Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Nuvem que carrega esplendores e tempestades, não sei exatamente quando perdi minha paz ilhada,
mas ainda me lembro de quando caminhava por uma estrada sinuosa e esburacada, e você chegou sem hesitar, toda alvissarada.
Ainda não tinhas a adaga nem o verbo afiado - eras só flores e sonhos esplendorosamente anuviados, que me davas com gosto declarado -,
isso veio depois, bem depois de andarmos por serras e montes elevados; e eu nem me lembro mais de quando nos caímos pela primeira vez, mas a terra tremeu sob meus pés e as sombras balouçaram às minhas madrugadas.
Até tentei fugir do iminente naufrágio, mas todas as portas e janelas já estavam fechadas, e a bela luz da morte de não sentir, de não querer, de não amar já havia inexoravelmente me abandonado;
hoje tomo meu café, fumo meu cigarro de palha enrolado e ando pelas avenidas dos vivos e dos mortos, com o pouco que de mim haja restado,
que todo o mais a ti também fora com mesmo gosto ofertado sob sóis e chuvas, às noites e às noites ausentes, entre as brisas e as tempestades ferventes neste incomensurável, mas ébrio amor degenerado.
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EM CERTAS NOITES
Em certas noites, ela chegava tentando esboçar um sorriso amarelo como quem tenta levantar mil toneladas,
acomodava-se em silêncio e, de repente, começava a manusear o verbo volátil como um hábil malabarista de adagas afiadas;
e eu, espremido entre a tentativa de manutenção da calma e a entenebrecida vontade de reagir com o ego em chamas.
Sim, em certas noites - prolíficas em chuvas e sombras - não parecia ser ela que estava ali na minha frente, com o siso do ego inflamado.
Nestas noites, dava para perceber a dolorosa confusão que lhe havia entre paradoxais labirintos da mente,
como que perdida entre sinuosas trilhas de lava-pés tendo que decidir, sufocada e angustiadamente, que caminho tomar com relação a nós dois, que nos pendulávamos incautos entre o voo e a queda, o amor e a cólera, a loucura e a sanidade, a vida e a morte, enfim.
Sim, dava até para sentir os gritos de dor como que a pedir socorro, ao grande sonho de nuvens brancas que se iam tingindo de sombras nossas.
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ELA EM MINHA VIDA
É raro eu não me lembrar dela;
é raro quando, ao me recordar daqueles momentos em que visitávamos juntos infinitos,
não me correr uma lágrima dos olhos por ela;
é extremamente raro eu sorrir, tentar me iludir novamente com algum amor colorido,
beijar, abraçar, transar ou qualquer outra coisa no jardim da vida
sem o impacto doloroso, angustiante e intermitente da perda dela!
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AS LUZES E SOMBRAS NOSSAS
Acaso a luz pode adentrar as profundezas côncavas de vossas sombras, para que continueis vos achando assim tão inocentes,
enquanto mal conseguis intransitivar o verbo às elucubrações e julgos proferidos aos dissidentes semelhantes?
Acaso já destes mais que um paus e uns trocados às putas em seus leitos mordacentos,
enquanto vos derramas em amores, lavores e sublimes ensinamentos junto a vossos amigos, esposas e famílias?
Acaso já vivenciastes de modo pleno, alguma vez que seja, o vasto limite das purezas divinas que vós mesmos inventastes
- e das quais tanto vos regozijais -,
enquanto vos escorres dissimuladamente com mãos, sexos, fantasias, insânias e verbos por recantos escondidos de graciosas obscuridades?
Ora, caríssimos menestréis e doutos formados em luzes artificiais; se já, então podeis atirar a este cão as piores pedras.
159
AMO EM SILÊNCIO
Nenhum sorriso quimericamenteforjado, artificialmente colorido, mesmo que belo, mas fictício;
nenhum ato íntimo, dos beijos, às chupadas mais excitantes e às gozadas mais intensas;
nenhuma palavra que sugira um amor que não seja sincere, confiável e que não se demonstre em fortes paradoxos os dois lados da semente
pode substituir a docilidade - longe da sombra de qualquer engano espigado, falado ou moldado - no amor alicerçado no silêncio!
184
A LIBERDADE DE LILITH
Quando ela arrombou a porta rompendo todas as correntes,
montou no dorso do vento e saiu, desenhando aos ares seus sonhos, desejos e fantasias,
com tal fome e sede que tudo pôs ao leito,
onde bebeu e comeu a se fartar, ora como sublime puritana, ora como decaída meretriz;
antes de retornar a casa onde se sentia prisioneira,
na vã tentativa de se recompor do tresloucado espetáculo de imagens.
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ÀS VEZES É PRECISO ROMPER O SILÊNCIO COM OUSADIA
Não hesites, não titubeis e, sobretudo, não penses
como na noite em que deixamos as sombras predominarem sobre nossas frágeis luzes;
quando chegares, vem como um sol solto no ar, ousa, toma, pega sem qualquer medo ou receio de aniquilação!
136
CÉUS ESCUROS
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TODOS OS AMANTES SE DIZEM INFINITOS
Precisas tentar esconder a dor e a suavidade de tuas lágrimas,
senão, ao pendular da lua ou ao cintilar das estrelas, quando eu estiver tentando me abrigar às fechadas e escuras matas,
eu posso não aguentar imaginá-la assim por minha causa, sem correr o risco de me perder como pássaro jazido!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*