Lista de Poemas

As curas que buscamos...


As curas que buscamos
nos cobram cavoucar nossos
cantinhos mais íntimos,
apreendendo tudo que lá está,
tateando,
sentindo,
escutando,

e, com delicadeza,
encontrar o que,
ontem, sequer ousávamos espiar,
sendo reféns das máscaras dos dias,
mas, com carinho e trabalho,
as curas hão de chegar
e, então, seremos mais amor e amar.
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Bailarinos dos céus II, os sonhos de Maria e João...


Quando Maria nasceu, pequena em altura e peso para os padrões, chorou alto e forte como fazem a maioria das crianças, em seguida sorriu, aninhou-se ao peito da mãe e já sonhando descansou.

Lá pela quinta semana de vida, ainda na barriga da mãe, sonhou pela primeira vez e gostou, entrando para um mundo de sonhos e melodias multicores não só seu, de muitas crianças mais.

As canções que brotam dos corações desses pequenos são delicadas, mas há músicas para gostos diversos, afinal é um mundo de sonhos de crianças de todas as partes do mundo, entendendo-se em sua linguagem universal, a do amor puro e espontâneo, selada com beijos e risos.

Maria conheceu a todos, mas um menino tinha algo de especial, até nascera no mesmo dia, na mesma maternidade, com uma diferença de poucos minutos, foi o tempo exato de sua mãe, Dona Rosa, sair com ela para Dona Rita chegar e ter o João, garoto forte, grande, quase que não chora se não fosse o Doutor dar um empurrão.

Maria, João e todas as crianças desse mundo sentem as flores coloridas, perfeitas, acarinhadas por borboletas, beija-flores, rouxinóis, abelhas e outras vidas que surgem a todo instante.

Sonhos bons de crianças são rascunhos caprichados de todas as formas de expressão, resultando em aquarelas de doce emoção.

Maria e João, como já sabemos, marcaram encontro e viveram 13 anos de magias, quando seus caminhos tomaram outras direções por escolhas que fizeram nessa ocasião.

Maria olha pela janela, observa a vida lá fora, sente o aroma das flores do seu jardim, ouve os cantos dos rouxinóis a acompanhar o bailado dos beija-flores e uma brisa que traz melodias não esquecidas.

Sua mãe, Dona Rosa, insiste - Maria, minha filha, até hoje você pensa naquele menino, deixa de sonhar, volta...

Maria, calma, sorri contida lembrando do acanhado João e acredita que o sonho não acabou.
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Arte para poucos...


Elas são especialmente raras nos dias de hoje.

Não precisam de muito para saberem como estão e do que precisam aqueles que as procuram.

Jamais julgam, antes colocam-se em seus lugares, ouvindo e dedicando-lhes carinhosa atenção.

Compartilham porções preciosas de tempo.

Percebem do outro, com anuência recíproca, o seu todo, e, sem lhes tocar, apalpam seus corpos, assentindo-lhes pulsações, temperatura, humores, sabores, sorrisos e, quando das lágrimas, intuem se originadas de alegrias, medos, tristezas e toda a sorte de dores.

Não fazem apologia de perfeições ou de quaisquer certezas, pois, assumem, elas não existem.

Quem são e onde estão essas pessoas?

Se precisarem rotulá-las ou adjetivá-las chamem-nas de vocacionadas, virtuosas ou nascidas com um dom.

Espalhadas pelo mundo, sem alarde, cumprem delicada tarefa, estar com gente de todos os tipos, culturas, idades, com ou sem credos.

Lidar com seres humanos, respeitando-os, dignificando-os em suas jornadas, andando junto e construindo caminhos é uma arte para poucos.
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Bailarinos dos céus I ...


Ao longo de anos João nutria por Maria mais que uma afeição, mas a introversão e a timidez não lhe permitiam dividir com ela nada além de sorrisos e brincadeiras comuns a uma amizade de muitos anos.

Conheciam-se desde pequenos, frequentaram a mesma escola, estudavam na mesma classe e a partir de um determinado ano, já mais crescidos, iam e vinham sem a companhia das mães.

Ao voltarem para casa, num determinado dia do mês, após Maria acumular alguns trocados de mesada, paravam na única sorveteria daquele canto da cidade para tomar um sorvete e combinavam, ela, a dona do dinheiro, comprava picolés de sabores diferentes, assim cada um saboreava uma metade, forma criativa para fazer de conta que tomaram dois sorvetes dos quais mais gostavam, milho e framboesa.

O primeiro e único beijo inocente foi rápido, gelado, com sabor de milho e framboesa, roubado por Maria.

Faziam a tarefa de casa invariavelmente juntos e sempre no período da tarde, e na casa de Maria, quando Dona Rosa, a mãe da amiga, lhes oferecia um esperado ki suco, num dia de guaraná, noutro de groselha, acompanhado de bolachas de maizena da marca Maria, para eles era uma espécie de chá de todas as tardes, mas só após o dever de casa estar pronto e decorado.

Os anos se passaram, João e Maria sabiam praticamente tudo um do outro, o que mais gostavam e o que mais lhes incomodava.


Maria se chateava sempre que achava estar sendo interrompida quando estivesse conversando, asseverando, - Por favor, não me interrompa.

João, vez em quando, só para provocar, tentava atravessar sua fala, mas por dentro já ria ao vê-la zangada, para ele Maria era e estava sempre bonita, tudo nela era perfeito, os cabelos longos e loiros, gostava ainda mais quando ela os deixava soltos.

Maria sabia muito da timidez de João e como ele ficava embaraçado ao ser elogiado ou chamado à atenção, ficando ruborizado e sem jeito.

Quando estavam com 13 anos os rumos tomados foram diferentes, a família de Maria precisou se mudar para um bairro distante na mesma cidade e eles se distanciaram, compartilharam endereços, prometeram escrever um para o outro e, escondidinhos trocaram um último beijo, não gelado e sem gosto de milho e framboesa, as pernas de João tremeram, ele ficara sem jeito, o rosto ardia, mas, vindo de Maria tudo estava bom e por ela João aceitava qualquer coisa, até o ruborizar constrangido.

Durante o primeiro ano de separação João e Maria escreviam um para o outro, contando novidades, tristezas, medos, amizades novas e incertezas.

No segundo ano as cartas rarearam, João escrevia, mas poucas respostas recebia, com o tempo passando agora somente ele mandava notícias, e, dessa forma, ano após ano, sempre às vésperas do dia 11 de fevereiro, aniversário de Maria, ele lhe mandava um carinhoso cartão, alimentando no coração a esperança de uma resposta que nunca veio.

João, chamado insistentemente pela esposa para almoçar, lhe pede um pouco mais de tempo e, olhando pela janela de seu quarto, de onde avista o jardim de sua casa, todo gramado e florido, contempla o desabrochar das flores de suas árvores preferidas, o majestoso Pau-Brasil, um Jacarandá e o Ipê-Amarelo, além dos manacás, das onze-horas, das flores-de-maio e a dança dos graciosos bailarinos dos céus, os Beija-Flores, delicados, sutis, belos como Maria.
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Você e eu...


Você e eu,
a sós,
nos abraçamos,
beijamo-nos,
nos olhamos,
acarinhamo-nos,
e, em silêncio,
com a música daquele dia,
e a mais bela chuva,
dissemos com todos os sentidos,
sim,
sempre foi o que procurávamos,
um ao outro,
fim da solidão sem sentido,
juntos, enfim,
para todo o tempo desta e de outras vidas,
sem nenhuma dúvida,
nos encontramos para caminharmos,
de mãos dadas e corações aquecidos,
temos ainda um tempo,
que não seja breve,
que dure um pouco mais,
para desfrutarmo-nos e,
quando partirmos,
quem for na frente,
ajeita o canto novo de mais uma parada,
continuaremos nossa jornada,
confiamos em nós,
superamos momentos difíceis,
nos amparamos,
ora eu, ora você,
com leveza,
melhorado, sutil,
não mais o mesmo amor,
outro, melhorado,
leve, desinteressado,
te amo, você me ama,
nos amamos,
passamos para nossos filhos,
apenas um jeito de amar,
outros, eles construirão,
com ingredientes imprescindíveis,
tolerância, paciência, ternura e perdão...
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Às mães de todos...



Todos os dias ao se deitarem, cerrando os olhos cansados, lhes vêm à mente os sorrisos de seus filhos, seus abraços e os amorosos beijos de sempre.

Suplicam ao Deus de todos eles que estejam bem, protegidos amparados, sem fome ou frio, que nada lhes falte e que não se esqueçam de tomar cuidado ao sair ou chegar em casa.

Quando viajam lhes pedem para que avisem, certificando-se que chegaram bem.

Desejam que não façam escolhas ruins, mas se o fizerem que se lembrem que elas sempre estarão por perto.

Que não duvidem que elas, cada uma a seu jeito, lhes chamarão atenção pelos excessos de todos os tipos, na maioria das vezes com aqueles olhares.

Mães e filhos tem ligações singulares, diferentes, especiais, assemelhando-se aos Pinguins Imperadores na Antártida que, entre milhares, identificam seus filhos e os buscam incessantemente.

As mães sem filhos adotam, de um jeito ou de outro, sobrinhos, amigos, amigas e lhes dedicam o mesmo amor.

O sono vem rápido, entre o cerrar dos olhos e o dormir, todos os dias esse filme lhes passa à mente.

As mães assim o fazem, mas nem todos os filhos percebem ou dão atenção.

As mães que já se foram e estão num Plano Maior, também o fazem diariamente, buscam continuar os cuidados.

Celebremos todas as mães, especialmente aquelas que, em vários pontos da Terra, diariamente sofrem com seus filhos em meio às estúpidas guerras de irmãos contra irmãos, que não conseguem atendimento médico e hospitalar, ou que sequer chegam a enterrar os corpos de suas crianças.

O dia de hoje é apenas mais um Dia das Mães, como devem ser todos os outros, desde e para sempre.

Obrigado Deus a todas as mães.
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Crianças, filhos, netos...


As crianças de agora representam a esperança de mudanças necessárias nos rumos do nosso machucado orbe terrestre e estão entre nós para nos ensinar a enxergar caminhos possíveis, nos forçando a aprender e permitir que as sensibilidades aflorem, elas são facilitadoras dos novos saberes.

Dentre suas mensagens uma das mais significativas talvez seja a de nos permitir acreditar que podemos mudar, que as enormes distorções que observamos entre nós, com os excessos de toda ordem, especialmente as muitas formas de violência, não prosperarão.

Não nascemos para sofrer infinitamente, a evolução é um caminho sem volta, estamos sendo impelidos a caminhar para frente, a abandonarmos as crenças de que a vida é assim mesmo, como uma sina imutável, estamos sendo sacudidos para acordarmos de um longo período de hibernação de um sono pesado e que quase sempre nos levava ao desalento.

O caminho é ainda longo e a jornada trará possíveis incertezas e descrenças, as crianças deste tempo estão a nos alentar para darmos uma oportunidade à esperança e crermos que, a cada vida que vivemos, avançamos um pouco, continuaremos com nosso livre arbítrio para fazermos nossas escolhas.

Se estivermos em dúvida dentre o que e quando escolher fixemos nosso olhar no olhar de uma criança, neste exato momento teremos a exata percepção de que podemos ou já começamos a mudar.

Luz, paz e serenidade.
239

Arroz, feijão e ovo...


Um estudante universitário, chegando da universidade de uma cidade vizinha, já tarde, desce no mesmo ponto de ônibus de todas as noites no centro da região de São José dos Campos.
Um menino se aproxima, balançando as mãos, e diz:
- Tio, eu tô com fome.
- O que você está fazendo na rua nessa hora?
- Ah eu tenho que levar comida para meus irmãos.
- Quantos anos você tem?
- Nove anos.
- E irmãos, quantos são?
- Tenho mais cinco irmãos.
- Qual a idade deles?
- Eu sou o maior.
- Sabe que eu te vejo por aqui quase todas as noites?
- Eu também vejo o tio.
- Sua mãe sabe onde você anda?
- Sabe sim, ela pede pra eu só voltar quando tiver comida pra levar.
- Você tá com fome?
- Tô sim.
- O que você quer comer?
- Arroz, feijão e ovo.
- Olha, vai ser difícil achar um lugar aqui nessa hora que tenha o que você tá pedindo, pode ser um lanche? (mostrando-lhe um carrinho de cachorro-quente).
- Não, quero arroz, feijão e ovo.
- Tá bom, vamos procurar.
- Ali tio, ali...
- Onde?

O menino aponta para um restaurante famoso, na Av. Dr. João Guilhermino, ao lado da então Faculdade de Direito, posteriormente UNIVAP.

- Tá bom, vamos ver se eles ainda atendem.
- Eu também quero guaraná.
- Por favor, o menino está comigo, é possível vocês prepararem um prato com arroz, feijão e dois ovos fritos?

Entreolhares, garçons, quase meia-noite de um dia de semana, o gerente faz um discreto movimento, autorizando o pedido.
Escolhida a mesa, toalha e guardanapos branquinhos e lá estava o menino, pés no chão, camiseta e calção surrados, atento a tudo.
Logo chega o prato, arroz, feijão e dois ovos estrelados, acompanhado de guaraná.

- Tio eu quero comer de colher.
- Prontamente o garçom providencia a troca de talheres.

O menino comeu gostoso e rápido, mostrando bons modos à mesa, conversava bem, logo terminou também o guaraná.

Não havia mais clientes no restaurante, toalhas recolhidas, cadeiras de pernas pro ar e já sobre as mesas, garçons varrendo e limpando o salão, portas semi-fechadas.

Conta paga, o cliente mais especial da noite, pelas circunstâncias talvez da história, com um inesquecível sorriso de felicidade no rosto, deixa o restaurante que ainda hoje mantém a aura de seus tempos de referência na região.

Já se passaram cerca de 32 anos, onde andará aquele menino?
233

Mensagem a Drummond e Tancredo Neves...


Senhores Carlos Drummond de Andrade e Tancredo Neves, desculpem-me a formalidade, mas o respeito que meus pais me ensinaram assim o exige, espero que estejam bem desde quando nos deixaram, em agosto de 1987 e em abril de 1985 respectivamente.

Creio que os senhores, onde estiverem, vez ou outra, recebam algumas informações e atualizações da situação do nosso Brasil e da sua terrinha em particular, Tancredo de São João del-Rei e Drummond de Itabira, da nossa querida Minas Gerais.

Não só os Itabiranos e São-Joanenses não os esquecem, na verdade, nós, os brasileiros de todos os cantos, sentimos muito suas ausências, embora nos tenham deixado vasto material sobre valores, costumes e boas práticas de civismo, estamos cá com graves problemas nessas áreas.

Senhor Drummond, ainda estudamos seus escritos para deles extrairmos suas ideias e ensinamentos sobre o amor, a tolerância, paciência, angústia e arrependimentos depreendidos de seus versos de toda uma vida.

Ah! Senhor Drummond, sua habilidade com as palavras nos coloca diante de caminhos e obstáculos de difícil ou fácil transposição, depende do leitor, do dia da leitura ou das tantas releituras, as pedras da vida lá estão e nunca no mesmo lugar, permitindo belas equações de amor e superação.

Já o Senhor, Seo Tancredo, em um de seus discursos, propondo mais conciliação, nos ensinou que, "A Pátria é escolha, feita na razão e na liberdade. Não basta a circunstância do nascimento para criar esta profunda ligação entre o indivíduo e sua comunidade".

Senhores Drummond e Tancredo, nosso Brasil anda estranho demais, continuamos sendo um país do futuro em vários aspectos, especialmente na saúde e educação, pilares de uma nação que almeja desenvolvimento e dignidade para todos.

O gigante continental da América do Sul está carente de líderes políticos com visões de estadistas e empresários que visem mais que apenas o lucro do capital e assumam sua responsabilidade social.

Vivemos um período de grande insatisfação com divisões no seio do povo que extrapolam o bom senso e não residem apenas na divergência de opiniões, muitos, sem rumo e com pouca massa crítica, se deixam levar por meios de comunicação que manipulam a informação dependendo dos interesses próprios e das ocasiões.

Necessitamos de líderes que nos mostrem caminhos em meio às pedras e que persistam na boa trilha da valorização da Pátria enquanto espaço para a dignidade humana que está além e muito além das letras mortas dos estatutos dos partidos políticos.

Drummond e Tancredo, permitam-me agora como irmãos que sempre fomos e seremos, estamos a precisar de paz e serenidade para desanuviar o ambiente pesado que paira sobre nós.

As energias densas estão a ofuscar a razão que nos jogam na sanha das paixões sem freio, claro, temos sim nossa parcela de responsabilidade pelo que nos ocorre, mas pedimos, de onde estiverem, juntem forças com outros brasileiros, renomados ou não, mas de grande valor moral, ético e cristão, e nos cubram de amor e pacificação.

É em nosso Brasil, vocacionado para a espiritualidade e humanidade, onde convivem credos diversos, trazidos pelos escravos africanos, católicos, evangélicos, espíritas, budistas, muçulmanos, islamitas, xintoístas, cristãos e ateus, que todos se juntam em oração.

Mãos dadas, como uma família que somos, clamamos ao Deus de todos, bençãos para que os homens sejam fraternos e acordem da indiferença, do orgulho, da vaidade e da soberba que lhes cega ante todas as misérias.

Estamos de passagem neste plano onde a ilusão do ter e do poder estão mascarando um triste despertar.

Luz, paz, amor, ternura e serenidade.

Fraterno abraço.

Paulo Afonso Barros
Maio de 2017


No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond.

In: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond04.htm


Trecho do discurso de Tancredo Neves preparado para a posse na Presidência da República, em março de 1985.

"Senhores Membros do Congresso Nacional, recebo da soberania do povo, de que sois portadores, a chefia do Estado e o governo do País. Esta solenidade encerra singular mistério de liturgia cívica. A Nação inteira se reúne, pelo instituto da representação, em sua vontade e em sua esperança, para investir um homem da responsabilidade de a conduzir, na lei e na dignidade.

De cada um dos homens que constituem a comunidade nacional transfere-se, ao coração e ao espírito do escolhido, um homem como os outros, parcela essencial de ser, na devoção aos valores comuns e na inquebrantável decisão de os preservar para sempre.

Ao assumir esta enorme responsabilidade, o homem público se entrega a destino maior do que todas as suas aspirações, e que ele não poderá cumprir senão como permanente submissão ao povo.

Quando falamos em povo não pensamos em uma entidade abstrata, que possa ser eventualmente conduzida em trilhas de equívoco, pelo fanatismo ou pela demagogia. Pensamos no povo como soma de razões e virtudes, que sempre prevalecem, para impor lucidez à história, restaurando o que se deve restaurar, abandonando o que se deve abandonar e construindo o que se deve construir (...).

In: https://oglobo.globo.com/politica/discurso-de-tancredo-neves-preparado-para-posse-na-presidencia-da-republica-3021920#ixzz4hVRdpHYM
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Gratidão à brisa que dói e alivia...



Grato aos artistas poetas e pintores, senhores das letras e das tintas, guardiões das muitas formas de expressão dos sentimentos de todos que não passam pela vida indiferentes, a vivem plenamente, celebrando-a e a sofrendo em todos seus amores e perdas.

Grato por darem voz àqueles que alimentam saudades de pessoas e situações sonhadas que nunca puderam ser, mas, tal e qual brasa inflamada pela brisa inocente as sofrerão enquanto a lucidez deixar.

Grato por traduzirem a dor que dói gostosa, fruto de um único momento de um olhar que ficou, nunca mais visto, guardado no coração de quem a sofre sem querer perdê-la.

Grato por suas solidões transformadoras onde encontram o ânimo das criações imortalizadas pela força de sublimes e delicados beijos não revelados e flores não entregues às belas e belos que ficaram no tempo.

Grato por versarem que todas as formas de amor valeram, valem e valerão a pena, pois vivem em almas não pequenas.

Grato por contemplarem pessoas que nunca se viram ou se verão e se amam e continuarão se amando em todas as vezes que mirarem os céus e suas guardiãs, as estrelas, depositárias de todas suas confissões.

Grato aos poetas que nunca pegaram em armas para transformarem almas e mentes.

Grato aos poetas, senhores das letras e das tintas, sobreviventes imprescindíveis aos tempos de fanatismos, perseguições, violências, intolerâncias e pseudoverdades absolutas, estão e serão guardados eternamente.

Grato ao artista, pacificador e humano maior, Jesus Cristo, que plantou a ideia imortal da necessidade do amor universal entre a família humana, sem distinção de credos ou raças.


"Temos saudades do que não existiu, e dói bastante". (Carlos Drummond de Andrade)

"Não existe nada mais artístico do que amar verdadeiramente as pessoas". (Vincent van Gogh)

"Não há você sem mim. Eu não existo sem você". (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).

"Eu protegi o teu nome por amor, em um codinome beija-flor, não responda nunca meu amor para qualquer um na rua beija flor" (Cazuza).

"Que seja doce a dúvida a quem a verdade pode fazer mal". (Michelangelo)

"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jesus Cristo).
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Nascido no Brasil, na cidade de Apucarana, estado do Paraná, em 07 de outubro de 1957.

Pai: Node de Barros  Mãe: Gilda Montilha de Barros

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Graduado em Biologia - Bacharelado pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Especialização em Gerontologia pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP - São José dos Campos - SP

Mestre pelo Programa de Pósgraduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e
Práticas Sociais da Universidade de Taubaté - SP.
Área de Concentração: Contextos, Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano.

Tese de Mestrado: ASPECTOS DA CULTURA ORGANIZACIONAL E DO ENVELHECIMENTO EM SERVIDORES
PÚBLICOS DE UM INSTITUTO DE PESQUISAS