Lista de Poemas

Sou soul

Sou negro, sim*
não tenho vergonha, não
desde a abolição que eu luto.
Assim começa a musica.
Sou consciência
consciência soul!
Sou negro
negro soul
sou guerreiro
guerreiro soul
e como disse D. Ivone
um sorriso negro,
um abraço negro...
negro é a raiz da liberdade.
Liberdade do corpo
liberdade da alma.
Sou negro
negro soul
sou brasileiro
brasileiro soul
sou força
tenho garra
força soul
alma soul
Falo o que sou
pra onde vou
e pelo que luto.
A religião é Deus
a fé em, Deus
meu templo,
o tempo, pois
Benjor cantou:
Negro é lindo
negro é amor
negro é amigo
negro também é
FILHO DE DEUS!
Negro Moçambique
Negro de Angola
Negro Bahia
Negro da Guiné
Negro é alegria
Negro Capoeira
Negro é candomblé
Sou negro
negro soul
sou guerreiro
guerreiro soul
Sou negro
negro soul
sou brasileiro
brasileiro soul
sou força
tenho garra
força soul
alma soul

*Sorriso Negro - Letra D. Ivone Lara
*Negro é lindo - Letra de Jorge Benjor
*Sou negro sim - Letra de Eliana de Lima
343

Cotidiano

È mais um dia normal!
Outro dia comum!
A chuva em pó,
aspirada pela elite
a felicidade sintética,
inalada por jovens,
cheirada por velhos,
em raves e favelas,
casebres e mansões,
parques e playgrounds.
queimada pela fome,
assassina sem piedade,
mata sem dó.
A chuva em pó, pedras,
sai nos guetos,
escorrega na zona sul,
inalada por jovens,
cheirada por velhos,
em raves e favelas,
casebres e mansões,
parques e playgrounds.
Sobrevivi há outro dia,
outro dia normal!
Sobrevivi a mais um dia,
sem levar um tiro,
nem levar porrada,
nem da sociedade,
policia ou malandragem.
Sobrevivi a mais um dia,
só tive a roupa amassada,
amarrotada, suja e rasgada,
pela condução abarrotada,
pelo ar enegrecido que respiro,
pelo suor que transpiro.
Sobrevivi a mais um dia,
e a noite chegou,
as putas surgiram,
o trafico acordou,
vendendo e ofertando,
a ilusão em pó,
a alegria em pedra.
Sobrevivi a mais um dia,
um dia que morreu!
Outro dia normal!
357

Perfeição

Imagine um mundo perfeito!
Onde ninguém fosse preconceituoso.
Onde as leis fossem iguais para todos.
Onde houvesse alimento o suficiente.
Onde todos fossem pacifistas.
Onde não houvesse diferença social.
Onde não houvesse corruptos e corruptores.
Onde não houvesse guerras.
Que não existissem fronteiras.
Onde não existissem extremistas.
Onde não existisse Osama Bin Laden.
Onde não existisse Saddam Hussein.
Onde não existisse Hitler.
Onde não existisse Baby Doc.
Onde não existisse Jeans B. Aristides.
Imaginou?
Agora imagine este mesmo mundo:
Sem Ghandi.
Sem Madre Tereza de Calcutá.
Sem Martin Luther King.
Sem Karol Voitilla.
Sem Nelson Mandela.
Sem Albert Sabin.
Sem Golda Meyer
Sem Da Vinci.
Sem Jesus Cristo...
Após pensar sobre eles,
ainda deseja um mundo perfeito?
305

Meras Palavras

Não, não sou poeta
só escrevo palavras tortas
em infinitas retas.
São palavras mudas.

Não, não sou poeta
só registro o que sinto
entre as paralelas.
São registros mortos.

Não, não sou poeta
só descrevo o que vejo,
porque não sei pintar.
São palavras cegas.

Não, não sou poeta
só escrevo o que vejo,
só registro o que sinto.

São palavras vãs.
São palavras tortas
em registros mudos
sobre linhas retas.

Não, não sou poeta.
326

Escolha de renúncias

A vida é feita de escolhas,
portanto, também de renuncias.
Um mundo de contradições
do universo de paradoxos.
A vida nos consome
com suas dores e agonias,
são muitas contradições
são tantos paradoxos.
O tempo é réu e juiz,
jurado e testemunha,
julgando erros e acertos
expostos numa gama de escolhas
oculta numa miríade de renuncias,
onde explano contradições
onde disserto sobre paradoxos.
E na incomensurabilidade crédula
em meu egocêntrico ceticismo,
sigo expondo as contradições
enquanto desfilo com paradoxos
355

Mentes, mentem

Dementes de mente
Mentes dementes
Doentes de mente
Dementes doentes
Mentes doentes
Doentes dementes
Doentes que mentem
Mentes que mentem
Dementes que mentem
O que todos mentem
Doentes que sentem
Dementes que sentem
Mentes que sentem
O que todos mentem
Sentem que são doentes
Mentem que são doentes
Todos mentem
sobre o que sentem.
380

Crias

Qual a cor de sua pele?
A cor de seu sangue?
A cor de sua aura?
A cor de sua alma?
És negro ou mulato?
Caboclo ou Mameluco?
amarela ou branco?
Talvez, apenas pardo,
são muitas cores
muitas raças
que diferença isso faz?
Hinduísta, Cristão ou Xiita,
Budista, judeu ou Umbandista?
qual a sua crença,
que males ela traz.
Deus é Deus
O nome tanto faz?
O Cientista, Filosofo ou escritor,
Gari, Astronauta ou Diarista,
Carpinteiro, Critico ou Poeta,
Contador, Bailarina ou Artista
na contabilidade da vida
quem tem mais valor?
Seja Negro Indígena ou Caucasiano
Espírita, Evangélico ou Ateu
Coveiro, Marceneiro ou Físico,
Seja Homem ou Mulher,
Gay ou Heterossexual,
na aquarela da vida
somos todos crias de Deus.
312

Gente demais

Tem gente que chega
Tem gente que vai
Tem gente que entra
Tem gente que sai
Tem gente doente
Doente demais!

Tem gente que fala
Tem gente que cala
Tem gente que ouve
Tem gente que grita
Que grita demais!
Tem gente na rua
Tem gente demais!

Tem gente que canta
Tem gente que dança
Tem gente que chora
Tem gente que sorri
Tem gente com fome
Com fome demais!

Tem gente que ama
Que ama demais!

Tem gente que sofre
Que sofre demais!

Tem gente que bate
Que bate demais!

Tem gente que apanha
Que apanha demais!

Tem gente que inventa
Que inventa demais!

Tem gente que mente
Que mente demais!

Tem gente que morre
Tem gente demais!
840

Continuidade

Desperto novamente
com a arma apontada,
empunhada pela sociedade,
roubando meus sonhos.
Fecho os olhos, é o fim,
é o estalo do cão,
o giro do tambor,
BANG! O cheiro de pólvora!
Continuo respirando, era de festim!
é apenas um alerta,
mero aviso de que não estou
no Paraíso!
Da cidade que desperta!
A cidade arriscada,
um embate de carros,
uma moto caída,
um corpo no chão,
outra vida perdida.
Perdida para a violência,
perdida para o caos
do cotidiano rotineiro,
da vida real.
Não há clemência,
não há perdão,
nem para a fera,
nem para o domador
352

Dores do mundo

Não sou Bardo nem Menestrel,
gostaria de ser poeta,
quiçá mero trovador,
mas sou um cara maluco
sofrendo as dores do mundo.

No momento atiro palavras,
brinco com os restos do sol,
colho as sobras da lua,
jogo estrelas para o céu,
ouço o canto mudo,
silenciando as dores do mundo.

Não vomito trovões,
nem cuspo as ondas do mar,
não espirro tormentas,
só lanço pétalas ao ar
que cairão em vales fecundos
acariciando as dores do mundo.

Quisera ser adivinho,
achar o Santo Graal
tocar o Santo sudário,
reeditar os mandamentos,
sair do submundo,
apagar as dores do mundo.

Poderia ser alquimista,
ter o toque de Midas,
o elixir da longa vida
eternizaria a humanidade,
e quem sabe curaria ...
todas as dores do mundo.

Mas não sou mago, mágico,
nem mesmo ilusionista,
sou apenas um pseudopoeta
que escreve tudo o que pensa
a respeito das dores do mundo.

Escrevo de forma abstrata,
em outras por metáforas
e até mesmo por parábolas,
e de todas as formas expresso
o medo mais profundo,
acreditar que somos responsáveis
pelas chagas das dores do mundo.

Como sou apenas um mortal,
com ideias contraditórias
e muitos defeitos também,
se não posso mudar o destino,
ao menos não irei aumentar
as feridas das dores do mundo.

350

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