Lista de Poemas

Esquizocrônica - Estereótipo na selva jungle de pedra

Esquizocrônica - Estereótipo na selva jungle de pedra

Ah o sofrimento, o sentimento, quem se perde nas sensações de não encontrar na vida nenhuma resposta, nenhuma direção. Passar todo essa temporada como se estivesse dormindo o mais profundo dos sonos. esperando o acordar que nunca ia chegarde novo. Ou de olhar estalado jazer de quasi-pensamento eterno na onda jungle -, hippies de concreto dessa vez despertando o mais ligeiro já que aquele torpor todo do estereotipado cristalizou fábrica de ervas nascendo em mentira para curar a falta da melhor das drogas que em verdade um viciado qualquer só ouviu falar mas já fantasiava, chegando à abstinência incontrolável. Nem ainda o mal-estar, mas a fissura mesmo daquele gosto andino danado que, na falta só curaria claro com chá do Santo Daime ou erva de Santa Maria -, ainda do velho hippie.

520

Rastro Esponjoso

Rastro Esponjoso

Osso e ovo podre friccionais

das sobras de dentro a empelotar,

o suor unta de cor a elasticidade

e vira sombra de escuro cósmico.

Como o mar a pupila dilata,

um despetalar desaforado emana

pescoço, encolhe as bases móveis,

não tem como esconder a entranha,

o arco de fogo anuncia o gozo.

Circula no tecido um azeite transformador

de consistência, fermenta a sopa do limo

a papa amarga e o seboso orifício

feminino entorna quando a boca

inunda da cartilagem fonte dos prazeres.

Não se sabe o estado direito,

apenas a coluna atravessada dá quóruns

a paisagem de expansão dos caldos santificados,

na loucura reside seu maior tesouro

fumaça condensada na forma brasa

banhos psicoativos e ferro fundido.

563

Fonte da Ternura

Amor escorre como maná dos céus

pela terra da fissura e da certeza

explode a bolha do infindo

o mais curto entre a boca e a biqueira,

após a destruição a inspiração

liberta o sentimento do peito

e planta a semente da paz

no monte de água límpida,

banha a alma na alegria

da gente, o mais puro néctar

decantado do lodo das gerações.

Aos poucos chega para todos,

o que há é uma amostra

do que virá transbordar,

o tesouro cada ora com um

viaja como árvore sintonizada,

essência de lance maioral

supõe transparente a paixão

muitos apostarem no sonho

que o belo, a verdade e a vida

dos altos do paraíso feitura

vem ser uma coisa só.

541

O Caminho da Poesia

O Caminho da Poesia

- Não sei, - pronto -, falei! Tipo assim,

pode acreditá, o barato é bom sim...

Escreve nü o que deu na cabeça,

depois pensa se ficou a beça.

Ninguém merece, pela madrugada,

iludir-se por causa de um risco!

No final faz mais sentido um cisco?

Deixa para lá, cola na calada:

se pá despetalá é nós sem filtro -,

morô agito transado broto bacana;

borra-botas na tinta bola filme de rolo

cor do pecado chuchu beleza, botequim -

com sorriso e lá vai fumaça no festim.

504

Lua Senil

Lua Senil

Pedra solta de esclerose

traz o horizonte mais próximo

de si como loucos nus

no fado de encontros eternos.

Como postes de controle

a luz debaixo faz

sombra, encima emaranhado.

537

Antro de Insolação

Antro de Insolação

Dos primórdios entre um explodir e outro

as mucosas vêm fazendo sua parte

no agasalhar e distribuir fumaças.

Faz das rosas leitosas violeta escura

liberta dentro da escuridão fria,

vem do sol enquanto vida na floresta

vai como se não morresse

a fonte de esplendor a suprir o cosmos.

A resposta é incessante arbitrária

conservadora de movimentos ilusórios,

por isso miremo-nos nos voadores

que vêm à terra para polinizar

mas sobretudo por prazer primitivo

amar é abrir espaços protegido.

Amar é desapegar e é seu apego

sofrer é aceitar sem sua dureza

persistir é agradar embora sua fraqueza

encarnar é ser por sua grandeza

apaixonar é libertar o ego casto

sentir é preservar a arte de amar.

Interiorizou-se toda noção familiar

aconchegando o pó doce da pira

fruto do amadurecimento eterno dos caracteres

transcendentais irradiando algo mais

santo a arder nas paredes de solidão,

sem chão esperando descer do céu

quem sabe um pouco de alento,

se o mal não voltou desse tempo

o sabor há de vencer no final.

Queimados, 2014

596

Galeria Retrô

Ao longe se sente a voz da arte,


o caminho são todo vozes levantadas


feito brasas em contorno de obra.


Tragos e o grande final são


acompanhados de um leve crepitar,


as peles ganham vibração e tocam,


aos sentidos se somam novamente,


cor e cheiro são seu éter.


Seu sangue irriga e traz


a ideia da profundeza da terra.


Antes de sair da unidade


o desapego é a menor energia,


o horizonte uma seleta de auroras


cercada de espelhos convexos,


o reflexo a substância do ser.


O eco são adornos de rocha


locupletando eus-líricos hermafroditas


para honrar os tons superiores,


um dia que fosse por origem.


Fica fácil seguir os tempos


das colunas vis da engrenagem viciando


a partir das lascas que restam.


07/09

560

O fundo da caverninha de capiroto

O fundo da caverninha de capiroto

Tudo é o presente

nada é o passado

voa é o futuro

fica é o bate

frente é o lado

trás é o balde

vista é o cachimbo

e o pouco é o material

Terra dos 8000, 2014

538

O Pé

O Pé

Faz o pé a mão

o regue cotidiano,

Salvação do Céu da Vida,

afagos com carinho

tão mais belo

quanto herbáceo,

planta que liga

a alma da Terra.

E a Terra te são

por descanso,

a via do refrigério é o pé,

ao ser o primeiro

querido por si

descalço nos verões e invernos

vencendo o primeiro calo,

iluminando a sombra

do frescor que és

e sabe que vai dar pé.

Cuida bem de seu pé,

ilumina nossos corações

que sobra até aos amarelecidos.

O diferente só pira

as feições que não esverdeiam,

à toa ou tanto mais

a um sorriso ou pulo

dá pé pêlos e carne

pra depois dar contornos,

surreal das encravadas.

A dureza da rocha

não chega aos pés

outra coisa senão o próprio.

Resume com a cor dos olhos

a ópera de concerto mental

alinhavando a festa no quintal

esse seu tão desse...

Todo mundo acorda,

mas só o Pé vive dormindo.

Só acorda no samba,

no futebol

ou nas cadeiras rock'n roll.

540

Trepadeira Luminosa

Trepadeira Luminosa
Um olhar de soslaio de vento
escorre por sobre as mãos.
Amanhã escreve
porque se embora fosse
nas cavalgaduras vorazes
o agora sempre vingaria.
O tique não passa
dos pés e juntas raízes.
Debaixo das vizinhanças
a saia levanta meia,
nua flor ensaboada.
O sorriso nos núcleos
da esfera nasal retinha
sobe de bate-pronto.
Os ouvidos atentos lembram
das boas conversas de trepa-
trepa dos tempos dourados.
A corrida dos membros de cor
avermelha pó de pensamento
clone universal vital.
A folha cai de sobre-aviso
e é letra que vai mudar.
Sol vai explodir bum-bum.
Galáxia vai pirar pum.
A lua vai crescer
com a nervura meteoro
buracos branco-e-preto
encima embaixo povo povoa.
A fogueira ilumina o céu,
a estrela esquenta pelos
orifícios partículas de peles
a boa-nova, é o abraço
dos galhos cheios do cálice
sumo atraente do beijo da criança.
Arvolê, 22/08/2014

513

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Trago com a poesia as novas do Reino de Deus, conexão psicotrópica e liberdade de expressão.