Paulo Mello

Paulo Mello

n. 1970 BR BR

Artista Plástico, artesão, Poeta e sonhador!

n. 1970-06-06, São Paulo

Perfil
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Marionetes de Deus

Nas Mãos de Deus
somos todos marionetes
convivendo com gente.
Muitas vezes descontentes
brigando com gente.
Poucas são indulgentes,
amando gente
mesmo quando mentem.
Algumas são cínicas,
arrogantes e prepotentes,
ainda assim, são gente.
Até quando agem mal
quase irracionalmente.
Algumas são brancas,
outras são negras, amarelas
que quando se fundem
tornam-se pardas, mulatas,
mas também são gente.
São cristãs, católicas
muçulmanas, xintoístas, budistas
também são descrentes.
Mesmo sendo gente
como a gente,
as julgamos e condenamos
em todos os continentes.
Somos gente do mundo,
marionetes controlados
pelos dedos de Deus.
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Poemas

25

Minha rua

Minha rua não tem nome
é apenas "minha Rua".
Ela fica no meu bairro,
na minha cidade,
em um estado, que não é o meu!
Aliás, também não é minha Rua
lá apenas me escondo, me refugio
continua sendo no meu bairro
que também não é meu
na mesma cidade
que não é a minha
No referido estado
ainda que não mencionado
também não é o meu.
A minha verdadeira rua não existe
porque ao contrario de Mario de Andrade
que perseguia tanto a si mesmo
quanto a São Paulo, eu fujo tanto de mim
quanto fujo do meu estado.
continuo sem saber quem sou
poetizando sobre o nada
e desconhecendo a Minha Rua!
413

Alegrias e tristezas

Letra sem musica
é poesia
Jardim sem flor
. é melancolia
Romance sem amor
é agonia
Poeta sem musa
é utopia
Criança sorrindo
é fantasia
Palhaço no circo
é alegria
Letra sem musica
é melancolia
Jardim sem flor
é agonia
Romance sem amor
é utopia
Poeta sem musa
não tem poesia
Criança sorrindo
é alegria
Palhaço no circo
é fantasia
348

Dores do mundo

Não sou Bardo nem Menestrel,
gostaria de ser poeta,
quiçá mero trovador,
mas sou um cara maluco
sofrendo as dores do mundo.

No momento atiro palavras,
brinco com os restos do sol,
colho as sobras da lua,
jogo estrelas para o céu,
ouço o canto mudo,
silenciando as dores do mundo.

Não vomito trovões,
nem cuspo as ondas do mar,
não espirro tormentas,
só lanço pétalas ao ar
que cairão em vales fecundos
acariciando as dores do mundo.

Quisera ser adivinho,
achar o Santo Graal
tocar o Santo sudário,
reeditar os mandamentos,
sair do submundo,
apagar as dores do mundo.

Poderia ser alquimista,
ter o toque de Midas,
o elixir da longa vida
eternizaria a humanidade,
e quem sabe curaria ...
todas as dores do mundo.

Mas não sou mago, mágico,
nem mesmo ilusionista,
sou apenas um pseudopoeta
que escreve tudo o que pensa
a respeito das dores do mundo.

Escrevo de forma abstrata,
em outras por metáforas
e até mesmo por parábolas,
e de todas as formas expresso
o medo mais profundo,
acreditar que somos responsáveis
pelas chagas das dores do mundo.

Como sou apenas um mortal,
com ideias contraditórias
e muitos defeitos também,
se não posso mudar o destino,
ao menos não irei aumentar
as feridas das dores do mundo.

369

Sou soul

Sou negro, sim*
não tenho vergonha, não
desde a abolição que eu luto.
Assim começa a musica.
Sou consciência
consciência soul!
Sou negro
negro soul
sou guerreiro
guerreiro soul
e como disse D. Ivone
um sorriso negro,
um abraço negro...
negro é a raiz da liberdade.
Liberdade do corpo
liberdade da alma.
Sou negro
negro soul
sou brasileiro
brasileiro soul
sou força
tenho garra
força soul
alma soul
Falo o que sou
pra onde vou
e pelo que luto.
A religião é Deus
a fé em, Deus
meu templo,
o tempo, pois
Benjor cantou:
Negro é lindo
negro é amor
negro é amigo
negro também é
FILHO DE DEUS!
Negro Moçambique
Negro de Angola
Negro Bahia
Negro da Guiné
Negro é alegria
Negro Capoeira
Negro é candomblé
Sou negro
negro soul
sou guerreiro
guerreiro soul
Sou negro
negro soul
sou brasileiro
brasileiro soul
sou força
tenho garra
força soul
alma soul

*Sorriso Negro - Letra D. Ivone Lara
*Negro é lindo - Letra de Jorge Benjor
*Sou negro sim - Letra de Eliana de Lima
363

Continuidade

Desperto novamente
com a arma apontada,
empunhada pela sociedade,
roubando meus sonhos.
Fecho os olhos, é o fim,
é o estalo do cão,
o giro do tambor,
BANG! O cheiro de pólvora!
Continuo respirando, era de festim!
é apenas um alerta,
mero aviso de que não estou
no Paraíso!
Da cidade que desperta!
A cidade arriscada,
um embate de carros,
uma moto caída,
um corpo no chão,
outra vida perdida.
Perdida para a violência,
perdida para o caos
do cotidiano rotineiro,
da vida real.
Não há clemência,
não há perdão,
nem para a fera,
nem para o domador
370

Gente demais

Tem gente que chega
Tem gente que vai
Tem gente que entra
Tem gente que sai
Tem gente doente
Doente demais!

Tem gente que fala
Tem gente que cala
Tem gente que ouve
Tem gente que grita
Que grita demais!
Tem gente na rua
Tem gente demais!

Tem gente que canta
Tem gente que dança
Tem gente que chora
Tem gente que sorri
Tem gente com fome
Com fome demais!

Tem gente que ama
Que ama demais!

Tem gente que sofre
Que sofre demais!

Tem gente que bate
Que bate demais!

Tem gente que apanha
Que apanha demais!

Tem gente que inventa
Que inventa demais!

Tem gente que mente
Que mente demais!

Tem gente que morre
Tem gente demais!
857

Caos

É o caos!
O cidadão em sua casa
o seu lar é uma prisão.
Se alguém bate em sua porta,
fica com medo de ladrão.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!
Acorda cedo pro trabalho,
não tem outra solução.
Outro acidente na estrada,
outra alma tá no chão.
Um curioso se aproxima,
toma cuidado com ladrão.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!
Se alguém pede uma esmola,
segue pela contramão.
E é tanta insegurança,
Pouca policia e muito ladrão.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!
Assiste ao noticiário,.
estourou outra rebelião.
Os bandidos escaparam,
vão matar mais cidadãos.
A segurança muito pensa,
só não encontra a solução.

É o caos!
É o caos!
É o caos!

É o caos!

376

Meras Palavras

Não, não sou poeta
só escrevo palavras tortas
em infinitas retas.
São palavras mudas.

Não, não sou poeta
só registro o que sinto
entre as paralelas.
São registros mortos.

Não, não sou poeta
só descrevo o que vejo,
porque não sei pintar.
São palavras cegas.

Não, não sou poeta
só escrevo o que vejo,
só registro o que sinto.

São palavras vãs.
São palavras tortas
em registros mudos
sobre linhas retas.

Não, não sou poeta.
342

Mentes, mentem

Dementes de mente
Mentes dementes
Doentes de mente
Dementes doentes
Mentes doentes
Doentes dementes
Doentes que mentem
Mentes que mentem
Dementes que mentem
O que todos mentem
Doentes que sentem
Dementes que sentem
Mentes que sentem
O que todos mentem
Sentem que são doentes
Mentem que são doentes
Todos mentem
sobre o que sentem.
394

Invisíveis Seres

Queria poder transformar em poesia
todo pôr do sol que assisti,
o surgimento de cada lua cheia
antes de minha morte diária,
o nascimento de cada amanhecer
após meu sono não eterno.
Todas as belas canções que ouvi
sobre natureza, amor, guerra e paz.
Todas as pessoas que vi e não conheço
o Engraxate na Praça da Sé,
o Sorveteiro do Largo treze,
o Pedinte do Viaduto do Chá,
o Jornaleiro do Largo do Café,
o Doceiro do Largo da Batata,
o som irritante do vendedor de gás,
do Carroceiro na avenida Paulista,
do velhinho desdentado que me pede trocados,
a testemunha que me acorda às 7 da manhã.
Até o vendedor de pamonha, pamonha, pamonha!
Queria poder descrever em poesia,
os primeiros passos de minhas filhas,
os primeiros sorrisos, palavras, choros...
o meu primeiro, segundo, terceiro... amor!
A beleza singular das paredes vermelhas, laranjas
das casas de periferias, favelas e cortiços,
protegidas por cães vadios e sarnentos.
Das discussões políticas no boteco da esquina,
entre as inúmeras doses de cachaça,
do moleque ranhento empinando pipa,
das corridas de carrinho de rolimã,
da partida de futebol no campo de várzea,
dos pés descalços brincando na lama,
da perfeita imperfeição deste mundo cão.
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