Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Sou um rasgo em tua vida, um mascarado a me fingir de anjo branco,
o vilão disfarçado de herói, o infalível herói e dom ruam, o infinito ponto com que podes sonhar,
amante apimentado, companheiro de chãos, de possas e de ilusórios reinados,
chego-me, seduzo-te e contigo faço amor cvompleto sem desagrados,
de tal modo que, ao te servir e ao me beberes, não te contém e te embriagas extática e absurdamente!
199
PROJETAMOS, MAS O PORVIR TAMBÉM NÃO É NOSSO CAMINHO OU SOLUÇÃO
... falamos de nossos desejos, de nossos sonhos e de nossas esperanças.
imaginamos esplêndidos voos, navegações sem limites e brilhantismo em poder, em honra e glória,
projetamos a mais bela, gostosa e fiel senhora para estar de nosso lado na lida, na derrama e na cama,
mas quando se precipita o destino, sempre postergamos para o porvir diante do presente equívoco,
desapercebidos de que nada se separa da luz e das trevas e que do esplêndido e perfeito reino que imaginamos
em sapiens e abnormal realidade, estamos condenados a nunca conseguir contemplar!
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SORRISOS E LÁGRIMAS
As gentes sorrimos sonhos e conquistas fluorescentes, enquanto outros choram dores e angústias recorrentes,
em inexorável, ávido e cíclico vício de cultuarmos - com palavras, sentimentos e halos de pedras -
as incomensuráveis paixões pelas imagens, que florescem em nossos suntuosos e abnômalos umbrais.
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MINHA AMADA IMORTAL
Quebrando as barreiras da insanidade, invadi os espaços todos do Cosmo, violei os tempos, tornando-os meus escravos.
Toda a natureza me obedeceu e a mim se sujeitou perante a energia despendida na gloriosa busca.
Na Terra levantaram barreiras, já demolidas, e, antes, na vida passada, em Querac, sob a escuridão do planeta sem sol, seres dobraram os joelhos perante a força de um amor que trancende.
A morte vinda em batalha, em Lasaac, ao confrontar deuses irados que me queriam tomar a amada, apenas por algum tempo conseguiu o odioso intento, lançando-me ao inferno, sob a vigia dos indignos.
Mas eis que nem os servos de Hades ou de Malamac, ensandecidos com tal amor conseguiram me conter. rebelando-me contra o próprio mundo das trevas absolutas, em pulsares de energia contínua, também a reclamei.
Os inimigos concentraram tamanha força e união para as batalhas insanas, impondo-me a dor da ausência, que ao início voltei e contemplei a grande explosão original, em busca de energia bruta, concentrada e absorvida para sobrepujá-los.
O Cosmo estremeceu perante a violação inicial, leis físicas não mais existiram em muitos reinos e o tecido cosmo-tempo fora alterado sob tal poder.
Até os paraísos intocados dos luminosos se abalaram. Fortalecido, venci o deus-demônio Isalin, filho de comunhão vossa, e vosso mais poderoso guerreiro, com armadura de sombra e luz, e o fiz dobrar os joelhos na grande nebulosa distante.
Ao sobrepujá-lo, tornei-o prisioneiro enfraquecido, enviando-o às incertezas e tornando-o um fantasma sem rosto.
Deuses e demônios, seres titânicos de todo o Cosmo, por que ousastes tentar separar tamanha força de união?
Por que me obrigaram a destruir os mundos de Laizin, de Harkak e tantos outros a quem contra nosso amor envenenaste?
Eis que ainda sinto vossas forças agindo em profanação, em todos os tempos e espaços e possibilidades possíveis, contaminando mundos vários de seres inocentes com a pregação infame, contra nosso amor, para apartar-me de minha esposa celestial.
Não sabes que à eternidade me lancei para a amar, e para retomar minha amada imortal em alma e fogo?
Se condenares nosso amor e contra ele vos insurgires, poupais, ao menos, os mundos inocentes de minha ira contra vós!
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ABOMINADOR
Chovo o verbo volátil e abomino a loucura dos homens;
e, por isso, é que vivo lhes expondo as espúrias, acidentais e sencientes abnormidades:
mas ainda espero conhecer, ao incerto porvir, algum sublime ser,
capaz de mostrar-me o erro fatal e de redimir-me desta tênebra capacidade
de não crer nos ditos, nos feitos e nos enredos sapiens.
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O CHAMADO DO NIHILO
No caminho até o grande monte, longe do contato vulnerável com a causa perdida, quis o tempo me mostrar algo:
a ferida exangue, embrionária, alastra-se discreta, com seus vermes a se alimentarem do leito vivo.
A vida, efemeridade, esvai-se discreta com a chaga, sem destino, em fragmentos de lembranças perdidas,
num ignóbil fiasco do espetáculo onde tantas vezes atuei, infectado, com a cor falseada das máscaras minhas.
Da rocha firme, de onde antes desafiava o mundo, sobrou apenas um resíduo enlodaçado de sonhos,
incapaz de aliviar a dor que invade a alma perdida, Em caos, entre as sombras que lhe foram plantadas.
Com o olhar perplexo, o medo provoca a paralisia, as trevas eternas e famintas vão devorando todo meu ser,
e um murmúrio suplicando piedade, solto às portas inferno, sob trapos de luz, não se faz ouvir pelos deuses impiedosos.
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EXTENSO DESERTO
Talvez esse meu deserto não seja mais que máxima representação
de meus fracassos e de minha covardia por entre as margens e as imagens do caminho ;
talvez eu esteja usando minhas senciências espúrias e meu maldito bodoque verbal,
tão somente para tentar me refugiar, em vão, de meus próprios e cernientes erros e medos.
130
O PARADOXO DO SER
Há um querer cintilar, entre as espectrais coisas a que nos ligamos, com a vesania da mente e com o paradoxo da palavra que me incomoda.
Nas verdade, nenhuma metafísica, fé ou qualquer outra alucinação pode ser verdadeira, além de nossas idéias de que nos sejam.
Assim, nossas projeções e visões de tudo que nos cerca, ou do que abstratamente criamos, são-me tão aterradoras que superam o último ciclo do inferno de Dante, também, logicamente, inaugurado no teatro de nossas existências inconcretas.
Não gosto de ser extensivo diante de velórios, sobretudo quando ele dá sob cintilantes brilhos de alguns de meus irmãos apagados.
O estar tenuamente no meio das coisas (entendam-se: viver entre elas, e sem elas nada ser) de Heidegger; a condição inerente que o homem tem de poder fazer escolhas sob todas as circunstâncias, apregoado por Jean Paul Sartre; o Zaratustra e outros reflexos egocêntricos de Friedrich Nietzsche espalhados com sua assumida soberbia; e aquela estorinha fabulada, contada pelo ébrio pescador, alheio aos imperadores dos verbos, no botequim que eu freqüentava, têm todos suas relevantes verdades verbalizadas, diante, logicamente, das retinas de seus emissores e das idéias que têm delas os demais abnormais que as ouviram ou leram, em concordâncias ou não, uma vez que foram inauguradas e postas por e entre outros abnormais.
De fato não me parece possível exteriorizar em regozijos, contos, invenções ou quaisquer enredos que envolvam o verbum volat, sobre nossos semelhantes e as coisas entre as quais estamos, sem que mostremos reflexos próprios e de nossos semelhantes, ou vice-versa. Ou seja: não me parece plausível um fiel olhar diante do espelho, intrínseco, sem que se veja um pouco de nossos congêneres.
Isso coloca a faustidade do lume ou a verdade do ser como absolutas em suas existências anômalas?
Se tudo reflete de nossos cernes, parece-me haver um grande paradoxo:
Se emanado nos foi algo qualquer de qualquer ser, inaugurado foi, e haverá diante dessa nova gênese a idéia de que esteja certa ou errada, de que exista ou não. Mas sendo idéia que apreendemos do feito, passaram a haver diante de nossas razões sencientes seja para viver ou para morrer entre as demais criações do desalinho. Isso nos torna deuses apócrifos, em que nos tornamos despercebidamente.
Por outro lado, se no valsar concreto das coisas que há, adquirimos, em algum momento, a condição de nada mais emitir, criar ou expurgar com nossos lumes (ao que chamo: "apagamento"), abnômalos somos e, por essa condição nata, condenados a apenas ter idéias próprias das coisas (ao que chamo: "estar na ponte" ou "na grande barreira"), sem que elas sejam como a idealizamos, e sem que deixem de existir concretamente, ausentes nossas ideias do que sejam. E aí se configura a abnormidade singular da existência.
P.S. Assim seja diante de minha ideia do não possa ser, além da grande barreira, objeto de estudo dos abnormais citados e de tantos outros.
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TODO ANJO VOA EM DIREÇÃO A QUEDAS
... ela se dizia pura, pura, puríssima,
mesmo entre camas, dramas e abismos escuros,
simplesmente porque ela nunca entendeu, embora eu tanto explicasse com minha filosofia ineficazmente confusa
que um anjo não pode amar, transar e lutar celebrando a vida, sem também colher os frutos das quedas entre chãos e carnes e das mortes de suas asas!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*