Lista de Poemas
Esquizocrônica - Estereótipo na selva jungle de pedra
Ah o sofrimento, o sentimento, quem se perde nas sensações de não encontrar na vida nenhuma resposta, nenhuma direção. Passar todo essa temporada como se estivesse dormindo o mais profundo dos sonos. esperando o acordar que nunca ia chegarde novo. Ou de olhar estalado jazer de quasi-pensamento eterno na onda jungle -, hippies de concreto dessa vez despertando o mais ligeiro já que aquele torpor todo do estereotipado cristalizou fábrica de ervas nascendo em mentira para curar a falta da melhor das drogas que em verdade um viciado qualquer só ouviu falar mas já fantasiava, chegando à abstinência incontrolável. Nem ainda o mal-estar, mas a fissura mesmo daquele gosto andino danado que, na falta só curaria claro com chá do Santo Daime ou erva de Santa Maria -, ainda do velho hippie.Esquizocrônica - Estereótipo na selva jungle de pedra
Rastro Esponjoso
Rastro Esponjoso
Osso e ovo podre friccionais
das sobras de dentro a empelotar,
o suor unta de cor a elasticidade
e vira sombra de escuro cósmico.
Como o mar a pupila dilata,
um despetalar desaforado emana
pescoço, encolhe as bases móveis,
não tem como esconder a entranha,
o arco de fogo anuncia o gozo.
Circula no tecido um azeite transformador
de consistência, fermenta a sopa do limo
a papa amarga e o seboso orifício
feminino entorna quando a boca
inunda da cartilagem fonte dos prazeres.
Não se sabe o estado direito,
apenas a coluna atravessada dá quóruns
a paisagem de expansão dos caldos santificados,
na loucura reside seu maior tesouro
fumaça condensada na forma brasa
banhos psicoativos e ferro fundido.
Fonte da Ternura
Amor escorre como maná dos céus
pela terra da fissura e da certeza
explode a bolha do infindo
o mais curto entre a boca e a biqueira,
após a destruição a inspiração
liberta o sentimento do peito
e planta a semente da paz
no monte de água límpida,
banha a alma na alegria
da gente, o mais puro néctar
decantado do lodo das gerações.
Aos poucos chega para todos,
o que há é uma amostra
do que virá transbordar,
o tesouro cada ora com um
viaja como árvore sintonizada,
essência de lance maioral
supõe transparente a paixão
muitos apostarem no sonho
que o belo, a verdade e a vida
dos altos do paraíso feitura
vem ser uma coisa só.
O Caminho da Poesia
O Caminho da Poesia
- Não sei, - pronto -, falei! Tipo assim,
pode acreditá, o barato é bom sim...
Escreve nü o que deu na cabeça,
depois pensa se ficou a beça.
Ninguém merece, pela madrugada,
iludir-se por causa de um risco!
No final faz mais sentido um cisco?
Deixa para lá, cola na calada:
se pá despetalá é nós sem filtro -,
morô agito transado broto bacana;
borra-botas na tinta bola filme de rolo
cor do pecado chuchu beleza, botequim -
com sorriso e lá vai fumaça no festim.
Lua Senil
Lua Senil
Pedra solta de esclerose
traz o horizonte mais próximo
de si como loucos nus
no fado de encontros eternos.
Como postes de controle
a luz debaixo faz
sombra, encima emaranhado.
Antro de Insolação
Antro de Insolação
Dos primórdios entre um explodir e outro
as mucosas vêm fazendo sua parte
no agasalhar e distribuir fumaças.
Faz das rosas leitosas violeta escura
liberta dentro da escuridão fria,
vem do sol enquanto vida na floresta
vai como se não morresse
a fonte de esplendor a suprir o cosmos.
A resposta é incessante arbitrária
conservadora de movimentos ilusórios,
por isso miremo-nos nos voadores
que vêm à terra para polinizar
mas sobretudo por prazer primitivo
amar é abrir espaços protegido.
Amar é desapegar e é seu apego
sofrer é aceitar sem sua dureza
persistir é agradar embora sua fraqueza
encarnar é ser por sua grandeza
apaixonar é libertar o ego casto
sentir é preservar a arte de amar.
Interiorizou-se toda noção familiar
aconchegando o pó doce da pira
fruto do amadurecimento eterno dos caracteres
transcendentais irradiando algo mais
santo a arder nas paredes de solidão,
sem chão esperando descer do céu
quem sabe um pouco de alento,
se o mal não voltou desse tempo
o sabor há de vencer no final.
Queimados, 2014
Galeria Retrô
Ao longe se sente a voz da arte,
o caminho são todo vozes levantadas
feito brasas em contorno de obra.
Tragos e o grande final são
acompanhados de um leve crepitar,
as peles ganham vibração e tocam,
aos sentidos se somam novamente,
cor e cheiro são seu éter.
Seu sangue irriga e traz
a ideia da profundeza da terra.
Antes de sair da unidade
o desapego é a menor energia,
o horizonte uma seleta de auroras
cercada de espelhos convexos,
o reflexo a substância do ser.
O eco são adornos de rocha
locupletando eus-líricos hermafroditas
para honrar os tons superiores,
um dia que fosse por origem.
Fica fácil seguir os tempos
das colunas vis da engrenagem viciando
a partir das lascas que restam.
07/09
O fundo da caverninha de capiroto
O fundo da caverninha de capiroto
Tudo é o presente
nada é o passado
voa é o futuro
fica é o bate
frente é o lado
trás é o balde
vista é o cachimbo
e o pouco é o material
Terra dos 8000, 2014
O Pé
O Pé
Faz o pé a mão
o regue cotidiano,
Salvação do Céu da Vida,
afagos com carinho
tão mais belo
quanto herbáceo,
planta que liga
a alma da Terra.
E a Terra te são
por descanso,
a via do refrigério é o pé,
ao ser o primeiro
querido por si
descalço nos verões e invernos
vencendo o primeiro calo,
iluminando a sombra
do frescor que és
e sabe que vai dar pé.
Cuida bem de seu pé,
ilumina nossos corações
que sobra até aos amarelecidos.
O diferente só pira
as feições que não esverdeiam,
à toa ou tanto mais
a um sorriso ou pulo
dá pé pêlos e carne
pra depois dar contornos,
surreal das encravadas.
A dureza da rocha
não chega aos pés
outra coisa senão o próprio.
Resume com a cor dos olhos
a ópera de concerto mental
alinhavando a festa no quintal
esse seu tão desse...
Todo mundo acorda,
mas só o Pé vive dormindo.
Só acorda no samba,
no futebol
ou nas cadeiras rock'n roll.
Trepadeira Luminosa
Trepadeira Luminosa
Um olhar de soslaio de vento
escorre por sobre as mãos.
Amanhã escreve
porque se embora fosse
nas cavalgaduras vorazes
o agora sempre vingaria.
O tique não passa
dos pés e juntas raízes.
Debaixo das vizinhanças
a saia levanta meia,
nua flor ensaboada.
O sorriso nos núcleos
da esfera nasal retinha
sobe de bate-pronto.
Os ouvidos atentos lembram
das boas conversas de trepa-
trepa dos tempos dourados.
A corrida dos membros de cor
avermelha pó de pensamento
clone universal vital.
A folha cai de sobre-aviso
e é letra que vai mudar.
Sol vai explodir bum-bum.
Galáxia vai pirar pum.
A lua vai crescer
com a nervura meteoro
buracos branco-e-preto
encima embaixo povo povoa.
A fogueira ilumina o céu,
a estrela esquenta pelos
orifícios partículas de peles
a boa-nova, é o abraço
dos galhos cheios do cálice
sumo atraente do beijo da criança.
Arvolê, 22/08/2014
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