Pedrovizela

Pedrovizela

n. 0000-00-00, Guimarães

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Discoteca

A minha namorada vai a discotecas 
Eu mesmo lhe peço que vá, a discotecas 
Antes ela não ia, muito porque eu lhe dizia 
P'ra que te quero a estar, onde muito é sabido e bem é certo te hão de tentar?

Agora ainda que a pense assediada, em meu pensamento não se passa nada 
Como não se passará, entre ela e quem hipoteticamente a assediará lá 

Um pouco de assédio nunca matou ninguém, à alma que de ego sofre até que faz um bem 
A gente humana gosta de se sentir desejada
Inda que não deseje dar em troco nada

Quando minha namorada vai à discoteca 
Livre fico pela biblioteca, onde escritos liberto pensamentos
A ela dá-se-lhe a liberdade para uns mais soltos merecidos momentos
E de trazer histórias p’ra me dizer, das que é no dar a nega que advém um prazer 

Se não confio e creio, como a se obriga bem formado namorado
Que queira ela ser a donzela de um outro que se mereça amado
Menos temo de cornos levar um par
Do que a impossibilidade de saber amar

Por absurdo muito que pareça 
Andar na desconfiança, mostrar descrença 
Mais deixa tua mulher p'ra ser tentada
Aos braços do que te a quer ver roubada
 

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Poemas

51

Eu, Luso

Estou triste 
Razão para, não existe 
Existo como português 
Por isso, digo, é com tristeza que estou
Não sei o porque ela me ficou, nem quem foi que ma fez.

Levanto-me e o primeiríssimo pé que fora de portas se põe já leva atraso
Chego despreocupado, é-me estrangeiro ver-me julgado, ao que parece há quem faça caso 
Como que se por acaso, não fosse lusitano o sangue que me corre na alma.
Torno com resposta calma, e fico perplexo com as aspirações que meus conterrâneos irmãos têm p’ra mim.

Não sou bancário do norte da Europa, empresário americano, nem empregado de escritório japonês, que pelo minuto de atraso quase ficou sem escritório
Com orgulho por ser de quem me fez, é como devia acordar e sentir aquele que se diz bom Português. 

 

35

Capital questão

Comprar ou não comprar, eis a capital capitalista questão 
É uma que muito me massa, é meu costume ter uma em mão 
Ontem sonhei com isso, hoje acordo e está em promoção 
Tem-no o primo, tem-no o vizinho, tem-no a pessoa quero quero mas talvez não a tenha por não ter.
Fica caro mas reparo que tendo não fico à parte, disso tenho-me visto farto
Ter é poder e quero o poder de ter, por deter
Tem dinheiro compra, não tem pede emprestado, ou vai-se pagando mal pago.
Agora que o tenho, não é por ter que melhor me venho, nem me sabe melhor o comer.

 

22

Bom sabor

Sobe de meu saboroso sabre o suculento sumo p’ra essa sedenta boca
Saudosa sentes-te louca, sabias que não serias completa até que completamente me engolias
Imaculado gosto em incautos teus lábios que o estavam quando eu em ti jorrava o que p’ra teus seios se deixou escorrer 
Demonstra teu deleite assim que provas de meu leite, o demais que deveras sentes por este teu delicioso Deus.
 

23

Com dor

Amor rima com dor por isso intimida
Amar é por-se a jeito de ser magoado
Entregar-se é o real acto de valentia 
Os cobardes esses não se dão a ninguém
 

31

Por ti por tu gal

Pedaço de terra de fado
Bem à beira atlântico atracado 
Espadas erguidas em luta por cada metro 
É pois sabido e certo, que batalhas foram e são perdidas
A guerra essa será finalmente nossa
Como nossa é a ilustre história que nos deixou mossa
De pé estamos e ficaremos, deixamos só quando morremos.
 

28

Oralidade 2

Quem não o toma por completo que não diga amar completamente 
Se a garganta não vai a fundo, não será assim profundo, aquilo que se sente
Sufocar nele  é forma de assegurar que se quer mais agradar do que o próprio ar.
A potencia com que mamas muito diz da força com que amas.
Se não és feliz com ela na boca vai ser amor de dura pouca.
 

32

Verdade já antiga

Ajude-me a ajudar quem não age ou ache que de ajuda precisa 
Pior que quem mal faz, é e está o bom da fita que contra o mal feito, fica 
O crime cometido vai se deixar esquecido, assim que o ajudante intrometido chegar inconformado e convencido do bem que vem fazer 
Sofre o vitimado que dispensa ser ajudado, e sofre o bem feitor que também a si mesmo conseguiu trazer dor 

Quem sai sem sofrimento é o vil verdadeiro vilão 
Aí vai ele inevitavelmente impune, bem absolvido mesmo que bem abusador 
Se a de Deus não lhe cai em cima, cairá nele esta mão que opina 
Se o réu não vai à justiça, vai p’ró céu p'la praticada injustiça, esse grande estupor. 
 

38

Quero ser caro

Fui amigo de um qualquer amigo e lixei-me
Amei quem não estava para ser amado e sofri
Aceitei não o melhor, mas um que não fosse o pior
Não me importei mas também não fui feliz 
Disse isto chega, não pedi mais e por isso Deus não mo concedeu.

Vou de metro, passo o passe para poder possivelmente depois passar o desconforto de ser mal assediado,
O cheiro que chega do sovaco do lado não é o do sucesso que digo sonhar para mim.

Se aquele que não é nada mas nasceu com tudo acha sempre que merece ainda mais, eu que sou como penso que sou não mereço do melhor?
Ao achar estas palavras levanto-me decididamente decidido, e compro o bilhete de primeira classe que me saiu caro, mas poupou-me de uma vida de segunda.

 

32

Olhar certeiro

Quem p'ra lá não deita os olhinhos 
Distraído tanto anda da vida
Ou mente com todos dentinhos 
Achando a gente convencida 

Nunca mente a forma de um traseiro 
Que é para onde sempre eu olho primeiro.
Quando o cu é bom com ele está um bom coração.

Se é triste a vista que viste
Não penses que vale a pena 
É que nenhum esforço o vale (a pena)
Quando mal feita de formas é a pequena.
 

43

Eh touro lindo

O problema é o touro
Tu serás forcado
A regra é de ouro
Pegá-lo é complicado 
Mas ao fugires p´la arena
Amigo sinto imensa pena
Essa tua noite vai ser sofrida
Viver com medo, que puta de vida 
 

21

Comentários (1)

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Luciana

que isso jovem rsrs