Lista de Poemas

ENIGMA IV

Borbulhante a verve fervendo nas veias
do vate vetusto com vênia e volúpia
entrelaçando, na forja, as imbricadas teias
de versos reversos.

Suado. Na lida atroz de todos os dias -
às duras penas - o artífice rude e persistente
vai alinhavando o poema   inconsútil.
E das batidas viris do malho férreo, ígneo e brutal
nasce  inverborrágica canção.

E no vértex da obra já totalmente pronta,
o louco poeta em v vincado
coloca acima, no título, o nome da santa, 
com sangue e suor na oficina talhada
pelo sagrado cinzel do poeta-a

ENIGMAS

 

 

700

EXPOSTAMENTE TEU, EXPLICITAMENTE MINHA

Vou cantar o amor indelevelmente
em todos os nuances e matizes.
O amor em formas absolutamente puras 
ou visceralmente íntimas e profundas.

Vou brindar o amor nascido
nos gestos atrevidos e incontidos
dos amantes e dos casais
sem dor, sem tristeza e sem os ais.

Vou viver um amor sem mistérios,
sem normas de conduta, sem regras,
sem os medos que a solidão provoca
e sem  os segredos de quem ama de forma descarada.
na continua correspondência 
de  corações que  pulsam juntos 
no mesmo ritmo e compasso.

É  assim que vou  te amar: 
escancarado e expostamente teu!
E é assim que vais me amarás:
nua e explicitamente minha!
558

ENIGMA IX

Quando as trevas  
desta Noite tenebrosa
se dissiparem na Luz
do Novo Tempo,
No limiar da Nova Era
Juntos bailaremos
na Grande Festa
em louvor da Vida. 

E com gritos de júbilo 
e cânticos de vitória
celebraremos o triunfo 
sobre a Morte que rir
muda, sarcástica
silenciosa e fria
agarrada aos muros negros
deste Século aprisionado na escuridão.
ENIGMAS

 

 

 

 

 

 

754

CANÇÃO DA CHUVA IV


No batuque, repique da chuva
os pingos caindo dos telhados
tal qual dourada e cúprea serpente
vai ensopando a vítrea poeira
do chão, em brasa, sapecado de sol.
A mãe-terra, feliz, acalenta no seio túmido
os frutos primeiros de fevereiros
chorando lágrimas de marços.
1 495

SEDE DE AMAR

Onde houver ódio,
farei desabar chuvas de amor
e tempestades de carinho.

E onde já houver amor,
bebê-lo-ei devagarinho,
pois o amor é feito água:
tem que ser bebido gole a gole.
515

ENIGMA VIII

Por uma estrada sem luz
o cavaleiro gentio passou
montado em seu cavalo alazão,
galopando sobre nuvens de algodão.

Pelas contas do rosário “bento”
todo crispado de estrelas,
a prece do crente revel
não encontrou o caminho pro céu.
ENIGMAS

757

SE ALGUM DIA

Se algum dia, meu amor, 
de mim tu te lembrares
e uma leve carícia 
perpassar-te o ser.
Sou eu que, apesar dos tristíssimos pesares,
não consegui deixar de te querer!

Mas, se algum dia,
por acinte, desprezo ou  vaidade
de mim tu te olvidares 
e nada mais reste
do
 que  pude ser.
Sou eu que, de tanto te amar sem me amarares, 
resolvi, meu amor,  também te esquecer!

DA OBRA MEUS  PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA.
552

ENIGMA II

O meu corpo em chamas deseja, seduz e profana 
teu corpo escultural que minh'alma voluptuosamente devora. 
Se só agora o meu pecado mortal me condena,
o teu veneno letal já me matou faz horas!

ENIGMAS

999

PACTO

Eu prometo te dar
o céu todo bordado de estrelas,
o mar que beija a praia deserta
no balanço agitado das marés.
A flor que brota solitária na roseira
e a lua azul que vem brincar faceira
na vidraça da nossa janela.

Prometo mandar embora a tristeza
para não ver no teu rosto
por mais leve que seja,
nenhuma expressão,
sombra qualquer
ou marca de desgosto
que embote na tua face linda
angelical e afável beleza.

Prometo fazer do teu sorriso
a mais doce expressão de alegria
e a razão maior do meu viver!
No colo, embalar-te todos os dias,
cantando a nossa canção preferida
que eu compus pra  fazer-te dormir 
e  te enternecer!
E mesmo que não baste, 
dar-te-ei de presente,
durante o tempo em que eu viver, 
os sóis de todas as manhãs 
e a luz de cada amanhecer.

A ti, devotar-te-ei a vida
que dentro de mim pulsa,
o coração ávido saltitando no peito,
a juventude alegre, 
a força e a coragem que em mim ainda restam!
E antes que o último sopro de vida passe
e dentro de mim a alma feneça, 
eu só te peço em troca de todo o carinho 
que tu, ó meu amor, nunca me esqueças!

 

 

 

 

630

DOR ÍNTIMA

Esta sombra que trazes no teu rosto,
marca profunda de dor e sofrimento,
de tristeza esparsa e  amargo desgosto,
de um mal terrível que te rói por dentro!
 
Quem ao ver-te assim rindo e bem disposto,
pela aparência se ilude com teu tormento.
Mas só tu sabes no teu ser descomposto
quantas mágoas e dores acalentas!
 
Tudo que nas faces mostras de contente
vai abrindo-te n’alma feridas ardentes
de um amor atroz, desprezível, ínfimo.
 
Na soma conjunta do bem com o mal,
e  após tirar da conta a prova final,
só  sobrou-te essa eterna dor no íntimo!

DA OBRA MEUS PRIMEIROS CANTOS, ENCANTOS E DESENCANTOS, DE PEDRO PAIVA
 
 
 
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Comentários (1)

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Meu caro Senhor Poeta...Pedro Paiva...Amor - mistério - e a eternidade ... somente o lado feminino consegue decifrar este enigma . Pois é de se amar mesmo este texto. felicidades. feliz ano novo. para ti e tua familia.

       Nascido em Altos- PI. Graduado e Pós-graduado em Letras/Português, Ciências Contábeis, Administração de Empresas, Administração Pública. Pedro Paiva é professor de Portugês,  Literatura, Redação, Direito, Economia, Contabildiade, Estatística, Empreendedorismo,  Administração Financeira e Administração da Produção dos cursos de Administração, Contabilidade, Comércio e Informática. Exerceu os cargos de Gerente de Suporte do Banco do Brasil S.A,  Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Secretário Municipal de Administração, Secretário Municipal de Educação. Premiado em 1º lugar no I Concurso de Crônicas e Poesias Mário Quintana, promovido pela AABB, de São Paulo. Premiado em 2º lugar no Concurso Mostrando Poesia, promovido pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI, campus de Campo Maior PI. Ex-Prefeito. Membro-fundador da Academia de Letras e Línguas Nativas Altoenses - ALLNA, ocupando a cadeira nº 03 que tem como patronesse Josefa de Paiva Macedo. Participação na coletânea CONTOS DE TERROR ALTOENSES. Autor da antologia poética AMOR PRA VIDA INTEIRA (prelo).