Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
simplesmente porque ela nunca entendeu, embora eu tanto explicasse com minha filosofia ineficazmente confusa
que um anjo não pode amar, transar e lutar celebrando a vida, sem também colher os frutos das quedas entre chãos e carnes e das mortes de suas asas!
164
NO SILÊNCIO NOTURNO
Noite sombrosa e fria. Em mim há lagos de fogo a me queimarem o pensamento que me entorpece.
Hoje, todos os fantasmas, de todos os tempos, reuniram-se e tramam para me levarem a seus reinos sombrios, enquanto a suave brisa compõe a última sinfonia.
Fora de mim, nos semblantes que omitem suas dores em risos ébrios, e nos corpos que apresentam desejos despudorados em curvas ocultas, contemplo flores se apodrecem inadvertidamente pelo caminho, sacrilejadas pelo tempo que lhes viola futilidades ás avessas.
E os cheiros almiscarados, a exalarem das flores cadentes, trazem a fragrância à medida certa, para manter em mim a frágil chama - quase apagada pelo vazio que se me assenta severamente - e mascarar minha iminente partida, contra a qual luto em suspiro final.
Próximo à manhã, tudo parece ainda mais estranho e surreal. Sinto que a vida de mim também se vai esvaindo lentamente.
Uma suave brisa me acaricia, leve e mornamente, o corpo frágil, como que a afagar meus derradeiros murmúrios supliciados.
Então, a pequena chama residual se me contorce em mínimos feixes de luz, prenunciando o fim que se aproxima o momento seria trágico, não fosse meu anseio pelo sono derradeiro que viesse me aliviar minhas angústias mais severas, mergulhando-me no apagamento eterno e me libertando da prisão em que me encontro.
133
MINHA AMADA IMORTAL
Quebrando as barreiras da insanidade, invadi os espaços todos do Cosmo, violei os tempos, tornando-os meus escravos.
Toda a natureza me obedeceu e a mim se sujeitou perante a energia despendida na gloriosa busca.
Na Terra levantaram barreiras, já demolidas, e, antes, na vida passada, em Querac, sob a escuridão do planeta sem sol, seres dobraram os joelhos perante a força de um amor que trancende.
A morte vinda em batalha, em Lasaac, ao confrontar deuses irados que me queriam tomar a amada, apenas por algum tempo conseguiu o odioso intento, lançando-me ao inferno, sob a vigia dos indignos.
Mas eis que nem os servos de Hades ou de Malamac, ensandecidos com tal amor conseguiram me conter. rebelando-me contra o próprio mundo das trevas absolutas, em pulsares de energia contínua, também a reclamei.
Os inimigos concentraram tamanha força e união para as batalhas insanas, impondo-me a dor da ausência, que ao início voltei e contemplei a grande explosão original, em busca de energia bruta, concentrada e absorvida para sobrepujá-los.
O Cosmo estremeceu perante a violação inicial, leis físicas não mais existiram em muitos reinos e o tecido cosmo-tempo fora alterado sob tal poder.
Até os paraísos intocados dos luminosos se abalaram. Fortalecido, venci o deus-demônio Isalin, filho de comunhão vossa, e vosso mais poderoso guerreiro, com armadura de sombra e luz, e o fiz dobrar os joelhos na grande nebulosa distante.
Ao sobrepujá-lo, tornei-o prisioneiro enfraquecido, enviando-o às incertezas e tornando-o um fantasma sem rosto.
Deuses e demônios, seres titânicos de todo o Cosmo, por que ousastes tentar separar tamanha força de união?
Por que me obrigaram a destruir os mundos de Laizin, de Harkak e tantos outros a quem contra nosso amor envenenaste?
Eis que ainda sinto vossas forças agindo em profanação, em todos os tempos e espaços e possibilidades possíveis, contaminando mundos vários de seres inocentes com a pregação infame, contra nosso amor, para apartar-me de minha esposa celestial.
Não sabes que à eternidade me lancei para a amar, e para retomar minha amada imortal em alma e fogo?
Se condenares nosso amor e contra ele vos insurgires, poupais, ao menos, os mundos inocentes de minha ira contra vós!
190
ELA EM MINHA VIDA
É raro eu não me lembrar dela;
é raro quando, ao me recordar daqueles momentos em que visitávamos juntos infinitos,
não me correr uma lágrima dos olhos por ela;
é extremamente raro eu sorrir, tentar me iludir novamente com algum amor colorido,
beijar, abraçar, transar ou qualquer outra coisa no jardim da vida
sem o impacto doloroso, angustiante e intermitente da perda dela!
111
IMANENTEMENTE FIRME
Sei que corro sério risco de vêreis egocentrismo no que vou dizer - e nem me nego tal imanência -, entretanto não mais me permito medos nesta breve jornada;
muito pelo contrário habituei-me a transitar entre a solidão, com meus fantasmas bastardos e com minhas imanentes sombras, como há tanto tempo tenho feito:
Raro me é tolerar, por muito tempo, alguém próximo sem que o chateie com meus fétidos suores e meus avessos reflexos;
e quando me perco a olhar rostos, pernas, peitos, vulvas e contos de fadas regozijados por anjos e demônios,
é prenúncio de naufrágio, não da humaníssima relação em si, mas do que de melhor se costuma perder quando também se perde a cegueira.
Antes seja, portanto, a inalcançável pureza dos sem-limites do que os escândalos e as quedas ao fim dos encharcados crepúsculos.
181
SEM MAIS ESTAÇÕES
Tua presença
me é urgente, minha boca
reclama um beijo
de tua boca,
meu corpo
deseja teu corpo em nossa
cama onde agora me deito
sozinho,
sem mais esperanças
de que possas vir durante
a passagem pela ponte
existencial,
tive de abandoner
meus desejos e meus sonho, e me
fincar na esperança de um dia poder,
além, contemplar tua alma!
201
AS LUZES E SOMBRAS NOSSAS
Acaso a luz pode adentrar as profundezas côncavas de vossas sombras, para que continueis vos achando assim tão inocentes,
enquanto mal conseguis intransitivar o verbo às elucubrações e julgos proferidos aos dissidentes semelhantes?
Acaso já destes mais que um paus e uns trocados às putas em seus leitos mordacentos,
enquanto vos derramas em amores, lavores e sublimes ensinamentos junto a vossos amigos, esposas e famílias?
Acaso já vivenciastes de modo pleno, alguma vez que seja, o vasto limite das purezas divinas que vós mesmos inventastes
- e das quais tanto vos regozijais -,
enquanto vos escorres dissimuladamente com mãos, sexos, fantasias, insânias e verbos por recantos escondidos de graciosas obscuridades?
Ora, caríssimos menestréis e doutos formados em luzes artificiais; se já, então podeis atirar a este cão as piores pedras.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*