Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Uma formiga-feiticeira corre sem parar, por sinuosas trilhas, imaginando ser uma pura e esplende águia;
carrega néons às mãos e à boca, cuspindo clarões aos iludidos céus e concupiscências aos quentes corpos dos demais bundas-de-ouro:
à noite, ela se chove (em avessos escuros e cernientes destroços) às mais frágeis almas.
203
OS MENTIROSOS
Eu afirmo que todos os anjos terrestres,
que todos os que se autodeclaram puros, moralistas e conselheiros dos mais fracos, tolos e oprimidos,
que todos os que são soberbos vaidosos com seus corpos ou com corpos olheios,
com seus desejos e com desejos alheios, com seus sonhos e com os sonhos alheios,
atribuindo-se pretenções e direitos que exigem (mesmo inconscientemente) do companheiro que dizem amar, para satisfação de si mesmos
têm exatamente a mesma condição abnômala que a minha e se regem exatamente pelas mesmas caracteríscas psíquicas que as minhas!
191
QUANDO O CAMINHO SE ESTREITA ABSURDO!
Temos de percorrer a mesma estrada,
viver no mesmo tempo cosmológico,
subir a mesma escada da vida,
sonhar como todos sonhas e também ter dos piores tipos de pesadelos;
temos de comemorar com anjos e heróis as vitórias soberbas, assim como suportas os fantasmas
e o portão final que atravessaremos será para todos nós o mesmo:
a chance de estarmos juntos novamente em um piscar de olhos do caos que reina, alheio a nossas retinas, no univeso
é tão minima que, se soubéssemos, não perderíamos nem um segundo com florais,
com os quais traímos nossos amigos, parentes e comanheiros mais próximos e amados,
com sonhos incautos e com chuvas assassinas que espalhamos por todo lado
ou com palavratórios que nunca nos levaram a nada!
187
IMANENTEMENTE FIRME
Sei que corro sério risco de vêreis egocentrismo no que vou dizer - e nem me nego tal imanência -, entretanto não mais me permito medos nesta breve jornada;
muito pelo contrário habituei-me a transitar entre a solidão, com meus fantasmas bastardos e com minhas imanentes sombras, como há tanto tempo tenho feito:
Raro me é tolerar, por muito tempo, alguém próximo sem que o chateie com meus fétidos suores e meus avessos reflexos;
e quando me perco a olhar rostos, pernas, peitos, vulvas e contos de fadas regozijados por anjos e demônios,
é prenúncio de naufrágio, não da humaníssima relação em si, mas do que de melhor se costuma perder quando também se perde a cegueira.
Antes seja, portanto, a inalcançável pureza dos sem-limites do que os escândalos e as quedas ao fim dos encharcados crepúsculos.
182
TENHO PRESSA
... tenho pressa, tenho muitíssima pressa, a morte me espera após a próxima curva,
e o que adiantará alguém querer quando não mais puder ter?
Não há mais espaços para sonhos, fantasias e punhetas vãs:
quem quiser marchar comigo precisa coragem,
para acender ainda um sol e, se preciso for, apagá-lo com lágrinecessário for, em chuvas!
118
PROJETAMOS, MAS O PORVIR TAMBÉM NÃO É NOSSO CAMINHO OU SOLUÇÃO
... falamos de nossos desejos, de nossos sonhos e de nossas esperanças.
imaginamos esplêndidos voos, navegações sem limites e brilhantismo em poder, em honra e glória,
projetamos a mais bela, gostosa e fiel senhora para estar de nosso lado na lida, na derrama e na cama,
mas quando se precipita o destino, sempre postergamos para o porvir diante do presente equívoco,
desapercebidos de que nada se separa da luz e das trevas e que do esplêndido e perfeito reino que imaginamos
em sapiens e abnormal realidade, estamos condenados a nunca conseguir contemplar!
140
TODO ANJO VOA EM DIREÇÃO A QUEDAS
... ela se dizia pura, pura, puríssima,
mesmo entre camas, dramas e abismos escuros,
simplesmente porque ela nunca entendeu, embora eu tanto explicasse com minha filosofia ineficazmente confusa
que um anjo não pode amar, transar e lutar celebrando a vida, sem também colher os frutos das quedas entre chãos e carnes e das mortes de suas asas!
165
À ESPERA DE UMA MANHÃ DE SOL
... não há
mais fonte,
o voo foi
amputado em pleno
ar,
o rio secou
em seu leito breu,
planto
estranhos versos
nesse recanto,
como se
isso pudesse me tirar
o veneno das veias:
mas uma Brisa
me sopra do infinito,
dando-me ainda alguma
esperança
de que
se cicatrizem as feridas
das vésperas e ressurja
um novo sonho!
136
AO DESERTO
... um anjo
in vitro ao espelho avesso
se desfilou,
uma rosa
com pétalas negras
se mostrou,
a princesa
foi foder com marinheiros
de céus outros,
doutores
e até padres com sêmens
a benzeram:
anoiteceu,
a sombra lh chegou
e se lhe assentou entre a cinza
e a cal,
até que,
depois de muito tempo,
outra flor lhe
nasceu!
170
EU, MINHAS VESANIAS E MEUS SEGREDOS
... pássaro, alecrim, anjo, capetinha
ou um aventureiro que viva cruzando os leitos, os céus e as estradas:
como tudo se dá somente por uma existência sensível às chuvas e aos ventos,
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*