pauloafonsobarros_57

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Aprendiz dos filhos e da vida, acredito que cá estamos não por mero acaso.

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Ainda sou...

Hoje, lentamente, ao buscar entender
que acordava para mais um dia,
primeiro tentei saber se apenas sonhava ou,
se fato,
ainda existia,
demorados segundos de torpor,
em suspensão,
entre ter sido e ainda ser,
percebo que sou,
logo agora que já concebia sido ser,
amanhã,
se outro dia,
vida nova se faça,
com tudo aquilo de que preciso,
pouco,
e com mansidão...
Ler poema completo
Biografia

Nascido no Brasil, na cidade de Apucarana, estado do Paraná, em 07 de outubro de 1957.

Pai: Node de Barros  Mãe: Gilda Montilha de Barros

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Graduado em Biologia - Bacharelado pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Especialização em Gerontologia pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP - São José dos Campos - SP

Mestre pelo Programa de Pósgraduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e
Práticas Sociais da Universidade de Taubaté - SP.
Área de Concentração: Contextos, Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano.

Tese de Mestrado: ASPECTOS DA CULTURA ORGANIZACIONAL E DO ENVELHECIMENTO EM SERVIDORES
PÚBLICOS DE UM INSTITUTO DE PESQUISAS

Poemas

79

Pessoas mastigadas...


Pessoas são mastigadas para que poucos se iludam como novos-velhos imperadores do planeta, tudo passa...
Paulo Afonso Barros
177

Gentileza gera gentileza...


O brasileiro e cidadão do mundo, José Datrino, esteve entre nós por 79 anos, (1917-1996), peregrinando por várias cidades, especialmente no Rio de Janeiro.

O Profeta Gentileza, chamado de doido e esquisito, espalhou uma mensagem singela, a de que o amor gera amor e penetra nas frestas mais sombrias semeando luz.

Por ser diferente esteve internado em hospitais psiquiátricos recebendo choques como tratamento, lá palestrava aos internados e médicos insistindo numa palavra, amor.

De empresário a pregador, abriu mão de todos os seus bens materiais, deixando a mensagem maior, "Gentileza gera gentileza", um tratado sobre a tolerância, paciência e simplicidade.

Tem dado notícias das estrelas, insistindo, "Gentileza gera gentileza".

Paulo Afonso de Barros
204

Tão perto, pouco conhecido...



Amar nos harmoniza para com a centelha de amor confiada por Deus que humanos, sem exceção, possuímos.

Amar estreita, acolhe, aconchega e permite superar qualquer barreira, seja de raça, credo ou condição social.

Amar nos alerta para a finitude que chegará para todos, quando nada que seja material carregaremos.

Amar é uma condição favorável para acessar cantinhos nossos, quase inexplorados, onde repousam sinais das buscas seculares a nos inquietar e, por certo, continuarão a nos instigar a apreender o que está tão perto, mas ainda pouco conhecido.

As novas gerações estão mais próximas desses saberes, não há dúvida.

Paulo Afonso de Barros
201

Dia dos avós e dos netos...



No dia dos avós tenho que celebrar e agradecer a Deus por todos os dias do Felipe, que veio das estrelas, as mais longínquas, fez um pit stop onde se encontram espíritos iluminados e recebeu uma tarefa dividida em algumas etapas:

Faça seus pais, Lucas e Gisele, felizes todos os dias, e tenha humildade para aprender o máximo que puder com eles;

Seja carinhoso e humilde para com seus primos e amiguinhos, irmãos da mesma geração, que possuem a mesma tarefa, fazer do mundo um lugar melhor para todos;

Procure ouvir mais do falar;

Fique esperto para com a vaidade, o orgulho, o apego demasiado ao supérfluo, meramente material, coisas efêmeras e passageiras;

Cultive as boas amizades, elas serão para a vida inteira;

Alimente a compaixão e o perdão;

Tenha paciência com seus avós, quando você estiver um pouquinho maior eles podem não estar ouvindo muito bem e nem te acompanhar com o mesmo pique nas brincadeiras, mas vão querer te tocar, fazer e receber carinho;

Deixe-se beijar e beije muito seus avós, tios e tias, primos e primas, não tenha vergonha dos seus sentimentos, demonstre-os, seja espontâneo.

Lá nas estrelas lhe falaram de Jesus e de seu maior ensinamento, amar ao próximo como a ti mesmo, sem discriminação.

Felipe, você não vai lembrar exatamente de tudo que lhe gravaram na mente, mas você terá as boas intuições, siga-as, especialmente quando o que você deseja ou faça não prejudique seu semelhante.

Não se cobre tanto a perfeição, ela não existe, quando perceber que cometeu algum deslize, um equívoco qualquer, não se constranja, peça desculpas e as aceite quando elas forem solicitadas a você.

Por fim, alimente o seu sorriso, você pode ser um especialista em gentilezas.

Beijão aqui do Ditian / avô brasileiro, de Apucarana, estado do Paraná, Brasil.

Paulo Afonso Barros
196

Morrer, ou como morrer...

Morremos sem prévio aviso, ou todo dia um pouco, perdoar ou não é uma escolha.
Paulo Afonso de Barros
190

Enquanto você dormia...



Vejo em silêncio as delicadas linhas de seu rosto, preservadas estão suas mais belas faces em todos os ângulos, a mesma graça de quando a vi pela primeira vez e que me fez pensar.

- Onde e quando já a tinha visto?

Não foram apenas em sonhos ou nas alamedas comuns por onde caminhávamos, se assim fosse jamais me esqueceria.

Sem a tocar alinho com cuidado seus cabelos e delineio numa imaginária aquarela suas pequenas mãos com orquídeas, suas preferidas, agora acolhidas com seu adorável e belo sorriso, quase sempre contido, afagadas pelos mesmos e encantadores olhos suaves e expressivos.

Moldo seus lábios com os meus e juro baixinho,

- Sei, e apenas sei, que a vi e a amei muito antes daquele primeiro dia...

Paulo Afonso Barros
208

Suicídio no Brasil...


Diariamente trinta pessoas cometem suicídio no Brasil.

O suicídio em nosso país ainda não está contemplado como uma urgente questão de saúde pública, recursos humanos e financeiros no SUS minguam e escancaram o sucateamento desse setor.

O tempo de mera contemplação para com as doenças da mente já passou de há muito, ações por parte de todos, sociedade civil organizada e Poder Público, ainda que tardias, não podem mais serem adiadas.

A indiferença não é aceitável frente aos que, à sua maneira, pedem ajuda e sofrem invisíveis.

Pessoas que cometem suicídio emitem sinais, verbalizados ou não, porém nem sempre são levados a sério.

"-Se fosse verdade ou se tivesse coragem já teria feito pra' valer".

Esse tipo de crença reforça o estigma de quem sofre a depressão em suas mais variadas formas e sintomas.

Acusações do tipo, "quer chamar a atenção" ou "frescura" ou "falta do que fazer", só agrava e instiga a pessoa fragilizada a mergulhar no abismo que se lhe mostra todos os dias.

Pensemos a respeito, consideremos que podemos ajudar.

Clamamos ética nos outros.

O número 188, do Centro de Valorização da Vida - CVV, desde 01 de julho, está recebendo ligações gratuitas de telefones fixos, celulares e orelhões.

Paulo Afonso de Barros
205

Impensável novo...


Desconstruir-se continuamente, sozinho, com ajuda e/ou
incentivo do outro, sofrendo a indiferença sem o ser, crescendo interiormente, reciclando saberes, em especial sobre si mesmo, até o impensável novo em que podemos nos transformar.

Paulo Afonso de Barros
209

Há esperança...



Buda, Oxalá, Alá, Jeová, vários nomes para um único Deus de amor, pedimos aos seus mensageiros que possam recolher amor nos corações de todos que elevam seus pensamentos em preces, rogando por irmãos da família humana que se encontram em desespero no mundo, em particular pelas crianças e seus pais, separados à força em regiões do planeta onde há tanta fartura.

Deus, nos ajuda a não nos sentirmos impotentes ante a dor do outro, permitindo que a insensibilidade faça ninho em nossos corações, sempre há algo a ser feito, uma prece, um pensamento já faz uma significativa diferença para quem está em sofrimento e é lembrado por um segundo apenas.

Deus, ao olharmos nas crianças de nosso nosso entorno, bem cuidadas e felizes, que possamos acreditar nos sinais que elas apontam, há esperança.

Obrigado Deus pelo Felipe, meu neto, foi ele quem me passou essa prece.

Paz, amor, ternura, serenidade.
234

Sinais de Deus...

Já com o outono se mostrando, numa noite como outra qualquer, caminhava falando aos céus, angustiado, ansioso, clamando se lhe ouviam alguns daqueles tais anjos guardiões que sua mãe, insistente, afirmava.

- Meu filho, Deus tem seus anjos, seres de luz que protegem e amparam as pessoas.

Serena, mas assertiva, dizia.

- Confie sempre nos Anjos Guardiões, sentinelas a serviço de Deus que ainda poucos acreditam, reconhecem, enxergam ou lhes ouvem qualquer sussurro, mesmo neles tangendo várias vezes num único dia.

- Há alguns desses Anjos entre nós, de carne e osso, aparecem do nada quando estamos mais precisados, como se caíssem dos céus, depois, parece que somem de nossas vidas, reaparecendo do nada quando de novo estamos caídos.

Desde pequena, vinda de família pobre, extremamente simples e com uma história de muitas dificuldades, afirmava.

- Dia e noite esses Anjos estão atentos em todas súplicas e reclamos, sem distinção alguma de pessoas de todos os credos, ou daquelas que sequer acreditam na existência do Criador nesse planeta de muito sofrimento, mas repleto de muito amor.

Ao longo de sua vida, já com 85 anos, lúcida, com memória invejável, dizia ela que fora testemunha de mães e pais, dos simples e humildes aos mais abastados e com fartura que, em desespero, diante de doenças e da morte, ficavam parecidos nesses momentos, alguns em aceitação e compreensão das razões dos infortúnios na Terra, mas também outros, em prantos inconformados, questionavam um Deus que permitia aparentes injustiças e sofrimentos.

- Meu filho, se você enxergar a vida de agora como única terá uma ideia estreita das desigualdades enormes na face da Terra, de criancinhas nascidas com doenças incuráveis que morrem pequeninas, ou mesmo de outras que perecem no ventre materno, de gente que passa fome, frio e sede todos os dias, sobreviventes de tragédias, quando milhares se vão e os que ficam perdem tudo que possuíam e precisam recomeçar com pouca ou nenhuma ajuda.

Paciente, sempre que o filho levantava a voz para se queixar, ela repetia.

- Calma, quando admitimos que precisamos de ajuda, rogando a Deus com fé e humildade, nossos pedidos abrem caminhos pelos céus e encontram esses Anjos de prontidão, os quais tentam nos intuir, não há gente com má sorte ou reféns de um imaginário destino de sofrimentos sem fim.

Conhecedora das palavras de Chico Xavier, procurava incentivar a todos que lhe pediam conselhos ou ajuda.

- O Chico foi um homem santo, um dos Anjos de carne e osso, que nos ensinou que não temos como voltar no tempo e recomeçar, mas podemos retomar de um determinado marco de nossas vidas, buscando um fim diferente daquele que sempre perseguiu as mentes de pessoas que nunca vislumbraram a oportunidade de ter um final melhor que não os mesmos de seus pais ou antepassados, mas não há sina que resista a um coração que crê em Deus, nosso Pai Maior.

O filho, ainda caminhando e meio que perdido em sua busca por respostas, passa sob uma árvore, lhe cai dela sobre o ombro direito uma e apenas uma folha ainda verde que, em seguida, chega ao chão, quando observa, agora com atenção, em fila, centenas, milhares de formigas indo para uma toca logo à frente, todas carregadas de pedacinhos de folhas e gravetos, algumas delas, rápidas, em trabalho frenético, começam a retalhar aquela folha caída e outras formigas mais se juntam, cada uma com tarefa precisa e definida.

Sente agora uma brisa fria, em seguida vê de relance um morcego, com mais atenção um chirriar de coruja, um gato atento a uma saída de um bueiro, ouve ao longe o choro de uma criança, um andante idoso e maltrapilho que se aproxima e lhe pede uma ajuda qualquer porque está com fome, enquanto um jovem, com fones de ouvido, que vinha correndo, fazendo exercícios, para e avisa.

- Oi moço, conheço o tio aí, gente boa, se puder ajuda.

Em seu bolso, de propósito escondido, toca o celular.

- Meu filho, não demore, venha logo para o jantar, fiz aquela sopa que você queria.

Aprisionados em nossas rodas-vivas, não nos apercebemos de centenas de pequenos fatos ao nosso derredor, para a maioria são meras coincidências irrelevantes, para outros são sinais de Deus.

Paulo Afonso Barros
209

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