pauloafonsobarros_57

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Aprendiz dos filhos e da vida, acredito que cá estamos não por mero acaso.

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Ainda sou...

Hoje, lentamente, ao buscar entender
que acordava para mais um dia,
primeiro tentei saber se apenas sonhava ou,
se fato,
ainda existia,
demorados segundos de torpor,
em suspensão,
entre ter sido e ainda ser,
percebo que sou,
logo agora que já concebia sido ser,
amanhã,
se outro dia,
vida nova se faça,
com tudo aquilo de que preciso,
pouco,
e com mansidão...
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Biografia

Nascido no Brasil, na cidade de Apucarana, estado do Paraná, em 07 de outubro de 1957.

Pai: Node de Barros  Mãe: Gilda Montilha de Barros

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Graduado em Biologia - Bacharelado pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Especialização em Gerontologia pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP - São José dos Campos - SP

Mestre pelo Programa de Pósgraduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e
Práticas Sociais da Universidade de Taubaté - SP.
Área de Concentração: Contextos, Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano.

Tese de Mestrado: ASPECTOS DA CULTURA ORGANIZACIONAL E DO ENVELHECIMENTO EM SERVIDORES
PÚBLICOS DE UM INSTITUTO DE PESQUISAS

Poemas

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Oi Deus...



Aqui é o Felipe, nome que meus pais, Lucas e Gisele, escolheram para mim, já faz quase dois meses que cheguei, correu tudo bem, tô me adaptando a eles e eles a mim, é um pouco estranho, mas algo me diz que já nos conhecíamos, não é a primeira vez que estamos juntos.

O cheiro da minha mãe é diferente do cheiro do meu pai, o dela não me alerta só para a comidinha de 2 em 2 horas, já sei a diferença entre os dois.

Minha mãe e meu pai conversam comigo o tempo todo, a voz de um e de outro também soam em tons diferentes.

Sei quando é meu pai que está trocando minha fralda e me dando banho ou quando é minha mãe.

Sabe Deus, no fundinho eu estava muito receoso com essa nova vivência, mas tá tudo ótimo.

Eu lembro vagamente que o Senhor me falou que, além dos meus pais, eu teria um anjo guardião sempre por perto, ainda não o reconheço, mas sinto sua presença.

Deus, estou com a família que precisava estar e, como o Senhor me falou, tudo foi preparado com muito amor e carinho para que fizéssemos uma jornada de aprendizado juntos.

Obrigado Deus por essa benção na minha vida e de meus pais, eles são tudo o que eu precisava.

Valeu...

Felipe Casagrande Tamashiro de Barros

PS. Não posso deixar de agradecer também pela minha irmãzinha, Stellinha, ela é igual a gente, cuida sempre de mim, dá umas lambidas nos meus pezinhos fazendo cosquinhas e carinho.
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Tempos de renovação...



Estou em silêncio, admirando a lua, um pedacinho da obra de Deus, e como somos pequenos ante essa majestosa criação.

Há alguns milhões de anos essa aquarela foi criada e para ela fomos redirecionados, vindos de outros cantos para a evolução natural e necessária.

Ainda rebeldes, já machucamos esse novo espaço e, irmãos contra irmãos, nos digladiamos e criamos tribos que seguiram diferentes rumos com valores e visões inconciliáveis do que deveríamos fazer com nossa liberdade de ação.

Caminhamos, hoje estamos despertando para muitos dos equívocos acumulados geração após geração, um sinal precioso de que pior que errar é continuar errando com a consciência do que se faz.

É tempo de renovação, estamos melhores que ontem e amanhã estaremos melhores que hoje.

Paz, amor, ternura e serenidade.
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Beija-flores, amores e flores...



Como um discípulo dos meus filhos,
mentores que me acolhem em minhas dúvidas e temores,
a eles me dirijo com amor.

Não se esqueçam, cuidem sempre de seus amores,
mirem-se nos Beija-flores, ao se achegarem às flores
sorvem vidas com delicadeza e carinho.

Com sabedoria, não esgotam suas amadas fontes,
continuam voltando, voltando e voltando,
estimulando-as a se manterem belas e vivas,
em reciprocidade para todas as vidas.

Flores e Beija-flores completam-se e nos ensinam,
com sutileza, cumplicidade, leveza e ternura os laços
se fortalecem sem prender, pois que, ao contrário, predominaria o egoísmo que seca, esvaindo-se dia-a-dia a paixão que aprendeu a ser amor.
173

Faz 33 anos...



Em 13 de abril de 1985, dissemos sim, nos abraçamos e nos beijamos, olhamo-nos e trocamos carinhos, procurávamos um ao outro, marcamos um encontro quando ainda não nos conhecíamos, para todo o tempo desta e de outras vidas, finalmente nos encontramos para caminharmos de mãos dadas e corações aquecidos.

Temos ainda um tempo, que não seja breve, que dure um pouco mais, para desfrutarmo-nos e, quando partirmos, quem for na frente, ajeita o canto novo de mais uma parada, continuaremos nossa jornada, confiamos em nós, superamos momentos difíceis, nos amparamos, ora eu, ora você.

Passamos para nossos filhos jeitos de amar, outros, eles construirão, com ingredientes imprescindíveis, tolerância, paciência, ternura e perdão.

Não mais o mesmo amor, outro, mais leve, melhorado, sutil, desinteressado, te amo, você me ama, nos amamos.

Amamos nossos filhos, Lucas, sua esposa Gisele, nosso netinho Felipe, Mateus e Tatiany, Marcos e Laís.

Agradecemos aos nossos pais, Node de Barros e Gilda Montilha de Barros, Taketomi Tamashiro e Shizu Oshiro e a todos antepassados.

Gratidão a Deus por permitir que essa união continue, a cada dia um aprendizado, uma palavra a mais escrita em nossa história.
197

Olhos de filhos e netos...



Os olhos de nossos filhos e netos, especialmente quando pequenos, são janelas para outros muitos horizontes com infinitas possibilidades que jamais ousáramos sonhar, tudo o mais fica pequeno e menos significante.

Esses olhos nos ajudam a crescer, maturando em nós a chama dos significados mais sutis e reveladores sobre nós mesmos, é um redescobrimento, um novo nascer sob a aura multicolorida e boreal do amor, um norte novo.

Reencontro nos olhos de meu neto querido, Felipe, os olhares de meus filhos, Lucas, Mateus e Marcos e choro de alegria, saboreando lágrima a lágrima, torcendo para que demorem a secar, como aquele doce gostoso que comíamos devagarinho, lambendo o restinho, dedinho por dedinho.

O poeta disse que tudo vale a pena quando a alma não é pequena, as crianças vêm nos apontando, século após século, em toda sua pureza, não desistem e insistem, o amor é o caminho.
287

Todas as Marias do mundo...



Na vida, para bilhões de pessoas, há muita rudeza desde a concepção, ainda assim são também incontáveis histórias de carinho, devoção e generosidade, sentimentos que caminham junto às almas velhas, espíritos encarnados mais evoluídos graças ao conhecimento conquistado que os faz mais sensíveis, menos embrutecidos, razão para serem mais ternos e fraternos, impulsionando os irmãos adormecidos que necessitam de um pequeno ou maior empurrão.

As Marias, mães do mundo, em geral assim o são, desde sempre, quando a mãe de Jesus tudo suportou pelo seu filho, elas nutrem um amor que transcende as relações apenas humanas e se conectam ao que é mais sublime, o olhar de mãe.

Quantas Marias, já sofrendo com as escolhas de seus filhos, aturam outros lhes deitando falação pelos cantos, pelas ruas ou pelas mídias, apontando-lhes execrações com dedos e línguas nervosas e inquietas?

As mães que ainda serão, que partejam, que adotam, que cuidam, que colocam limites, que pedem para avisar quando e onde os filhos e filhas chegarão, que estão entre nós ou que já nos antecederam no plano espiritual, que estão prestes a parir, que estão aprendendo com os nenéns recém-chegados, que acolhem os nascidos com necessidades especiais, que fervorosas rogam ante doenças graves que ameaçam seus filhinhos, que se resignam ante o desencarne aparentemente precoce de seus pequenos, todas elas, tal e qual Maria, não tem jeito, amam, amam e amam.

Obrigado à minha mãe querida, Gilda, que se foi cedo e com quem falo todos os dias.

Obrigado a Deus e à Maria, mãe de Jesus, pela família que tenho e oportunidade de mais uma vida.

Filhos e filhas, cuidem de suas mamães.

Com carinho, um beijo grande a todas as mamães.

Fiquem bem, fiquem com Deus.
197

Brasil sem rumo, é possível mudar...

O Brasil de hoje, sem rumo, possui um presidente e legisladores reativos, que acreditam que o limite da indignação do povo não tem fim e que a banda pode seguir assim, tocando uma ciranda já de há muito insuportável.

Por sua vez, a população segue dividida, fazendo o jogo desses senhores que não querem nenhuma mudança que venha rearranjar a estrutura social do país, razão para que poucas famílias nos ditem regras já há mais de 70 anos, mantendo a espoliação escandalosa de 205 milhões de brasileiros.

A ausência de líderes, nesse momento, impede uma agenda mínima de ações para, de imediato, desarmar espíritos, estabelecer uma trégua e acordar o que contemple a dignidade do povo sofrido que não tem emprego, vive na informalidade, não tem acesso à assistência médica, medicamentosa e social justamente pelo sucateamento do SUS e ainda são taxados de vagabundos, comprovando-se que generalizações denigrem, ofendem e antagonizam.

Caminhoneiros, até semanas atrás, historicamente vivendo em situações precárias, com jornadas de trabalho absurdas, muitos deles doentes física e emocionalmente, com casos de dependência química funcional, recebendo valores vis por fretes, malnutridos, dormindo pelas estradas malcuidadas, escorchados por custos de pedágios e financiamentos abusivos de sua ferramenta de trabalho, conseguiram parar o país e dar um alento geral, é possível reagir.

A culpa que os reativos e agora açodados governantes querem impor aos caminhoneiros é injusta, eles, os caminhoneiros, é que foram colocados contra a parede.

As demais categorias de trabalhadores precisam também acreditar que o momento de agora é crucial.

Pequenos e médios agricultores não estão conseguindo escoar sua produção, endividados, sem seguro contra seca e inundações, são também vítimas históricas de nossos reativos governantes e não dos caminhoneiros.

A população que já sofre com o desabastecimento, justamente indignada com o passar dos dias, deve lembrar, faz parte dos 205 milhões de brasileiros que almeja um futuro melhor para as próximas gerações, ações de agora germinarão nos próximos 50 anos, pode parecer muito e muitos de nós não estaremos aqui para ver esse Brasil melhor.

Faz tempo que essas velhas raposas não se sentiam acuadas, precisam assim continuar e entender que são empregadas do povo.

O tempo perdido pelo descaso para com as áreas da Educação, Ciência e Tecnologia, que representaria retornos garantidos, exigirá décadas para minimamente reorganizá-las, não podemos esperar mais.

Precisamos de equilíbrio, brasileiros, os que nos governam é quem devem merecer nossa vigilância e cobranças permanentes.

Não podemos nos confundir, ao invés de muros e desavenças, façamos mais pontes.

Independente dos credos e doutrinas professados peçamos a Deus por um Brasil melhor, é possível.
194

Mães...


Gilda era seu nome, mulher simples, meiga e generosa, esmerada em cuidados para com a família, acolhendo outros tantos mesmo quando não mais podia, entregava-lhes o sorriso contido e, nas mãos gentis, sem alarde, doava-lhes a maior energia do mundo, o amor.

Ah! tempo que se faz ainda pleno e vivo, suas mãos deslizando em meu rosto, suavemente desalinhando meus cabelos, em momentos de absoluta paz.

À minha mãe querida, e a todas as mães dos mundos, estejam ou não entre nós, as de sangue e as do coração, criaturas abençoadas pelo desapego, carinhoso beijo em suas auras delicadas.

Histórias de amor de mães e filhos não tem fim, estão misturadas às energias que nos conectam ao muito que ainda não conseguimos dimensionar e compreender.

Eterna gratidão...
200

Reforma da Previdência, uma cortina de fumaça



Os desvios de recursos da Previdência Social no Brasil é história antiga e agora o governo federal apresenta um suposto déficit numa nova embalagem, falseando-se dados e alardeando que o que se busca é combater privilégios para proteger os mais pobres.

As condições de vida dos mais pobres no Brasil nunca foram preocupação real dos governantes, fato inquestionável.

Imperioso atentar-se para o que ocorre em termos de saneamento básico no Brasil, educação, investimento em Ciência e Tecnologia (https://www.youtube.com/watch?v=3ysId_4QADQ), sucateamento dos Institutos de Pesquisas Federais, falência das Universidades Federais e do SUS - Sistema Único de Saúde.

Em decorrência desse descaso institucionalizado pela União vêm ocorrendo uma perda sistemática de recursos humanos nessas áreas críticas, causando um prejuízo incalculável para o Brasil, difícil de ser mensurado, bem como dos prazos para sua recuperação, mesmo que se retome uma nova linha de investimentos de forma perene nas próximas décadas.

Há muitas áreas entre os três poderes da União, Executivo, Legislativo e Judiciário, em que se poderia avançar para a diminuição de privilégios, a começar pela redução drástica de cargos comissionados, verbas de representação, assistência saúde sem limites para titular e dependentes, penduricalhos nos vencimentos que não são computados para fins de teto salarial no serviço público, com o respectivo efeito cascata para estados e municípios.

Fato, há muita gordura para se cortar no serviço público e nas estatais, mas é justamente aí que reside uma cara de paisagem indisfarçável que a grande mídia demonstra cumplicidade e promiscuidade.

O ano de 2018 será particularmente difícil para os brasileiros que devem, em sua maioria, se engalfinhar pelas redes sociais, indo ao encontro dos interesses de quem não deseja que as causas e possíveis soluções para os graves problemas do Brasil sejam efetivamente debatidos.

Precisamos de toda a serenidade e discernimento possíveis, aquietando um pouquinho as paixões partidárias que podem nos cegar.
204

O suspirar da Libélula...


Flutuando, doce, elegante, e bela,
num fim de tarde, com o sol indo embora, formosa
Libélula achegou-me aos ombros em delicado
pousar, asas cansadas, por instantes parecia ainda
querer voar, mas a vida que a animava segundos
antes, permitindo-lhe desfilar por alamedas
imaginárias, expirava rápido e logo a vi cair,
lentamente, mas antes de chegar ao chão pude
ainda acolhê-la em mãos
trêmulas, amparando-a e protegendo-a de uma
laje fria e indiferente que nenhum ser
deve ter, vivo ou não...
202

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