Lista de Poemas

ENIGMA V

Aquele beijo despudorado, 
que insultou nossas línguas, 
reacendeu, em nosso corpo,  o pecado original
e outra vez, fomos expulsos do Paraíso!

ENIGMAS

1 338

SER LIVRE

Ser livre é poder sonhar,
soltar as asas da imaginação...
Voar, voar, voar!
Sem  medo de cair,
sem ter medo de acordar.

Ser livre é  viajar 
pelo mundo azul do ser, 
a alma humana desbravar!
É destrinçar a fronteira 
entre os sonhos e a realidade
e  amar o outro 
mesmo sabendo-o 
tão diferente de nós.

Ser livre é saber ouvir 
as múltiplas vozes
que ecoam no âmago interior.
E saber  que a  liberdade 
é uma  construção divina 
feita de amor.

(AMOR PRA VIDA INTEIRA)

942

ENIGMA I

Ando tentando decifrar-me, 
querendo saber quem sou, enfim!
A cada leitura que faço,
conheço menos de mim!

ENIGMAS

 

1 809

IN EXTREMIS

Oh, não durmas da virgindade no véu!
Com que este bardo triste um dia sonhou.
Juntos desfrutarmos as bodas do himeneu
que Deus, por nós dois, idealizou.

Que palor é esse que a teu encobre?
De teu semblante roubou aquela cor de cobre
transfigurada, agora, em violácea cor!
Vela por ela, meu Deus, por ela vela
s'esfriou lá no céu peregrina estrela.
Vela por mim, meu Deus, que também morro de amor!

DA OBRA MEUS PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA
341

CANÇÃO DA CHUVA III

A chuva penetra com ímpeto 
o hímen virginal da terra.
E a vida regurgita
nos sulcos e veios abertos
pela seiva líquida que escorre,
lavando o ventre   deflorado.
3 289

BALADAS DE UM LOUCO

A chuva tamborilando no telhado!
Do quarto-Mundo assisto às cenas
da Vida, lá fora, morrendo à toa.
Na clepsidra, o tempo indômito voa
devorando Estrelas num Céu sombrio de tempestades.
A Lua atônita e bêbeda de sangue humano
despencou do último quadrante
e se afoga no Mar de orgias mundanas.
Mas uma Luz fósmea ainda clareia
os terreiros de inóspitas aldeias
de Humanidades anos-luzes perdidas.
Soam as trombetas estrídulas do Armagedon.
Cavaleiros encouraçados marcham descompassadamente
para a Batalha Final.
A Terra inteira ardendo em chamas.
Um rio de sangue deságua na minha rua.
Corpos mutilados agonizam nas sarjetas
no fundo do nosso pequeno Quintal.
No beco sombrio de uma esquina obtusa,
num ponto qualquer de uma rua escura,
ouvem-se tiros, gritos, gemidos, alaridos.
Baques de corpos mutilados caindo no chão!
Sabres agudos e afiados extravasando peitos,
em golpes certeiros e fatais, sem compaixão,
Passa o cortejo frívolo d’almas indigentes,
enterradas nas valas abertas em Magedo.
Nuvens de fumaça sobem,
levando para um céu de chumbo,
o veneno mortífero e letal.
Zumbis cegos e acorrentados quais fantoches -
marcham incólumes para a morte,
ao ritmo do chicote estralando na pele
dilacerada pelo aço do acicate 
do “Príncipe-Regente da Pérsia".
E sob às ordens do regente infame, inclemente
despencam nos abismos colossais da ignorância humana.
Sonho dantesco, meu Deus! Será o fim?
Acordo do pesadelo. E o que vejo?
O mundo inteiro ao redor de mim!

 

 

 

 

 

 

3 342

LOCUS AMOENUS

Casinha branca com redes armadas na varanda.
As ovelhas balindo, à tarde, no fundo do quintal!
Na campina, a passarada, em bandos, revoando.
O sol pintando o horizonte com os clarões do arrebol!
 
O som retumbante da água jorrando pura na fonte cristalina.
O canto estrídulo e desafinado da araponga tinindo nas matas!
O mugido triste do gado berrando, ao longe, no pé da colina.
A orquestra dos grilos tritrilando aos murmúrios das cascatas!
 
No vale verdejante - o baile das mariposas, a festa das cigarras, a pirotecnia dos pirilampos!
A jia queixosa coaxa, geme e estremece lá na beira da lagoa.
O campo florido vai, aos poucos, se vestindo com negro e fino manto
e o  aboio saudoso do vaqueiro, tangendo a boiada, pelas serras azuis ecoa.
 
Silenciosa cai a noite! Sob à luz tênue e delicada de sonolentas lamparinas
lá fora,  inunda o branco terreiro o soberbo e indolente luar de prata.
O sertão inteiro dorme  embalado por uma canção suave, etérea e divina,
e desperta,  na manhã seguinte, com a algazarra dos pássaros em festiva sonata.
 
No curral da fazenda, a farra matinal na ordenha das vacas leiteiras.
O  barulho dos chocalhos e o berregar  das cabras  sob o albor do céu.
Ao meio-dia, o banho  ao morno escachoar  das águas descendo na cachoeira,
bebendo  no cálice de delicada flor silvestre o mais doce e  puro mel!
 
Ao lado da mais bela morena cujo encanto a natureza ensimesmada, deslumbra e desvela
na paisagem bucólica que o Criador,  com o tempo, foi caprichosamente transformando
num lindo e edênico jardim  todo encastoado com pérolas e  reluzentes estrelas, 
gozando as divinas e eternais promessas de vida,  felizes, amando.
 
 DA OBRA AMOR PRA VIDA INTEIRA, DE PEDRO PAIVA
 
 
 
 
 
 
 

380

AMOR PRA VIDA INTEIRA

Não me importaria, meu amor,
se o meu Destino fosse morrer hoje.
Muito menos me importarei,
se minha sina for morrer amanhã.

O que me importa é te amar incondicional e intensamente
em todos os momentos da vida.
Seja no esplendor do Sol brilhando ao meio-dia no Céu,
seja na agonia da Luz morrendo no fim da Tarde.

E quando o amanhã chegar... (Se ainda houver amanhã)
e o golpe certeiro da morte sobrevier-me
e as lágrimas congelarem-se no teu rosto,
eu virei descongelá-las com o calor dos meus beijos.

E mais tarde, na férrea solidão do lar,
o tempo impiedoso, cruel, frio e indiferente
vier açoitar-te o corpo já cansado e exaurido pelos anos,
eu aquecê-lo-ei com o sopro quente da minha paixão
que transcenderá os abismos da Morte para te alentar.

Mas por agora, enquanto o tempo nos permite, vem me amar.
Não vamos pensar no que há de vir depois, minha querida!
De teu amor eu nunca hei de me cansar.
Se prometeres que de mim nunca vais te esquecer,
eu prometo te amar por toda a minha vida!
1 924

ENIGMA VII

Havia trevas na minha vida
até o dia em que os teus olhos
iluminaram o Mundo.
ENIGMAS

2 554

FERIDA ABERTA

Não te bastara tanto amor que a ti devotei?!
Contrariando o mundo aos teus pés me joguei
na vertigem de querer-te, n'ânsia de tanto te amar.
Por um instante,  refestelou-se-me a alma,
encrudesceu-me na fronte a estonteante febre.
E entre  delírios e delíquios do amor,   langues e breves,
passei pela vida como um louco a sonhar.

Equivoquei-me ao dedicar-te tanto afeto!
Profligaste um amor de que eu estava certo
só por prazer de ferir-me ou, quem sabe, me matar.
E hoje, à revelia do teu vil desafeto,
no meu peito ficou, para sempre, uma ferida aberta
que se não expunge e nem para de sangrar.

DA OBRA MEUS PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA
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Comentários (1)

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Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.

       Nascido em Altos- PI. Graduado e Pós-graduado em Letras/Português, Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Administração Pública. Pedro Paiva é professor de Portugês,  Literatura, Redação, Direito, Economia, Contabildiade, Estatística, Empreendedorismo,  Administração Financeira e Administração da Produção dos cursos de Administração, Contabilidade, Comércio e Informática. Exerceu os cargos de Gerente de Suporte do Banco do Brasil S.A,  Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Educação. Premiado em 1º lugar no I Concurso de Crônicas e Poesias Mário Quintana, promovido pela AABB, de São Paulo. Premiado em 2º lugar no Concurso Mostrando Poesia, promovido pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, campus de Campo Maior PI. Ex-Prefeito. Membro-fundador da Academia de Letras e Línguas Nativas Altoenses - ALLNA, ocupando a cadeira nº 03 que tem como patronesse Josefa de Paiva Macedo. Participação na coletânea CONTOS DE TERROR ALTOENSES. Autor da antologia poética AMOR PRA VIDA INTEIRA (prelo).