NÃO ME POSSO DEIXAR DE SER
... queres desconfiar? desconfia, pois, daqueles que se dizem normais e puritanos, pois padecem certamente da grande variabilidade que há na abnormidade humana.
SOLIDÃO
Uma noite só, e outra, e tantas, em sucessivas escolhas por silentes solidões às madrugadas frias, com angustiosas - e algumas cândidas, mas não menos dolorosas - reminiscências de caminhos e descaminhos tantas vezes trilhados por aí; e, assim, o deserto vai se firmando como amargo remédio - ou refúgio -, com suas coleções de destroços e vazios, nesses mal traçados versos que andais lendo por aqui.
O MAR QUE ME AFOGA
Eu sei que estás comigo, como companheira, amiga e amante. Eu sei que tens me compreendido e me estendido a mão em ajuda. Eu sei que ando estressado, nervosa, muitas vezes descontrolado e em chuvas de fogo, E eu sei que isso demasiado te machuca, Mas eu tenho lutado muito contra meu maior inimingo, eu mesmo, e tenho sentido que venço algumas batalhas, mas para ele perco as guerras durante os quarenta e sete anos de minha vida. Eu juro que queria ser melhor, mais gentil e dedicado e compreensivo amantepara ti, sem essas minhas sencientes reações imprevisíveis e absurdas. Eu me sinto destruído quando vejo uma lágria a corer em teu rosto, provocada pelas minhas insanas tempestades loucas. E, embora eu não saiba amar, quero dizer que te amo, e eu ainda ouvirei nossa música, mas temo que não por muito tempo mais tempo, eu venci muitos frontes, mas agora eu já me sinto muito fraco e cansado. E, mesmo não sendo bom para ti, eu sei de tuas espiritualidade, de tua fé e de tua força, e gostaria te te fazer um pedido, neste momento em que me sinto em iminência de partir ao apagamento: "Quando me morrer, poderias acender para mim uma vela por dia, se possíve, ou se for muito trabalho, uma vela por semana pelo menos? Eu suplico!
É CURIOSO COMO PODEMOS NOS NEGAR QUE SOMOS CRUÉIS?
Aos 47
eu já sou uma causa
perdida,
e tu ainda
ficas querendo que eu arranje
forças para lutar
por um amor
sob um sol de verão
por nós dois,
sem sequer
me estender uma mão para
ajudar em qualquer
coisa,
enquanto
estou já me congelando
(semimorto) ao árido e hiemal
deserto?
PARA SEMPRE
Para sempre
surgiu, entre ele e ela,
um alucinado, mágico
e estranho amor,
à medida em que
a luz foi acendendo de ambos
as sombras:
para sempre
se lhes acentaram dores terríveis
devido a fatais chuvas
de fogo,
para sempre,
depois que as sombras retomaram
seu fulgor, choraram, mergulharndo
ambos em angústia
e dor!
MARES SOTURNOS
Uma formiga-feiticeira corre sem parar, por sinuosas trilhas, imaginando ser uma pura e esplende águia; carrega néons às mãos e à boca, cuspindo clarões aos iludidos céus e concupiscências aos quentes corpos dos demais bundas-de-ouro: à noite, ela se chove (em avessos escuros e cernientes destroços) às mais frágeis almas.
O INTERIOR DO DESERTO
... fragmentos fantasmagóricos estouram para todos os lados de minha mente, (Ana, antes de partir, deixara ao deserto um absurdo um estrado): cicatrizes mal cicatrizadas, o chão coberto por cinzas de chuvas suadas, ataques de erotismo me moveram à altura de poucos metros, mas incapazes de manter abertas minhas asas; do escuro e dos restos que me sobrei à singular secura de mim mesmo, amaldiçoo os céus, o sol dos poetas, as estrelas das inspirações e os sapiens anjos que bancam os profetas!
DISSIMULAÇÕES
Se eu fosse menos dissimulado, revelaria todos os meus espelhos para que eles mostrassem claramente meus túrbidos reflexos; mas como não sou, podeis ainda me descortinar quando vos tento revelar nos vossos.
A VAIDADE É ALGO EXCLUSIVO DO SER
A fome e sede do neandertal sapiens, por viver e voar sem crer em seus parceiros enfermos é tanta que, em presenças de desejos fantasias e insânias, permitem se instalar a horrenda condição do medo; e, entre chuvas incontidas, esquecem-se, às vezes, do que possa haver de mais importante: a doação gratuita de um sublime e verdadeiro amor incondicional.
A LUA E A LÂMINA
Há, na dádiva e na promessa incautamente apalavradas, um ominoso engano do encanto, já porvindouramente condenado pela desmemória imposta por outros sapienes atores, com suas palavras tremeluzidas, com suas atuações espetaculares e com suas performances sexuais, servidas em suas casas, em seus palcos e em seus leitos caudais.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*