Lista de Poemas

Tudo passa...


Vivemos dias de turbulência em nosso querido Brasil.
Estamos ansiosos e apressados para que essa tormenta chegue ao fim.
Podemos evitar que nossos pensamentos coloquem mais tensão nesse ambiente alimentando um círculo vicioso de mais mágoa e ódio.
Óbvio que não somos insensíveis ou indiferentes e temos o livre arbítrio para fazermos o que bem entendermos, temos nossas opiniões e convicções.
Mas, de que adiantará lançarmos mais pressão negativa no que está a ponto de se resolver?
No tempo certo, de um jeito ou de outro, seremos chamados a exercer o voto novamente, ratificando o processo democrático em nosso país, com todas suas imperfeições e a necessidade permanente de aperfeiçoamentos.
Fato, nada cai do céu, toda conquista é resultado de trabalho, convicção, comprometimento e perseverança.
Esse tempo de tensão passará, alimentemos a possibilidade real de que o seja sem soluções traumáticas que tragam sequelas de difícil superação.
As pessoas que estão a dar causa a esse turbilhão também e certamente passarão.
O que ficará para seguirmos em frente será uma maravilhosa oportunidade de fazermos diferente para os pequenos que estão chegando com novas ideias de ser e como fazer.
Tudo passará, que seja este novo período de paz e sem nossa contribuição imediatista para um efeito manada de tristes resultados.
Toda crise é uma oportunidade de evolução, o novo ciclo a se iniciar pode e será virtuoso, estamos no limiar de novos tempos que trarão outras formas de dificuldades a serem superadas.
Estamos nesse plano para nos melhorarmos e vencermos nossas tendências que, em passado recente, nos igualavam aos seres brutos, esse tempo já passou.

Calma, tudo passará.
Deus ilumine nossas escolhas.
Fraterno abraço a todos.
Paz, amor, ternura e serenidade.
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Tempo...

Tive uma conversa amistosa com o Tempo e acordamos,
aceito a deleteriedade do corpo,
os cabelos brancos, não importa quantos,
as limitações no andar,
todas as rugas no rosto,
a audição, visão, tato, olfato e paladar precários,
mas, preserva-me a lucidez,
um mínimo de independência e autonomia,
a imprescindível sensibilidade para não ferir ninguém,
que possa perdoar e pedir perdão,
sentir alegrias, tristezas e amor,
derramando assim, espontaneamente,
as lágrimas que aliviam,
o completo desapego de tudo que não me fará falta
na vida que se seguirá,
aceitar e sofrer a indiferença sem o ser,
reconhecer os velhos amigos e,
por fim,
que tenha a humildade,
que me permita uma serena desconstrução e reconstrução a cada novo
saber, até o último suspiro, ainda com amor...
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Rendições por amor...


Escolha as rendições que em sua vida se fazem mais do que necessárias, que estão ao seu alcance, aquelas em que você não sofre, não faz sofrer e fazem dos dias que te restam tempos mais leves e felizes, como o amar incondicionalmente, sem pedir nada em troca.
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Gilda's...


Hoje conversei com a minha mãe querida, com a certeza de que ela está bem, sem sofrimentos e em paz.

Já decorridos 42 anos de sua passagem para um plano melhor que este nosso, ainda tão rude e grosseiro, onde muitos ainda sofrem com a falta do mínimo para sua sobrevivência, passando fome, frio e sede diariamente.

Gilda era seu nome, lhe caía tão bem, pois que ela era uma mulher que se esmerava de maneira plena nos cuidados para com a família, acolhendo outros mais que podia e não podia e se não tinha nada a lhes oferecer materialmente, entregava-lhes o sorriso contido e nas mãos gentis, com cuidado e sem alarde, a doação da maior energia do mundo, a do amor.

Não há como não voltar no tempo que se faz tão vivo e sentir novamente suas mãos deslizando pela minha face e com suavidade desalinhando meus cabelos em momento de absoluta paz, eu sempre queria mais um pouquinho.

À minha mãe querida e a todas as mães deste mundo, ainda entre nós ou que já partiram, as de sangue e as do coração, criaturas abençoadas pelo seu desprendimento e desapego, um beijo nos seus corações.

As histórias de amor de mãe e filho não tem fim, simplesmente se misturam às energias que nos conectam ao que ainda não conseguimos dimensionar e compreender...

Até breve minha mãe querida, obrigado por continuar olhando por nós.
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Porções de vida e afetos...


Logo pela manhã ela ajeita sua pequena filha, agasalhando-a bem para enfrentar o frio de um inverno mais rigoroso que o de outros anos.
Sai pelo bairro dirigindo seu velho fusca, no interior há muitas sacolas com um pouco do que tem, fruto de suas economias e do garimpo em casa de amigos que já a conhecem de há muito e sabem de seus hábitos e que ela faz questão de não divulgar.
A primeira parada é em uma casa simples, onde mora um casal de amigos de velha data, Dona Maria e o companheiro, Chico, ambos já velhinhos, ele bem conhecido na região. Ali, quando ainda haviam campinhos de futebol, goiabeiras, pessegueiros e muitas amoreiras, "Seo Chico" ensinava a molecada a não fazer arapucas que pegavam rolinhas, sanhaços, canarinhos e pardais, estilingue ele trocava por bolinhas de gude e piões de madeira.
A segunda visita é em outra casinha que fica nos fundos de um antigo mercadinho, agora fechado, ali moram uma senhora com quatro filhos pequenos, de sete, nove, onze e doze anos, enviuvou jovem e tragicamente quando seu marido sofreu acidente ao fazer bicos de ajudante de pedreiro.
A terceira pausa do dia é num abrigo com uma dezena de velhinhos esquecidos por suas famílias, mantido por instituição não religiosa e que vive de doações da comunidade.
A última parada do dia é numa praça onde alguns moradores de rua a recebem demonstrando conhecê-la e fazem festa com sua chegada.
Ainda arranja mais uns minutinhos para rever o mais novo morador da rua, um recém-nascido, filho de uma jovem adolescente que mal sabe trocar fraldas e dar banho na criança, a situação está tensa pela não aceitação dos pais com quem ainda mora, o pai desse pequeno não é bem visto no lugar por suas amizades pouco confiáveis e algumas passagens pela polícia por prática de pequenos furtos e desinteligências com desafetos dali e acolá.
Finalmente, ao chegar em casa, conversa com a filha enquanto prepara o jantar, logo o marido e o filho chegarão do trabalho e com muita fome de seu saboroso arroz e feijão.
Mais valiosas que os donativos que entregou são as ricas porções de afeto, carinho e atenção que delicadamente lhes deixou.
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Excesso de sofrer...


Temer exageradamente o desconhecido,
negar desejos,
querer o futuro previsível,
fincar morada no passado,
culpar-se em demasia,
julgar-se sem limites,
não admitir a saudável ajuda,
e ainda,
não se perdoar.
é uma receita impraticável,
é pensar demais,
é pouco viver,
é impossível,
é sofrer por ser apenas humano...
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Carta aos filhos...


Sua vida como filho não havia sido fácil, perdera a mãe muito cedo, ele uma criança, ela uma jovem senhora de 37 anos, seu pai, então um jovem adulto aprisionou-se no seu luto e nas suas culpas além do remorso por não ter-lhe oferecido uma vida mais digna, sentimentos esses que o perseguiriam pelo resto de sua vida.
Cerca de sete anos depois da morte da esposa querida, ainda enlutado, deprimido e doente, o pai sofre o primeiro de dois "derrames", restavam agora além das sequelas emocionais, as físicas, não menos limitantes.
Assistência médica possível, más experiências com cuidadores não profissionais, melhor seria acolhê-lo em casa com a imediata concordância da esposa e filhos pequenos.
Sua família, de pronto, também abraça o cuidar, mas começam a vir a tona as mágoas passadas, questões não resolvidas do coração do menino que na mente adulta insistia no que não entendia.
Três anos e meio após sua chegada, cansado e pedindo perdão, o filho se dirige ao pai e pede que consinta em ir para uma casa de repouso.
Num sábado, conforme combinado, avô, filho, nora e netos, ao final da tarde, banho tomado, compromisso a ser cumprido, no porta-malas do carro uma cadeira de rodas e uma pequena mala com seus remédios e algumas mudas de roupa.
Dona Helena, responsável pela nova casa, os recebe à porta, feitas as últimas recomendações, beijos, lágrimas e um último pedido, "perdão meu pai" e às 19h00min deixam-no naquele bom, mas para ele estranho lugar.
As crianças querem ir passear e o shopping é o destino, logo após chegarem em casa, por volta das 22h00min os pequenos sossegam e dormem e, não mais que 30 minutos, o telefone toca, D. Helena se desculpa e avisa, seu pai se despedira dessa vida.
Os laços fortes e confusos de amor e mágoas, graças ao distanciamento por breves instantes, relaxaram e propiciaram a partida.
Tudo a seu tempo, para certos desígnios não há ainda verbos que expliquem, somente a fé de que assim foi preciso.
Já muitos anos passados, em carta aos seus filhos, hoje homens criados lhes escreve, ponderando:
Pode parecer exagero mas, em relação às opções profissionais, preocupo-me com o caminho que cada um venha a escolher, acredito que atualmente está até mais difícil que no meu tempo, com idade equivalente.
Tomo a liberdade de fazer essa consideração não só em relação ao trabalho mas na vida como um todo, uma decisão precipitada pode trazer dificuldades maiores um pouco mais à frente, razão pela qual lhes peço que, na dúvida, pensem um pouco e que possamos conversar sobre quaisquer assuntos que se façam necessários, sem nenhuma restrição.
Vocês muito me orgulham com suas realizações e conquistas, bem mais do que os eventuais problemas que fazem parte de nossas vidas.
Ninguém é obrigado a acertar sempre e, tampouco ser auto-suficiente, a propósito, esse é o maior e mais comum engano em que nos enredamos pela vida.
Nada em nossas vidas é por acaso, peço que reflitam a respeito, nos amamos e somos uma boa família.
Que Deus os guie e proteja sempre, intuindo-lhes ante as dúvidas dos caminhos a seguir, sei que farão o melhor possível, não se cobrem além da conta.

Beijos,

pai
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Sem exigências...



sem exigências ou ilusões,
apenas o possível,
mesmo que no todo irrealizável,
melhor assim,
ter alguém ao lado,
essência plena,
aquietando,
há que esperar,
a pressa não faz o coração mais leve...
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Abraço que fala...



Caro Mario, me cai no colo agora, já amanhecendo, uma fala tua que me acalma e encanta.

Você versa sobre a ausência de vocábulo que traduza o que a mente, açoitada pelo coração, pensa e não sai da boca, pois que inexiste, uma única e certa expressão.

O abraço afetuoso, carinhoso, amoroso, mesmo que trêmulo ou acanhado, é, por certo, a única forma de se dizer tudo.

Obrigado Mario, achava que a falha era do Aurélio, mas não há culpados quando o coração inquieto, sutil e delicadamente ardiloso, encontra seus jeitos.

Abraço

"Abraçar é dizer com as mãos o que a boca não consegue porque nem sempre existe palavra para dizer tudo". (Mario Quintana)
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Nascido no Brasil, na cidade de Apucarana, estado do Paraná, em 07 de outubro de 1957.

Pai: Node de Barros  Mãe: Gilda Montilha de Barros

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Graduado em Biologia - Bacharelado pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Especialização em Gerontologia pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP - São José dos Campos - SP

Mestre pelo Programa de Pósgraduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e
Práticas Sociais da Universidade de Taubaté - SP.
Área de Concentração: Contextos, Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano.

Tese de Mestrado: ASPECTOS DA CULTURA ORGANIZACIONAL E DO ENVELHECIMENTO EM SERVIDORES
PÚBLICOS DE UM INSTITUTO DE PESQUISAS