Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
A vida é como uma imensa e exuberante planície, e nós como cervos a lhes ___ pastarmos a ramagem;
vez em quando alguém vem em sentido contrário. gritando desesperadamente: ___ "corre, corre, corre",
em fuga e alarme por, de repente, ter descoberto ___ um predador,
disfarçado no meio do rebanho ou escondido entre a obscura ___ folhagem.
194
AMO EM SILÊNCIO
Nenhum sorriso quimericamenteforjado, artificialmente colorido, mesmo que belo, mas fictício;
nenhum ato íntimo, dos beijos, às chupadas mais excitantes e às gozadas mais intensas;
nenhuma palavra que sugira um amor que não seja sincere, confiável e que não se demonstre em fortes paradoxos os dois lados da semente
pode substituir a docilidade - longe da sombra de qualquer engano espigado, falado ou moldado - no amor alicerçado no silêncio!
185
A NOITE SE APROXIMA RAPIDAMENTE
... balanças muito, sonhas pouco, ___ vociferas às vezes,
em caminhos ___ sem rumos certos;
mas um dia, tu finalmente descobrirás o que precisas ___ fazer,
e então teu único problema sera se for ou não tarde ___ demais!
109
CÉUS ESCUROS
114
SER: ERROR AND GLORY!
Humanos, demasiado humanos, condenados à beira do erro inexoravelmente estamos,
por isso que concordo com Fernando Pessoa quando disse que "pensar é essencialmente errar!";
mas, querida, é só sendo humanos que podemos também dançar, poetisar e amar!
154
AO FIM DO BAILE
... acho que eu devia estar feliz por ainda estar vivo,
depois de me deslizar tanto sobre pedras frias;
mas, não sei por quê, eu me sinto é cercado de fantasmas e de zumbis
nas ruas, no face, no zap, no celular e por todo lugar, enfim!
142
ELA ME IMPRESSIONOU
... pouco me impressionaram as coisas deste mundo,
mas, trajando-te sublime luz e sensualíssimo corpo,
é incrível como foste assim tão
tão efusiva, tão vivaz, tão eróticamente sedutora e paradoxalmente morta!
161
AO DESERTO
... um anjo
in vitro ao espelho avesso
se desfilou,
uma rosa
com pétalas negras
se mostrou,
a princesa
foi foder com marinheiros
de céus outros,
doutores
e até padres com sêmens
a benzeram:
anoiteceu,
a sombra lh chegou
e se lhe assentou entre a cinza
e a cal,
até que,
depois de muito tempo,
outra flor lhe
nasceu!
169
TODOS OS AMANTES SE DIZEM INFINITOS
Precisas tentar esconder a dor e a suavidade de tuas lágrimas,
senão, ao pendular da lua ou ao cintilar das estrelas, quando eu estiver tentando me abrigar às fechadas e escuras matas,
eu posso não aguentar imaginá-la assim por minha causa, sem correr o risco de me perder como pássaro jazido!
161
O PARADOXO DO SER
Há um querer cintilar, entre as espectrais coisas a que nos ligamos, com a vesania da mente e com o paradoxo da palavra que me incomoda.
Nas verdade, nenhuma metafísica, fé ou qualquer outra alucinação pode ser verdadeira, além de nossas idéias de que nos sejam.
Assim, nossas projeções e visões de tudo que nos cerca, ou do que abstratamente criamos, são-me tão aterradoras que superam o último ciclo do inferno de Dante, também, logicamente, inaugurado no teatro de nossas existências inconcretas.
Não gosto de ser extensivo diante de velórios, sobretudo quando ele dá sob cintilantes brilhos de alguns de meus irmãos apagados.
O estar tenuamente no meio das coisas (entendam-se: viver entre elas, e sem elas nada ser) de Heidegger; a condição inerente que o homem tem de poder fazer escolhas sob todas as circunstâncias, apregoado por Jean Paul Sartre; o Zaratustra e outros reflexos egocêntricos de Friedrich Nietzsche espalhados com sua assumida soberbia; e aquela estorinha fabulada, contada pelo ébrio pescador, alheio aos imperadores dos verbos, no botequim que eu freqüentava, têm todos suas relevantes verdades verbalizadas, diante, logicamente, das retinas de seus emissores e das idéias que têm delas os demais abnormais que as ouviram ou leram, em concordâncias ou não, uma vez que foram inauguradas e postas por e entre outros abnormais.
De fato não me parece possível exteriorizar em regozijos, contos, invenções ou quaisquer enredos que envolvam o verbum volat, sobre nossos semelhantes e as coisas entre as quais estamos, sem que mostremos reflexos próprios e de nossos semelhantes, ou vice-versa. Ou seja: não me parece plausível um fiel olhar diante do espelho, intrínseco, sem que se veja um pouco de nossos congêneres.
Isso coloca a faustidade do lume ou a verdade do ser como absolutas em suas existências anômalas?
Se tudo reflete de nossos cernes, parece-me haver um grande paradoxo:
Se emanado nos foi algo qualquer de qualquer ser, inaugurado foi, e haverá diante dessa nova gênese a idéia de que esteja certa ou errada, de que exista ou não. Mas sendo idéia que apreendemos do feito, passaram a haver diante de nossas razões sencientes seja para viver ou para morrer entre as demais criações do desalinho. Isso nos torna deuses apócrifos, em que nos tornamos despercebidamente.
Por outro lado, se no valsar concreto das coisas que há, adquirimos, em algum momento, a condição de nada mais emitir, criar ou expurgar com nossos lumes (ao que chamo: "apagamento"), abnômalos somos e, por essa condição nata, condenados a apenas ter idéias próprias das coisas (ao que chamo: "estar na ponte" ou "na grande barreira"), sem que elas sejam como a idealizamos, e sem que deixem de existir concretamente, ausentes nossas ideias do que sejam. E aí se configura a abnormidade singular da existência.
P.S. Assim seja diante de minha ideia do não possa ser, além da grande barreira, objeto de estudo dos abnormais citados e de tantos outros.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*