Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... nem aí, nem aqui, nem numa praia, nem numásítio, nem do outro lado do mundo,
nem em lugar nenhum eu tento voar novamente além das nuvens, esperançar-me novamente além do minuto presente
nem mergulhar-me novamente em algum profundo amor ou em qualquer outro, do ser, profundo escuro!
206
NEM THOR NEM PÉRICLES DEVEM DEIXAR LEMBRANÇAS OU LEGADOS
... quando a morte chegar que eu seja despido das roupas, das elucubrações, das visões e dos jugos sapiens;
quando a morte chegar que abandonem meus poemas, meus versos e os deixem soltos correndo ao ar;
quando eu morrer não quero que chorem, que lamentem, nem que desejem que eu esteja mais aqui neste lugar;
quando eu morrer querem que deixa o homem partir, deixem a poesia se perder, deixem os julgamentos para o Eterno,
que eu, se possível, também me porei nu, livre de qualquer coisa deste mundo de loucos adultos
para me partir como um inocente menino que fui durante minha longínqua infância perdida!
And you will be there to greet me!
133
A LIBERDADE DE LILITH
Quando ela arrombou a porta rompendo todas as correntes,
montou no dorso do vento e saiu, desenhando aos ares seus sonhos, desejos e fantasias,
com tal fome e sede que tudo pôs ao leito,
onde bebeu e comeu a se fartar, ora como sublime puritana, ora como decaída meretriz;
antes de retornar a casa onde se sentia prisioneira,
na vã tentativa de se recompor do tresloucado espetáculo de imagens.
113
ÀS VEZES, É PRECISO SE DESERTIFICAR
Quando sombras, e as piores, revelam-se nos cernes,
devemos considerar o suicídio de nossas fluorescências neon,
de nossos sonhos abstratos e de nossas esperanças exíguas;
como uma silente solução, para não mais ferir, a espinhos, lanças e punhais verborrágicos,
os que ainda ousam, sublimemente, pintarem o desalinho com suas cores e inspirações etéreas.
123
UM ANJO EM DIA DE DESCONTROLE
Foi de repente, em um dia de chuva de verão,
ela chegou de repente toda se ardendo em fogo incontente
e me pediu para abraça-la, para beijá-la, para amá-la e para fodê-la.
Estanquei de repente, surpreso, mas logo liberei a corrente e a levei para cama
e aquele mar estava tão trepidante e quente que quase fez transbordar involuntariamente minhas margens,
mas tinha de ser domado, porque aquele mar se fora feito com chamas de ego;
e então deixe pular, dançar, e me simulei de um deus metedor, e deixei esfregar, e chupar, e meter, e esfregar mais
até que o mar se acalmou, e eu ouvi o que queria ouvir com uma voz fraca, suspirantes vindo daquele corpo de anjo todo transpirado: "Nossa, eu estou cansada!"
194
EU NEM ACREDITAVA NO AMOR
Tua ausência, há mais de ano ainda
me apavora;
ao ruído do relógio na parede, de madrugada, é como se eu sentisse teu respirar e teu pulso ainda presentes na hora:
sempre deixo a luz apagada, para não ver, com meus olhos, o vazio que a luz tras diante do espelho
de minha cômoda vazia, onde guardo os tristes poemas que tenho andado a fazer com a dor quem em mim brota!
153
OS FANTASMAS DO AMOR
Fantasmas são memórias e lembranças enterradas forçosamente
que, ao som de um violino ou de um piano triste em noites solitárias,
insistem em sair do túmulo e vir querer tomarem novamente, com dor e angústia, suas passadas vítimas!
230
E ME TORNEI A PRÓPRIA TEMPESTADE
... desde que comecei a crescer na chuva, comecei a me habituar com tempestades;
mais louco que eu é quem nelas entra, querendo esconder anjos e nuvens em sublimes imagens fulguradas:
assim, aos céus tudo se varre, sobrando só os destroços, os vazios e os nadas.
203
DAQUELE GRANDE AMOR
... daquele grande amor, louco, embriagado, desenfreado
e daquelas chuvas de fogo, daqueles passados tropeços e daquelas passadas tristezas,
tudo semeado e colhido ao longo de mais de oito anos,
ficou um vazio tão grande, depois que te foste, que nenhuma flor mais me encanta e nenhum espinho mais me machuca
à escura nódoa da grande, fria e solitária noite em que me encontro!
183
EM SONHO, OUVIRÁS MEU NOME!
Eu sempre disse a flores, beldades e anjos
que ao meu deserto adentraram:
cuidado com o que permitires sentir,
porque me amar não é nada fácil:
sou feito de espinhos, tenho as bordas afiadas como navalhas,
por eu ser um niilista humano, faltam-me, obvilmente, várias partes que supostamente queiras,
ah, e me viciei demasiado com o silêncios de minhas próprias e secretas tempestades!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*