Pedrovizela

Pedrovizela

n. 0000-00-00, Guimarães

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Discoteca

A minha namorada vai a discotecas 
Eu mesmo lhe peço que vá, a discotecas 
Antes ela não ia, muito porque eu lhe dizia 
P'ra que te quero a estar, onde muito é sabido e bem é certo te hão de tentar?

Agora ainda que a pense assediada, em meu pensamento não se passa nada 
Como não se passará, entre ela e quem hipoteticamente a assediará lá 

Um pouco de assédio nunca matou ninguém, à alma que de ego sofre até que faz um bem 
A gente humana gosta de se sentir desejada
Inda que não deseje dar em troco nada

Quando minha namorada vai à discoteca 
Livre fico pela biblioteca, onde escritos liberto pensamentos
A ela dá-se-lhe a liberdade para uns mais soltos merecidos momentos
E de trazer histórias p’ra me dizer, das que é no dar a nega que advém um prazer 

Se não confio e creio, como a se obriga bem formado namorado
Que queira ela ser a donzela de um outro que se mereça amado
Menos temo de cornos levar um par
Do que a impossibilidade de saber amar

Por absurdo muito que pareça 
Andar na desconfiança, mostrar descrença 
Mais deixa tua mulher p'ra ser tentada
Aos braços do que te a quer ver roubada
 

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Poemas

51

Feliz fim

Se eu acabar agora só eu é que acabo
Amanhã o sol está se tiver que estar 
Ou cai chuva se São Pedro mandar

Pior é quando o dia está triste 
É isso mais entristecedor que ter eu ido desta para melhor
A vida cá em baixo, que eu vou estar lá em cima, continua
Excepto para mim que já cá não voltarei, assim espero 

Mas, outros não pensam infelizmente com este pensamento e sofrem
É tristemente provável que por mim chorem lágrimas que podiam poupar, 
Em lugar de celebrar o dia com o ritual que deixei pedido em testamento,
E ver o muito desnecessário sofrimento de quem bem me quer, é a única dor que vou sofrer na hora em que  morrer.

 

31

Assim não

Tudo o que houve e havia, se não vai ou ia para lá do que devia,
Não me deixa nem um gosto, nem me põe melhor disposto.
Dos medos que gosto de ter, ter de sofrer por mediania, seria o que me mataria, aposto.
No meio pode estar a virtude, mas isso é coisa que me ilude, 
Quem cai do topo acaba de rastos no chão, não no medianamente bom.

 

27

Começar mal

Acordo mal dormido, de pensamento negro,
Em que hei-de acreditar, eu que agora tenho certezas de que tudo não passa de falsidade 
A crença que tenho em mim de que posso ter crença, desaparece.
Talvez se voltasse para o conforto dos lençóis
Me viessem pensamentos vencedores.

Em vez disso estou vencido, como se todos os meus sonhos de criança fossem irrealizáveis.
Dá-me um prazer vergonhoso imaginar-me no abismo, com vontade que a vida me dê empurrão que me faça dar o passo em frente.
Mas como que por um instinto de sobrevivência acho que me estão a ligar, e vou ao telefone.
Atendo e do outro lado está a tua voz, a dizer-me olá.
Recompondo-me do estado em estava, para bem ouvir o que me dizes
E o meu coração sorri.
 

35

O caminho

Onde estou eu? Ah conheço, onde não queria 
Que fazia eu p’la estrada que me trouxe onde temia, era isso e era nisso que pensava.
Errado não estava, era precisamente este o destino a que todo este ingrato tempo me recusava.
Agora que aqui estou que assim seja 
Que seja como Ele quer, se como eu queria não poderá ser
Se o ser que sou não é o certo, não sei quem seja que de mim irá fazer o eu que eu tenho sonhado vir a viver.
Que rico dia este para morrer 
Todos os dias são bons pra isso desde que esteja vivo e de boa saúde
Mas a caminho da ponte de onde vou dar o salto perco-me,
como me tenho perdido nos intentos da vida,
e dou por mim a sonhar vitórias destinadas a quem nasceu para vencer,
não a quem esteve ainda agora para morrer.

 

27

Epitáfio alternativo

Aqui jaz homem que viveu irreconhecido, e no amor nunca correspondido.
Que se lhe reconheça agora em morte, as qualidades e a maior falta de sorte.
 

29

Auto epitáfio

Aqui jaz homem que sorria, lembrando que um dia aqui jazeria 
Lágrimas só de felicidade, não deixa nada disto saudade
É favor não rezar em latim, descanso eterno por fim.
 

33

Nós é para sempre parte II

Afinal não foi para sempre
Faltou cumprir o prometido devido
Até mais límpida boca que seja, mente

Caminho de novo repetido 
De desconhecido, a mais que tudo, a desconhecido 
Ensinamento que desta seja aprendido 
Durante fudi-te, o fim deixa-me fodido.
 

102

O paciente primeiro

Essa mão que prescreve
É a mesma que subscreve
A ida nesse cruzeiro 
Por em vendas ser primeiro 

 

25

Nós dois é para sempre parte I

És meu novo vício 
Em teu ser me perco
Deste-me novo início 
Sem ti não sou, estou certo.

Antes de nós estava incompleto 
Adormecido agora desperto
Se me faltas adoeço
Não és tanto, és mais do que mereço

Terremotos vendavais, a força da natureza mãe não chega
Poder nenhum há que afete nossa afetuosa entrega
A gravidade que para ti me leva é elevada ao quadrado 
Este coração tens-lo selado, curado do muito sangue derramado.
 

35

Mal pensar

Nunca penso mal de ti,
Se pensas que penso fazes mau pensar e não devias.
Deixei-te conseguires-me não por vontade de te prender,
Mas com intenção de te libertar de uma hipótese pior do que mereces.

Por o momento não ser talvez o mais certo não vamos culpar-me,
Se não fôr agora quando? Se não fomos feitos um para o outro então para quem?
Em acaso de o azar bater à porta, lembra-me de o afugentar embora,
Se ele tem estado a teu lado faço-o perder o lugar para mim.

Num dia que achares ter sido engano ou erro, não sofras a sós em egoísmo, 
Não é vergonha ter-se medo do até que a minha provável morte nos separe.
Fôr essa a tua verdade não penses, nem consideres, nem te ponhas com planos de profundidade profundamente desnecessária.

Olha-me nos olhos, 
Vê se quem sou não é o único que queres.
Nesse caso acaba-se o caso, não fico eu em dívida,
Ficas tu a dever-me uma vida sem mim em que me fazes o favor de seres feliz.
 

31

Comentários (1)

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Luciana

que isso jovem rsrs