Nascido no Brasil, na cidade de Apucarana, estado do Paraná, em 07 de outubro de 1957.
Pai: Node de Barros Mãe: Gilda Montilha de Barros
Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Taubaté - UNITAU
Graduado em Biologia - Bacharelado pela Universidade de Taubaté - UNITAU
Especialização em Gerontologia pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP - São José dos Campos - SP
Mestre pelo Programa de Pósgraduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e Práticas Sociais da Universidade de Taubaté - SP. Área de Concentração: Contextos, Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano.
Tese de Mestrado: ASPECTOS DA CULTURA ORGANIZACIONAL E DO ENVELHECIMENTO EM SERVIDORES PÚBLICOS DE UM INSTITUTO DE PESQUISAS
Já com o outono se mostrando, numa noite como outra qualquer, caminhava falando aos céus, angustiado, ansioso, clamando se lhe ouviam alguns daqueles tais anjos guardiões que sua mãe, insistente, afirmava.
- Meu filho, Deus tem seus anjos, seres de luz que protegem e amparam as pessoas.
Serena, mas assertiva, dizia.
- Confie sempre nos Anjos Guardiões, sentinelas a serviço de Deus que ainda poucos acreditam, reconhecem, enxergam ou lhes ouvem qualquer sussurro, mesmo neles tangendo várias vezes num único dia.
- Há alguns desses Anjos entre nós, de carne e osso, aparecem do nada quando estamos mais precisados, como se caíssem dos céus, depois, parece que somem de nossas vidas, reaparecendo do nada quando de novo estamos caídos.
Desde pequena, vinda de família pobre, extremamente simples e com uma história de muitas dificuldades, afirmava.
- Dia e noite esses Anjos estão atentos em todas súplicas e reclamos, sem distinção alguma de pessoas de todos os credos, ou daquelas que sequer acreditam na existência do Criador nesse planeta de muito sofrimento, mas repleto de muito amor.
Ao longo de sua vida, já com 85 anos, lúcida, com memória invejável, dizia ela que fora testemunha de mães e pais, dos simples e humildes aos mais abastados e com fartura que, em desespero, diante de doenças e da morte, ficavam parecidos nesses momentos, alguns em aceitação e compreensão das razões dos infortúnios na Terra, mas também outros, em prantos inconformados, questionavam um Deus que permitia aparentes injustiças e sofrimentos.
- Meu filho, se você enxergar a vida de agora como única terá uma ideia estreita das desigualdades enormes na face da Terra, de criancinhas nascidas com doenças incuráveis que morrem pequeninas, ou mesmo de outras que perecem no ventre materno, de gente que passa fome, frio e sede todos os dias, sobreviventes de tragédias, quando milhares se vão e os que ficam perdem tudo que possuíam e precisam recomeçar com pouca ou nenhuma ajuda.
Paciente, sempre que o filho levantava a voz para se queixar, ela repetia.
- Calma, quando admitimos que precisamos de ajuda, rogando a Deus com fé e humildade, nossos pedidos abrem caminhos pelos céus e encontram esses Anjos de prontidão, os quais tentam nos intuir, não há gente com má sorte ou reféns de um imaginário destino de sofrimentos sem fim.
Conhecedora das palavras de Chico Xavier, procurava incentivar a todos que lhe pediam conselhos ou ajuda.
- O Chico foi um homem santo, um dos Anjos de carne e osso, que nos ensinou que não temos como voltar no tempo e recomeçar, mas podemos retomar de um determinado marco de nossas vidas, buscando um fim diferente daquele que sempre perseguiu as mentes de pessoas que nunca vislumbraram a oportunidade de ter um final melhor que não os mesmos de seus pais ou antepassados, mas não há sina que resista a um coração que crê em Deus, nosso Pai Maior.
O filho, ainda caminhando e meio que perdido em sua busca por respostas, passa sob uma árvore, lhe cai dela sobre o ombro direito uma e apenas uma folha ainda verde que, em seguida, chega ao chão, quando observa, agora com atenção, em fila, centenas, milhares de formigas indo para uma toca logo à frente, todas carregadas de pedacinhos de folhas e gravetos, algumas delas, rápidas, em trabalho frenético, começam a retalhar aquela folha caída e outras formigas mais se juntam, cada uma com tarefa precisa e definida.
Sente agora uma brisa fria, em seguida vê de relance um morcego, com mais atenção um chirriar de coruja, um gato atento a uma saída de um bueiro, ouve ao longe o choro de uma criança, um andante idoso e maltrapilho que se aproxima e lhe pede uma ajuda qualquer porque está com fome, enquanto um jovem, com fones de ouvido, que vinha correndo, fazendo exercícios, para e avisa.
- Oi moço, conheço o tio aí, gente boa, se puder ajuda.
Em seu bolso, de propósito escondido, toca o celular.
- Meu filho, não demore, venha logo para o jantar, fiz aquela sopa que você queria.
Aprisionados em nossas rodas-vivas, não nos apercebemos de centenas de pequenos fatos ao nosso derredor, para a maioria são meras coincidências irrelevantes, para outros são sinais de Deus.
Paulo Afonso Barros
207
O perdão entre pais e filhos...
O perdão entre pais e filhos alivia o coração, melhor que o seja em vida.
Paulo Afonso de Barros
251
Lembrar é sempre bom...
Lembrar é sempre bom,
mesmo que sejam recordações tristes,
dos dias doídos que passaram,
das noites em choros escondidos,
na solidão dos quartos escuros,
em preces suplicando socorro,
longe da mãe, do pai, de um amigo,
para que houvesse um outro amanhã.
Lembrar é sempre bom,
de dias felizes,
de quando o médico,
ainda pela madrugada,
trouxe a boa nova,
o(a) filho(a) estava fora de perigo.
Lembrar é sempre bom,
Recordando e se perguntando,
nos vários tempos das crises,
como foi que tudo não desmoronou?
como foi que se aguentou?
Lembrar é sempre bom,
tudo passa,
o que fica são as memórias
das escolhas possíveis para aquele
tempo que passou.
218
Velhos medos...
Na paz interior pacificamos velhos medos, uns irão embora de vez, outros precisam de um pouco mais de amor
202
Uma linda história de amor...
Amparou o filho sofrendo, com entendimento, carinho e desapego.
O corpo se foi numa linda história de amor
203
O Felipe chegou...
O Felipe chegou bem, estranhando um pouco o ambiente fora da casinha materna onde, por nove meses, teve de tudo, comidinha à vontade, temperatura rigidamente controlada, nem muito quente, nem muito frio, a ideal.
Enquanto pode se mexer fez o que bem queria, espreguiçou gostoso várias vezes ao dia ou de noite, chutou todas as bolas imaginárias que pode e comemorou, punhos cerrados, cada uma delas como um golaço.
Nesse período teve todo o amor de seus pais, Lucas e Gisele que, para marinheiros de primeira viagem, deram um show de ternura e serenidade.
Com o tempo vai escolher para que time torcer, tem torcidas do São Paulo, do Corinthians e, correndo por fora, por conta do avô, até o Santos tem lá uma chancezinha.
O mais importante é que o Felipe é uma centelha divina, uma bênção de Deus em nossas vidas.
A Deus agradecemos pela oportunidade de nascer, viver, aprender e crescer como espíritos imortais em busca permanente da evolução, buscando vivenciar a verdade que Jesus nos ensinou, "Ama ao próximo como a ti mesmo", seja solidário, fraterno e generoso.
A Deus, hoje, agradecemos pelo Felipe,pelo Lucas e Gisele e pedimos que eles estejam sempre amparados em suas escolhas.
A Deus rogamos por todas as criancinhas que estão desamparadas, para que recebam a energia divina do Seu amor e que Ele coloque todos os anjos disponíveis para acolhê-las e dar-lhes carinho e paz.
204
O sorriso do Felipe...
Aí você acorda, mais pra lá do que pra cá, um certo cansaço e o dia é de outono, nublado, seco, notícias velhas e requentadas de muita gente sofrida e sofrendo, sem esperança de tempos melhores, como se estivessem invisíveis dentro de uma anormalidade que viola os mais básicos preceitos da dignidade humana.
Nesse contexto a tendência é de mais tristeza, sintonizar-se com energias pesadas, negativas, tendendo a se contaminar e imantar num período já longo de banalização da dor humana ou se alienar, fazendo de conta que, se não é com um dos nossos, razão simples para deixar de lado.
Mas não há como tentar se esquivar na indiferença achando que não nos cabe resolver os problemas do mundo, especialmente se eles, apenas aparentemente, não nos afetam ou não causam dores maiores porque vivemos melhor que bilhões de irmãos nesse planeta maravilhoso.
Jesus e Maria nos ensinaram tudo sobre o amor, ou ao menos nos deram caminhos para com esse sentimento aprender que, enquanto houver um pequenino sofrendo, com fome, frio, sede ou sem teto, não haverá equilíbrio e normalidade.
A distância física do sofrimento alheio não nos exime da ação, que seja a de uma prece por todos os que sofrem e pelos líderes políticos, religiosos, espirituais e empresariais para que entendam o significado de que, muito se pedirá a quem muito recebeu, não lhes cabendo alegação da ignorância justamente pela posição que ocupam.
O sorriso do meu neto Felipe me faz acreditar que ele e muitas outras crianças e jovens que já chegaram e estão chegando nesse tempo de dores farão do nosso mundo um lugar melhor para todos, esse é o nosso destino, a família humana vivendo em harmonia e cultivando a paz.
167
Cuidando de nós, cuidamos do todo...
Ao cuidarmos de nós mesmos diariamente, do que passa em nossas mentes, dos pensamentos que alimentamos, das ações que operamos, do carinho que oferecemos, da ternura que espalhamos, do perdão que ofertamos e nos concedemos, do colo que disponibilizamos, das críticas e julgamentos ao outro que nos vigiamos para evitar, da generosidade que praticamos sem alarde, das preces de agradecimento a Deus dia e noite, dos olhares tristes que buscamos compreender, das crianças que acolhemos, dos velhinhos que amparamos, dos animais pelos quais zelamos, do meio ambiente que respeitamos, das energias que disponibilizamos ao Cosmos.
Sim, estaremos fazendo o que nos cabe.
Não nos incomodamos com o que o outro faz ou deixa de fazer.
Seremos uma luz singela que escolhe brilhar.
Luz que só pode brilhar a partir do nosso mais íntimo, do coração.
Não somos perfeitos, erramos e erramos, mas escolhemos o que é certo e tentamos e tentamos.
No planeta, em que estamos de passagem breve, somos uma parte do todo, um membro da família humana, façamos a nossa parte.
196
No mundo, somente dois...
Aceito feliz a dor da aparente perda, para a morte ou para a vida.
Guardo em mim o amar experimentado, saboreado, segredado em murmúrios, molhado pela brisa úmida das alegres lágrimas em meio às quedas d'água.
Lembro bem de nossos risos trocados ao brincar com as nuvens dos céus, apontando dedos para aquelas que pareciam rostos ou corações.
Ah! Quem sabe o quanto desse amor?
Lembre-se, por esse mundo afora, dentre bilhões, em todos os tempos, antes, durante e depois, apenas e somente nós dois.
192
Não há castigo de Deus...
Todos os dias, por breves instantes, nos sintonizamos com o Criador e humildemente compartilhamos com o Cosmos a mais singela e pura energia de que dispomos, que brota da centelha divina que nós todos, filhos de Deus, possuímos, bons ou maus, não importa.
A centelha divina está em todas as criaturas de Deus, mesmo que em muitos de nós ainda embrutecida, opaca, mas o amor que contagia, desapegado, espontâneo, vai, pacientemente, tocando-a, realimentando-a e a revivendo pois que, em sua essência, nunca deixou ou deixará de sê-la.
Se alguém se acha em condição material e moral superior a outro, um alerta, Deus não faz essa distinção.
Cada um de nós colherá nesta vida terrena e na que se segue após a morte física apenas o que plantou e cuidou.
Graças ao nosso livre arbítrio e, de acordo com a justiça divina, a semeadura é livre e a colheita compatível, razão pela qual não há castigo de Deus.