Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Um dia fui lá, onde nem mais sei, mas sei que te vi: sentada, deslumbrante.
até havia me esquecido de que um dia amei teu olhar.
Mas por que não me esqueci, de me esquecer de que um dia fui lá?
155
E SÓ O NIHIL RESTARÁ
... empurra o tempo o rebanho ao frio apagamrnto;
há flocos de neve caindo à negra florestas,
há ilusões servidas nos cafés de manhã,
há fogosd dr incendiando vadiamente pelos leitos,
há frágeis luzes que querem se acender às sombras:
e, assim, cresce a humanidade, sonhando, fantasiando e vadiando,
até que lhes acabem as majestades, chegue -lhesa noite inglória
e se caiam em eterno e insinciente desabamento.
121
NO SILÊNCIO NOTURNO
Noite sombrosa e fria. Em mim há lagos de fogo a me queimarem o pensamento que me entorpece.
Hoje, todos os fantasmas, de todos os tempos, reuniram-se e tramam para me levarem a seus reinos sombrios, enquanto a suave brisa compõe a última sinfonia.
Fora de mim, nos semblantes que omitem suas dores em risos ébrios, e nos corpos que apresentam desejos despudorados em curvas ocultas, contemplo flores se apodrecem inadvertidamente pelo caminho, sacrilejadas pelo tempo que lhes viola futilidades ás avessas.
E os cheiros almiscarados, a exalarem das flores cadentes, trazem a fragrância à medida certa, para manter em mim a frágil chama - quase apagada pelo vazio que se me assenta severamente - e mascarar minha iminente partida, contra a qual luto em suspiro final.
Próximo à manhã, tudo parece ainda mais estranho e surreal. Sinto que a vida de mim também se vai esvaindo lentamente.
Uma suave brisa me acaricia, leve e mornamente, o corpo frágil, como que a afagar meus derradeiros murmúrios supliciados.
Então, a pequena chama residual se me contorce em mínimos feixes de luz, prenunciando o fim que se aproxima o momento seria trágico, não fosse meu anseio pelo sono derradeiro que viesse me aliviar minhas angústias mais severas, mergulhando-me no apagamento eterno e me libertando da prisão em que me encontro.
133
EU, MINHAS VESANIAS E MEUS SEGREDOS
... pássaro, alecrim, anjo, capetinha
ou um aventureiro que viva cruzando os leitos, os céus e as estradas:
como tudo se dá somente por uma existência sensível às chuvas e aos ventos,
não faz, ao fim, a menor diferença, Baby!
94
O TEMPO
... e o tempo não leva somente o vento
e as alheias coisas onde nos fomos jogados:
levará, um dia, não mais distante que um piscar do Cosmo,
do ser, todo senciente intento.
164
AMANHÃ, VESTIR-ME-ÃO COM AS CINZAS DA NOITE
... lembro-me
de quanto era criança,
despetalava
as flores brincando
e fazendo-as
morrer,
os pássaros
que eu pegavam morriam
ao meu bodoque ou
ao meu prazer,
as masturbações
corriam tenramente sem
a menor culpa
ou pudor:
hoje,
para se vingarem,
as flores se foram a outros
jardins,
os pássaros
fugiram a outros céus
e, por bater punheta, carrego
o peso de ser um puto
pecador!
180
DESORIENTADO
... acabaram-se
as certeiras lâminas verbais,
fizeram
greve as flores nos meus
carnavais,
saíram
todos a se incendiarem
em nuvens,
e eu fiquei,
desertificado com lembranças
do que nunca fora
como disseram:
hoje,
só ouço uma música
e só vejo uma rosa que, também,
provavelmente esteja longe
do meu modesto
alcance!
144
À ESPERA DE UMA MANHÃ DE SOL
... não há
mais fonte,
o voo foi
amputado em pleno
ar,
o rio secou
em seu leito breu,
planto
estranhos versos
nesse recanto,
como se
isso pudesse me tirar
o veneno das veias:
mas uma Brisa
me sopra do infinito,
dando-me ainda alguma
esperança
de que
se cicatrizem as feridas
das vésperas e ressurja
um novo sonho!
135
TENHO PRESSA
... tenho pressa, tenho muitíssima pressa, a morte me espera após a próxima curva,
e o que adiantará alguém querer quando não mais puder ter?
Não há mais espaços para sonhos, fantasias e punhetas vãs:
quem quiser marchar comigo precisa coragem,
para acender ainda um sol e, se preciso for, apagá-lo com lágrinecessário for, em chuvas!
117
EXTENSO DESERTO
Talvez esse meu deserto não seja mais que máxima representação
de meus fracassos e de minha covardia por entre as margens e as imagens do caminho ;
talvez eu esteja usando minhas senciências espúrias e meu maldito bodoque verbal,
tão somente para tentar me refugiar, em vão, de meus próprios e cernientes erros e medos.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*