Qual a cor de sua pele? A cor de seu sangue? A cor de sua aura? A cor de sua alma? És negro ou mulato? Caboclo ou Mameluco? amarela ou branco? Talvez, apenas pardo, são muitas cores muitas raças que diferença isso faz? Hinduísta, Cristão ou Xiita, Budista, judeu ou Umbandista? qual a sua crença, que males ela traz. Deus é Deus O nome tanto faz? O Cientista, Filosofo ou escritor, Gari, Astronauta ou Diarista, Carpinteiro, Critico ou Poeta, Contador, Bailarina ou Artista na contabilidade da vida quem tem mais valor? Seja Negro Indígena ou Caucasiano Espírita, Evangélico ou Ateu Coveiro, Marceneiro ou Físico, Seja Homem ou Mulher, Gay ou Heterossexual, na aquarela da vida somos todos crias de Deus.
Desperto novamente com a arma apontada, empunhada pela sociedade, roubando meus sonhos. Fecho os olhos, é o fim, é o estalo do cão, o giro do tambor, BANG! O cheiro de pólvora! Continuo respirando, era de festim! é apenas um alerta, mero aviso de que não estou no Paraíso! Da cidade que desperta! A cidade arriscada, um embate de carros, uma moto caída, um corpo no chão, outra vida perdida. Perdida para a violência, perdida para o caos do cotidiano rotineiro, da vida real. Não há clemência, não há perdão, nem para a fera, nem para o domador
366
Qualquer coisa
Uma noite qualquer, um dia comum, outro lugar, outro luar, outro lar, outro endereço. Não importa, é mais do mesmo, é mais do nada. Acendo o cigarro, outra baforada, na cinza madrugada, queimo minhas lágrimas, outra noite qualquer. O copo vazio, vazio como minha vida, como minha alma, outro dia comum, cheio de nada, ocupado por tudo, obrigado a esperar, obrigado a esperar por outra madrugada.
342
Minha rua
Minha rua não tem nome é apenas "minha Rua". Ela fica no meu bairro, na minha cidade, em um estado, que não é o meu! Aliás, também não é minha Rua lá apenas me escondo, me refugio continua sendo no meu bairro que também não é meu na mesma cidade que não é a minha No referido estado ainda que não mencionado também não é o meu. A minha verdadeira rua não existe porque ao contrario de Mario de Andrade que perseguia tanto a si mesmo quanto a São Paulo, eu fujo tanto de mim quanto fujo do meu estado. continuo sem saber quem sou poetizando sobre o nada e desconhecendo a Minha Rua!
409
Caos
É o caos! O cidadão em sua casa o seu lar é uma prisão. Se alguém bate em sua porta, fica com medo de ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Acorda cedo pro trabalho, não tem outra solução. Outro acidente na estrada, outra alma tá no chão. Um curioso se aproxima, toma cuidado com ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Se alguém pede uma esmola, segue pela contramão. E é tanta insegurança, Pouca policia e muito ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Assiste ao noticiário,. estourou outra rebelião. Os bandidos escaparam, vão matar mais cidadãos. A segurança muito pensa, só não encontra a solução.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos!
374
Sou soul
Sou negro, sim* não tenho vergonha, não desde a abolição que eu luto. Assim começa a musica. Sou consciência consciência soul! Sou negro negro soul sou guerreiro guerreiro soul e como disse D. Ivone um sorriso negro, um abraço negro... negro é a raiz da liberdade. Liberdade do corpo liberdade da alma. Sou negro negro soul sou brasileiro brasileiro soul sou força tenho garra força soul alma soul Falo o que sou pra onde vou e pelo que luto. A religião é Deus a fé em, Deus meu templo, o tempo, pois Benjor cantou: Negro é lindo negro é amor negro é amigo negro também é FILHO DE DEUS! Negro Moçambique Negro de Angola Negro Bahia Negro da Guiné Negro é alegria Negro Capoeira Negro é candomblé Sou negro negro soul sou guerreiro guerreiro soul Sou negro negro soul sou brasileiro brasileiro soul sou força tenho garra força soul alma soul
*Sorriso Negro - Letra D. Ivone Lara *Negro é lindo - Letra de Jorge Benjor *Sou negro sim - Letra de Eliana de Lima
358
Violência
Bang! É o grito da policia. Bang! É a resposta do ladrão. Bang! É uma bala perdida. Bang! Tem um corpo no chão. Bang! É a voz da violência. Bang! É a falta de razão. Bang! É a discussão no transito. Bang! Morre mais um cidadão. Bang! Para criar a ordem. Bang! Também cria a desordem. Bang! É o progresso da nação! Bang! É o discurso político. Bang! Enquanto morre o cidadão! Bang! Sussurra a sociedade. Bang! Alguns fogem de avião. Bang! Outros trancados em condomínios. Bang! São os fogos da favela. Bang! Vários corpos pelo chão. Bang! É noticia na TV. Bang. Outra caba de morrer. Bang! No raiar do dia! Bang! Até o anoitecer.
329
Meras Palavras
Não, não sou poeta só escrevo palavras tortas em infinitas retas. São palavras mudas.
Não, não sou poeta só registro o que sinto entre as paralelas. São registros mortos.
Não, não sou poeta só descrevo o que vejo, porque não sei pintar. São palavras cegas.
Não, não sou poeta só escrevo o que vejo, só registro o que sinto.
São palavras vãs. São palavras tortas em registros mudos sobre linhas retas.
Não, não sou poeta.
339
Alegrias e tristezas
Letra sem musica é poesia Jardim sem flor . é melancolia Romance sem amor é agonia Poeta sem musa é utopia Criança sorrindo é fantasia Palhaço no circo é alegria Letra sem musica é melancolia Jardim sem flor é agonia Romance sem amor é utopia Poeta sem musa não tem poesia Criança sorrindo é alegria Palhaço no circo é fantasia
346
Cotidiano
È mais um dia normal! Outro dia comum! A chuva em pó, aspirada pela elite a felicidade sintética, inalada por jovens, cheirada por velhos, em raves e favelas, casebres e mansões, parques e playgrounds. queimada pela fome, assassina sem piedade, mata sem dó. A chuva em pó, pedras, sai nos guetos, escorrega na zona sul, inalada por jovens, cheirada por velhos, em raves e favelas, casebres e mansões, parques e playgrounds. Sobrevivi há outro dia, outro dia normal! Sobrevivi a mais um dia, sem levar um tiro, nem levar porrada, nem da sociedade, policia ou malandragem. Sobrevivi a mais um dia, só tive a roupa amassada, amarrotada, suja e rasgada, pela condução abarrotada, pelo ar enegrecido que respiro, pelo suor que transpiro. Sobrevivi a mais um dia, e a noite chegou, as putas surgiram, o trafico acordou, vendendo e ofertando, a ilusão em pó, a alegria em pedra. Sobrevivi a mais um dia, um dia que morreu! Outro dia normal!
367
Pacto
Assim como o poeta também fiz um pacto de coexistência só que em vez do tempo, o fiz com Deus. Eu não me preocupo com ele para que ele não se preocupe comigo. E assim sigo o meu caminho levando-o em pensamento e orações. Agradeço em preces pela existência dos elementos da natureza, pelo sol, mar, lua e estrelas cores, sons e flores homens, mulheres e crianças pelos animais, mesmo os irracionais bípedes que circulam pelas ruas, a pé de carro, motos, ônibus e aviões. Pois esses seres merecem e precisam de mais cuidados que eu uma vez que ainda acredito na vida em toda a sua essência.