Nascido em Altos- PI. Graduado e Pós-graduado em Letras/Português, Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Administração Pública. Pedro Paiva é professor de Portugês, Literatura, Redação, Direito, Economia, Contabildiade, Estatística, Empreendedorismo, Administração Financeira e Administração da Produção dos cursos de Administração, Contabilidade, Comércio e Informática. Exerceu os cargos de Gerente de Suporte do Banco do Brasil S.A, Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Educação. Premiado em 1º lugar no I Concurso de Crônicas e Poesias Mário Quintana, promovido pela AABB, de São Paulo. Premiado em 2º lugar no Concurso Mostrando Poesia, promovido pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, campus de Campo Maior PI. Ex-Prefeito. Membro-fundador da Academia de Letras e Línguas Nativas Altoenses - ALLNA, ocupando a cadeira nº 03 que tem como patronesse Josefa de Paiva Macedo. Participação na coletânea CONTOS DE TERROR ALTOENSES. Autor da antologia poética AMOR PRA VIDA INTEIRA (prelo).
Lista de Poemas
ETERNO CICLO DO AMOR
Sinto as horas açoitando o tempo que nos resta para amar!
Na cama, ainda quente da noite passada,
um vulto misterioso de mulher ou deusa me acena.
Em ânsias, nossas bocas lascivas se engolem nas lúbricas cenas
e um rio de leite deságua,lavando o perfumado altar.
Alerta-nos o tempo de que já é chegada a hora da partida exclusa
e impõe às nossas almas tíbias, cansadas, nos casulos do amor já reclusas,
partirem saudosas para a eternidade além.
Mas eis que, de repente, o mistério da vida se revela
e do invólucro deflorado irrompem falenas diáfanas e belas
e um novo ciclo do amor recomeça e a vida renasce também.
DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
DE VOLTA ÀS ORIGENS
Sou semente e fruto deste chão.
A mãe que um dia me viu nascer;
feliz, me acolherá de volta ao seio!
NAQUELA RUAZINHA DE ANTIGAMENTE
noutros tempos cheia de vida,
cheia de luz, repleta de amor!
Velhos casarões festivos
abriam sorridentes para os anos vindouros
os janelões com umbrais cobertos de flores.
Hoje, naquela ruazinha de antigamente,
está tudo, mas tudo tão diferente!
Já não é mais a mesma ruazinha de outrora.
De repente, nela tudo mudou.
E desde o dia em que tu te foste de lá,
aquela ruazinha ficou ainda mais triste:
perdeu o brilho,
ficou sem vida,
não tem mais luz,
perdeu a cor!
E daquela ruazinha outrora palpitante,
feliz, alegre, soberba, regurgitante.
Agora solitária, deserta, silenciosa, errante.
Dela, só a saudade foi o que restou!
Lá as horas se arrastam dissolutas no tempo,
escorrendo por entre ponteiros enferrujados
de relógios senis, sonolentos, bocejantes
que arquejam agarrados às paredes trincadas
de antigos casarões que contam séculos e séculos de histórias.
E dali...Não muito distante dali
ainda dar pra se ouvir
o apito plangente do trem da saudade
se dissipando volátil pelo ar
enquanto velozmente passa
a geringonça de aço
puxando os comboios atafulhados de solidão.
E nos trilhos vibráteis da mente,
a locomotiva fantástica sobre os dormentes,
se contorce ligeira tal qual serpente
levantando o pó e a vítrea poeira
do meu tempo de criança!
É lá naquela ruazinha erma e sem vida
nas estantes empoeiradas, esquecidos,
de velha e provecta biblioteca,
livros e compêndios amarelos de preguiça
cochilam horas e horas à espera de leitores
que nunca aparecem para lê-los.
Ah, saudade daquela ruazinha modesta
onde criança eu brinquei, amei e fui feliz!
No colo de minha pobre mãezinha;
lembro-me... Fazia festas
coberto de carícias maternais.
Ah, tempos que não voltam nunca mais!
Ainda me lembro daquelas noites fagueiras,
brincando ao redor das crepitantes fogueiras
acesas no terreiro do velho casarão
onde morávamos a tudo indiferente e a tudo alheio!
E quando eram noites de lua cheia,
rolava contente nos alvos bancos de areia
e de bruços me deitava no chão.
Hoje, naquela ruazinha nada mais resta.
A não ser o silêncio de calçadas desertas,
quebrado pelo ranger lânguido e triste
de cadeiras decrépitas, monótonas e vazias
onde o tempo e a solidão, de mãos dadas, juntos se balançam
contemplando atônitos, com indiferença e apatia
o luar cataplético de minha dourada infância!
TARDES DE QUINTAIS
com voz baixinha e tremendo
me disseste: amor, eu te amo!
Naquela hora, eu não sabia,
se te abraçava ou saía
louco de amor gritando.
Eram tardes de quintais!
Eu sufocava os teus ais
com um longo beijo meu.
O tempo foi-se passando
e noutra tarde chorando
tu me disseste: adeus!
Vários anos sem notícias.
Sinto no corpo as carícias
quando, em ânsias, me abraçavas.
E ainda hoje eu escuto
aquela voz dissoluta
repetindo que me amavas.
ESTRANHAMENTE PERDIDO EM TI, PERDIDAMENTE ESTRANHO EM MIM
quando me tranco e me atravanco
no escuro labirinto do teu ser.
Dissimulo que me acho,
se ando estranhamente perdido em ti
fazendo as mais depravadas arruaças de amor.
Estranho o beijo que insulta nossas línguas.
com o gosto e o desejo despudorados
de possuir, por inteiro, o teu corpo
e de me encalacrar na tua alma.
E então, entontecido e louco de teu amor,
eu já me acho todo perdidamente estranho dentro de mim.
DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
TELA
ela se banhava e se aquecia.
Nas tardes de outono cinzas e quentes,
junto ao ocaso, ela também morria.
Para ressurgir mais encantadora e bela
na noite fria, de perfume amena.
Como se fosse uma linda estrela
ela regurgitava de amores, plena.
Curiosa! Até a lua no céu se inclina
para ver na praia, lá de cima,
a minha deusa nua em tela cheia.
E eis que, entre cores, surge um lindo busto.
Fico extasiado, e logo tremo de susto:
manchou-me à tela grânulos de areia!
Comentários (1)
Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.