Pedro Paiva

Pedro Paiva

n. 1962 BR BR

n. 1962-06-29, Altos - Pi

Perfil
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AMOR PRA VIDA INTEIRA

Não me importaria, meu  amor,
se o meu Destino fosse morrer hoje.
Muito menos me importarei,
se a minha sina for morrer amanhã.

O que me importa é te amar intensa e incondicionalmente
em todos os momentos da minha  vida.
Seja no esplendor do Sol brilhando ao meio-dia no Céu,
seja na agonia da Luz morrendo no fim da Tarde.

E quando o amanhã chegar... (Se ainda houver amanhã)
o golpe certeiro da morte abreviar os dias meus.
Chorosa,  as lágrimas congelarem-se no teu rosto,
eu virei descongelá-las com o calor dos meus beijos.

E mais tarde, na férrea solidão do nosso lar vazio,
o tempo impiedoso, cruel,  indiferente e frio
vier açoitar-te o corpo cansado e pelos anos exaurido,
eu aquecê-lo-ei com o sopro quente da minha paixão
que transcenderá os abismos da Morte para te alentar.

Mas por agora, enquanto o tempo nos permite, vem me amar.
Não vamos pensar no que há de vir depois, oh, minha querida!
De teu amor, eu juro que  nunca hei de me cansar.
Se prometeres que de mim  não vais te esquecer,
eu prometo  por toda eternidade te amar!

Ler poema completo
Biografia

       Nascido em Altos- PI. Graduado e Pós-graduado em Letras/Português, Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Administração Pública. Pedro Paiva é professor de Portugês,  Literatura, Redação, Direito, Economia, Contabildiade, Estatística, Empreendedorismo,  Administração Financeira e Administração da Produção dos cursos de Administração, Contabilidade, Comércio e Informática. Exerceu os cargos de Gerente de Suporte do Banco do Brasil S.A,  Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Educação. Premiado em 1º lugar no I Concurso de Crônicas e Poesias Mário Quintana, promovido pela AABB, de São Paulo. Premiado em 2º lugar no Concurso Mostrando Poesia, promovido pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, campus de Campo Maior PI. Ex-Prefeito. Membro-fundador da Academia de Letras e Línguas Nativas Altoenses - ALLNA, ocupando a cadeira nº 03 que tem como patronesse Josefa de Paiva Macedo. Participação na coletânea CONTOS DE TERROR ALTOENSES. Autor da antologia poética AMOR PRA VIDA INTEIRA (prelo).

Poemas

88

EPINÍCIO

Com o tempo se desfazem as tempestades
Os remoinhos de vento, os pós dispersos pelo caminho.
Na margem do Rio-Vida hão de soprar
Crestos, ainda, os vendavais festivos da bonança
E a luz ressurgirá no fim do túnel anunciando um novo tempo.
Intimoratos, atravessaremos esse mar de escolhos e de angústias
Cobertos, embora, com os últimos trapos que nos restaram
Ao nosso lado – o que mais nos importa- os filhos amados
O Bem Supremo que a mala sorte não nos roubara.
 
DA OBRA MEUS PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA
 
 
 
 
 
 
 
 
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ENDECHA

Ah, quando eu me for desta vida
descansar na paz do meu leito!
Quem chorará, por mim, querida,
uma lágrima comovida
que me orvalhe ao menos no peito
as mágoas que trago escondidas?

Quem à fronte suada e fria
um beijo depositará?
E na extrema-unção d’agonia
o conforto amigo trará?!

Ai... Quem de mim se lembraria
no célere correr dos anos?
E sobre a lájea fria
do peito a flor murcha poria
chorando o funéreo abandono
numa tarde erma e sombria.

Se o mal me devorasse o peito,
eu teria descanso agora!
E às convulsões do morno leito,
viria alívio sem demora.

A alma silente, muda e fria
ruflar as asas bem podia
pela vasta amplidão do céu!
Pelo infinito ir-se embargando.
Nas plagas etéreas cantando
à corte suprema de Deus.

 

Só assim meu peito fremente
s’esgotaria desta dor!
E sentiria à fronte ardente
passar um sopro animador!

Meu ser a Deus s’elevaria
em adustas preces ao fim do dia
num arquejo terno e profundo.
Mas deixaria nesta endecha
as notas tristes de uma queixa:
“teu amor que objurgou-me no mundo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
3 230

ENIGMA VII

Havia trevas na minha vida
até o dia em que os teus olhos
iluminaram o Mundo.
ENIGMAS

2 560

CANÇÃO DA CHUVA II

Quando a chuva do céu desata,
o verde da campina logo resplandece.
Velozes, serpenteando, os fios d'água
o árido e ressequido chão umedecem.
Com avidez a bátega infrene
fecunda da terra-mãe o ventre indene
e a vida, por todo o sertão, pulula, vibra e estremece.
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ANJO DECADENTE

Sob a ponte de tábua
a correnteza d’água
quebrando-se nas pedras
em notas suaves, breves
de doces melodias!

Na abóbada celeste...
Meu Deus, quanta harmonia!
Um arfar d’asas doiradas,
de anjo que se perdeu,
rompe o silêncio do infinito.

Em terra firme, o anjinho foi mirar-se
no espelho móvel do rio.
Ficou tão surpreso ao vê-se n’água refletido
que num desmaio adormeceu!
Mas uma canção de longe
foi do sono profundo acordando
aquele pobre anjinho enteu!

Os dias foram-se passando
e o anjinho, que levava a vida sempre cantando,
nem sequer poderia supor
que noutra imagem refletida
lhe sangrasse a ferida:
a férula chaga do amor!
3 654

ETERNO CICLO DO AMOR

Sinto as horas açoitando o tempo que nos resta para amar!

Na cama, ainda quente da noite passada,

um vulto misterioso de mulher ou deusa me acena.

Em ânsias, nossas bocas lascivas se engolem nas lúbricas cenas

e um rio de leite deságua,lavando o perfumado altar.


Alerta-nos o tempo de que já é chegada a hora da partida exclusa
 

e impõe às nossas almas tíbias, cansadas, nos casulos do amor já reclusas,

partirem saudosas para a eternidade além.

Mas eis que, de repente, o mistério da vida se revela

e  do invólucro deflorado irrompem falenas diáfanas e  belas

e um novo  ciclo do amor recomeça e a vida renasce também.

DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA

2 063

TELA

Entre afagos e beijos tão ardentes
ela se banhava e se aquecia.
Nas tardes de outono cinzas e quentes,
junto ao ocaso, ela também morria.
 
Para ressurgir mais encantadora e bela
na noite fria, de perfume amena.
Como se fosse uma linda estrela
ela regurgitava de amores, plena.
 
Curiosa! Até a lua no céu se inclina
para ver na praia, lá de cima,
a minha deusa nua em tela cheia.
 
E eis que, entre cores, surge um lindo busto.
Fico extasiado, e logo tremo de susto:
manchou-me à tela grânulos de areia!
325

PELA MESMA RAZÃO DE SER

Quem sabe, se não sofres com eu sofro?
Talvez, pela mesma razão de ser:
eu sofro porque tu não me quiseste
e tu sofres porque vais me perder !
 
DA OBRA MEUS PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA
 

 

 

312

O LOBISOMEM DO ROCHA

           Nos idos de 70 corriam por todo o Batalhão, Bacurizeiro e regiões vizinhas, boatos de que certas criaturas de costumes estranhos e misteriosos que ali viviam, nas noites de lua cheia, saramandaiavam pelas ruas do bairro, colocando em polvorosas todos os moradores da região.
       Rocha, um morador do Bom Princípio e perdulário das noites da provinciana Altos, jurou, de pé junto e pelas chagas de Cristo, ter visto dois bichos- mistura de gente com lobo e porca - correndo atrás dele.
     Foi um rebuliço dos diachos! Naquela noite ninguém mais dormiu. Os alaridos dos cães nas ruas deixavam todos ainda mais assustados e temerosos de um ataque brusco e inesperado das tais monstruosidades que o Rocha supostamente tinha visto.
     Noite longa aquela, meu Deus! Tremia todo dentro da minha rede só de pensar na possibilidade de ser atacado pelos lobisomens do Rocha. Logo eu, que todas as noites abria a janela do meu quarto para namorar a lua, não o fizera naquela madrugada. Morria de medo só de pensar na possibilidade de, repentinamente, dá de cara com aquelas criaturas esquálidas e horripilantes que tinham corrido atrás do Rocha o qual tremendo mais do que vara verde, se refugiara na minha casa.
       Na manhã seguinte, como era costumeiro, fui comprar manga d’água e tamanho foi o pavor que tomou conta de mim, quando, de repente, saiu da alcova um homem velho, com as vestes sujas, rotas e amarrotadas, nariz adunco, o rosto, golpeado pelo tempo, parecia o de uma caveira que, a passos lentos e desengonçados, perambulava pela casa suja, imunda, escura, solitária, deserta e completamente desarrumada.
     Os cabelos compridos, fulvos, embaraçados, desgrenhados, de um branco amarelado e fusco, unhas grandes, sujas e afiadas. Dos lábios descaídos escorria uma gosma nojenta por entre a barba longa, densa e amarelada. 
       Por todo o casarão exalava um fedor de fumo que se misturava ao azedume da sujeira e à catinga azinhavrada de enxofre que vinha lá do fundo daquela enxovia horrenda e asquerosa. Por todo o corpo daquela caquética criatura, cobria uma camada densa e farta de pelos tão pontiagudos, duros, tensos e afiados que espetavam impiedosamente as moscas e varejeiras que ousavam pousar na pele dele.
       Cenas macabras aquelas e, por um momento, pensei está diante de um dos mensageiros do maldito.
      Gritei: - Valha-me Deus! É o lobisomem do Rocha! Apavorado, desabei na carreira para o refúgio sagrado do meu lar e nunca mais fui comprar manga d’água.

2 008

ENIGMA VI

Na cripta celeste
a Lua eclíptica
se afoga na elipse de sangue.

No horizonte irisado das paixões humanas
se debuxa um lindo rosto. 
De anjo? De demônio?
De santa? Ou de mulher?

Não sei... Não sei... Não sei!
Só sei que é um rosto suave
e de expressões amenas,
projetado das vagas lembranças
de minha saudosa infância!
De compleição ora austera ora serena,
mas de feição doce e delicada
tal como o semblante angelical de uma criança!


Exsurgindo nos muros altos de minha memória
Um rosto crispado, sem contorno, sem linhas,  
sem traços e sem   formas definidos, 
perdido num passado longínquo, distante.
Preso no espelho irreflexo de uma memória que fenece,
mas vivo e pulsante num coração que nunca envelhece!

ENIGMAS

 

 

3 778

Comentários (2)

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Pedro Paiva

Sua análise revela sensibilidade ao apelo que o poema faz ao leitor. Grato por interagir, caro poeta Ademir Zanotelli!

Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.