Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Por que te preocupavas em entender-me, flor de inverno, se de onde te encontravas não te era possível,
ou por outra, por que não congelaste meus versos, para os leres quanto também não mais te houvesse mais ilusões transitivas,
para quando também não te repousares o dissimulado olhar em outra direção, que não fosse a de teus próprios passos perdidos?
158
DANÇANDO NO FRIO
Já a mais de meio caminho da viagem, finalmente consegui entender que não adianta viver de faustas e falsas iluminuras;
nem inventar mil e uma esperanças para que alguma ilusão sublime se cumpra;
nem - muito menos - ficar enxugando fluxos de lágrimas ou lamentando perdidos nesta vã e vil vida;
porque [inexoravelmente] todos os momentos ruins passam; e os bons também.
191
TU, QUE SABE O QUANTO EU TE AMEI!
Teu inesquecível olhar,
teus angelicais gestos,
tua irresistível palidez,
teus sorrisos pueris
tuas lágrimas incontidas,
teu corpo em puro cântaro,
teu incondicional amor prometido:
meu engano mais doce,
e dolorosamente profundo.
179
NO SILÊNCIO NOTURNO
Noite sombrosa e fria. Em mim há lagos de fogo a me queimarem o pensamento que me entorpece.
Hoje, todos os fantasmas, de todos os tempos, reuniram-se e tramam para me levarem a seus reinos sombrios, enquanto a suave brisa compõe a última sinfonia.
Fora de mim, nos semblantes que omitem suas dores em risos ébrios, e nos corpos que apresentam desejos despudorados em curvas ocultas, contemplo flores se apodrecem inadvertidamente pelo caminho, sacrilejadas pelo tempo que lhes viola futilidades ás avessas.
E os cheiros almiscarados, a exalarem das flores cadentes, trazem a fragrância à medida certa, para manter em mim a frágil chama - quase apagada pelo vazio que se me assenta severamente - e mascarar minha iminente partida, contra a qual luto em suspiro final.
Próximo à manhã, tudo parece ainda mais estranho e surreal. Sinto que a vida de mim também se vai esvaindo lentamente.
Uma suave brisa me acaricia, leve e mornamente, o corpo frágil, como que a afagar meus derradeiros murmúrios supliciados.
Então, a pequena chama residual se me contorce em mínimos feixes de luz, prenunciando o fim que se aproxima o momento seria trágico, não fosse meu anseio pelo sono derradeiro que viesse me aliviar minhas angústias mais severas, mergulhando-me no apagamento eterno e me libertando da prisão em que me encontro.
134
O MAR QUE ME AFOGA
Eu sei que estás comigo, como companheira, amiga e amante.
Eu sei que tens me compreendido e me estendido a mão em ajuda.
Eu sei que ando estressado, nervosa, muitas vezes descontrolado e em chuvas de fogo,
E eu sei que isso demasiado te machuca,
Mas eu tenho lutado muito contra meu maior inimingo, eu mesmo, e tenho sentido que venço algumas batalhas,
mas para ele perco as guerras durante os quarenta e sete anos de minha vida.
Eu juro que queria ser melhor, mais gentil e dedicado e compreensivo amantepara ti, sem essas minhas sencientes reações imprevisíveis e absurdas.
Eu me sinto destruído quando vejo uma lágria a corer em teu rosto, provocada pelas minhas insanas tempestades loucas.
E, embora eu não saiba amar, quero dizer que te amo, e eu ainda ouvirei nossa música, mas temo que não por muito tempo mais tempo,
eu venci muitos frontes, mas agora eu já me sinto muito fraco e cansado.
E, mesmo não sendo bom para ti, eu sei de tuas espiritualidade, de tua fé e de tua força,
e gostaria te te fazer um pedido, neste momento em que me sinto em iminência de partir ao apagamento:
"Quando me morrer, poderias acender para mim uma vela por dia, se possíve, ou se for muito trabalho, uma vela por semana pelo menos? Eu suplico!
141
MASTURBAÇÕES
"Você se masturba muito, Thor Menkent?
Oh! Sobretudo quando me enlaço com as palavras
e me transcendo a sonhar - ruflando asas que não tenho -,
havendo-me intensos orgasmos em atrofiadas poesias.
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MINHA AMADA IMORTAL
Quebrando as barreiras da insanidade, invadi os espaços todos do Cosmo, violei os tempos, tornando-os meus escravos.
Toda a natureza me obedeceu e a mim se sujeitou perante a energia despendida na gloriosa busca.
Na Terra levantaram barreiras, já demolidas, e, antes, na vida passada, em Querac, sob a escuridão do planeta sem sol, seres dobraram os joelhos perante a força de um amor que trancende.
A morte vinda em batalha, em Lasaac, ao confrontar deuses irados que me queriam tomar a amada, apenas por algum tempo conseguiu o odioso intento, lançando-me ao inferno, sob a vigia dos indignos.
Mas eis que nem os servos de Hades ou de Malamac, ensandecidos com tal amor conseguiram me conter. rebelando-me contra o próprio mundo das trevas absolutas, em pulsares de energia contínua, também a reclamei.
Os inimigos concentraram tamanha força e união para as batalhas insanas, impondo-me a dor da ausência, que ao início voltei e contemplei a grande explosão original, em busca de energia bruta, concentrada e absorvida para sobrepujá-los.
O Cosmo estremeceu perante a violação inicial, leis físicas não mais existiram em muitos reinos e o tecido cosmo-tempo fora alterado sob tal poder.
Até os paraísos intocados dos luminosos se abalaram. Fortalecido, venci o deus-demônio Isalin, filho de comunhão vossa, e vosso mais poderoso guerreiro, com armadura de sombra e luz, e o fiz dobrar os joelhos na grande nebulosa distante.
Ao sobrepujá-lo, tornei-o prisioneiro enfraquecido, enviando-o às incertezas e tornando-o um fantasma sem rosto.
Deuses e demônios, seres titânicos de todo o Cosmo, por que ousastes tentar separar tamanha força de união?
Por que me obrigaram a destruir os mundos de Laizin, de Harkak e tantos outros a quem contra nosso amor envenenaste?
Eis que ainda sinto vossas forças agindo em profanação, em todos os tempos e espaços e possibilidades possíveis, contaminando mundos vários de seres inocentes com a pregação infame, contra nosso amor, para apartar-me de minha esposa celestial.
Não sabes que à eternidade me lancei para a amar, e para retomar minha amada imortal em alma e fogo?
Se condenares nosso amor e contra ele vos insurgires, poupais, ao menos, os mundos inocentes de minha ira contra vós!
191
EM FRANCA E FORTE CHUVA!
Mais uma chuva, mais uma mordida no câncer vivo desta enferma paixão à nuvem,
onde nos dizemos amar em sonhos e esperanças vazias, enquanto nos quedamos epilepticamente em insânias sem cura;
mais uma vez, sozinho, elevo o verso ao meio da madrugada para falar do verme e da flor mutuamente feridos,
que se habituaram a viver neste paradoxal ciclo - bruto e imundo -, onde se proliferam harmonias lumes e caos sem nexos quase todos os dias.
167
POR QUE NÃO ME ESQUECI?
Um dia fui lá, onde nem mais sei, mas sei que te vi: sentada, deslumbrante.
até havia me esquecido de que um dia amei teu olhar.
Mas por que não me esqueci, de me esquecer de que um dia fui lá?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*