Lista de Poemas

A MELANCOLIA

A melancolia por vezes bateu à porta do justo
Sem conseguir esmaecer-se

Da primeira tentativa nasceu o peregrino
Assim saíram  a caminhar juntos
Na oportunidade seguinte emergiu o eremita
E trancafiaram-se ambos em profusa solidão
Por terceira via eclodiu o imprudente
Que inconteste os instigou a loucura completa

Por fim fez do sonhador
Um iludido se achar poeta



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INTERGALÁCTICA

Em outro planeta nem todo longe da terra
Cada dia distende ainda que seja domingo
Às vezes por causa da segunda antes encerra
Ou mais cedo inicia por suceder a um sábado
Se indispõem com a hora exata na fração dos segundos
Cedendo aos caprichos da preguiça ou vontades

Caso morresse a luz e o azul de todos por lá cansasse 
Sair do caos tornar-se-ia a inexigibilidade galáctica
Poucos fariam para extirpar do perpétuo o escuro
O desconhecimento surreal de qualquer futuro
Não se preparam para o diferente do agora
Pouco importaria se deixará de ser reverso esse ciclo

Alguém precisaria lhes alterar o calendário
Pudesse contar-lhes o dia enquanto o sol claro ressurge
E encerra-lo no prelo advir da noite verdadeira
Então essa ilógica contagem surreal de lá mudaria
Haveria um só gênesis e não mais genealogia
Seria transposta a era da disritmia à do retorno 

O homem por lá se igualaria a todo ser vivente
Ninguém diferente seria do mar e das montanhas
Naquele planeta nem todo longe ou distante da terra
Seria como por aqui onde há bonança e a vida plena impera
Mas não se deve jamais intervir em outros mundos
Sob pena de perdermos por quase nada nossa paz interna



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OLIMPÍADA DO TEMPO

Tanta gente morre nessa olimpíada do tempo
Enquanto sigo eu narrando esse jogo
Assistindo ao espetáculo
Hesitado em ser adversário e autor 
Ator de papeis de múltiplas novelas

Sou o cão absorto olhando o futuro
Estendido incompleto se vendo no espelho
Quarando os miolos num sol de primavera
Com as patas no chão e o peito arfando
Docemente esperando que alguém acorde
E caminhe ao meu lado por dentro e por fora

Pois minha ousadia no cotidiano
Sem sombra de dúvidas e por iniciativa
Esmurra o ócio e entreabre janelas

Somente assim se vai ao mundo
Eu conquisto cada minuto que me espera
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VAGALUME

Vivo iludindo meus sonhos aclarando espíritos
Como faz o pirilampo que afugenta o escuro
Tornando-se fulgente entre abelhas e mosquitos

Encanto-me com singelezas acendendo ideias
Em pleno espalhamento da luz porem sem ser estrela
Ilumino a minha casa com o fulgor da própria asa
Com mínima e parca energia imanente das colmeias

Entretanto espia-se o brilho e pouco importa se ligeiro
Sinuoso esvai-se ao breu como escorre o tempo
No inconsequente entremeio existente entre as fendas
Por mais que se apertem os dedos o que importa é o legado
Mútuo entre mestre e aprendiz seguido por primeiro

Alguém ao aperceber-se talvez da ousadia do vagalume
Possa invejar ou julga-lo por seu lampejo fugaz
Ser de pura insensatez querer se almejar lanterna
De minha parte porem desejo unicamente que a luz 
Independa de brilhar mas aclare áurea e alma 
E fortaleça nosso ser tornando a vida mais bela



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NÃO TENHO PRESSA

Ninguém se importa sendo a carga leve
Quando o fardo flutua ou flana
Sobre o ombro de quem o leva

Poucos se importam porque a vida é breve
E essa brevidade aparente
Aparenta imortal e eterna para quem a vive

O farto mundo do outro engana quem o observa 
Ilude o sossego e acende a inveja
Contrapõe-se à paz que cada um almeja

O peso da carga mede-se pela interna beleza
Daquele que a suporta ainda que a meça
E se destroça e esforça para que a ela mereça

Não sou usurário e a nada me apego
Apenas sigo carregando meu ônus
E confesso não tenho pressa



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SANCHO MODERNIZADO

Era ele menino
E da janela contemplava o quartel

Achava que patentes, inclusive a de capitão
Entre o quepe e a farda abaixo do pescoço,
Ostentavam mogno, cedro, mármore, aço, pedra-sabão
- Mas nenhum algo frágil,
Tipo pele, carne, vermelho sangue, osso e coração

Vendo o rei seminu agora envolto em fios e eletrodos
Aos pés do capelão, com pança tão protuberante
Olhando-se no espelho e vendo o quanto similares

Revestiu-se da ideia de também nalgum dia
Se tornar presidente!



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NASCI

Não chorei porque nasci
Não senti o corte umbilical

Chorei somente no momento seguinte
Para que alimentassem a fome
Do tênue ar a carne que me trouxe aqui

A primeira lição foi respirar
As demais adquiri

Ademais sobrevivi


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ACINTE

A loucura é possível acinte 
Desconexo incidente intrínseco da mente
Daquilo que arrebenta a origem
Complexa mutante do todo 
Transeunte sob a finita face reticente

Pressuposto acidente acontecendo e ocorrido
O horror escorre feito sangue 
E traz o torpor por desdobramento pendente
Mordido e absorto pela dor
Espúria e contundente

Vivendo de modo aturdido
Eu louco advirto e previno-me incólume
Antes que a lucidez me raspe o juízo
E eu ache demente e sinta-me impune
Ante todo ser vivente


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PACIENTE

Meu barco fazendo agua
Seria isto suficiente para um breve desespero
Sinal de alerta para qualquer jovem marujo

Ah o velho marinheiro continua seu curso
Remando paciente buscando o cais
Uma vez já mais perto que distante do porto

Essa a lição da maioridade
Desprender-se do casco ainda que erroneamente nade
Ir adiante mesmo que convalido definhando afunde

Pela certeza de chegar a qualquer ponto
À frente ou abaixo do esperado encontro
Há o acaso entre o azar e a sorte de haver partido

São assim as conquistas os amores os sonhos
As paixões que traspassam o turbilhão do tempo
Somos todos navegantes desse mar incerto



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AINDA AGORA

Desde domingo reconto as horas
Enumero os anos
Domino o menino que foi embora
Embora ele venha a qualquer hora
E se valha do velho que existe agora

Se velho não seria ainda
Talvez antigo nos preceitos 
Usual nos conceitos diria aprendiz
Generoso por inteiro e arteiro
Aquele que revalida a própria história

Não faço questão dos demais dias
Se desde domingo decanta o tempo
Que afunila e desprende a fagulha
Que ainda acende a vaidade de outrora
Mesmo que a validade da idade desentoa

Tem sentido ter duplo medo
Só não preciso alarde e espanto
Quanto custaram-me bons segredos
Advindos do que serviram antes
Aguardo-os que me valham ainda e agora


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Comentários (2)

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Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques

quantas verdades com perfeição!

Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava. 
      A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
      Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
      Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE. 

LIVROS RECENTES: 

CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021

Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.