Palavras
Não, não sou poeta só escrevo palavras tortas em infinitas retas. São palavras mudas.
Não, não sou poeta só registro o que sinto entre as paralelas. São registros mortos.
Não, não sou poeta só descrevo o que vejo, porque não sei pintar. São palavras cegas.
Não, não sou poeta só escrevo o que vejo, só registro o que sinto.
São palavras vãs. São palavras tortas em registros mudos sobre linhas retas.
Não, não sou poeta.
342
Mentes, mentem
Dementes de mente Mentes dementes Doentes de mente Dementes doentes Mentes doentes Doentes dementes Doentes que mentem Mentes que mentem Dementes que mentem O que todos mentem Doentes que sentem Dementes que sentem Mentes que sentem O que todos mentem Sentem que são doentes Mentem que são doentes Todos mentem sobre o que sentem.
394
Invisíveis Seres
Queria poder transformar em poesia todo pôr do sol que assisti, o surgimento de cada lua cheia antes de minha morte diária, o nascimento de cada amanhecer após meu sono não eterno. Todas as belas canções que ouvi sobre natureza, amor, guerra e paz. Todas as pessoas que vi e não conheço o Engraxate na Praça da Sé, o Sorveteiro do Largo treze, o Pedinte do Viaduto do Chá, o Jornaleiro do Largo do Café, o Doceiro do Largo da Batata, o som irritante do vendedor de gás, do Carroceiro na avenida Paulista, do velhinho desdentado que me pede trocados, a testemunha que me acorda às 7 da manhã. Até o vendedor de pamonha, pamonha, pamonha! Queria poder descrever em poesia, os primeiros passos de minhas filhas, os primeiros sorrisos, palavras, choros... o meu primeiro, segundo, terceiro... amor! A beleza singular das paredes vermelhas, laranjas das casas de periferias, favelas e cortiços, protegidas por cães vadios e sarnentos. Das discussões políticas no boteco da esquina, entre as inúmeras doses de cachaça, do moleque ranhento empinando pipa, das corridas de carrinho de rolimã, da partida de futebol no campo de várzea, dos pés descalços brincando na lama, da perfeita imperfeição deste mundo cão.