Porto Seguro/BA. Escritor e Poeta. Livros Publicados: 24Livros no Prelo: 04Biografia completa: psrosseto.webnode.comLivros à venda: clubedeautores.com.brInstagram: @psrosseto
Introspecto queimo todo o lixo que deparo: O bem do mau, o luxo e amorfo O sórdido e prolixo da boa intenção Sob a desculpa da fala, das justificativas No refluxo prévio da arrebentação
Limpo as gavetas, os arquivos do córtex Varro o chão da memória, rastelo vértices Arestas e faces que gramam minhas vontades As mais sujas e obscuras possíveis Por meio século sem razão recolhidas
Uso da palavra como ferramenta de mão Que escava intenções, remexe pensamentos Remodela a arte transformadora do sentir Para erguer-se altivo e predisposto Reforçando colunas e produzir gentilezas
Eis a forma como decompõe-se a cera que me arde Mínima chama no escuro da morte Porem transparente e útil como lâmpada e luz Limpa, livre, solta feito flocos do sal Que depuram lagrimas de silêncio no porvir da idade
Sigo, por fim, andejo pelos polos de um imã Que desperto e involuntário reverte meu leque Provocando por sinais longas tempestades Cujos ventos internos de sua doma reformam a manhã Por onde diuturno construo sadias as minhas tardes
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava. A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri). Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988. Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018 DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018 VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019 POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019 LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019 FAZENDA HAICAIS - 2020 ABELHINHA PEQUETELLA - 2020 POETA ENTRE COLUNAS - 2020 POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020 NAS ASAS DAS HORAS - 2020 BULBOS diVERSOS - 2021 SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021 BORDEJAR - 2021 PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba. Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
Metade da água dos mares é lágrima fútil Outro tanto saliva dos escárnios no mundo Assim vontade e desprezo liquidificam-se Distraindo as levadas por embates profundos Lavando as honras em maré fértil
Por isso suspiram avivadas as incertezas Resguardando em trincheiras os continentes Apartando as milícias aos milênios Cumprindo os íntimos sinais da natureza Reformulando a seu modo tempo e cotidiano
Seres blindados optam chorar sem molhar as areias Desconhecem a convergência das comoções Não trazem no pranto essa gênese avara Nem provocam as marolas e as tempestades Não vivenciam as delicias das ilusões
Eu loucamente quando choro revolvo oceanos Com a futilidade dos meus desenganos e paixões
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ENTRE A PELE E A MEIA
Paulo Sérgio Rosseto
Quantos apelos há entre a pele e a meia Serena seda que recobre a perna Encanta os poros, esperta os olhos Aveluda o tato, arrepia a penugem Traz volúpia, seda os lábios Navalha a carne, orvalha a alma
Tanto veneno está nesta candura rara Que divisa a faixa, apreende à teia Reaviva as margens, festeja as bordas Margeia a taça, absorve a brisa Rosa macia de pétala farta Amordaça o senso, incandeia
Magna estrofe, carinhosa vasta Mansa e plácida cheirosa lua Tens a malícia sedenta exposta Da serena vontade de mergulhar às cegas Na onda abrupta entre o mar secreto E a enxurrada arrítmica da vaga nua
@psrosseto
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RESTAURAÇÃO
O altíssimo soberano - aquele que nunca dormiu Envelheceu desconhecendo o sono Cochilando apenas recostado à necessidade De manter-se peremptoriamente acordado Partiu solidário para longa odisseia Antes que o caos retomasse o infinito
Assim reimplantou moradas entre quintais Presas às balaustradas e cercas dos caminhos Junto aos pomares à beira dos frágeis riachos Cujas águas inquietas e rasteiras Voltaram seguir em busca dos sonhos E das inconstâncias dos oceanos
Vigiou os conceitos das plataformas Erguidas à procura do destino ideal Mantendo-se atento aos mínimos gestos Dos astros no macro espaço entre as esferas Que circundam e orbitam os planetas Diante das plateias angelicais
Resguardou o porvir de todos os povos Recolhendo as possibilidades do desprazer Eliminando as desventuras da realidade Convencendo a natureza de que é preciso Tão quanto necessário e premente Zelar atento aos ditames dos céus
Soldou os hemisférios circundando os mares Realinhou as geleiras nas montanhas verbais Reposicionou novamente todas as espécies nos habitats Intercalou com noites os claros do sol nascente Retornando a espera pelo amanhã e depois O sublime exercício nato da paciência diária
Aí sim ao final da estanque tarefa de restauração Na manhã do bilionésimo milênio ou algo assim Contemplando a morada completamente refeita A missão cumprida e finda a jornada em seu jardim Descansou por sete dias em sono profundo Num belo domingo como humano e não deus
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CONTRAGOSTO
Quebra-pedra Quebra a pedra pra nascer Nascer no mundo O mundo é de pedra Quebra o mundo, quebra-pedra Com as pedras que jogamos no mundo
No jardim de pedra Há uma estátua de pedra Que enfeita a frente da casa de pedra Onde nasceu o Doto Onde morou o Doto E não morreu ali Mas cuidou do jardim de rosas E tinha alma de pedra Por isso hoje ele é tudo pedra E se eu fosse um quebra-pedras Quebraria o Doto de pedra E também o jardim e a casa Pra mostrar que um quebra-pedras Pode mais que os antigos pobres Que bateram à porta do coração de pedra Do Doto de carne queu hoje é todo pedra E pó
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UM VENTO HOMEM
O vento é redoma impune escondida A mente é quem cria sua própria vida Tem ar alimento dos pés o do vento Nem homem nem nada É tudo um evento
É Foi assim Rodando rodando Que a vida começou
É Foi assim Parando parando Que a vida se acabou
É Bem assim Morrendo morrendo Que tudo iniciou
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E O NADA EXPLODIU
Incerteza pacata no pulso Era nada (E o nada explodiu Explode Explodirá)
Explodira
(Ex ou não?)
Do nada veio o tudo O tudo veio do nada
Nada veio nada
Onde está o nada?
- Não está mais porque já há tudo Porém tudo tudo tudo é NADA -
(Apenas)
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PRÓLOGO
Aquele pedaço de lua Contou-me uma história tão bonita Mas tão bonita Que as estrelas que estavam A luzir ao seu redor Choraram...
E suas lágrimas lavaram Meu coração De sonhador Transformando minha fantasia Em verdades escondidas Nos quartos das fases Do meu eu
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PROVÉRBIOS
Mercador de sentimentos e provérbios Rebusco palavras aos quilos Desde as formosas às peregrinas Das pequeninas às mais intensas Refinadas, densas, sublimes, enciumadas Palavras ditas impensadas, que pesam Quantas vezes necessário
- Subliminares, divinas, necessárias Insossas, complexas, inclusive mal ditas Trucidadas pelas intenções Espetadas em frases desconexas, gaguejadas Impronunciáveis, malfadadas, semitônicas Moduladas em versos empíricos Recolhidas dentre as mais pudicas sílabas Recheando frases oclusas, pareadas Em todos os dialetos e idiomas
Compro-as enciclopediadas ao atacado Em arquivos e livros empilhados feito containers Com acentos ou débeis recontos desprovidos motivacionais Onde não se assenta nem se acentua mas significam pelo fim Destas que os cancioneiros compõem os seus temas E as amas sussurram às crias sob o silêncio do sono
Palavras incandescentes, próximas ou distantes Das que resultam das experiências dos pensamentos singulares Pluralizadas, grafadas em papéis doentes, ou banhadas a ouro Incautas, redistribuídas por fictícias pautas, pausadas Confidenciais, manuscritas, acondicionadas em compêndios Históricas, atenuadas, presentes, absorvidas na leitura E as animalescas vomitadas pela hermética da ira
Também as sinônimas e as justas à razão Que repreendem e até mesmo humilham Que perambulam entre a escória e o fedor Alvejadas, cansadas por não terem sido tão ditas Propaladas, preparadas para o ludibrio Impressas, impregnadas da razão cautelar Compiladas em extensas teses expressando o obvio Ou díspares monossilábicos que insinuam guerra e barbárie
As catalogadas pelos sábios, doutos pensadores e nos tribunais Rebuscadas na intrínseca genialidade na verve dos oradores nos sublimes púlpitos Vistas nos conceitos e preceitos das bulas morfológicas dos senados Desapercebidas e desapropriadas nas ocultas entrelinhas contratuais Sistêmicas, conjeturais, carnavalescas, infectadas de adjuntos Preconceituosas, carnais, comichadas, úmidas, secas, engolidas Aficionadas por antagonismos, sem rumo e rimas Bem aventuradas, apocalípticas, consonantes, adverbiais
Não somente as negocio sem sentimentos Mas oferto-as labiais, transigentes e lapidadas Não as capto ou sirvo como molécula e matéria Elas sim inocentes me tomam rasteiras Espumam entre a saliva, a língua, diafragma e dentes E se fazem prediletas nas infinitas orações Presentes deste universo racional que tudo fala Ainda que emudecidas calem os horizontes Desde sempre, amanhã e ontem semeadas
Sim sou mercador de sentimentos Por onde intransponível a insensatez escorre Negociador nato de provérbios e nesgas palavras Enquanto se respira e ora pelo cálice, o acaso e o agora Porque ornarão o espelho da indizível lápide Do dorso um dia frágil que a seu tempo morre
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TEIMOSIA
Morto o dia não entende que findara Cai teimoso voando atrás do fuso Fugindo das sombras afiadas no lusco-fusco Confuso flanando no enlevo veloz a oeste Vendo adiadas as suas findadas horas
Dá conta de si mesmo somente Onde nas colinas do ocidente os vigilantes Fazem soar as justas pancadas E o universo disperso das farfalhas Faz com que o dia quedo ainda torto Se reinvente nos quadrantes do mundo Mudando a forma e o calendário
Eis que até os sábios cerram os olhos e se calam Ante as atrevidas impertinências do período Desalmado da luz que se esvai
é quando nada mais se ouve nem se sabe Em qual vasilha este ciclo caberá Se dentro apenas do invólucro da terra Ou fora do amanhã que se distrai
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À SOMBRA SOB OS OLHOS DE DEUS
Há noites que a fronha Desentende-se com meu rosto E a cama e seus lençóis Giram em torno das borboletas Estufando de fantasmas O bojo do travesseiro sem ar
Eu permaneço ali Como um lago imóvel decantado Descartando alternativas e possibilidades De não dormir Como se a revolta das coisas não fosse comigo
Assim faço todos os dias Quando o carro não liga A lâmpada não acende O fio não conduz, o café não coa O caminho não chega A cola não adere A carne não assa A chuva não molha A roupa não seca
Talvez seja eu somente Um vazio banco de praça Um meio fio de esquina ou poste desnecessário Sem nada mais dependurado Esticado em varal Quarando à sombra Sob os olhos de Deus
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.