Pedrovizela

Pedrovizela

n. 0000-00-00, Guimarães

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tapetinho

Foste quem queria 
Por ti me tocava
Vinha-me, a ti via

Deusa que ambicionava
Sonhava, um dia te teria
Amada serias escrava

Por fim te deste
Não por inteiro
Não a primeiro 
E nem te vieste

Abriste o teu coração 
Abri o teu buraquinho 
Foi de gatas no chão 
Num mui fofo tapetinho

Para sempre ligados
P'los fluídos trocados
Amar dói se é em vão 
Anal dói mas dá tesão 

 

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Poemas

51

Meios

Não me vendo por meias palavras 
Nunca me terão com umas graças 
Este momento não está p’ra tiradas parvas
Com as sílabas todas me diz, se comigo engraças

Falar seus intentos sem mais rodeios
Juro-te ser dos melhores meios 
Se é p’ra acabar a noite bem sentada 
Nesta verga que creio é-te desejada
 

29

Nós dois é para sempre parte I

És meu novo vício 
Em teu ser me perco
Deste-me novo início 
Sem ti não sou, estou certo.

Antes de nós estava incompleto 
Adormecido agora desperto
Se me faltas adoeço
Não és tanto, és mais do que mereço

Terremotos vendavais, a força da natureza mãe não chega
Poder nenhum há que afete nossa afetuosa entrega
A gravidade que para ti me leva é elevada ao quadrado 
Este coração tens-lo selado, curado do muito sangue derramado.
 

35

Aconteceu magia

Aquando a fodia não se dava sexo acontecia magia
Por ser tanto o quanto queria eu esquecia que nesse dia se vivia
Dia de São Foder, alegria a minha de saber por trás a ir fazer
De fazermos o que não era amor, tão perto que estava da dor
Doía-nos o prazer que dava quando bem à bruta eu a montava 
 

25

Começar mal

Acordo mal dormido, de pensamento negro,
Em que hei-de acreditar, eu que agora tenho certezas de que tudo não passa de falsidade 
A crença que tenho em mim de que posso ter crença, desaparece.
Talvez se voltasse para o conforto dos lençóis
Me viessem pensamentos vencedores.

Em vez disso estou vencido, como se todos os meus sonhos de criança fossem irrealizáveis.
Dá-me um prazer vergonhoso imaginar-me no abismo, com vontade que a vida me dê empurrão que me faça dar o passo em frente.
Mas como que por um instinto de sobrevivência acho que me estão a ligar, e vou ao telefone.
Atendo e do outro lado está a tua voz, a dizer-me olá.
Recompondo-me do estado em estava, para bem ouvir o que me dizes
E o meu coração sorri.
 

32

O paciente primeiro

Essa mão que prescreve
É a mesma que subscreve
A ida nesse cruzeiro 
Por em vendas ser primeiro 

 

22

Auto epitáfio

Aqui jaz homem que sorria, lembrando que um dia aqui jazeria 
Lágrimas só de felicidade, não deixa nada disto saudade
É favor não rezar em latim, descanso eterno por fim.
 

31

O caminho

Onde estou eu? Ah conheço, onde não queria 
Que fazia eu p’la estrada que me trouxe onde temia, era isso e era nisso que pensava.
Errado não estava, era precisamente este o destino a que todo este ingrato tempo me recusava.
Agora que aqui estou que assim seja 
Que seja como Ele quer, se como eu queria não poderá ser
Se o ser que sou não é o certo, não sei quem seja que de mim irá fazer o eu que eu tenho sonhado vir a viver.
Que rico dia este para morrer 
Todos os dias são bons pra isso desde que esteja vivo e de boa saúde
Mas a caminho da ponte de onde vou dar o salto perco-me,
como me tenho perdido nos intentos da vida,
e dou por mim a sonhar vitórias destinadas a quem nasceu para vencer,
não a quem esteve ainda agora para morrer.

 

25

Epitáfio alternativo

Aqui jaz homem que viveu irreconhecido, e no amor nunca correspondido.
Que se lhe reconheça agora em morte, as qualidades e a maior falta de sorte.
 

28

E outra vez

Cerimónia fúnebre alegre
Descansa em paz personalidade 
Personagem que já não serve

O corpo está bom e recomenda-se
Fresco começo entenda-se
Desta para melhor
Desta será melhor 
Pior do que foi não fica
E se fôr melhor do que alguma vez sonhei?

É um novo dia
Bom dia com alegria 
Chávena do café na mão 
Olhos no topo da montanha 
Vindo do fundo do poço 
Do verde lodo renasço
 

32

O sôtor

O melhor doutor da vila
Muito formosa gente lá ia
Tão bem a todos lhes queria
Deste senhor só bem se ouvia

Eis que certo dia
A que sua amada se dizia
Lhe contou do que padecia 
Prestou conta do quão mal ia

Doutor, quanto me disser eu tudo faria!
Então ouça, que lhe quero bem querida menina:
Esqueça meus saberes que sei em medicina 
Bem coma, muito corra, pouco chore, e acima de tudo ria.

 

31

Comentários (1)

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Luciana

que isso jovem rsrs