Não sou Bardo nem Menestrel, gostaria de ser poeta, quiçá mero trovador, mas sou um cara maluco sofrendo as dores do mundo.
No momento atiro palavras, brinco com os restos do sol, colho as sobras da lua, jogo estrelas para o céu, ouço o canto mudo, silenciando as dores do mundo.
Não vomito trovões, nem cuspo as ondas do mar, não espirro tormentas, só lanço pétalas ao ar que cairão em vales fecundos acariciando as dores do mundo.
Quisera ser adivinho, achar o Santo Graal tocar o Santo sudário, reeditar os mandamentos, sair do submundo, apagar as dores do mundo.
Poderia ser alquimista, ter o toque de Midas, o elixir da longa vida eternizaria a humanidade, e quem sabe curaria ... todas as dores do mundo.
Mas não sou mago, mágico, nem mesmo ilusionista, sou apenas um pseudopoeta que escreve tudo o que pensa a respeito das dores do mundo.
Escrevo de forma abstrata, em outras por metáforas e até mesmo por parábolas, e de todas as formas expresso o medo mais profundo, acreditar que somos responsáveis pelas chagas das dores do mundo.
Como sou apenas um mortal, com ideias contraditórias e muitos defeitos também, se não posso mudar o destino, ao menos não irei aumentar as feridas das dores do mundo.
Outrora fui poeta hoje não sei o que sou já acreditei em ... já acreditei viver ... já acreditei ter ... já acreditei sentir um grande amor. Sim, eu que já fui poeta, fiz versos sob a luz do luar escrevi poemas ao entardecer, hoje apenas vivo para não padecer. Sei que os sonhos existem que não se realizarão, hoje não sei quem sou. Dos amores apenas saudade. Saudade, um sentimento nostálgico de fatos que não irão se repetir, o sabor de cada beijo, o calor dos abraços, o sussurrar de palavras. É apenas saudade. Não sou mais poeta, nem sei o que sou. Leio os contos e não os conto. Não percebo mais a diferença entre Rosa e Margarida, Hortência e Violeta, Dália ou Jasmim também pudera, não sou mais poeta e nem sei quem sou.
403
Crias
Qual a cor de sua pele? A cor de seu sangue? A cor de sua aura? A cor de sua alma? És negro ou mulato? Caboclo ou Mameluco? amarela ou branco? Talvez, apenas pardo, são muitas cores muitas raças que diferença isso faz? Hinduísta, Cristão ou Xiita, Budista, judeu ou Umbandista? qual a sua crença, que males ela traz. Deus é Deus O nome tanto faz? O Cientista, Filosofo ou escritor, Gari, Astronauta ou Diarista, Carpinteiro, Critico ou Poeta, Contador, Bailarina ou Artista na contabilidade da vida quem tem mais valor? Seja Negro Indígena ou Caucasiano Espírita, Evangélico ou Ateu Coveiro, Marceneiro ou Físico, Seja Homem ou Mulher, Gay ou Heterossexual, na aquarela da vida somos todos crias de Deus.
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Escolha de renúncias
A vida é feita de escolhas, portanto, também de renuncias. Um mundo de contradições do universo de paradoxos. A vida nos consome com suas dores e agonias, são muitas contradições são tantos paradoxos. O tempo é réu e juiz, jurado e testemunha, julgando erros e acertos expostos numa gama de escolhas oculta numa miríade de renuncias, onde explano contradições onde disserto sobre paradoxos. E na incomensurabilidade crédula em meu egocêntrico ceticismo, sigo expondo as contradições enquanto desfilo com paradoxos
373
Minha rua
Minha rua não tem nome é apenas "minha Rua". Ela fica no meu bairro, na minha cidade, em um estado, que não é o meu! Aliás, também não é minha Rua lá apenas me escondo, me refugio continua sendo no meu bairro que também não é meu na mesma cidade que não é a minha No referido estado ainda que não mencionado também não é o meu. A minha verdadeira rua não existe porque ao contrario de Mario de Andrade que perseguia tanto a si mesmo quanto a São Paulo, eu fujo tanto de mim quanto fujo do meu estado. continuo sem saber quem sou poetizando sobre o nada e desconhecendo a Minha Rua!
414
Caos
É o caos! O cidadão em sua casa o seu lar é uma prisão. Se alguém bate em sua porta, fica com medo de ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Acorda cedo pro trabalho, não tem outra solução. Outro acidente na estrada, outra alma tá no chão. Um curioso se aproxima, toma cuidado com ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Se alguém pede uma esmola, segue pela contramão. E é tanta insegurança, Pouca policia e muito ladrão.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos! Assiste ao noticiário,. estourou outra rebelião. Os bandidos escaparam, vão matar mais cidadãos. A segurança muito pensa, só não encontra a solução.
É o caos! É o caos! É o caos!
É o caos!
376
Sou soul
Sou negro, sim* não tenho vergonha, não desde a abolição que eu luto. Assim começa a musica. Sou consciência consciência soul! Sou negro negro soul sou guerreiro guerreiro soul e como disse D. Ivone um sorriso negro, um abraço negro... negro é a raiz da liberdade. Liberdade do corpo liberdade da alma. Sou negro negro soul sou brasileiro brasileiro soul sou força tenho garra força soul alma soul Falo o que sou pra onde vou e pelo que luto. A religião é Deus a fé em, Deus meu templo, o tempo, pois Benjor cantou: Negro é lindo negro é amor negro é amigo negro também é FILHO DE DEUS! Negro Moçambique Negro de Angola Negro Bahia Negro da Guiné Negro é alegria Negro Capoeira Negro é candomblé Sou negro negro soul sou guerreiro guerreiro soul Sou negro negro soul sou brasileiro brasileiro soul sou força tenho garra força soul alma soul
*Sorriso Negro - Letra D. Ivone Lara *Negro é lindo - Letra de Jorge Benjor *Sou negro sim - Letra de Eliana de Lima
363
Tá de rolê?
Mas aí meu velho me diga qual é você está no meu mundo me diga o que quer, está só de passeio ou dando um rolê?
Cerveja ou cachaça o quê que te mata, sua mulher espancada qual é a graça?
Charuto ou tabaco o que te envergonha um bebê na sarjeta ou cigarro de maconha?
Não seja marrento e vê se encara a vida é uma guerra e não uma farra.
Mas aí meu velho me diga qual é você está no meu mundo me diga o que quer, está só de passeio ou dando um rolê?
Aqui se faz, se paga aqui é o que o ditado diz a vida é única viva e seja feliz.
Não lhe dou conselho e nem lhe repreendo quanto mais ensino muita mais eu aprendo.
Um dia a mais uma noite a menos tudo o que importa é o que estou vivendo.
Mas aí meu velho me diga qual é você está no meu mundo me diga o que quer, está só de passeio ou dando um rolê?
352
Qualquer coisa
Uma noite qualquer, um dia comum, outro lugar, outro luar, outro lar, outro endereço. Não importa, é mais do mesmo, é mais do nada. Acendo o cigarro, outra baforada, na cinza madrugada, queimo minhas lágrimas, outra noite qualquer. O copo vazio, vazio como minha vida, como minha alma, outro dia comum, cheio de nada, ocupado por tudo, obrigado a esperar, obrigado a esperar por outra madrugada.
346
Marionetes de Deus
Nas Mãos de Deus somos todos marionetes convivendo com gente. Muitas vezes descontentes brigando com gente. Poucas são indulgentes, amando gente mesmo quando mentem. Algumas são cínicas, arrogantes e prepotentes, ainda assim, são gente. Até quando agem mal quase irracionalmente. Algumas são brancas, outras são negras, amarelas que quando se fundem tornam-se pardas, mulatas, mas também são gente. São cristãs, católicas muçulmanas, xintoístas, budistas também são descrentes. Mesmo sendo gente como a gente, as julgamos e condenamos em todos os continentes. Somos gente do mundo, marionetes controlados pelos dedos de Deus.
321
Invisíveis Seres
Queria poder transformar em poesia todo pôr do sol que assisti, o surgimento de cada lua cheia antes de minha morte diária, o nascimento de cada amanhecer após meu sono não eterno. Todas as belas canções que ouvi sobre natureza, amor, guerra e paz. Todas as pessoas que vi e não conheço o Engraxate na Praça da Sé, o Sorveteiro do Largo treze, o Pedinte do Viaduto do Chá, o Jornaleiro do Largo do Café, o Doceiro do Largo da Batata, o som irritante do vendedor de gás, do Carroceiro na avenida Paulista, do velhinho desdentado que me pede trocados, a testemunha que me acorda às 7 da manhã. Até o vendedor de pamonha, pamonha, pamonha! Queria poder descrever em poesia, os primeiros passos de minhas filhas, os primeiros sorrisos, palavras, choros... o meu primeiro, segundo, terceiro... amor! A beleza singular das paredes vermelhas, laranjas das casas de periferias, favelas e cortiços, protegidas por cães vadios e sarnentos. Das discussões políticas no boteco da esquina, entre as inúmeras doses de cachaça, do moleque ranhento empinando pipa, das corridas de carrinho de rolimã, da partida de futebol no campo de várzea, dos pés descalços brincando na lama, da perfeita imperfeição deste mundo cão.